<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123</id><updated>2012-01-27T10:37:18.794-08:00</updated><category term='Dalton Trevisan'/><category term='Domingos Pellegrini'/><category term='Maringá'/><category term='poemas'/><category term='Chico Buarque'/><category term='Oscar Fussato Nakasato'/><category term='novo livro'/><category term='Literatura'/><category term='Nada me Faltará'/><category term='Crônicas'/><category term='contos'/><category term='Cristovão Tezza'/><category term='2010'/><category term='Livros'/><category term='Ferreira Gullar'/><category term='Lourenço Mutarelli'/><category term='William Maxwell'/><category term='Nihonjin'/><category term='O Diário'/><category term='conto'/><category term='Milton Hatoum'/><category term='crítica'/><category term='biografia'/><category term='resenha'/><category term='fotografias'/><category term='Até mais vejo você Amanhã'/><category term='Alexandre Gaioto'/><category term='entrevista'/><category term='Carpinejar'/><title type='text'>Alexandre Gaioto</title><subtitle type='html'>"Você não está me copiando, Alexandre. Seus contos são concisos, enxugados. Você tem voz própria, porra! Você não vai ser jornalista. Você vai ser escritor, porra!" -José Rubem Fonseca, 16 de Janeiro de 2009, Rio de Janeiro.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>100</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2788470904215620976</id><published>2011-12-26T14:11:00.001-08:00</published><updated>2011-12-26T14:12:34.189-08:00</updated><title type='text'>Por que chorei com Modigliani?</title><content type='html'>&lt;div&gt;Hemingway confessou, em entrevista à Paris Review, que escrevia melhor quando estava apaixonado. Entre 1914 e 1916, na Primeira Guerra Mundial, Appolinaire inspirou-se em Lou, uma de suas musas, para escrever alguns dos versos mais belos de toda a sua produção literária. As canções de Bob Dylan e o seu engajamento político não seriam os mesmos sem Suze Rotolo – a garota da capa do “Freewheelin”. O amor nunca moveu montanhas, mas sua colaboração à literatura, às artes, é incalculável. E me pego dizendo isso em voz alta, um pouco bêbado, na mesa do Salero, com a mesma fúria que um xiita religioso recita trechos aleatórios da bíblia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não acredita no amor. Me pergunta sobre as mulheres que naveguei. Quer saber se sou fiel. Quantas vezes traído, essas coisas. Não tenho segredos com ela. Já dediquei alguns poemas de amor a algumas mulheres que amei. Há algumas mulheres que amei, mas que me guardei ao direito de não escrever verso algum. Algumas mulheres levaram mais do que um punhado de versos. Levaram noites de cachaças, cervejas, juras de amor eterno e fidelidade que não se concretizaram. Algumas mulheres quase acabaram com a minha vida. Algumas mulheres desejam a minha morte, comento, enquanto ela exibe aquela covinha do lado esquerdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela está pedindo uma cachaça da casa, pergunta por que tantas mulheres nos seus poemas? Tudo isso é mesmo verdade? Só respondo que tudo é real no universo da ficção, que o amor não é uma desocupação dos desocupados, mas que estou com Hemingway. Escrevo melhor quando apaixonado. E não só os escritores escrevem melhor - lá estou apontando o copo de cerveja na direção dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza que Arvo Pärt compôs Spigel im Spigel completamente apaixonado. Os quadros são mais intensos quando apaixonados. Faço uma pausa. É por isso que chorei durante quarenta e cinco minutos na frente de Modigliani. Já vi Rembrandt, Picasso, Van Gogh, mas nada se compara a Amadeo Modigliani, que me nocauteou com apenas três quadros na parede. Os seguranças me olhavam estranho, as pessoas pareciam preocupadas, e eu permanecia atordoado, chorando na frente de Modigliani no meio do museu. Aquilo, continuo, não era uma obra de arte. Era o amor em forma de obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É engraçado. Com ela na minha frente, penso que os quadros de Modigliani não têm importância alguma. São chatos e tediosos, os pescoços de Modigliani. Sinto pena de Modigliani, que não conheceu ela, que não está nessa mesa bebendo com ela. Não consigo pintar um quadro como Modigliani, não componho como Bob Dylan ou Arvo Pärt. Só quero escrever poemas para ela, quero morrer olhando para ela, quero que ela nunca mais desapareça da minha vida.&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2788470904215620976?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2788470904215620976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2788470904215620976' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2788470904215620976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2788470904215620976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/12/por-que-chorei-com-modigliani.html' title='Por que chorei com Modigliani?'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8603114404250234768</id><published>2011-12-21T07:30:00.000-08:00</published><updated>2011-12-21T07:31:31.357-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Eu, Ariádiny e João Gilberto</title><content type='html'>Sou homem de poucos amigos. Feio. Perdi o humor. Me dou bem com algumas mulheres. Não faltam camas para me acolher na madrugada. Não gosto de cachorros nem de gatos. Meu vizinho, homossexual não assumido, largou o emprego para cantar sertanejo universitário em Maringá - não há uma única manhã de paz com esse desgraçado cantando na minha janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho 30 anos. Perdi o enterro do meu pai – na verdade, fiz questão de não ir. Quando tento pensar em minha mãe, a imagem que me vem à mente é a de Ariádiny. Acho que é por isso que até hoje não consigo parar de pensar em Ariádiny, no sorriso de Ariádiny, nela recitando Augusto dos Anjos enquanto encosto a cabeça em seu colo e peço a Deus arranque, por favor, meu último segundo de vida ali, deitado, em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou bebendo cada vez mais. Democrático, Divina Dose, Bar Sem Nome, Salero, estou em todos eles, devendo em todos eles – às vezes Ariádiny está comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela não está comigo, sinto que algo está errado. Maneta sem Ariádiny, daquele cabelo delicado, daquele humor à queima-roupa que só ela sabe disparar na mesa do bar, daquela vontade de estender as mãos, o peito, de silenciar o trânsito para ouvir Ariádiny.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem sabe viajar para Curitiba e ver Chico Buarque com Ariádiny? Tenho pena de quem nunca ouviu a gargalhada de Ariádiny. Estou escrevendo um romance inédito sobre ela. Que ninguém vai ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas gostam do que escrevo. Publiquei meia dúzia de livros, ganhei três Jabutis, e parei de escrever. Não permito ser fotografado, nunca concedi entrevistas, não compareci nos eventos literários em que fui homenageado. Ninguém sabe onde moro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, sou reconhecido em alguma mesa de bar. Culpa de um maldito da Folha de S. Paulo, que há dois anos publicou uma matéria com uma foto minha caminhando pelo centro da cidade. Parei de ler. A literatura engana, sufoca, enlouquece. A literatura não comove tanto quanto o sorriso de Ariádiny.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou com ingressos comprados para o show do João Gilberto. Estaremos na quarta fileira, poltronas A6 e A7, em São Paulo, no gargarejo. Eu, Ariádiny e João Gilberto. É quando vou dizer. Vou dizer tudo de uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem pausa, quase gritando para ela entender que isso é sério, para ela decorar como tudo mudou. Não é loucura minha vida, isso precisa sair daqui de dentro das entranhas. Mas se João Gilberto cancelar o show, eu juro que frito o esôfago de João Gilberto numa churrasqueira portátil no meio da Avenida Brasil num sábado talvez por volta das 18h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei onde ele mora (no Leblon General Urquiza, a uma quadra da praia). Então se esperte, meu velho! Atrase quanto quiser mas toque cante volte para o bis e salve minha vida e minha noite com Ariádiny.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8603114404250234768?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8603114404250234768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8603114404250234768' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8603114404250234768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8603114404250234768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/12/eu-ariadiny-e-joao-gilberto.html' title='Eu, Ariádiny e João Gilberto'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-3819516477995641300</id><published>2011-12-20T13:39:00.003-08:00</published><updated>2011-12-21T07:41:07.779-08:00</updated><title type='text'>João Gilberto me levou à delegacia</title><content type='html'>A delegacia de Maringá não é menos caótica do que a Faixa de Gaza. Recebi a carta me convocando nesta quinta-feira. Liguei para Ariádiny. Ela queria ir junto. Chegamos por volta das 10h, demoramos quase cinquenta minutos para a senhora berrar: “Quem é Alexandre Gaioto? Alexandre Gaioto?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei na sala escura de mãos dadas com Ariádiny. Ela me dá uma estranha sensação de paz. O delegado é um sujeito bigodudo, logo estendeu a mão, mostrou as cadeiras, olhou bem para Ariádiny e disparou. “Realmente. A literatura não comove tanto quanto o sorriso de Ariádiny.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou em silêncio. Tirou um exemplar do Diário e apontou para a minha foto estampada no jornal. Era a minha primeira crônica. Publiquei na semana passada. “Até gostei do texto, mas você não sabe o inferno que me causou.”&lt;br /&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Ainda apontando para o texto, revelou que a mãe da filha caçula de João Gilberto, Cláudia Faissol – responsável pela carreira do cantor -, registrou um B.O. na 14ª DP, no Leblon, na sexta-feira passada. &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Na segunda, ele disse, enviaram uma carta precatória para Maringá exigindo que você prestasse esclarecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que papo é esse de fritar o esôfago daquele velho antipático no meio da rua?” No texto, em que eu abria o peito para Ariádiny, dizia que se João Gilberto cancelasse o show, eu fritaria o esôfago dele no meio de uma avenida em Maringá. E fui além. Ameaçando, revelei o endereço onde João Gilberto mora: General Urquiza, no Rio de Janeiro. “Isso foi o fim”, reclamou o delegado bigodudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pressionados lá no Rio, os agentes ligam de meia em meia hora. Querem ver seu eu estou aqui, se já deixei Maringá, qual o endereço da minha casa. Na General Urquiza, três policiais à paisana estão de campana desde sexta-feira, abordando todos os sujeitos munidos de uma churrasqueira portátil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não soube responder muito bem. Gago fico quando nervoso. Honrado, sim, em ser convocado pelo João Gilberto. Rasbiquei meu nome no depoimento. A pedido do bigodudo, fiz uma dedicatória ao seu sobrinho. “Adora os seus textos. Quer ser jornalista”, explicou. &lt;/div&gt;&lt;div class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;Mal deixei a delegacia de mãos dadas com Ariádiny, comecei a chorar. Meu Deus. Fui lido por João Gilberto. Não teremos, eu e Ariádiny, a noite que planejei, vendo o show de João Gilberto no gargarejo. Mas estamos indo para Curitiba. Vamos ver Chico Buarque. Eu, Ariádiny e Chico Buarque. Infelizmente, em poltronas distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todos esses textos, Ariádiny já sabe o que penso sobre ela. Que não paro de pensar nela. Que gosto das suas quarenta e quatro estrelas tatuadas no pescoço, dela cantando Beatles enquanto toco violão, que o nascer do sol tem o mesmo amarelo da cor dos cabelos de Ariádiny – e é mais intenso, o nascer do sol, ao lado de Ariádiny, bebendo Santa Helena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veremos Chico Buarque. Já tenho antecedentes. Não é boa ideia ameaçar Chico Buarque nos meus textos. “Escreva e te mando em cana”, alertou o bigodudo, depois que terminei a dedicatória ao seu sobrinho, escrita às pressas, enquanto Ariádiny me abraçava forte. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-3819516477995641300?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/3819516477995641300/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=3819516477995641300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3819516477995641300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3819516477995641300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/12/joao-gilberto-me-levou-delegacia.html' title='João Gilberto me levou à delegacia'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4263416164305143956</id><published>2011-11-30T20:27:00.000-08:00</published><updated>2011-11-30T20:45:20.382-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Entende?</title><content type='html'>Se eu disser a verdade&lt;br /&gt;Tudo isso aqui é verdade&lt;br /&gt;Você ficaria puta comigo?&lt;br /&gt;De verdade mesmo?&lt;br /&gt;Te afastaria para sempre&lt;br /&gt;-ou pelo contrário&lt;br /&gt;Mais próxima ainda debaixo da pele&lt;br /&gt;Sem ter descanso nem como extirpar&lt;br /&gt;É daqui desse silêncio&lt;br /&gt;Dos porres &lt;br /&gt;Não suporto suas ressacas&lt;br /&gt;(você sempre diz)&lt;br /&gt;Das noites&lt;br /&gt;Que afogam o tédio&lt;br /&gt;E dão vida&lt;br /&gt;É esse cheiro&lt;br /&gt;(que seu olfato ignora)&lt;br /&gt;Dói o arrependimento não vivido&lt;br /&gt;Sóbrio no retorno para casa&lt;br /&gt;(não falta alguma coisa?)&lt;br /&gt;No último verbo mais um conhaque&lt;br /&gt;Bob Dylan com Stones&lt;br /&gt;Que tal um baseado?&lt;br /&gt;-por que não?&lt;br /&gt;Porque basta porra&lt;br /&gt;(você sempre diz)&lt;br /&gt;As melhores coisas da vida&lt;br /&gt;(respondo)&lt;br /&gt;Fiz quando estava bêbado&lt;br /&gt;As piores coisas da vida&lt;br /&gt;Fiz quando estava bêbado&lt;br /&gt;Até o momento&lt;br /&gt;(uma pausa)&lt;br /&gt;As melhores coisas da vida&lt;br /&gt;Sem dúvida&lt;br /&gt;Valeram todas as cachaças ainda não bebidas&lt;br /&gt;Valeu acordar de porre no meio da rua no sábado de manhã&lt;br /&gt;Caçar brigas com escrotos em repúblicas&lt;br /&gt;(e não foi divertido?)&lt;br /&gt;Ver seu próprio pau morto na cama sim&lt;br /&gt;(isso me dá raiva)&lt;br /&gt;-das mulheres que o Presidente me abateu&lt;br /&gt;(Camila Angélica Sara e outra que não lembro o nome)&lt;br /&gt;Então&lt;br /&gt;Agora&lt;br /&gt;De ressaca&lt;br /&gt;Estou na sua frente&lt;br /&gt;Você sente esse grito às dez da noite?&lt;br /&gt;Como dizer?&lt;br /&gt;Meu Deus&lt;br /&gt;Entende?&lt;br /&gt;Sou apenas eu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4263416164305143956?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4263416164305143956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4263416164305143956' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4263416164305143956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4263416164305143956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/11/entende.html' title='Entende?'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7938385698145029200</id><published>2011-11-18T06:49:00.000-08:00</published><updated>2011-11-18T07:20:15.817-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Jessica</title><content type='html'>Aquilo que confunde o verbo&lt;br /&gt;Desnorteia o raciocínio&lt;br /&gt;Minha religião sem um Deus&lt;br /&gt;Aquilo que mata&lt;br /&gt;Cala&lt;br /&gt;Enterra&lt;br /&gt;Afoga&lt;br /&gt;E dá vida&lt;br /&gt;O assombro na mesa do Divina Dose&lt;br /&gt;Nó de apertar forte o esôfago e doer&lt;br /&gt;Seu silêncio não convence&lt;br /&gt;Pede algazarra&lt;br /&gt;Pede refrãos de Chico Buarque&lt;br /&gt;Na maratona de porres pela madrugada&lt;br /&gt;Sofro nas suas mãos&lt;br /&gt;Gozo na sua boca&lt;br /&gt;E morro nos seus braços&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7938385698145029200?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7938385698145029200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7938385698145029200' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7938385698145029200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7938385698145029200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/11/jessica.html' title='Jessica'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-5023931057834307124</id><published>2011-10-03T17:54:00.000-07:00</published><updated>2011-10-03T17:57:27.434-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Por quê?</title><content type='html'>Doce às vezes caramelo com hortelã&lt;br /&gt;Do amargo do tomate seco uma lembrança&lt;br /&gt;Menos acentuada que o azedo do maracujá doce&lt;br /&gt;Se passo a língua&lt;br /&gt;- e não é o mistério a preliminar favorita?&lt;br /&gt;Nunca sei o que encontrar&lt;br /&gt;Muda de dia com o humor&lt;br /&gt;Triste tão singelo calado&lt;br /&gt;Alegre meio amarelo&lt;br /&gt;Na semana sente minha falta&lt;br /&gt;Sem quem regue com carinho&lt;br /&gt;Primeiro a língua caminha apreensiva&lt;br /&gt;Pequenos círculos&lt;br /&gt;Lenta sente na ponta quando treme&lt;br /&gt;Desbravando molha com força&lt;br /&gt;Tira e enfia&lt;br /&gt;Te pega no susto encharca de desejo&lt;br /&gt;Você pede&lt;br /&gt;Mete!&lt;br /&gt;Mas não&lt;br /&gt;Ainda não&lt;br /&gt;De costas te viro puxo o cabelo&lt;br /&gt;Uma ou outra sacanagem&lt;br /&gt;(antes meu amor)&lt;br /&gt;Mão cheia um tapa ardido na sua bunda&lt;br /&gt;De quatro&lt;br /&gt;-mando&lt;br /&gt;Você me recebe quente&lt;br /&gt;Arrepia a coxa afogada em suspiros&lt;br /&gt;Seus pelos &lt;br /&gt;Não sabia que tão bom&lt;br /&gt;-você grita&lt;br /&gt;O salgado da cachaça&lt;br /&gt;Esse cheiro de amora no café fresco&lt;br /&gt;Por isso Luana gosto tanto de lamber seu cu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-5023931057834307124?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/5023931057834307124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=5023931057834307124' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5023931057834307124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5023931057834307124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/10/por-que.html' title='Por quê?'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7487983595108837153</id><published>2011-10-02T20:52:00.000-07:00</published><updated>2011-10-02T20:56:14.534-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Borboletas cavalos</title><content type='html'>Nojo deles tenho sim&lt;br /&gt;Sujos da sujeira da alma&lt;br /&gt;Sabe?&lt;br /&gt;Borboletando de asinhas loucas&lt;br /&gt;Em cada esquina de Maringá&lt;br /&gt;Atrevidos não é que mandam beijos piscadinhas&lt;br /&gt;-enquanto os dedos apertam os seios?&lt;br /&gt;Pra quem reclamar?&lt;br /&gt;IBAMA?&lt;br /&gt;ONU?&lt;br /&gt;Obama?&lt;br /&gt;U.S.A.?&lt;br /&gt;Cavalos de quase dois metros&lt;br /&gt;Metidos em decotes&lt;br /&gt;Metidos em vestidos&lt;br /&gt;Na voz a última lembrança de um machão distante&lt;br /&gt;Meio assim estridente&lt;br /&gt;Fanhosa&lt;br /&gt;Negando a natureza&lt;br /&gt;Nojo deles tenho sim&lt;br /&gt;Que não é na sua loja da avenida Brasil&lt;br /&gt;Todo dia provando salto alto sandália&lt;br /&gt;-bem na hora de fechar&lt;br /&gt;Aquela coisa&lt;br /&gt;Que se esconde de vergonha&lt;br /&gt;Se não tem dinheiro pra tirar&lt;br /&gt;Nunca toquei num dedo de pé jamais daquilo&lt;br /&gt;Aberração&lt;br /&gt;Cuspo no banheiro a saliva sem um volte sempre&lt;br /&gt;Comemoro quando escuto no Pinga Fogo&lt;br /&gt;Quem corta na madrugada as loucas asinhas das borboletas&lt;br /&gt;Com barra de ferro extintor de incêndio ou martelo&lt;br /&gt;No mínimo um mês de repouso no hospital&lt;br /&gt;Sem voltar pra loja e provar salto alto sandália&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7487983595108837153?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7487983595108837153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7487983595108837153' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7487983595108837153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7487983595108837153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/10/borboletas-cavalos.html' title='Borboletas cavalos'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8912638137667534264</id><published>2011-10-02T20:05:00.001-07:00</published><updated>2011-10-02T20:47:49.502-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Milton Hatoum'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maringá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carpinejar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lourenço Mutarelli'/><title type='text'>Crítica da Semana Literária do Sesc de Maringá</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-vYTZMpdj7ew/Tokvt2lj9YI/AAAAAAAAARo/kqIeNJHt_0Q/s1600/PALESTRA%2BHATOUM%2BRL2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659106871561418114" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-vYTZMpdj7ew/Tokvt2lj9YI/AAAAAAAAARo/kqIeNJHt_0Q/s400/PALESTRA%2BHATOUM%2BRL2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quando o Sesc divulgou a programação da Semana Literária, em junho deste ano, surpreendeu os amantes de literatura em Maringá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Sete dias intensos com direito a Milton Hatoum, o maior romancista brasileiro vivo, além de mesas com Fabrício Carpinejar, Alice Ruiz e Affonso Romano de Sant’Anna. Baixa, apenas uma: o gaúcho João Gilberto Noll, autor de "Hotel Atlântico", cancelou sua participação na Semana por motivos pessoais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O público não decepcionou. Marcou presença nas conversas com os autores, que duraram em média 2h. No encontro de Carpinejar com Alice Ruiz, o público se engalfinhou para ouvir a conversa . Mais de duzentas pessoas sentadas - algumas em pé -, davam a ideia de que, talvez, seja a hora de buscar um espaço maior para os próximos debates literários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Cada mesa redonda contou com um mediador diferente. Isso enriqueceu as conversas. Em diversos momentos, os diálogos foram produtivos. Hatoum, por exemplo, reconheceu a ausência de humor em suas obras, como "Dois Irmãos" e "Cinzas do Norte". "Acho que é porque escrevo meus romances explorando a memória. Não há humor nos meus livros", disse. O escritor respondeu sobre a relação entre literatura e política em sua obra, falou sobre seu fazer literário, anunciou romance inédito, "O Lugar mais Sombrio", e disparou: "Não tenho medo do fracasso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-z5QnYLBensU/TokvOkTbg4I/AAAAAAAAARg/InR_BJYgAZU/s1600/PALESTRA%2BHATOUM%2BRL8.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659106334077584258" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-z5QnYLBensU/TokvOkTbg4I/AAAAAAAAARg/InR_BJYgAZU/s400/PALESTRA%2BHATOUM%2BRL8.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quem imaginava um autor sisudo, surpreendeu-se com o bom humor. Criticou o lixo musical norte-americano. "Não dá mais para ouvir boas músicas no rádio". "Lady quem?", respondeu o autor a uma pergunta sobre aquela cantora que se veste de bife. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Nas conversas de Affonso Romano de Sant’Anna, Fabrício Carpinejar e Alice Ruiz, o papo firme rendeu bons momentos, também, com direito a bom humor. Carpinejar, como sempre, metralhou o diálogo com pequenas sutilezas poéticas, paridas ali mesmo, na conversa. E Alice Ruiz, que fica incomodada em responder sobre o seu Paulo Leminski, teve de trazê-lo à tona, indagada por seus leitores. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Tudo acabava na mesa do bar. Público, novos e consagrados escritores em meio a tilápias, cervejas, cachaças e vinhos: a literatura é mais visceral - ou líquida? - na mesa do bar. As perguntas, que haviam sido evitadas em público, ganham respostas inesperadas. E fica, ali, combinado um próximo encontro para o ano que vem. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ao contrário do ano passado, a Semana Literária do Sesc focou no público adulto, incluiu novos escritores na programação e acertou em cheio: praticamente cinco dias perfeitos. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;No entanto, algumas coisas ainda estavam desencontradas. A palestra "Marketing Emocional e a Relação de Consumo", ministrada pela escritora Ivana Martins, soava como uma nota errada num recital de piano: literatura para escanteio. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Altos e baixos &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;No lançamento do jornalista Wilame Prado, o público deu o ar da graça: mais de cem pessoas e sessenta livros vendidos. Uma marca excelente para um autor estreante. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Para o próximo ano, o Sesc tem a missão de fazer uma Semana ainda mais intensa. Entre os autores brasileiros, bem que poderiam convocar o imortal João Ubaldo Ribeiro, autor de "Sargento Getúlio" e "Viva o Povo Brasileiro". Seria tão antológico como foi receber o amazonense Milton Hatoum. Chama que ele vem. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Outro nome que vem fácil, e acrescentaria ao debate literário, é o quadrinista Lourenço Mutarelli, responsável pelo "O Cheiro do Ralo". &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Sérgio Sant’Anna, Marcelo Mirisola, Glauco Mattoso, Alberto Martins, José Eduardo Agualusa e Noll também podem compor uma lista competente. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Matéria publicada no Diário em 20/09/2011, intitulada "Uma Semana Magnética".&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8912638137667534264?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8912638137667534264/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8912638137667534264' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8912638137667534264'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8912638137667534264'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/10/critica-da-semana-literaria-do-sesc-de.html' title='Crítica da Semana Literária do Sesc de Maringá'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-vYTZMpdj7ew/Tokvt2lj9YI/AAAAAAAAARo/kqIeNJHt_0Q/s72-c/PALESTRA%2BHATOUM%2BRL2.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7240837996173052810</id><published>2011-10-02T19:53:00.000-07:00</published><updated>2011-10-02T20:02:42.122-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Milton Hatoum'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maringá'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>Entrevista - Milton Hatoum</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-gVb4g_SwvkI/ToklPQxV_ZI/AAAAAAAAAQ4/qjfGhDIyrSY/s1600/milton-hatoum-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659095350897933714" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 313px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-gVb4g_SwvkI/ToklPQxV_ZI/AAAAAAAAAQ4/qjfGhDIyrSY/s400/milton-hatoum-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Sou viúva, meu filho mais velho mora em São Paulo, os outros em Maringá. Se eu pudesse, também moraria em São Paulo. Porque gosto muito de dançar. Em Maringá é mais difícil. Não sabe como é uma cidade pequena? Vão me chamar de velha sirigaita, ou de viúva assanhada", escreveu Milton Hatoum, numa deliciosa crônica, publicada no Estado de S. Paulo: lá está Maringá, imortalizada na obra do maior romancista brasileiro vivo. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Aos 59 anos, o amazonense Milton Hatoum chega a Maringá, nesta quarta-feira, na Semana Literária do Sesc, com uma trajetória literária, que é, ao mesmo tempo, gigante e concisa. São apenas quatro romances publicados, "Relato de Um Certo Oriente" (1989), "Dois Irmãos" (2000), "Cinzas do Norte" (2005), "Órfãos do Eldorado" (2008), além de "Cidade Ilhada" (2009), primeira compilação de seus contos. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Dos romances, os três primeiros arrebataram um Jabuti. "Cinzas do Norte" fez a limpa e foi contemplado, também, com os prêmios Bravo!, APCA e Portugal Telecom: não deu para mais ninguém. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Autor tardio, Hatoum publicou "Relato" apenas aos 37 anos. Quando olha para trás, ele não se arrepende nem um pouco de ter demorado tanto para dar seu pontapé inicial na literatura.&lt;br /&gt;"O romance é a arte da paciência. Não me arrependo de não ter publicado um texto antes do ‘Relato’. Seria apenas um ato de vaidade, inconsequente e fútil como todo gesto excessivamente vaidoso", comenta, em entrevista concedida por e-mail. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Suas histórias, vertidas para dez idiomas e publicadas em catorze países, trazem uma prosa poética delicada, com uma verve própria arrebatadora. Embora mitifique Manaus na maioria de suas histórias, Milton Hatoum rechaça veementemente o rótulo de escritor regionalista.&lt;br /&gt;"A cidade de Manaus, a paisagem do rio Negro e certas particularidades regionais têm um papel importante e até decisivo na caracterização dos personagens. Mas isso nada tem a ver com o regionalismo", desconversa.Prestes a lançar um novo livro, com o título provisório de "O Lugar mais Sombrio", o autor quer mesmo encerrar esse papo regionalista. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Desta vez, seu romance será ambientado na Paris do final da década de 1970. "É um livro sobre exílio e paixão em Paris", adiantou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. Ao Diário, Hatoum fala sobre seu fazer literário, seu estilo próprio e aconselha: "Aprender a escrever reside na prática da escrita, na assimilação do que já foi escrito". &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Você escreve pelo prazer de escrever?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O desejo de escrever é uma espécie de comoção, de arrebatamento. Esse desejo está intimamente relacionado com a descoberta de um mundo inventado, que é o vetor da prosa de ficção. Há momentos de intuição, ou inspiração, que são compartilhados com a reflexão sobre o ato de escrever. Essa combinação permanece ao longo da narrativa, depois corrijo e reescrevo o texto várias vezes, até a exaustão. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Como se chega à técnica do romance?&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A leitura de bons romance antecede a escrita. Escrever significa, antes de mais nada, saber ler. Os grandes romances nos ensinam a lidar com estratégias narrativas que envolvem questões técnicas e fundamentos teóricos sobre a arte da ficção. No ‘Grande Sertão: Veredas’, o narrador Riobaldo diz algo assim: ‘Aprender a viver é que é o viver mesmo’. De um modo análogo, aprender a escrever reside na prática da escrita, na assimilação do que já foi escrito. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Quando se deu conta de que tinha uma voz própria? &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;Você encontra sua própria voz quando descobre o texto que está escrevendo. Cada romance é uma forma de aprendizagem e de desafio. A voz própria tem muito a ver com a experiência do narrador, que, de algum modo, expressa a inquietação do escritor. Quando comecei a escrever o ‘Relato de um certo Oriente’, percebi que podia inventar um microcosmo, com situações e conflitos que seriam dramatizados por personagens. O mais difícil é encontrar a voz e o tom do narrador, que é uma questão central na prosa de ficção. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Você demorou para publicar seu primeiro romance. Esse tempo foi essencial ou você se arrepende: deveria ter lançado um romance mais cedo? &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;Demorei porque tudo o que tinha escrito antes do ‘Relato’ era superficial, mal cabia numa crônica. A escrita depende da experiência de vida e de leitura, que são inseparáveis. E há também o tempo de espera, o tempo que filtra essa experiência e dá ânimo aos narradores. O romance é a arte da paciência, da sedimentação de uma longa reflexão sobre questões que nos inquietam. Não me arrependo de não ter publicado um texto antes do ‘Relato’. Seria apenas um ato de vaidade, inconsequente e fútil como todo gesto excessivamente vaidoso. Por isso demorei a escrever o ‘Dois Irmãos’, que é meu romance lido e conhecido. A mesma coisa aconteceu com o ‘Cinzas do Norte’, publicado em 2005, mas cujo esboço data de 1980, quando eu morava na Espanha. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Você sempre renega o rótulo de escritor regionalista. Mas, na sua literatura, você não identifica nada de regionalismo? &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;Há dezenas de dissertações, teses e ensaios sobre o meu trabalho, mas os poucos que abordam esse tema, expandem o conceito de regionalismo e preferem tratar da relação entre o local e o universal. Ou seja, a partir de uma situação local ou regional, a ficção alcança uma dimensão universal. Meus romances são ambientados na cidade de Manaus, que é quase uma personagem do ‘Dois Irmãos’. Alguns contos de ‘A Cidade Ilhada’ são ambientados em Barcelona, Paris e na California. Mas para um resenhista apressado ou de olhar turvo, um romance ambientado na Amazônia é rotulado de regionalista. Algo do Amazonas está latente nos meus romances, mas o que eles abordam são dramas e conflitos familiares, trajetórias de vida e destinos de personagens. Eu não poderia abstrair Manaus dessas narrativas, pois nasci e passei a infância e uma parte da juventude lá. Acredito que a cidade de Manaus, a paisagem do rio Negro e certas particularidades regionais têm um papel importante e até decisivo na caracterização dos personagens. Mas isso nada tem a ver com o regionalismo ou com o pitoresco, e sim com a composição do romance. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Entrevista publicada no Diário em 13/09/2011.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7240837996173052810?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7240837996173052810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7240837996173052810' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7240837996173052810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7240837996173052810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/10/entrevista-milton-hatoum.html' title='Entrevista - Milton Hatoum'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-gVb4g_SwvkI/ToklPQxV_ZI/AAAAAAAAAQ4/qjfGhDIyrSY/s72-c/milton-hatoum-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1585398132839011770</id><published>2011-09-26T22:16:00.001-07:00</published><updated>2011-09-28T19:55:07.098-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Infiel</title><content type='html'>Gosto de comer mulheres. Muito. Desde que minha ex - que fodia mal e tinha uma bunda mole - me meteu um pé na bunda, há uns meses atrás, não tenho do que me queixar. Maringá acolheu um órfão de braços – e pernas – abertos. Amém. Um notívago como eu, míope, exilado de academias, é a prova de que qualquer sujeito escroto pode comer bem nessa cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Quando Caio me ligou no domingo passado, dizendo ter recebido um fora da namorada de quatro anos, tentei acalmá-lo. Caio, vamos pro bar. Vamos nessa, tenho que te contar daquela morena – uma estudante de educação física da UEM que eu havia conhecido e fudido na semana passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Chegamos no Democrático, na Zona Sete. Gosto de lá porque toca rock, AC/DC, Metallica, e o litrão é barato. Chegamos sozinhos. Na mesa da esquerda, duas morenas e uma loira bebiam Brahma: uma mesa de futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Para você saber seu efeito sobre as mulheres de Maringá, basta notar os pés debaixo da mesa de plástico. Se começarem a bater logo após você sentar, meu amigo, sua noite está garantida. Notei que uma das garotas tinha um pescoço esbelto, que me lembrou os quadros de Modigliani – além de seios, coxas e decote. Mas eu não cheguei com essa cantada por dois motivos óbvios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Se ela fosse inteligente – característica extremamente rara em mulheres maringaenses -, talvez ficasse ofendida. Você, me chamando de pescoçuda? Talvez. Mas, como essa garota certamente tinha um nível de estupidez considerável, não seria agradável chegar citando Modigliani. Ninguém quer ser um alienígena munido de pintores numa mesa de bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Por isso cheguei na mesa, sentei e disse algo sobre seu pescoço. Como é lindo o seu pescoço. Ela me olhou, assustada. Sei que ninguém nunca elogiou o seu pescoço. No máximo, continuei, você sabe que arrepia e esquenta na língua ou na barba mal feita, algum ex, atual, algum noivo, você não é casada e têm filhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não tenho certeza. Faz tempo que parei de olhar aliança. Já me dei bem com uma casada, e não abordaria a mesa em que ela estava sentada, nem teria fodido ela atrás do Senac, numa rua deserta, se soubesse do seu comprometimento – mas isso eu não falei para a Modigliani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na verdade, ela gostou de ter, pela primeira vez na vida, seu pescoço elogiado por um estranho num bar de rock. E logo chamou o Caio para conversar na mesa também - afinal, o que fazer com as outras duas garotas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O problema é que Caio não fala. Quieto, olha, acompanha, ri e, quando quer, dá o bote, astuto. Caio fala com silêncios. Perguntei, em seguida, no terceiro diálogo da noite, há quanto tempo ela não fudia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Vermelha, rindo alto, loucamente, bateu os braços na mesa, apoiando os dois cotovelos: taí a resposta, há seis meses, eu disse. Ela ficou ainda mais vermelha, respondeu que era a coisa mais inconveniente que alguém já havia perguntado. Cortei aquela baboseira toda, perguntei se de quatro ou de lado. Ela me encarou. De quatro, claro. As amigas, que até então estavam em silêncio, também disseram suas posições favoritas. E abriram o jogo: Modigliani namorando sério há um ano e meio, e não via seu amado, que infelizmente mora em São Paulo, há cerca de seis meses. Em três perguntas, totalmente exposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ficamos mais meia hora no bar. Fomos para o apartamento da morena – não lembro o nome -, na rua ao lado do Democrático. Caio pegou a garota, logo tocou para o quarto. Eu fui para a cozinha, preparei uma caipirinha, como quem não quer foder, como quem ignora o sexo: foi o bastante para ela ficar puta. Mulher, meu amigo, é extremamente competitiva. Me empurrou para o quarto, arranhou minhas costas, esqueceu de fechar a porta, deu de quatro, de lado, de quatro novamente, deu em pé, apoiada na cômoda, gritou com a janela aberta, gritou me fode, seu animal, me fode, seu escroto, nossa, meu Deus, nunca senti isso antes, que tesão, e eu já estava satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Para encerrar o primeiro tempo, ela ainda me puxou, no momento em que eu ia gozar, e gritou dentro não! Goza aqui, na minha boca, seu canalha. Não é assim que o seu amigo te chama, canalha? Gozei primeiro em seu olho. Depois na testa. Em seguida no queixo, gozei nos lábios e no nariz dela. Pegando no meu pau, vencido na batalha dos justos, passou no rosto inteiro, batendo aos poucos, feliz, no sorriso aberto. Nunca fiz isso, ela me disse. Acho que te amo, Alexandre. Segurei a risada, claro. Ela foi para o banho, voltou de toalha, fudemos novamente, ela tomou banho, e dormiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Deixei o apartamento no meio da noite - nunca durmo com uma mulher na primeira noite. Antes, notei a foto do corno da Modigliani, pregado na parede do quarto num desses corações que servem de portarretrato. Um corno exemplar. De camiseta xadrez e bermuda. Um desses bombadões de academia. Deve ser publicitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Modigliani acordou solitária. Talvez, vá se masturbar durante algumas semanas lembrando a noite passada em que deu para um estranho fascinado em seu pescoço. Talvez ligue para o bombadão só à noite, não no almoço, como sempre faz, dizendo te amo, meu amor, sinto sua falta, me guardando só para você, aliás, quando você vem me visitar, hem? Maringá, túmulo dos infiéis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1585398132839011770?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1585398132839011770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1585398132839011770' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1585398132839011770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1585398132839011770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/09/infiel.html' title='Infiel'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4449567410779900752</id><published>2011-09-24T10:03:00.000-07:00</published><updated>2011-09-24T10:18:45.778-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Democrático</title><content type='html'>Se você pode pegar essa cadeira?&lt;br /&gt;(sorrindo de corpete salto alto saia)&lt;br /&gt;-quinta-feira quase meia-noite&lt;br /&gt;Se você quiser a minha vida ela é sua&lt;br /&gt;(sorrindo bêbado jeans camiseta)&lt;br /&gt;-ala não fumante Democrático&lt;br /&gt;Se você quiser o meu pau ele é seu&lt;br /&gt;Enfia o meu pau na sua goela&lt;br /&gt;Boca nariz ouvido&lt;br /&gt;Mete meu pau dentro do seu umbigo&lt;br /&gt;Entre os dedos dos pés esfrega a frieira&lt;br /&gt;Nos seus olhos mamilos sobrancelhas&lt;br /&gt;Por todo o sol tatuado nas costas&lt;br /&gt;Primeiro no sofá da quitinete&lt;br /&gt;Lambuzando sua barriga perna pescoço&lt;br /&gt;Depois no quarto inquieto da Zona Sete&lt;br /&gt;Duro no queixo testa joelho&lt;br /&gt;Enquanto te rasgo aos poucos&lt;br /&gt;A saia as entranhas o corpete&lt;br /&gt;Bochecha sedenta me arranha&lt;br /&gt;Alto grita goza&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4449567410779900752?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4449567410779900752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4449567410779900752' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4449567410779900752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4449567410779900752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/09/democratico.html' title='Democrático'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' 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/&gt;De quatro&lt;br /&gt;(ela grita)&lt;br /&gt;Vomitando no chão do banheiro feminino&lt;br /&gt;Às quatro da manhã&lt;br /&gt;Com a porta meio aberta&lt;br /&gt;O fígado condenado que arde e arrepia&lt;br /&gt;Não em mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mete&lt;br /&gt;(ela grita)&lt;br /&gt;Acidente no olhar do pai&lt;br /&gt;Aos oito anos&lt;br /&gt;Preso na ferragem ainda havia&lt;br /&gt;Dentro do carro&lt;br /&gt;Ainda havia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goza&lt;br /&gt;(ela grita)&lt;br /&gt;Me recebe de joelhos satisfeita&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1037339637895444889?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1037339637895444889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1037339637895444889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1037339637895444889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1037339637895444889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/09/fode.html' title='Fode'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' 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da criança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor vive de migalhas alheias&lt;br /&gt;Alheio ao que não constrange nem perturba&lt;br /&gt;Um pouco só&lt;br /&gt;Mais triste que um pombo da praça Rocha Pombo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-3944758548279960142?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/3944758548279960142/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=3944758548279960142' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3944758548279960142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3944758548279960142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/09/mais-triste-que-um-pombo.html' title='Mais triste que um pombo'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7488723371102074194</id><published>2011-09-08T08:53:00.000-07:00</published><updated>2011-09-08T09:16:18.331-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Milton Hatoum'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Chico Buarque'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Oscar Fussato Nakasato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nihonjin'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristovão Tezza'/><title type='text'>Oscar Fussato lança "Nihonjin" em Maringá</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-0anpirvdeXM/TmjmGUpR1MI/AAAAAAAAAQw/9gQyB9vf7j0/s1600/oscar.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650018728831734978" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 267px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-0anpirvdeXM/TmjmGUpR1MI/AAAAAAAAAQw/9gQyB9vf7j0/s400/oscar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Oscar Fussato Nakasato, de 47 anos, colecionou derrotas em sua trajetória literária. Sem nada a perder, enviou os originais de seu primeiro romance, "Nihonjin", em 2007, para as doze principais editoras do País, como Companhia das Letras e Editora Record. Todas elas bateram a porta em sua cara. O escritor, nascido em Maringá, resistiu e manteve as esperanças em sua obra. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Em fevereiro deste ano, o livro foi anunciado como vencedor do Prêmio Benvirá, que contou com 1.932 inscrições. A obra foi contemplada com R$ 30 mil e foi publicada, finalmente, em maio, pelo selo de literatura da editora Saraiva. "Nunca abandonei o meu livro. Sempre acreditei que era uma boa obra", disse Nakassato, que lança seu livro nesta sexta-feira, às 19h, na Livrarias Curitiba, no shopping Catuaí. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ele diz que nunca soube ao certo exatamente por que seu livro foi ignorado em uníssono pelas editoras. "Não sei bem o que aconteceu. As editoras são empresas. Acharam, talvez, que meu livro não tinha potencial de venda. Mas, na minha opinião, ele tem, sim", avalia.&lt;br /&gt;Segundo a nota divulgada pela comissão organizadora, formada por José Luiz Goldfarb (curador do Prêmio Jabuti) e pelos autores Nelson de Oliveira e Ana Maria Martins, o resultado do prêmio foi unânime. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;"Esse romance é, antes de tudo, uma competente reconstrução histórica da imigração japonesa, tema pouco presente em nossa literatura. Sua força literária está não apenas na linguagem direta e sem firulas, nos personagens e nos conflitos marcantes, mas também no poder de comover o leitor", elogiou a comissão. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Doutorado &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;A ideia de escrever "Nihonjin" surgiu em 2002, quando Oscar terminava sua tese de doutorado em literatura brasileira. No trabalho acadêmico, o pesquisador traçou um panorama de todos os livros de ficção da literatura brasileira que abordavam a questão do mito e resolveu explorar o tema em seu próprio romance. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Narrado em primeira pessoa, "Nihonjin" mostra o painel da imigração japonesa no Brasil, por meio do personagem Hideo Inabata, japonês orgulhoso de sua pátria, que vem ao Brasil na segunda metade do século 20 e enfrenta grandes dificuldades para se adaptar ao "País do Futuro", como definiu o escritor austríaco Stefan Zweig. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;No enredo, Hideo se arrepende da dura postura adotada em relação aos seus filhos. O filho assumiu o sentimento brasileiro e morreu após a Segunda Guerra, enquanto a filha trocou um marido japonês por um brasileiro. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A história começa na segunda década do século 20 e termina na década de 1980. Para romancear o cenário nipo-brasileiro, Oscar, que é descendente de japoneses, utilizou livros de história, sociologia e antropologia para embasar seu enredo, como "Estruturas Familiares e Mobilidades Sociais: Estudos Sobre Japoneses para São Paulo", escrito pela socióloga Ruth Cardoso. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na organização do livro, os capítulos ganharam uma força própria e podem ser lidos como se fossem espécies de contos. "Na história, uso muitas lembranças, mas não chega a ser um livro autobiográfico", comenta. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Leitor de José Saramago, Machado de Assis, Guimarães Rosa e Clarice Lispector, Oscar acompanha a produção literária do País. Ele lê o paranaense Cristovão Tezza, o amazonense Milton Hatoum e acompanha os romances de Chico Buarque. "‘Leite Derramado’ é o melhor livro do Chico. ‘Estorvo’ e ‘Budapeste’ também são bons. Dele, só não li ‘Benjamin.’" &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;"Falta renovação" &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;Para Nakasato, o cenário da literatura brasileira, no entanto, é previsível e clichê. "Falta uma renovação entre os autores brasileiros. Apenas alguns nomes se destacam e aí permanecem eternamente. Os prêmios literários são recebidos apenas por quem já tem nome, como o Tezza, o Hatoum e o Chico. Precisamos de novos nomes", proclama. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Nascido em Maringá, Oscar cursou Direito na Universidade Estadual de Maringá (UEM) e, após dois anos debruçado sobre leis, códigos, direitos e deveres, debandou para o curso de Letras, onde concluiu a graduação e pôde mergulhar na sua paixão. "Na UEM, com as aulas da professora Alice Penteado, eu entrei na literatura de um modo geral", recorda. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Sempre professor &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;Oscar ministra aulas na Universidade Tecnologia Federal do Paraná, em Apucarana. Ele leciona aulas de Língua Portuguesa e Literatura para o Ensino Médio e, nos cursos superiores de Engenharia, Tecnologia e Licenciatura, se dedica às disciplinas de Produção de Texto e Comunicação Linguística. Com os jovens de 18 e 19 anos, o escritor de Apucarana se sente mais à vontade. Até mesmo porque, ele pode discorrer sobre literatura. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;"Eu nunca vou deixar de ser professor. É o que mais gosto de fazer. Não sou um escritor que dá aulas para ganhar dinheiro. Sou um professor que escreve", define-se. &lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;strong&gt;Local&lt;/strong&gt;: Livrarias Curitiba, no shopping Catuaí.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Horário&lt;/strong&gt;: 9 de setembro, às 19h.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7488723371102074194?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7488723371102074194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7488723371102074194' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7488723371102074194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7488723371102074194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/09/oscar-fussato-lanca-nihonjin-em-maringa.html' title='Oscar Fussato lança &quot;Nihonjin&quot; em Maringá'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-0anpirvdeXM/TmjmGUpR1MI/AAAAAAAAAQw/9gQyB9vf7j0/s72-c/oscar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2417129781069630735</id><published>2011-07-21T16:52:00.000-07:00</published><updated>2011-07-21T16:59:13.816-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Etapas</title><content type='html'>Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen:&lt;br /&gt;Convidar Fernanda uma segunda vez para beber cervejas no Tribos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,&lt;br /&gt;Hatoum, Kafka, Tezza:&lt;br /&gt;Convidar Fernanda uma terceira vez para beber cervejas no Tribos&lt;br /&gt;(notar se ela tem o “silêncio que precede as emboscadas”, que tanto falou Agualusa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,&lt;br /&gt;Hatoum, Kafka, Tezza,&lt;br /&gt;Josué Demarche, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan:&lt;br /&gt;Intimar Fernanda para cantar Lou Reed noite adentro&lt;br /&gt;-e encontrar qualquer defeito em Fernanda&lt;br /&gt;O jeito como pronuncia a letra r&lt;br /&gt;Sua voz impostada nas notas agudas&lt;br /&gt;Não poderia ser mais macio o sorriso de Fernanda?&lt;br /&gt;(Fernanda tem cara de quem come jornalistas no café da manhã)&lt;br /&gt;Se no luau não encontrar nenhum defeito em Fernanda&lt;br /&gt;Evitar na madrugada sem sono escrever um poema para Fernanda&lt;br /&gt;Escondê-lo se já escrito&lt;br /&gt;-e jamais&lt;br /&gt;Em hipótese alguma mostrar os versos para Fernanda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,&lt;br /&gt;Hatoum, Kafka, Tezza,&lt;br /&gt;Josué Demarche, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan&lt;br /&gt;Bergman, Elomar, Arvo Part:&lt;br /&gt;Controlar o desespero e a ansiedade&lt;br /&gt;Quem sabe talvez enviar o poema para Fernanda&lt;br /&gt;Abrir uma conta conjugal na segunda-feira&lt;br /&gt;E nunca mais perder Fernanda de vista&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2417129781069630735?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2417129781069630735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2417129781069630735' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2417129781069630735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2417129781069630735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/07/etapas.html' title='Etapas'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8822833211719243031</id><published>2011-07-06T20:48:00.001-07:00</published><updated>2011-07-07T05:42:10.542-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Tobias dos Santos Santos</title><content type='html'>Covardes&lt;br /&gt;Sinto&lt;br /&gt;-ah se sinto&lt;br /&gt;O calafrio no pé da nuca?&lt;br /&gt;Não sou idiota&lt;br /&gt;Não eu&lt;br /&gt;Eu?&lt;br /&gt;HAHAHA&lt;br /&gt;-idiota nunca não&lt;br /&gt;Sei que tão querendo me matar&lt;br /&gt;No começo até ficava assustado&lt;br /&gt;Com um tempo de polícia nascem culhões que ninguém prevê onde&lt;br /&gt;Deixa só&lt;br /&gt;Como se nada&lt;br /&gt;De noite quem teme é meu salmo bíblico em corpo humano&lt;br /&gt;Cada dia novo susto agarrada em mim&lt;br /&gt;Preocupada mais com a minha morte&lt;br /&gt;Que com a minha vida&lt;br /&gt;Depois do café ela tão meiga&lt;br /&gt;Passa a manteiga beija me benze&lt;br /&gt;Deus na minha testa pelo indicador macio dela&lt;br /&gt;Que o nosso Senhor esteja sempre&lt;br /&gt;Tudo naquela voz desconcerta&lt;br /&gt;Regressam os homens à Igreja&lt;br /&gt;Desistem das guerras e mortes&lt;br /&gt;Em silêncio o teu lado ruim desaparece&lt;br /&gt;Pra onde?&lt;br /&gt;Covardes&lt;br /&gt;Ninguém faz isso à minha cotovia&lt;br /&gt;Carta de ameaça com sangue de galinha?&lt;br /&gt;Azar o deles porque com ela longe de mim&lt;br /&gt;No Borba Gato na casa dos pais&lt;br /&gt;Já tô ouvindo aqui de novo ó&lt;br /&gt;Como eles gritam&lt;br /&gt;Sempre desse lado tá vendo?&lt;br /&gt;HAHAHA&lt;br /&gt;Minha mão Gordão me controla&lt;br /&gt;Se fico dois meses sem dar pipoco em malandro&lt;br /&gt;Tremendo não para quieta&lt;br /&gt;Nunca tomei gota de álcool&lt;br /&gt;Cigarro faz mal pra saúde&lt;br /&gt;Maconha tô fora&lt;br /&gt;Meu único vício&lt;br /&gt;-só falar nisso olha que delícia eles ficam loucos gritando&lt;br /&gt;Mexeram com o infeliz errado&lt;br /&gt;Meu único vício&lt;br /&gt;-e não é gostoso escutar o coral agudo de anjos desconhecidos dentro de você?&lt;br /&gt;Gosto de primeiro quebrar as unhas&lt;br /&gt;Rir a deformação da coragem&lt;br /&gt;Rir dos gritinhos de perdão me deixa ir por favor me deixa vivo&lt;br /&gt;Dá uma coisa boa&lt;br /&gt;Dizer na cara deles é o Magrela&lt;br /&gt;Enquanto se debatem apavorados rangendo dentes&lt;br /&gt;É o capitão Tobias dos Santos Santos&lt;br /&gt;Que o inferno seja tua morada&lt;br /&gt;Ser o último segundo de um filho da puta agonizando&lt;br /&gt;Ó como treme a mão Gordão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8822833211719243031?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8822833211719243031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8822833211719243031' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8822833211719243031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8822833211719243031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/07/tobias-dos-santos-santos.html' title='Tobias dos Santos Santos'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1605412481740544882</id><published>2011-07-05T17:26:00.000-07:00</published><updated>2011-07-05T17:28:51.370-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Mediterrâneo</title><content type='html'>Na mesa desse restaurante&lt;br /&gt;Tento não entediá-la demais entre&lt;br /&gt;Entradas&lt;br /&gt;Paella&lt;br /&gt;E um Ramón Roqueta branco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para ler o silêncio em seu rosto&lt;br /&gt;Busco no baú alguma coisa engraçada&lt;br /&gt;-mas esqueço que há muito tempo deixei de ser engraçado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo do Bergman?&lt;br /&gt;Lembro o murro que tomei bêbado num bar recentemente?&lt;br /&gt;Menciono as experiências com heroína na faculdade?&lt;br /&gt;Que traía minha ex-namorada com putas antes de encontrá-la? &lt;br /&gt;Ou prometo um soneto um conto uma caricatura para ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fala do cachorro que cava buracos imaginários pela casa&lt;br /&gt;Fala do ex-namorado ciumento paranóico&lt;br /&gt;Fala da mãe com saudades&lt;br /&gt;-não sou filha ausente&lt;br /&gt;Fala de um filme estoniano que me deixou curioso&lt;br /&gt;Diz que vai parar de falar quando vier a paella&lt;br /&gt;-não consigo falar e comer me desculpa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frio é covarde&lt;br /&gt;Hesitamos em fumar lá fora&lt;br /&gt;Aceso aqui dentro&lt;br /&gt;Um cigarro queima o meu estômago e esôfago&lt;br /&gt;Quero desembarcar nela&lt;br /&gt;Se ela não perturbar minha solidão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1605412481740544882?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1605412481740544882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1605412481740544882' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1605412481740544882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1605412481740544882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/07/mediterraneo.html' title='Mediterrâneo'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7183405937965462916</id><published>2011-06-25T10:40:00.001-07:00</published><updated>2011-06-25T11:18:23.818-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Todos os poemas para Lighia</title><content type='html'>Lighia me conquistou recitando Baudelaire no original&lt;br /&gt;-nunca gostei dessas atrizes que recitam poemas e choram e interpretam em dramas demais&lt;br /&gt;Mas Lighia recitando no bar entre uma cerveja e outra&lt;br /&gt;-não entendo coisa alguma de francês&lt;br /&gt;Falava do seu pai poeta&lt;br /&gt;-sem citar os versos dele&lt;br /&gt;Da primeira aula de violão com o professor ensinando Paralamas&lt;br /&gt;-embora ela quisesse mesmo era aprender Baden Powell&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando notei ao meu lado a intensidade de Lighia&lt;br /&gt;-antes do bar num concerto sentindo os acordes do Manuel de Falla&lt;br /&gt;Alma absorta no duo de violões&lt;br /&gt;-eu absorto na sua tristeza&lt;br /&gt;Decidi a partir de hoje escrever todos os poemas para Lighia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7183405937965462916?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7183405937965462916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7183405937965462916' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7183405937965462916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7183405937965462916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/06/todos-os-poemas-para-lighia.html' title='Todos os poemas para Lighia'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7454524646563156093</id><published>2011-06-20T17:26:00.000-07:00</published><updated>2011-06-20T17:34:06.106-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Em você perdido</title><content type='html'>Não sei responder assim&lt;br /&gt;De veio como quando&lt;br /&gt;De onde surgiu&lt;br /&gt;Aquela vontade de te&lt;br /&gt;Assustou e te parei&lt;br /&gt;No meio do bar tão&lt;br /&gt;Em você perdido&lt;br /&gt;Com o copo na mão&lt;br /&gt;-primeiro a cerveja&lt;br /&gt;Depois o vinho&lt;br /&gt;Bêbado catatônico&lt;br /&gt;Tro-&lt;br /&gt;pe-&lt;br /&gt;çan-&lt;br /&gt;do&lt;br /&gt;Em palavras vomitando&lt;br /&gt;Frases um trecho desordenado da&lt;br /&gt;Divina Comédia&lt;br /&gt;Que você pediu e gostou Alexandre&lt;br /&gt;Me repete essas palavras &lt;br /&gt;Com prazer&lt;br /&gt;Seria capaz de sabia passar uma vida&lt;br /&gt;Na sua frente&lt;br /&gt;Repetindo o mesmo trecho&lt;br /&gt;Da Divina Comédia&lt;br /&gt;Lendo cervejas&lt;br /&gt;Bebendo Dante&lt;br /&gt;Enquanto você fuma um baseado e suave acaricia&lt;br /&gt;Seu cachorro Ringo debaixo de um pôster&lt;br /&gt;Dos Beatles&lt;br /&gt;Num momento estranho&lt;br /&gt;Voltei a viver&lt;br /&gt;-e gostei disso&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7454524646563156093?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7454524646563156093/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7454524646563156093' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7454524646563156093'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7454524646563156093'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/06/em-voce-perdido.html' title='Em você perdido'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4622179124500024127</id><published>2011-06-09T08:14:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T22:09:06.988-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Pra Noêmia</title><content type='html'>Louca de pernas abertas&lt;br /&gt;Bem molhadinha ele me deixou&lt;br /&gt;Começava assim Marta me chamando pelo nome:&lt;br /&gt;Noêmia&lt;br /&gt;Fui despedido e caí na vida&lt;br /&gt;Precisando comprar leite pão pros dois filhos&lt;br /&gt;De costa com a família sem um centavo pra dívida&lt;br /&gt;Enterrado pra sempre na miséria e azar?&lt;br /&gt;Pensei que sim&lt;br /&gt;Deus tinha então me abandonado&lt;br /&gt;Ah cotovia no terror é tão triste lembrar o dia feliz&lt;br /&gt;Na Vila Operária não me olhavam mais&lt;br /&gt;O alvo favorito das mentiras do Tatá&lt;br /&gt;Dedão na minha frente gritando ofensa e palavrão&lt;br /&gt;Logo eu roubando dinheiro do caixa no karaokê?&lt;br /&gt;Jurei em nome da mãe mostrei bolso debaixo do boné&lt;br /&gt;-nem quiseram ver lugares íntimos&lt;br /&gt;Te tiram a honestidade sem prova numa sexta qualquer&lt;br /&gt;E pra sempre traidor até o fim dos dias&lt;br /&gt;Verdade sim cotovia me envolvi em coisa ruim&lt;br /&gt;Arrependido cada vez que deito a cabeça e durmo&lt;br /&gt;Teve mesmo o lance do roubo no velho&lt;br /&gt;Na mansão sem machucar ninguém&lt;br /&gt;Pra pegar só um dinheiro de quem tem muito&lt;br /&gt;Tudo isso com bebida sem dormir e maldito&lt;br /&gt;Longe de ser perfeito&lt;br /&gt;Ao seu lado morro de orgulho&lt;br /&gt;-aqui ó a pontinha de vergonha da tua pureza&lt;br /&gt;Todo meu carinho e agradecimento&lt;br /&gt;Trabalhar no culto me deu uma coisa boa&lt;br /&gt;Dentro fundo sabe como é?&lt;br /&gt;Cotovia&lt;br /&gt;Sou um homem só&lt;br /&gt;Mas sou todo seu&lt;br /&gt;-se quiser claro&lt;br /&gt;Com carinho&lt;br /&gt;Seu devoto&lt;br /&gt;Manolo&lt;br /&gt;Viu só Marta?&lt;br /&gt;Que grandalhão assim te manda flor com carta no sábado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4622179124500024127?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4622179124500024127/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4622179124500024127' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4622179124500024127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4622179124500024127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/06/para-noemia.html' title='Pra Noêmia'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-9060296189438953436</id><published>2011-05-31T19:45:00.000-07:00</published><updated>2011-06-28T21:11:29.146-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Aos vinte e três</title><content type='html'>Cansadas depois de acordar&lt;br /&gt;As ramelas dos olhos me levam ao espelho&lt;br /&gt;Tenho vergonha de encarar à frente&lt;br /&gt;-aquilo que nunca fui está ali esperando uma resposta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meto uma calça jeans&lt;br /&gt;Pego o cinza da camiseta&lt;br /&gt;Calço o velho tênis&lt;br /&gt;Desço do elevador sem cumprimentar o porteiro&lt;br /&gt;-havia mesmo um porteiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na esquina da Avenida Brasil com a São Paulo&lt;br /&gt;Encontro mais ramelas como as minhas&lt;br /&gt;Elas são pesadas&lt;br /&gt;Secas&lt;br /&gt;Amargas&lt;br /&gt;Dirigem carros importados&lt;br /&gt;Seguem a pé rumo ao ponto de ônibus&lt;br /&gt;Correm em silêncio enumerando as tarefas do dia&lt;br /&gt;Entre os disparos de mensagens por celular&lt;br /&gt;E a narração das manchetes dos principais jornais do País no rádio da pastelaria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entro nesse prédio equilibrando um elefante nas costas&lt;br /&gt;E ainda tenho de sorrir dar um alô perguntar tudo bem e o seu pai&lt;br /&gt;-como vai?&lt;br /&gt;No teclado as letras saem lentas sem estilo nem tesão&lt;br /&gt;Sou um homem morto&lt;br /&gt;-concluo aos vinte e três anos de idade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-9060296189438953436?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/9060296189438953436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=9060296189438953436' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/9060296189438953436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/9060296189438953436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/05/aos-vinte-e-tres.html' title='Aos vinte e três'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-5004585781331360214</id><published>2011-05-09T18:55:00.000-07:00</published><updated>2011-05-09T18:56:50.004-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Karaokê do Tatá</title><content type='html'>Falei pra ele&lt;br /&gt;Tua putinha!&lt;br /&gt;Contra a parede sem fuga meu amor&lt;br /&gt;De mim o que bem quer&lt;br /&gt;O tuzinho em coro cotovelo&lt;br /&gt;Na minha boca o mindinho do teu pé&lt;br /&gt;Triste pensando em quem naquelas outras?&lt;br /&gt;Ai Tadeu&lt;br /&gt;Setembro senti que já distante&lt;br /&gt;Suas negras de vastas nádegas&lt;br /&gt;Enchendo tua cabeça na minha frente?&lt;br /&gt;Ódio é não escutar o papo inteiro no karaokê&lt;br /&gt;Sei bem que além do parabéns&lt;br /&gt;No sorriso daquelas promessas de uma cama mais quente talvez&lt;br /&gt;Domingos de fúria e gozo sem pausa?&lt;br /&gt;Invencível no karaokê do Tatá&lt;br /&gt;Da voz profunda sedutora de cadeiras&lt;br /&gt;Em pé quase todos batendo palma&lt;br /&gt;Gente que sai longe até da Vila Operária&lt;br /&gt;Se fala amor aqui bem pertinho capaz de matar&lt;br /&gt;Sozinha já tão achando que eu louca&lt;br /&gt;Ranjando briga errada no Meu Pato&lt;br /&gt;Negando homem machão do teu tamanho sabia?&lt;br /&gt;Perdida quem sabe sem volta pra pinga e cachaça&lt;br /&gt;-nem dó tem aí dentro de mim?&lt;br /&gt;No mar a âncora você me prendendo pra todo sempre?&lt;br /&gt;Choro o sono por ti de raiva e tesão&lt;br /&gt;Enfia a faca em mim mas não me despreza Tadeu&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-5004585781331360214?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/5004585781331360214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=5004585781331360214' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5004585781331360214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5004585781331360214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/05/karaoke-do-tata.html' title='Karaokê do Tatá'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2824613169316312241</id><published>2011-05-02T19:50:00.000-07:00</published><updated>2011-05-08T09:58:02.653-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Me profana diabo!</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;Na voz vi um sujeito aflito&lt;br /&gt;Tropeçando em palavra e silêncio&lt;br /&gt;Cheio de três pontinhos sabe?&lt;br /&gt;Cinco anos de rua conheço bem o tipo&lt;br /&gt;Combina no Meu Pato e dá balão&lt;br /&gt;Esperando feito trôxa eu sozinha na mesa&lt;br /&gt;Matando o bicho aqui dentro com goles de Presidente&lt;br /&gt;O lugar?&lt;br /&gt;Uma sobreloja na Vila Operária&lt;br /&gt;Pra surpresa não cancela não&lt;br /&gt;Até bonito o apê em cima duma loja de sapato&lt;br /&gt;Toquei o interfone no primeiro andar&lt;br /&gt;Da linha abriu o portão sem dizer oi pode subir vem tesão&lt;br /&gt;Sem elevador parti pra escada&lt;br /&gt;Bem metida num vestido azul curtinho e salto alto&lt;br /&gt;No 101 o olho me espera atrás da porta meio aberta&lt;br /&gt;Salivando me espia de baixo pra cima e empurra a porta&lt;br /&gt;É quatro talvez cinco mãos menor que eu&lt;br /&gt;Tão miúdo capaz de subir nas coxas daqui?&lt;br /&gt;Num risinho digo bem gostoso hem&lt;br /&gt;Se todos fossem assim que nem cê&lt;br /&gt;Ele fica suado acho que sente a mentira&lt;br /&gt;Não insisto&lt;br /&gt;Tinha um sofá laranja no centro da salinha nada demais&lt;br /&gt;Na mesa o retrato derrubado à pressa&lt;br /&gt;-quem abraçado a ele jurando amor eterno?&lt;br /&gt;Peguei pela mão e levei pro sofá&lt;br /&gt;Numa lambidinha na orelha ele todo contorcido&lt;br /&gt;Sete anos sem bimbar?&lt;br /&gt;Louco com as gemidas da leoa em mim ao pé do ouvido&lt;br /&gt;Escancara o tuzinho da tua cotovia faminta&lt;br /&gt;Benze de leite meu rosto minha boca não perdoa nem a covinha&lt;br /&gt;Soca tudo inteiro de uma vez sou tua me profana diabo!&lt;br /&gt;Ele ficou louco ainda mais suado&lt;br /&gt;Lambendo atordoado meu decote até aqui&lt;br /&gt;Daí veio a campainha com alguém batendo na porta&lt;br /&gt;Tão branco tremendo assustado&lt;br /&gt;A voz pela primeira vez respondendo fraquinha calma tô me trocando&lt;br /&gt;Corri pra trás do sofá abaixei muda&lt;br /&gt;Pra minha surpresa ele veio do lado&lt;br /&gt;Levantei achando que tinha outro esconderijo&lt;br /&gt;Nisso a mulher com razão mandando abrir e batendo&lt;br /&gt;Fraco ainda não sei como fez aquilo não&lt;br /&gt;Me erguendo com tudo de uma só vez no colo&lt;br /&gt;Tão rápido não gritei só fechei o olho&lt;br /&gt;Arremessada um andar sem dó pelo escroto&lt;br /&gt;Aqui ó a queda dói como uma faca no tuzinho&lt;br /&gt;Na hora dor alguma&lt;br /&gt;Só a sede de enforcar aquela garganta buscar meu dinheiro bolsa dignidade&lt;br /&gt;Ninguém ali se importou comigo&lt;br /&gt;Nem perguntaram de onde como se eu mesma caí&lt;br /&gt;Enquanto um velho abria o portão aproveitei e corri&lt;br /&gt;Sangue no zóio!&lt;br /&gt;Empurrei a porta num grito alto não lembro o que disse&lt;br /&gt;Quem descia a mão nele era a coitada&lt;br /&gt;Que me jogou vinte pila a bolsa e um olhar de mulher &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2824613169316312241?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2824613169316312241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2824613169316312241' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2824613169316312241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2824613169316312241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/05/me-profana-diabo.html' title='Me profana diabo!'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-3016684582756390753</id><published>2011-04-30T09:39:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T09:55:37.646-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='O Diário'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Domingos Pellegrini'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><title type='text'>Domingos Pellegrini - Entrevista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-o5hHFakRJVM/Tbw7n-D_b0I/AAAAAAAAAQk/W5xe6bQgXgg/s1600/pellegrini.jpg"&gt;&lt;img style="float: left; margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 400px; height: 266px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-o5hHFakRJVM/Tbw7n-D_b0I/AAAAAAAAAQk/W5xe6bQgXgg/s400/pellegrini.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5601417594402729794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;             Definido pelo crítico literário Wilson Martins como um  "autor de um idioma próprio e de uma não menos própria visão do homem",  Domingos Pellegrini não teve dificuldades para encontrar sua própria voz  ao publicar seu primeiro livro, "O Homem Vermelho", em 1977.&lt;div id="jsNoticia" class="NoticiaTexto CorCod253"&gt; &lt;p&gt;Em sua estreia, contemplada com um Prêmio Jabuti, o autor londrinense apresentou uma escrita voltada à  oralidade e histórias fortemente autobiográficas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;"Meu estilo é meu maior patrimônio. Ninguém escreveu como eu",  defende, com razão, em entrevista ao Diário.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O escritor, que participa de debate sobre infância e literatura com a  mineira Angela Lago, amanhã, no Sesc, não deixou que a verve de  Hemingway e Graciliano Ramos, suas duas maiores influências,  transformassem seu fazer literário num pastiche tosco. Deles, Pellegrini  bebeu da concisão e da clareza, e parou aí.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em mais de vinte livros, que incluem contos, poesias, romances e  obras voltadas ao público infantil, o londrinense não sabe ao certo como  explicar sua peculiaridade. "O jeito de um escritor tratar a língua não  tem explicação. O estilo é uma dádiva, é um dom. Gosto de escrever como  quem fala, mas isso não é uma tarefa simples. Na minha literatura, não  há lugar comum. O leitor sente a narrativa como se ouvisse algo novo."&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A dica, aos novos escritores, é inovar. O londrinense lembra que, na  década de sessenta, quando houve um boom de contistas surgindo aos  borbotões, a maior parte se dedicava à cópia descarada de Guimarães  Rosa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A linguagem sertaneja, contundo, não deu certo às pencas de jovens.  "30% dos contistas seguiam Guimarães. Ninguém lembra, hoje, o nome  desses caras."&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quem começa influenciado cegamente por um ídolo literário ainda  escapar do fracasso. "É como uma banda cover. Dá até para começar  tocando músicas de outras pessoas para ganhar coragem e subir ao palco.  Mas, se não tiver composições próprias, a banda vai cair no  esquecimento", compara.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin: 5px 0pt; line-height: 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Diferenças&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Para escrever suas histórias, Pellegrini volta no tempo e visita  mentalmente lugares que frequentou durante sua vida. Na pensão  administrada por seu pai, por exemplo, entre diálogos de peões e  mascates, o autor relembra as gírias, as imagens e vai tecendo as redes  de suas narrativas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nos contos, ele só pôs no papel o que sentiu na pele. "Vivi a maioria  das coisas que escrevi. Eu não inventei. Para fazer os contos, é  preciso ter uma vida intensa. Por isso eu parei de escrevê-los", avalia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Das pequenas histórias, surgiram romances quatrocentões, como "No  Coração das Perobas" (2002), de 436 páginas, e "Terra Vermelha" (2003),  de 472 páginas. Nos enredos mais extensos, ele abre mão da memória e  parte para a observação.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;"Nos romances, é preciso criar personagens fortes, tecer painéis  humanos. Não escrevo tanto das coisas que vivi: aprecio a vivência dos  outros", conta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vivendo somente de literatura, Pellegrini vê suas obras virarem  dissertações acadêmicas, escreve crônicas para dois jornais do Paraná e  acompanha, anualmente, seus contos ganharem novas compilações. Morar em  Londrina e ambientar suas histórias por lá, longe demais das capitais,  não prejudicou em nada sua produção."Faulkner era do interior. Gabriel  García Márquez não ia além do interior da Colômbia."&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Publicada em O Diário no dia 28 de abril.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-3016684582756390753?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/3016684582756390753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=3016684582756390753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3016684582756390753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3016684582756390753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/04/domingo-pellegrini-entrevista.html' title='Domingos Pellegrini - Entrevista'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-o5hHFakRJVM/Tbw7n-D_b0I/AAAAAAAAAQk/W5xe6bQgXgg/s72-c/pellegrini.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4062454228398824813</id><published>2011-03-16T20:23:00.000-07:00</published><updated>2011-04-11T07:45:34.924-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O carnaval de Júlio</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Júlio largou a enxada, pediu descanso no carnaval ao pai, quebrou o porquinho e, pela primeira vez na cidade, foi fundo em tudo. Pinga. Cerveja. Presidente. E uma ou outra dose de uísque. No Bar do Moacir, um cavalheiro de 16 anos. Pagou cerveja, seduziu as mulheres, ficou bem falado. No Meu Pato, tratamento de rei. Se deu bem com a mesa do lado. Tema da conversa, criticou Deus, aquele puto safado, e ganhou inimigos. Jurado de morte por três cristãos, Júlio deixou o bar com um copo no bolso, cuidando atrás que não lhe golpeassem com cadeiras ou garrafas. Dormiu em frente ao inferninho, do outro lado da rua, onde lhe acordaram os carros, as motos e dois policiais. Assustado, de ressaca, perdeu a fala, tirou os documentos e amaldiçoou Deus novamente - a carteira esquecida na mesa dos religiosos. Sem maconha, pedra, nada além de um copo, Júlio partiu rumo à delegacia, antes de levar chutes nas costas, no estômago e receber a dupla enchente de catarradas em seu rosto. Liberado no dia seguinte, após escrever o nome em sete papéis diferentes, Júlio foi largado próximo da UEM, onde pediu dinheiro e desafiou desconhecidos na mesa de sinuca. Derrotados todos os rivais, fez a limpa na grana e torrou quase tudo ali mesmo, em cervejas no Manhattan. Na alta madrugada, desceu a rua em direção ao Bar Sem Nome, onde a noite nunca acaba, alguém prometeu, desafiou desconhecidos, criticou Deus à vontade, aquele puto safado ladrão de carteiras, fez a limpa na grana e torrou tudo em cerveja. Na saída, Júlio ainda conseguiu carona de um dos derrotados até à rodovia, bem próximo da fazenda, onde, no fundo, sua mãe, pai e quatro irmãos seguem a rotina num barraco de madeira. Cantando na rodovia, notou seus passos tortos cada vez mais engraçados. Olhou, como nunca antes, a plantação de soja à luz da lua. Amaldiçoasse mil vezes que fosse, dali o sustento de quantas bocas em Maringá? Abraçado à soja, Júlio dormiu orgulhoso das noitadas. Às sete horas da manhã, Abílio manchou de sangue a plantação dirigindo a colheitadeira.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4062454228398824813?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4062454228398824813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4062454228398824813' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4062454228398824813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4062454228398824813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/03/o-carnaval-de-julio.html' title='O carnaval de Júlio'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8253249390123255339</id><published>2011-02-03T07:34:00.000-08:00</published><updated>2011-05-02T21:12:26.199-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Nem vaselina?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;O primeiro barulho veio no intervalo da novela.&lt;br /&gt;Uma coisa lá no quintal.&lt;br /&gt;Tipo um tropeço.&lt;br /&gt;Estranho, seco.&lt;span style="font-size:+0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Depois uma tosse.&lt;br /&gt;Um palavrão no chute da latinha.&lt;br /&gt;Sozinha, aqui, entrei em desespero.&lt;br /&gt;Desde que Jonas morreu não fui mais a mesma.&lt;br /&gt;Roçar o calcanhar de madrugada com quem?&lt;br /&gt;Corri o olho no telefone.&lt;br /&gt;Debaixo do sofá que não tava.&lt;br /&gt;No meu azar, perdido em algum canto da casa.&lt;br /&gt;Me cobri com a cortina ali atrás.&lt;br /&gt;No silêncio do Borba Gato, só os passos do infeliz, meu coração e a propaganda da pasta de dente na TV.&lt;br /&gt;Tão ruim de magrelo, puxou a cortina gozando da minha cara.&lt;br /&gt;Escondendo de mim?&lt;br /&gt;Não conseguia ficar em pé, ele.&lt;br /&gt;Desequilibrado, derrubou tudo sozinho.&lt;br /&gt;A estante, a mesinha e caiu ali, ó, bem em cima do aquário.&lt;br /&gt;Contra ele nem um sopro saiu da minha boca.&lt;br /&gt;De nada adiantou explicar.&lt;br /&gt;Alegar inocência?&lt;br /&gt;Eu era, sim, a culpada do sangue derramado.&lt;br /&gt;Azar o meu.&lt;br /&gt;Que tive a boca fechada com a mão dele.&lt;br /&gt;Talvez até me passou doença de sangue.&lt;br /&gt;AIDS?&lt;br /&gt;Me levou até que com cuidado lá pra cima.&lt;br /&gt;Sempre com o estilete na mão ameaçando por trás.&lt;br /&gt;De uma vez me jogou na cama.&lt;br /&gt;E pimba!&lt;br /&gt;Eu, a última cotovia do Borba Gato.&lt;br /&gt;No meio da novela, mais uma vítima da fome?&lt;br /&gt;Aos oitenta e três, sem piedade?&lt;br /&gt;Nem vaselina?&lt;br /&gt;Só deu pra ver aquelas marcas no corpo todo.&lt;br /&gt;Desenhos de rostos tortos.&lt;br /&gt;Estranhos rostos pretos de diabos.&lt;br /&gt;Sem nariz, olho, cabelo.&lt;br /&gt;Dois grandes na barriga.&lt;br /&gt;E alguns nas costas.&lt;br /&gt;No rastro de sangue minha quase consumação.&lt;br /&gt;Foi ouvir a sirene na rua, não pensou duas vezes.&lt;br /&gt;O telhado do vizinho facilitando a fuga do marginal.&lt;br /&gt;Que agora conhece até o esconderijo atrás da cortina.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8253249390123255339?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8253249390123255339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8253249390123255339' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8253249390123255339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8253249390123255339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/02/te-prepara.html' title='Nem vaselina?'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-312520899552640232</id><published>2011-01-31T19:44:00.001-08:00</published><updated>2011-01-31T19:45:20.044-08:00</updated><title type='text'>Traficante eu?</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal"; 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margin: 0pt 10px 10px 0pt; cursor: pointer; width: 291px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TUd-4of1RqI/AAAAAAAAAQE/9uaphUTdCEw/s400/tezza2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5568558975675614882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sempre quando entra num sebo, Cristovão Tezza faz  questão de comprar o  mesmo livro: "A Cidade Inventada" (1980). O  objetivo? Tirar todos os  exemplares de circulação. A obra, publicada  pelo curitibano aos 28 anos,  reúne 18 contos e é renegada pelo próprio.  Há dois anos, em São Paulo,  abordei o escritor, após uma palestra, e  pedi uma dedicatória num dos  raros exemplares que escaparam de suas  mãos.&lt;br /&gt;&lt;div class="NoticiaTexto"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Primeiro, ele ficou  surpreso - não é sempre que a gente  dá de frente com um fantasma. Em  seguida, abriu um sorriso e não  escapou do autógrafo no volume que agora  figura entre as minhas raras  raridades de colecionador.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Que o autor de "A Cidade Inventada"  continuasse a escrever, não era  nenhuma grande surpresa. Afinal, embora  Tezza discorde, seu livro exibe  um jovem com fôlego e sede por  literatura.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Mas que o responsável pela  pequena obra de contos  pudesse se transformar num dos grandes nomes  vivos da literatura  brasileira, daí já era demais: ninguém poderia  prever.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;"Literatura  é arte de maturação muito lenta", define o escritor,  em entrevista  concedida por e-mail. Nesta quarta-feira (15), às 20h, no salão social  do  Sesc, Cristovão Tezza volta a Maringá, dessa vez, com o status de   celebridade literária.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Autor de cerca de trinta obras, Tezza se   aventurou pelo romance, teatro, em publicações acadêmicas e lançou   aquele renegado e único exemplar de contos. Dos gêneros literários, o   curitibano só não usou a poesia. Aliás, usou e não gostou. "Nunca fui um   bom poeta", diz.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Nessa trajetória, ele conseguiu escrever obras  como "Trapo", "Uma Noite  em Curitiba" e "O Fotógrafo". Com "O Filho  Eterno" (2007), o curitibano  fixou seu nome na literatura nacional.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O livro, fortemente baseado em  aspectos biográficos, venceu os  principais prêmios literários do País.  Foi contemplado com o Jabuti, os  prêmios da Associação Paulista de  Críticos de Arte (APCA),  Portugal-Telecom e o prêmio São Paulo de  Literatura, o que resultou em  R$ 300 mil no bolso do escritor, que  deixou de lecionar Linguística na  Universidade Federal do Paraná (UFPR).&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Sucesso de crítica e  público, a obra será transformada em peça teatral e  filme, ambos sem  previsões de estreia. Ainda neste mês, a editora  Record deve,  finalmente, publicar "Um Erro Emocional", encerrando o  jejum do  escritor e saciando a curiosidade dos leitores. Confira a  entrevista de  Tezza ao Diário.&lt;div id="FotoEsquerda"&gt; &lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O DIÁRIO A rotina de palestras mundo afora prejudicou a composição de "Um Erro Emocional"?&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Cristóvão  Tezza Tinha tudo para prejudicar, mas eu consegui tirar alguns  meses  para fechar o livro, finalmente, que eu vinha escrevendo há um  bom  tempo. Assim, escrevi o livro com as mesmas condições de todos os   outros. "Um Erro Emocional" é uma história de amor ¿ ou, mais   propriamente, a história de uma aproximação amorosa. É um livro bastante   concentrado em poucas situações de tempo e espaço, mas todos os meus   temas estão ali.&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Agora que você virou uma celebridade literária, sentiu um peso ainda maior ao escrever o novo livro?&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não,  não senti esse peso. Eu nunca me senti realmente uma celebridade   literária. Já estou meio velho. Seria ótimo se essa festa tivesse   acontecido há uns 15 anos.&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Você já se aventurou em contos e romance. Por que não a poesia?&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Fui  poeta quando adolescente. Escrevi pilhas de poesias. Em 1975,  escrevi  alguns poemas quase bons, quando vivia em Portugal. Mas a prosa  logo  foi tomando conta da minha vida e abandonei o verso. Nunca fui um  bom  poeta.&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Você vem sendo considerado um dos cinco futuros cânones  da literatura  brasileira. Qual sua opinião sobre a atual produção  literária no Brasil?&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Acho que a produção literária  brasileira está crescendo muito. Toda a  geração que se formou na  entressafra dos anos 80 e 90, agora começa a  produzir literatura mais  madura.&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na sua opinião, quem serão os futuros cinco cânones?&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não  acredito em cânones criados "em cima do laço". Literatura é arte de   maturação muito lenta. Não tenho ideia do que será referência no futuro.&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Milton  Hatoum costuma desaconselhar os jovens a publicar seus textos em  blogs  e sair escrevendo livros. Para ele, é preciso que os jovens leiam  os  clássicos antes de escrever em blogs. O que acha desse conselho   hatoumniano?&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Que os jovens leiam clássicos, é  fundamental. A literatura não é uma  arte ingênua nem se faz por geração  espontânea. Quanto ao blogs, acho  que cada caso é um caso. Não tenho  nada contra as novas linguagens  criadas pela internet. Na verdade, a  internet ajudou muito a literatura  brasileira, que  passou a contar com  uma divulgação e informação que  jamais teve antes.&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Quais cinco obras você gostaria de indicar aos novos escritores?&lt;/strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não sei dizer assim - os clássicos, como diria o Hatoum. Quem escreve sabe achar o caminho.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicada no jornal O Diário em 15 de setembro de 2010&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-409713422553990897?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/409713422553990897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=409713422553990897' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/409713422553990897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/409713422553990897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/01/cristovao-tezza-entrevista.html' title='Cristovão Tezza - entrevista'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TUd-4of1RqI/AAAAAAAAAQE/9uaphUTdCEw/s72-c/tezza2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8433723319080445032</id><published>2011-01-31T19:24:00.000-08:00</published><updated>2011-02-02T07:35:03.782-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristovão Tezza'/><title type='text'>Entrevista - Cristovão Tezza</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TUl5NslhH2I/AAAAAAAAAQU/ldjvzOqUCjQ/s1600/cristovao-tezza2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5569115690434109282" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TUl5NslhH2I/AAAAAAAAAQU/ldjvzOqUCjQ/s400/cristovao-tezza2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Cristovão Tezza é um pé frio. Deve ser alguma macumba das bravas, mandinga de escritores de auto-ajuda, vai saber? É coisa da pesada mesmo. Na semana passada, como convidado da Semana Literária no Sesc, o premiado escritor curitibano deu a palestra, sozinho, sobre criação literária. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Em cima da hora, o gaúcho Moacyr Scliar cancelou sua participação no evento, devido ao delicado estado de saúde de seu sogro. Hoje, Cristovão Tezza retorna à Maringá, desta vez, como parte da programação do projeto "Autores e Ideias", e novamente dará a palestra desfalcado. O jornalista Daniel Piza, ícone do jornalismo cultural brasileiro, cancelou sua participação no debate, aos 45 minutos do segundo tempo, alegando "motivos pessoais". &lt;div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ainda bem que durante a palestra da semana passada, Cristovão Tezza seguiu o tema proposto: não há risco dele se repetir ou do público ser tomado pela sensação de déjà vu.. Hoje à noite, o tema será diferente: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;"Tecnologia e Leitura no Cotidiano". Bem humorado, o autor encontrou uma sala cheia de universitários, leitores e leitoras quarentões, todos empunhando, no mínimo, uma de suas obras debaixo do braço para serem assinadas após o bate papo. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Mediado pelo professor de literatura da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Milton Hermes Rodrigues, o debate com Cristovão Tezza rendeu boas revelações sobre o processo criativo de seus livros. Sobre seu novo romance, "Um Erro Emocional", que será lançado neste mês pela editora Record, Cristovão Tezza desabafou: "Estou realmente ansioso e inseguro com a publicação". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Criação literária &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/b&gt;A ideia de escrever "Trapo" (1988), obra que o projetou o nome de Cristovão Tezza no cenário nacional, surgiu com uma imagem de "Palmeiras Bravas", do estadunidense William Falkner. Tezza, ainda como estudante do curso de Letras, andava escrevendo alguns poemas, intitulados "23 Modos de Assassinar a Poesia". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Seus amigos e colegas de sala sugeriam, em conversas, que ele tranformasse as poesias num livro. Com uma imagem de um excerto de "Palmeiras Bravas" na cabeça, Cristovão Tezza pasou a escrever sobre o universo das décadas de 70 e 80, inserindo no enredo da história personagens reais de Curitiba, pessoas que ele conheceu nas mesas dos bares e outras figuras do meio publicitário da capital paranaense. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Depois disso, ele reuniu os poemas e, na mesma ordem em que foram escritos, organizou os volumes, intercalando-os no romance, compondo um rico jogo de linguagem e revelando sua versatilidade como escritor. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;"Num determinado momento, quando eu já estava escrevendo a história, não havia mais ligação entre o 'Trapo' e o livro de Faulkner", observa. "Não há lógica nenhuma na criação literária", conclui o autor, com uma gargalhada. A fórmula alcançada em "Trapo" foi repetida em outra obra bem conhecida de Tezza, "Uma Noite em Curitiba" (1995). &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Medo de errar &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/b&gt;Durante a palestra, Tezza confessou estar inseguro e ansioso com relação a "Um Erro Emocional", sua nova obra, ainda inédita. A pressão do autor é compreensível. A nova obra sucede sua obra-prima, "O Filho Eterno", responsável por fixar seu nome entre os maiores literatos brasileiros vivos. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;"Estou realmente inseguro e ansioso com o lançamento do novo romance. Ninguém, além da minha editora, leu a obra. No entanto, acho difícil eu conseguir escrever um livro ruim a essa altura da vida. Acho que aprendi algumas coisas", disse Tezza. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Imaginando que a obra seja recebida aos tapas e pontapés pela crítica especializada, o escritor arrancou risos da platéia ao sugerir, em tom de piada, um outro título para seu novo romance: "A Explusão do Paraíso". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Segundo Tezza, "Um Erro Emocional" foi composto a partir de alguns dos contos que vem produzindo desde 2007. "Eu criei um passado para os personagens. Os contos foram apenas esboços para este romance", contou. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O punhado de histórias concisas acumuladas nesses anos não será reunido agora, como alguns cogitavam. Ao invés de lançar, concomitantemente, um romance e um livro de contos, Cristovão Tezza vai guardar "Beatriz" para 2011. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;b&gt;Crônica &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/b&gt;A definição de Tezza para o gênero literário que imortalizou Rubem Braga arranca mais risadas do público: "Crônica é conversa fiada com estilo". Como cronista, o autor curitibano aceitou o desafio proposto pelo jornal Gazeta do Povo e assumiu uma coluna semanal. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na rotina de cronista, nada de tranquilidade. O trabalho é duro e Tezza não costuma escrever suas histórias de uma só vez. "Estou sermpre voltando à história para melhorá-la". &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Dos temas abordados em sua coluna, alguns provocam a resposta imediata de leitores. "Se escrevo alguma coisa sobre o Atlético Paranaense e sobre as calçadas de Curitiba, como fiz uma vez, dizendo que eram as piores calçadas do mundo, os leitores sempre enviam um e-mail e deixam comentários", conta. &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Para o novo encontro de hoje, mais histórias e gargalhadas com Critovão Tezza. Chance única para ficar cara a cara com um gênio da literatura contemporânea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Publicada em O Diário no dia 23 de setembro de 2010&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8433723319080445032?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8433723319080445032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8433723319080445032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8433723319080445032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8433723319080445032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/01/entrevista-cristovao-tezza.html' title='Entrevista - Cristovão Tezza'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TUl5NslhH2I/AAAAAAAAAQU/ldjvzOqUCjQ/s72-c/cristovao-tezza2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-919295850361040652</id><published>2011-01-05T05:32:00.001-08:00</published><updated>2011-04-30T10:16:05.830-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nada me Faltará'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='novo livro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lourenço Mutarelli'/><title type='text'>A provocação de Mutarelli</title><content type='html'>Lourenço Mutarelli está surpreso com a reação dos  leitores à sua nova  obra, "Nada me Faltará". "Tem muita gente com  raiva do livro", disse,  por telefone, em meio a risos. Em 136 páginas, o  autor de "O Cheiro do  Ralo" (2002) conseguiu compor um enredo tenso,  do início ao fim, sobre o  desaparecimento de uma família.&lt;br /&gt;                           &lt;p&gt;Enquanto sua esposa e filha permanecem desaparecidas, o pai, Paulo   Maturello, reaparece na história, vivendo na casa de sua mãe, sem   qualquer lembrança do que aconteceu, e passa a ser objeto de   investigação. Se ele é o assassino da sua própria família, ou não, cabe   ao leitor decidir. "As pessoas querem tudo mastigado. Os leitores não   querem participar", reclama o escritor e quadrinista paulistano.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; &lt;/p&gt;Tal como em "A Arte de Produzir Efeito Sem Causa" (2008) e "Miguel e os   Demônios" (2009), Mutarelli recorreu a um clima profundamente  misterioso  e ao final em aberto – que, segundo ele, não é tão aberto  quanto  parece. "Deixei pistas sutis para direcionar o leitor ao final  da  história. O protagonista é o assassino", decreta. &lt;p style="margin: 5px 0pt; line-height: 0pt;"&gt; &lt;/p&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Diálogos &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TSR1iKsC3CI/AAAAAAAAAOE/raX6ACnJtZc/s1600/mutarelli2.jpeg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 267px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TSR1iKsC3CI/AAAAAAAAAOE/raX6ACnJtZc/s400/mutarelli2.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5558697069927128098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p&gt;Toda escrita em diálogos, a obra demorou apenas 2 meses para ser   composta. "Escrevi imaginando uma história em quadrinhos feita apenas   pelos balões das falas das personagens. Foi difícil situar o leitor no   tempo e escrever os detalhes das personagens por meio dos diálogos",   diz.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A linguagem dos diálogos cortantes permanece seca, concisa. Não há   metáforas nem doses de lirismo, como ele fez em "O Natimorto" (2004),   sua melhor obra. Nas mãos do escritor, as pequenas paranóias do   cotidiano costumam ser transformadas em recursos cômicos.&lt;br /&gt;Desta vez, no entanto, Mutarelli abriu mão do humor minimalista que&lt;/p&gt; &lt;p&gt;marcou sua trajetória literária. "O assunto desse livro é pesado.   Suprimi o humor, que havia no começo do livro, porque ele diluía a   tensão", diz. "Nada me Faltará" é seu livro menos engraçado, mas ainda   há passagens bem humoradas, como uma malfadada sessão de hipnose do   protagonista.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 5px 0pt; line-height: 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Férias&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Lançando um livro por ano desde 2008, Mutarelli já sente um peso  maior  na hora em que vai para frente do notebook ou quando perambula  pelo  apartamento registrando suas histórias num gravador. "Escrever,  hoje,  não é tão fácil como era antes. Vou passar um ano sem escrever  enquanto  aproveito para terminar um livro com meus desenhos. Acho que a  distância  da literatura vai me ajudar nos próximos livros".&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mutarelli acredita que a profissionalização de um escritor é sempre   perigosa. "Estou tomando muito cuidado com ela, afinal, quando passa a   ser um trabalho, nada é tão prazeroso", diz.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mesmo assim, o próximo livro do autor já está pronto e será lançado   dentro da série "Amores Expressos", da Companhia das Letras. "Com essa   nova história ambientada em Nova York encerro a minha trilogia, iniciada   em 'A Arte de Produzir Efeito Sem Causa' e 'Nada me Faltará', com   personagens que passam por mudanças em suas vidas e voltam a morar na   casa de seus pais", diz.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na literatura de Mutarelli, as famílias despedaçadas ajudam a compor a   profundidade psicológica das personagens envolvidas nas tramas. O  clima  jamais é ameno. Tudo é soturno, lúgubre, desesperado e as pessoas   carregam, em si, um mal que desperta furiosamente sem aviso prévio.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em  "Nada me Faltará", o triunfo literário de Mutarelli é a  provocação,  envolvendo o leitor numa rede de mistério minuciosamente  elaborada,  compondo uma obra sem afeto, fria e repleta de angústia.&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 5px 0pt; line-height: 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Para ler&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; "Nada me Faltará",  de Lourenço Mutarelli&lt;br /&gt;Editora: Companhia das Letras&lt;br /&gt;Preço: R$37&lt;br /&gt;Avaliação: ótimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Publicada no jornal O Diário no dia 5 de janeiro de 2011.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/05/cafe-com-mutarelli.html"&gt;Leia&lt;/a&gt; o relato do meu encontro com Mutarelli, em São Paulo, no início de 2010.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-919295850361040652?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/919295850361040652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=919295850361040652' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/919295850361040652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/919295850361040652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/01/provocacao-de-mutarelli.html' title='A provocação de Mutarelli'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TSR1iKsC3CI/AAAAAAAAAOE/raX6ACnJtZc/s72-c/mutarelli2.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-3844701840572466786</id><published>2011-01-02T07:48:00.001-08:00</published><updated>2011-04-30T10:18:23.354-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ferreira Gullar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='2010'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Os melhores livros de 2010</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TSCykIVXR3I/AAAAAAAAANs/DtHLCYqZdAY/s1600/FERREIRA%2BGULLAR.jpg"&gt;&lt;img style="display: block; margin: 0px auto 10px; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 233px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TSCykIVXR3I/AAAAAAAAANs/DtHLCYqZdAY/s400/FERREIRA%2BGULLAR.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5557638273957316466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                   "&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Em Alguma Parte Alguma", do Gullar, &lt;/span&gt;é o melhor livro do ano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;                 &lt;br /&gt;Quem aprecia a boa literatura não tem do que  reclamar neste 2010. A  produção literária foi extremamente bem  produzida nos gêneros conto,  romance e poesia. No panorama nacional, os  livros mais esperados foram  "Um Erro Emocional", do curitibano  Cristovão Tezza, e "Em Alguma Parte  Alguma", do poeta maranhense  Ferreira Gullar.&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="NoticiaTexto"&gt;&lt;p&gt;As duas obras estavam previstas para serem  lançadas no final de 2009,  mas só chegaram às livrarias no segundo  semestre. Alívio para os  leitores de Gullar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O autor de "Poema Sujo" (1976) não publicava um  livro de versos  inéditos há onze anos. Forte candidato a melhor livro do  ano em todos  os prêmios literários de 2011, "Em Alguma Parte Alguma" é  um livro  delicado e mostra o poder das palavras do maior poeta  brasileiro vivo,  versando sobre morte e o cotidiano.  Na obra, Ferreira  Gullar faz  referências ao escritor austríaco Rainer Marie Rilke e dedica  meia  dúzia de poemas ao seu gatinho de estimação.&lt;/p&gt; &lt;p class="legendaTemplate"&gt;Já o curitibano Cristovão Tezza também saciou a curiosidade de seus leitores que, desde "O Filho Eterno" (2007), estavam curiosos para   acompanhar seu próximo romance. Numa história de amor, escrita em   linguagem límpida e ritmo narrativo veloz, Cristovão Tezza retomou os   temas que marcaram suas obras passadas, como "Uma Noite em Curitiba"   (1995) e "O Fotógrafo" (2004), e traz para a ficção as tensões dos   relacionamentos conjugais. &lt;/p&gt;&lt;div id="FotoDireita"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p&gt;De Curitiba, Dalton Trevisan mostrou que não perdeu a forma. Aos 84,   continua lançando um livro por ano. Desta vez, o "Vampiro de Curitiba"   saiu à tona com "Desgracida", investindo em contos curtíssimos,   retratando marginais, ladrões, traficantes e prostitutas.  Um dos pontos   mais peculiares da obra é a inusitada seção que reúne sua   correspondência particular. Nas más traçadas linhas de Dalton Trevisan,   ele debocha de Guimarães Rosa e decreta que Machado de Assis é o maior   contista brasileiro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Considerado o melhor contista brasileiro, Dalton Trevisan foi o tema  da  obra de outro paranaense, o escritor Miguel Sanches Neto, de Ponta   Grossa. Em "Chá das Cinco com o Vampiro", Miguel Sanches Neto  romanceou sua  relação com Dalton Trevisan e o retratou de forma cruel.   Na obra, o  autor fala mal de Dalton, como sujeito e escritor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A obra, em si, é ruim. Mas é, de fato, um livro histórico na  literatura  nacional. Ele conseguiu mostrar, pela primeira vez, detalhes  sobre a  rotina e a vida pessoal do mais recluso escritor brasileiro de  todos os  tempos. Em troca, foi chamado de "hiena papuda" pelo  curitibano e seu  livro foi duramente rechaçado no círculo dos  escritores.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Entre os novos poetas, os destaques deste ano são os paulistas  Fabrício  Corsaletti, com "Esquimó", e Alberto Martins, que publicou "Em   Trânsito". Ambos publicados pela Companhia das Letras, comprovam que a   poesia contemporânea no Brasil tem voz própria e está sólida, mesmo   quando comparada ao universo literário de outros países, como Argentina e   Alemanha.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Estrangeiros&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Dos nomes internacionais, o ano de 2010 teve boas surpresas. O   norte-americano Philip Roth, pela primeira vez em sua trajetória,   escreveu sobre a relação de um casal de lésbicas, compondo, em "A   Humilhação", personagens perturbadas psicologicamente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Conterrâneo de Roth, Paul Auster fez bonito em "Invisível". Provocou a   sociedade estadunidense com uma relação incestuosa entre irmãos e  fez   uma bela história de amor, em clima de suspense ,  numa narrativa  ágil.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Com "Verão", o sul-africano J. M. Coetzee mostrou uma verve  bem   humorada ao romancear sua própria biografia a partir das perspectivas   das mulheres com as quais se envolveu.&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;Confira a lista:&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;Em Alguma Parte Alguma&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ferreira Gullar&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;Editora José Olympio&lt;br /&gt;Aos 80 anos, o poeta maranhense compõem poemas viscerais sobre a morte, o cotidiano e o amor&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;Um Erro Emocional&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;Cristovão Tezza&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;Editora Record&lt;/span&gt; &lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;br /&gt;Uma narrativa delicada e ágil sobre o envolvimento amoroso de um escritor consagrado com sua leitora&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Desgracida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Dalton Trevisan&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Editora Record&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Em contos pequenos, o "Vampiro de Curitiba" dá espaço a ladrões e prostitutas. Na seção de cartas, critica Guimarães Rosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Invisível&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paul Auster&lt;br /&gt;Editora Companhia das Letras&lt;br /&gt;Com um enredo provocador, o escritor norte-americano escreve sobre incesto e compõe uma bela história de amor e suspense&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O Albatroz Azul&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Ubaldo Ribeiro&lt;br /&gt;Editora Companhia das Letras&lt;br /&gt;Neste romance breve, o escritor baiano volta a mitificar a ilha de Itaparica e escreve uma delicada história sobre a vida e a morte&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A Humilhação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Philip Roth&lt;br /&gt;Editora Companhia das Letras&lt;br /&gt;Pela primeira vez, Philip Roth narra o envolvimento de um casal de lésbicas. A obra explora a profundidade psicológica das personagens&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Verão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. M. Coetzee&lt;br /&gt;Editora Companhia das Letras&lt;br /&gt;Num dos livros mais bem humorados do Nbel sul-africano, J. M. Coetzee faz seu autorretrato por meio de olhares de suas mulheres&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Esquimó&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabrício Corsaletti&lt;br /&gt;Editora Companhia das Letras&lt;br /&gt;Com alusões a Bob Dylan e César Vallejo, Corsaletti desponta como um dos principais nomes da poesia contemporânea no Brasil&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Chá das Cinco com o Vampiro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Sanches Neto&lt;br /&gt;Editora Objetiva&lt;br /&gt;Escritor de Ponta Grossa levou Dalton Trevisan ao universo da ficção, criticando-o como autor decadente e um ser humano pérfido&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A Morte de Matusalém&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isaac Bashevis Singer&lt;br /&gt;Editora Companhia das Letras&lt;br /&gt;Contos do Nobel de Literatura, morto em 1875, abordam a vida sexual de suas personagens com bom humor e final surpreendente&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Em Trânsito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto Martins&lt;br /&gt;Editora Companhia das Letras&lt;br /&gt;O escritor e artista plástico faz de São Paulo sua personagem principal e versa sobre pequenas situações do cotidiano&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Nada me Faltará&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lourenço Mutarelli&lt;br /&gt;Editora Companhia das Letras&lt;br /&gt;Numa obra amargurada, o escritor e quadrinista paulistano narra o desaparecimento de uma família&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="font-weight: bold; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A Arte de Tomar um Café&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;André Simões&lt;br /&gt;Atrito Art&lt;br /&gt;Com sacadas inteligentes, jornalista londrinense mostra seu ponto de vista ranzinza e, em alguns momentos, saca da manga doses de lirismo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Publicado no jornal O Diario em 1 de janeiro de 2011&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-3844701840572466786?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/3844701840572466786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=3844701840572466786' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3844701840572466786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3844701840572466786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2011/01/os-melhores-livros-de-2010.html' title='Os melhores livros de 2010'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/TSCykIVXR3I/AAAAAAAAANs/DtHLCYqZdAY/s72-c/FERREIRA%2BGULLAR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1298395859923938665</id><published>2010-11-04T22:02:00.000-07:00</published><updated>2010-11-04T22:30:17.221-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Enquanto ela sorria</title><content type='html'>Alguém pode ser um poeta, ela me encarou, sem escrever ao menos uma linha de poesia? O que seria de Borges, Gullar, Catulo, Augusto dos Anjos sem um poema que seja? Gosto quando ela fala assim, segurando o copo de cerveja com uma mão, apontando o copo em minha direção. Gosto quando ela sorri assim, com os olhos vivos, intensos, ligeiros, apenas para provocar, propor um problema, testar uma saída, soltar um arroubo poético inesperado à queima roupa, uma metáfora, uma piada certeira. A tímida covinha exibida no canto do rosto, a cada segundo matando o seu desespero, e a vontade de pular do outro lado da mesa, a vontade de parar o blues desse lugar, provar que não importam quantas linhas, as metáforas não são importantes, que a vida segue sem as metáforas, as comparações, os anacolutos, a métrica é sempre uma bosta, a cerveja poderia estar mais gelada, enfim, que não importam os poetas nem o que eles escrevem, bebem ou quem fodem quando estão bêbados. Ninguém permanece um dia inteiro com a porra de uma metáfora na cabeça. Ninguém deixa o bar com a maldita metáfora perturbando a alma, a fome, a insônia. Porque a literatura não me comove tanto quanto o sorriso dela. Eu seria capaz de escrever um romance de 800 páginas apenas sobre o sorriso dela. Eu passaria um ano sem dormir, juro, debruçado sobre a composição da biografia dela. Se ela quisesse, eu passaria meses, se ela sorrisse durante todo esse tempo, mapeando todas as pequenas pintinhas que compõem o seu corpo, enquanto ouço os detalhes de suas viagens pelo exterior, juro que tentaria não ter ciúmes dos caras que ela conheceu, beijou, e sorriu, e depois esqueceu em algum canto da memória. Eu prefiro, em silêncio, permanecer surdo, o infeliz que nunca escreveu uma linha sobre o amor, o último contista entre os menos talentosos de Maringá. Quando ela for embora desta cidade, jamais levará algum conto meu. Seria injustiça. Eu com um punhado de sorrisos e ela com algumas linhas? No bolso, talvez ela leve uma ou outra lembrança das nossas conversas noturnas. Na mala, quem sabe, um livro de Dalton com uma dedicatória ilegível, rabiscada às pressas, enquanto ela sorria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1298395859923938665?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1298395859923938665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1298395859923938665' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1298395859923938665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1298395859923938665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/11/enquanto-ela-sorria.html' title='Enquanto ela sorria'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-605172859862851283</id><published>2010-10-22T14:38:00.001-07:00</published><updated>2011-04-30T10:21:08.731-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><title type='text'>Estrangeiro</title><content type='html'>Meu pai está em coma&lt;br /&gt;-e não sinto nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela enfia meu pau goela abaixo&lt;br /&gt;Com a cara cheia de porra me sorri&lt;br /&gt;Deita ao meu lado diz tudo vai dar certo&lt;br /&gt;-e não sinto nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um estrangeiro exilado&lt;br /&gt;Nesse bar às quatro da manhã&lt;br /&gt;Quero um intérprete para gritar o que vejo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pai está em coma&lt;br /&gt;-e não sinto nada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-605172859862851283?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/605172859862851283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=605172859862851283' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/605172859862851283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/605172859862851283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/10/estrangeiro.html' title='Estrangeiro'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1687679798666190034</id><published>2010-09-09T22:42:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:18:46.112-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Agacha e Engole</title><content type='html'>Depois do cinema me levou pra casa dele.&lt;br /&gt;Descemos perto do Prever ali na Vila Marumby.&lt;br /&gt;Ele sem nenhuma palavra.&lt;br /&gt;Tava agitado.&lt;br /&gt;Manolo?&lt;br /&gt;E nada.&lt;br /&gt;Mal fechou a porta deixou a chave na mesinha.&lt;br /&gt;Acho que tremia.&lt;br /&gt;Agacha e engole.&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;Agacha e engole.&lt;br /&gt;Ham?&lt;br /&gt;Os dedinhos gordinhos abaixando a bermuda florida no meio da sala.&lt;br /&gt;O troço dele ali durinho durinho durinho.&lt;br /&gt;Na hora ri um montão.&lt;br /&gt;Agacha e engole!&lt;br /&gt;Isso?&lt;br /&gt;Rindo apontando já com dor no estômago.&lt;br /&gt;Sua tonta!&lt;br /&gt;Nenhum tapete no chão.&lt;br /&gt;Eu de vestido florido.&lt;br /&gt;Não sabia que era assim:&lt;br /&gt;Todo tortinho pro lado direito.&lt;br /&gt;O troço.&lt;br /&gt;Ele começa reto.&lt;br /&gt;No meio também é reto.&lt;br /&gt;Mas depois vira tudo pra direita sabe?&lt;br /&gt;Tudo muito estranho.&lt;br /&gt;De uma só vez coloquei inteiro na boca.&lt;br /&gt;Ai meu santo Deus quase vomitei!&lt;br /&gt;Sabe esse sininho na garganta aqui no fundo?&lt;br /&gt;Senti o troço do Manolo batendo nele bem forte.&lt;br /&gt;Tossi tossi tossi.&lt;br /&gt;-mas não gorfei.&lt;br /&gt;Impaciente ele não tava gostando é nada.&lt;br /&gt;Sua tonta!&lt;br /&gt;Tentei devagarinho.&lt;br /&gt;Lembrei da minha irmã mais velha contando pra amiga:&lt;br /&gt;Tipo chupar sorvete Maria.&lt;br /&gt;Que sorvete nada!&lt;br /&gt;Aquilo nem gosto de doce tinha.&lt;br /&gt;É o amargo mais horrível tipo peixe fedido encardido sabe?&lt;br /&gt;E tem que esconder o dente que se morder dói.&lt;br /&gt;O do Manolo doeu tanto que ele me afastou na hora.&lt;br /&gt;Mas o pior mesmo é depois.&lt;br /&gt;A coisa.&lt;br /&gt;A meleca.&lt;br /&gt;Aquela gosma branca.&lt;br /&gt;-meio amarela.&lt;br /&gt;Um nojo um nojo um nojo só.&lt;br /&gt;Ninguém sabe quando ela vem.&lt;br /&gt;Pelo menos o Manolo não soube ou não me avisou o panaca.&lt;br /&gt;Assim rápido sem alerta alarme sirene.&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;Vai vai hum vai hum vai!&lt;br /&gt;Não dá pra fechar o olho não.&lt;br /&gt;Eu tava preocupada já.&lt;br /&gt;Tantos vai vai hum vai vai hum.&lt;br /&gt;Vou onde com o troço na boca Jesus?&lt;br /&gt;Quando fui ver já tava em mim.&lt;br /&gt;Toda lambuzada no rosto.&lt;br /&gt;Minha prova de amor?&lt;br /&gt;Levantei.&lt;br /&gt;Os joelhos vermelhos vermelhos.&lt;br /&gt;Abracei o Manolo e pedi um beijo.&lt;br /&gt;Sua tonta!&lt;br /&gt;Assim mesmo me afastou com cara de nojo.&lt;br /&gt;Ele com nojo da coisa dele.&lt;br /&gt;Pode uma coisa dessa?&lt;br /&gt;Subiu a bermudinha florida.&lt;br /&gt;Os dedos gordinhos tremendo.&lt;br /&gt;Rápido sua tonta.&lt;br /&gt;Fui pro banheiro e me lavei.&lt;br /&gt;Como é difícil tirar aquilo do rosto.&lt;br /&gt;Pior que chiclete.&lt;br /&gt;Enroscou no cabelo não saia de jeito nenhum.&lt;br /&gt;Só com sabonete mesmo.&lt;br /&gt;Limpinha pedi outro beijo.&lt;br /&gt;Eu te amo Manolo!&lt;br /&gt;Me beijou rápido na bochecha com cara estranha.&lt;br /&gt;Nunca mais quis sair comigo.&lt;br /&gt;No colégio me excluiu.&lt;br /&gt;Não ligou de volta.&lt;br /&gt;Cuidado com esses garotos de Maringá amiga.&lt;br /&gt;Cidade cheia de tarado.&lt;br /&gt;Sei que gosta dele de verdade.&lt;br /&gt;No primeiro momento sozinha pode esperar.&lt;br /&gt;Fugir da situação rir fingir desmaio morte morrida?&lt;br /&gt;Ligar para quem socorrer resgatar?&lt;br /&gt;Seja adulta.&lt;br /&gt;Na hora mesmo tira o troço da sua frente.&lt;br /&gt;Mira a coisa lá pro outro lado.&lt;br /&gt;Esquece o beijo no final faz só o que ele mandar.&lt;br /&gt;Sem dar risada vá em frente agacha e engole tudo de uma vez.&lt;br /&gt;Depois me diz se o dele também é tortinho pro lado direito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1687679798666190034?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1687679798666190034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1687679798666190034' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1687679798666190034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1687679798666190034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/09/agacha-e-engole.html' title='Agacha e Engole'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' 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title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=148104918633745822' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/148104918633745822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/148104918633745822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/09/declaracao.html' title='Declaração'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4292858562519968234</id><published>2010-09-01T13:59:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:19:09.064-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><title type='text'>Décimo andar</title><content type='html'>Algumas coisas na vida perderam o sentido&lt;br /&gt;Minhas orgias solitárias nas tardes de segunda&lt;br /&gt;Batendo em louvor ao seu corpo ainda frio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas coisas na vida perderam o sentido&lt;br /&gt;Vagar pelas ruas feito um personagem de Noll&lt;br /&gt;E na escuridão foder um desconhecido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das poucas coisas que ainda fazem sentido&lt;br /&gt;-não a literatura: a literatura engana sufoca enlouquece&lt;br /&gt;Nunca fui apresentado cordialmente a nenhuma delas&lt;br /&gt;-sinto muito&lt;br /&gt;Nem elas me deram um aceno um abraço um beijo fraterno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há poucas coisas na vida que ainda fazem sentido&lt;br /&gt;E eu tento acreditar nisso a todo custo&lt;br /&gt;É o que me impede de pular agora do seu apartamento&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4292858562519968234?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4292858562519968234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4292858562519968234' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4292858562519968234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4292858562519968234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/09/decimo-andar.html' title='Décimo andar'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7883396844919119735</id><published>2010-08-27T09:59:00.000-07:00</published><updated>2010-08-27T10:03:33.019-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Boa de morder</title><content type='html'>&lt;p&gt;O apelido me deram ainda jovem.&lt;br /&gt;Ficou.&lt;br /&gt;Motivo de briga discussão e fim de algumas amizades.&lt;br /&gt;Com o tempo acostumei.&lt;br /&gt;Como tudo na vida.&lt;br /&gt;Fora de peso uns cinquenta quilos.&lt;br /&gt;-cinquenta e seis pra ser exata.&lt;br /&gt;Gordinha sim mas muito tesuda.&lt;br /&gt;Louca de paixão amor carinho pra dar.&lt;br /&gt;Nas minhas coxas homem nenhum jamais minguou.&lt;br /&gt;Quantas noites atravessadas em braços fortes?&lt;br /&gt;Quantos suspiros arrancados pelo meu vestidinho roxo?&lt;br /&gt;-me acabando nas tardes de samba de par em par?&lt;br /&gt;Sei que causei algumas brigas entre famílias.&lt;br /&gt;Que culpa tenho se eles não tiram o olho de eu?&lt;br /&gt;Com o meu corpo negro ardendo nas safadezas da imaginação?&lt;br /&gt;-em todas as posições de quatro meia nove erguendo o vestidinho devagar.&lt;br /&gt;O sonho de todos eles?&lt;br /&gt;Cochichar aqui bem baixinho:&lt;br /&gt;Neguinha minha.&lt;br /&gt;Mas isso não é pra qualquer um não.&lt;br /&gt;Só selecionado.&lt;br /&gt;Difícil sou e faço charminho.&lt;br /&gt;Que eles gostam mesmo é de sedutora.&lt;br /&gt;Mulher fácil tem vida breve.&lt;br /&gt;Basta o decote provocando?&lt;br /&gt;Que nada.&lt;br /&gt;Nos pequenos detalhes o segredo da conquista.&lt;br /&gt;Do perfume no umbigo à vela no quarto.&lt;br /&gt;A voz de mansinho dizendo bimbada.&lt;br /&gt;Pra começar o incêndio a lambidinha na orelha.&lt;br /&gt;E um ou outro truque também pra melhorar.&lt;br /&gt;No pé a unha vermelha esconde a verruga inimiga.&lt;br /&gt;-onde mesmo ela foi se meter?&lt;br /&gt;Comigo homem nenhum sai insatisfeito.&lt;br /&gt;A campeã da chave de coxa.&lt;br /&gt;Macia farta boa de morder.&lt;br /&gt;Nunca me faltam elogios.&lt;br /&gt;Palavras juras de paixão.&lt;br /&gt;Desesperados pra repetir a dose no meu ninho de amor:&lt;br /&gt;Cê mata a gente desse jeito Jabuticaba!&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7883396844919119735?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7883396844919119735/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7883396844919119735' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7883396844919119735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7883396844919119735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/08/boa-de-morder.html' title='Boa de morder'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1628253695415574645</id><published>2010-08-26T04:21:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:20:29.642-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Pedido</title><content type='html'>No meu último suspiro&lt;br /&gt;Já sem forças pra me debater&lt;br /&gt;-agonizando no leito da morte&lt;br /&gt;Que você clame baixinho no meu ouvido:&lt;br /&gt;Goza na minha boca amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1628253695415574645?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1628253695415574645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1628253695415574645' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1628253695415574645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1628253695415574645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/08/pedido.html' title='Pedido'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8536857299315726120</id><published>2010-08-24T22:49:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:19:28.558-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Cadê a grana vacilão?</title><content type='html'>Quinta-feira.&lt;br /&gt;22h37&lt;br /&gt;Encosto a Pampa na praça da rodoviária velha.&lt;br /&gt;Nenhum pedestre.&lt;br /&gt;Nenhuma pomba.&lt;br /&gt;Apoiado na janela ele me mostra a cruz no braço.&lt;br /&gt;Cadê a grana vacilão?&lt;br /&gt;Mais de vinte dias pra ajeitar a dívida.&lt;br /&gt;Isso por causa de pedra.&lt;br /&gt;Vício maldito.&lt;br /&gt;O punhal prateado brilhando à luz do poste.&lt;br /&gt;Desce da Pampa doidão!&lt;br /&gt;A Pampa.&lt;br /&gt;Presente do meu pai antes de morrer.&lt;br /&gt;Eu vou mas ela fica pra te guiar meu filho.&lt;br /&gt;A Pampa.&lt;br /&gt;Onde comi algumas namoradas.&lt;br /&gt;Desce da Pampa doidão da porra!&lt;br /&gt;O punhal espetando o peito cheira à morte.&lt;br /&gt;-ou ferida das bravas.&lt;br /&gt;Como explicar depois na construção em casa no barbeiro?&lt;br /&gt;Sequestro por engano?&lt;br /&gt;O mistério do roubo da Pampa?&lt;br /&gt;Nem seguro tem.&lt;br /&gt;Fuça dentro do carro.&lt;br /&gt;Confere se algo na carteira.&lt;br /&gt;Apalpa minhas partes bem apalpado.&lt;br /&gt;Rindo.&lt;br /&gt;Meio bêbo chapado.&lt;br /&gt;Sabe que tá fudido né?&lt;br /&gt;Sou só o menor deles vacilão.&lt;br /&gt;Não é mesmo pra ter medo de eu.&lt;br /&gt;Lê alto meu endereço na carteira.&lt;br /&gt;Ainda hoje só mais umas hora seu puto!&lt;br /&gt;Na Pampa entro vou embora e dou a volta no quarteirão. .&lt;br /&gt;Estaciono debaixo da mesma árvore.&lt;br /&gt;Ao lado da banca de jornal.&lt;br /&gt;Ele vem furioso.&lt;br /&gt;Arregaça a manga pra intimidar.&lt;br /&gt;Sabe que sou cagão.&lt;br /&gt;Que tenho família emprego além de tudo boa reputação.&lt;br /&gt;O punhal prateado volta a brilhar sob a luz do poste.&lt;br /&gt;Abre a boca o banguela vem falando merda.&lt;br /&gt;Gritando na praça vazia.&lt;br /&gt;Três disparos no meio da fuça dele.&lt;br /&gt;Impiedosos.&lt;br /&gt;Aos pombos um banquete incomum de carne fresca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8536857299315726120?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8536857299315726120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8536857299315726120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8536857299315726120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8536857299315726120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/08/cade-grana-vacilao.html' title='Cadê a grana vacilão?'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-5941841516778985374</id><published>2010-08-24T07:49:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:19:47.216-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Maníaco da moto</title><content type='html'>Eu tinha brigado com o Baiano.&lt;br /&gt;Ele já tava bêbado.&lt;br /&gt;De olho na gordinha da mesa ao lado.&lt;br /&gt;Vai saber o que fez com ela depois do Meu Pato.&lt;br /&gt;No meio da briga me chamou de puta.&lt;br /&gt;Gorda baranga do carai.&lt;br /&gt;Com o taco de sinuca ameaçou uma surra.&lt;br /&gt;Ali mesmo no meio do bar.&lt;br /&gt;O Celso e o Bode tavam junto.&lt;br /&gt;Eles pensam que sou trôxa.&lt;br /&gt;Bem sabia o motivo da alegria.&lt;br /&gt;Comemorando mais um assalto.&lt;br /&gt;Pagando cerveja pra todo mundo.&lt;br /&gt;Era só pedir.&lt;br /&gt;Daí na esquina mesmo liguei pro moto taxi.&lt;br /&gt;Esperei dez minutos.&lt;br /&gt;O cara parou na minha frente.&lt;br /&gt;Esticou o capacete.&lt;br /&gt;Corrida pra onde mesmo?&lt;br /&gt;Moro perto dali.&lt;br /&gt;Na rua perto do Bar do Vermelho.&lt;br /&gt;Mas não arrisco voltar andando não.&lt;br /&gt;Terra de maníaco é Maringá.&lt;br /&gt;Rua Vasco da Gama.&lt;br /&gt;A cor?&lt;br /&gt;Preto feito a morte.&lt;br /&gt;Que era bonito era.&lt;br /&gt;Não tava nervoso.&lt;br /&gt;Subimos pra Avenida Cerro Azul.&lt;br /&gt;Ele virou o redondo certinho.&lt;br /&gt;Seguiu.&lt;br /&gt;No meio da Cerro Azul o pedido.&lt;br /&gt;Se eu incomodava de passar num amigo.&lt;br /&gt;Coisa rápida 5 minutos.&lt;br /&gt;Só pegar um boné emprestado.&lt;br /&gt;Não quis não.&lt;br /&gt;Ele disse que não ia cobrar.&lt;br /&gt;Entrou numa vilinha.&lt;br /&gt;Uma coisa esquisita.&lt;br /&gt;Ruas estranhas.&lt;br /&gt;Logo me perdi.&lt;br /&gt;Vi que tinha algo errado.&lt;br /&gt;Parou a moto numa rua deserta deserta.&lt;br /&gt;Na pressa de descer queimei a perna no escapamento.&lt;br /&gt;Neguinha minha!&lt;br /&gt;Todo fogoso veio pra cima de mim.&lt;br /&gt;Musculoso.&lt;br /&gt;Macho pra danar.&lt;br /&gt;Se não gritei?&lt;br /&gt;Não parava de tremer.&lt;br /&gt;E a voz nessas horas desaparece.&lt;br /&gt;Em momento algum tirou o capacete.&lt;br /&gt;Deu uns tapinhas na minha bunda.&lt;br /&gt;Eu desesperada.&lt;br /&gt;Ele me fodeu feito um animal.&lt;br /&gt;Descontrolado.&lt;br /&gt;Viseira aberta.&lt;br /&gt;Acabado.&lt;br /&gt;Um último tapa na bunda.&lt;br /&gt;Com o capacete bati nele.&lt;br /&gt;E corri.&lt;br /&gt;-minha salvação.&lt;br /&gt;Não posso ouvir barulho de moto.&lt;br /&gt;Entro em desespero.&lt;br /&gt;Lembro dos detalhes.&lt;br /&gt;Do Baiano me ameaçando com taco.&lt;br /&gt;Da vilinha.&lt;br /&gt;Dele deitado sobre eu.&lt;br /&gt;A voz desaparece.&lt;br /&gt;Fico muda sem palavras.&lt;br /&gt;Forte dispara o coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-5941841516778985374?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/5941841516778985374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=5941841516778985374' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5941841516778985374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5941841516778985374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/08/maniaco-da-moto.html' title='Maníaco da moto'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-6315176290041000625</id><published>2010-07-26T21:52:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:20:53.551-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Vassoura e alho!</title><content type='html'>Minha mãe, 87 anos.&lt;br /&gt;Há dois nesse vai não vai.&lt;br /&gt;Quantas vezes no HU?&lt;br /&gt;Comida só de aviãozinho.&lt;br /&gt;Consegui a cadeira emprestada.&lt;br /&gt;Perdi o emprego no supermercado.&lt;br /&gt;Ninguém aguentava eu saindo sempre pro HU.&lt;br /&gt;O gerente chegou a duvidar.&lt;br /&gt;Sua mãe doente de novo?&lt;br /&gt;E lá vou eu com atestado assinado.&lt;br /&gt;Um ano tudo bem.&lt;br /&gt;No outro me botaram na rua.&lt;br /&gt;Eu e minha mãe de 87 anos.&lt;br /&gt;O namorado me deixou.&lt;br /&gt;Baiano, tão bom, queria casamento.&lt;br /&gt;Homem de igreja, sério, trabalhador.&lt;br /&gt;Ou sua mãe ou eu!&lt;br /&gt;O que você faria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banho só comigo.&lt;br /&gt;E quando ela começava a brincar?&lt;br /&gt;Me jogar água?&lt;br /&gt;De birra não levantava o braço.&lt;br /&gt;Me chamava de Eugênio.&lt;br /&gt;Se apertava toda contra a parede.&lt;br /&gt;Eu com a esponja na mão, a água escorrendo.&lt;br /&gt;Chorando.&lt;br /&gt;Ela ria.&lt;br /&gt;Parecia coisa do demônio.&lt;br /&gt;A conta sempre infernal no fim do mês.&lt;br /&gt;De vez em quando recusava comida.&lt;br /&gt;Não abria a boca de jeito nenhum.&lt;br /&gt;O mesmo acontecia com o remédio.&lt;br /&gt;Só eu virar as costas.&lt;br /&gt;Que ela cuspia longe.&lt;br /&gt;Tudo isso rindo de mim.&lt;br /&gt;Dois anos essa a minha rotina.&lt;br /&gt;Passear com ela na rua.&lt;br /&gt;Ouvir no rádio a missa do padre Zezinho.&lt;br /&gt;Aviãozinho de comida.&lt;br /&gt;Vendendo vassoura e alho no Borba Gato.&lt;br /&gt;Olha vassoura e alho!&lt;br /&gt;De casa em casa.&lt;br /&gt;E pensando na mãe.&lt;br /&gt;Eu tava na cozinha ouvindo o padre Zezinho.&lt;br /&gt;Ouvi os dentes tremendo.&lt;br /&gt;Os pezinhos bateram na cadeira de rodas.&lt;br /&gt;Menos de trinta segundos.&lt;br /&gt;Desliguei o rádio.&lt;br /&gt;Fui até o quarto.&lt;br /&gt;Sem espiar fechei a porta.&lt;br /&gt;Assoviei a musiquinha da Globo.&lt;br /&gt;Aquela de fim de ano.&lt;br /&gt;Peguei a bolsa e fechei o portão de casa.&lt;br /&gt;Com o cartão quase acabando, liguei da esquina pro Baiano:&lt;br /&gt;Nunca é tarde pra correr atrás do grande amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-6315176290041000625?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/6315176290041000625/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=6315176290041000625' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6315176290041000625'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6315176290041000625'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/07/olha-vassoura-e-alho.html' title='Vassoura e alho!'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4629962935615584484</id><published>2010-07-10T04:59:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:21:24.374-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Sou uma putinha difícil</title><content type='html'>Sou uma putinha difícil&lt;br /&gt;Não entro no carro se eles tão drogados&lt;br /&gt;Desconto não faço se o cara é bonito&lt;br /&gt;Não fico gemendo&lt;br /&gt;Não libero o tuzinho&lt;br /&gt;Não sinto nenhum prazer na bimbada&lt;br /&gt;Quando eu conseguir a grana&lt;br /&gt;Vou embora daqui&lt;br /&gt;Tudo isso por causa da minha mãe&lt;br /&gt;Que tá em casa passando mal&lt;br /&gt;Há um ano passando mal&lt;br /&gt;Nessa coisa do morre ou não morre&lt;br /&gt;Minha mãe matou a minha vida&lt;br /&gt;Não deu pra continuar com meu namorado&lt;br /&gt;Deixei tudo muito claro&lt;br /&gt;Ele me bateu&lt;br /&gt;No meio da rua&lt;br /&gt;Na frente de todo mundo&lt;br /&gt;Cê sempre foi uma puta mesmo&lt;br /&gt;Tão difícil a gente ouvir essas coisas&lt;br /&gt;Ainda bem até agora dei sorte&lt;br /&gt;As histórias das outras meninas não são nada boas&lt;br /&gt;Quando será a minha hora?&lt;br /&gt;A gente nunca sabe quem é o motorista&lt;br /&gt;Tão dizendo agora que tem até um cara aqui na cidade&lt;br /&gt;Que tá espancando geral&lt;br /&gt;Um cara bonitão&lt;br /&gt;Do seu tipo&lt;br /&gt;E como saber que não é você?&lt;br /&gt;Quem me contou foi a Marta&lt;br /&gt;Eles tavam no motel&lt;br /&gt;Diz que o cara foi um anjo&lt;br /&gt;Quando voltavam&lt;br /&gt;Parou o carro&lt;br /&gt;Desce sua puta!&lt;br /&gt;Ela ficou assustada&lt;br /&gt;No meio do nada&lt;br /&gt;Que cê vai fazer comigo?&lt;br /&gt;Fora!&lt;br /&gt;Arrancou a roupa dela&lt;br /&gt;Bateu com uma barra de ferro&lt;br /&gt;Nas coxas&lt;br /&gt;Nas costas&lt;br /&gt;Na cabeça&lt;br /&gt;Ela dormiu&lt;br /&gt;Diz a polícia que o cara abriu a blusa dela&lt;br /&gt;E continuou dando paulada com o ferro&lt;br /&gt;Com tudo ensanguentado&lt;br /&gt;Como ele teve estômago?&lt;br /&gt;Tem maníaco pra tudo em Maringá&lt;br /&gt;Se não fosse um motoqueiro&lt;br /&gt;Ela ainda tava por lá&lt;br /&gt;Sozinha&lt;br /&gt;No meio da plantação de milho&lt;br /&gt;Cheia de porra no rosto&lt;br /&gt;Por isso que eu digo&lt;br /&gt;Quero o meu dinheiro&lt;br /&gt;Só pra pagar o hospital&lt;br /&gt;Vou desparecer para sempre dessa merda de cidade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4629962935615584484?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4629962935615584484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4629962935615584484' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4629962935615584484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4629962935615584484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/07/sou-uma-putinha-dificil.html' title='Sou uma putinha difícil'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2480798714494670079</id><published>2010-07-06T22:07:00.001-07:00</published><updated>2011-04-30T10:16:29.901-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Treze</title><content type='html'>Se eu tivesse um revólver&lt;br /&gt;Mataria essa voz&lt;br /&gt;Tem uma voz na minha cabeça&lt;br /&gt;Uma voz que me dá ordens&lt;br /&gt;Essa voz não me deixa dormir&lt;br /&gt;Ela ecoa de um lado&lt;br /&gt;Ecoa de outro&lt;br /&gt;E nunca sai lá de dentro&lt;br /&gt;Feito um sonâmbulo&lt;br /&gt;Insone&lt;br /&gt;Rondando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Se eu tivesse uma faca&lt;br /&gt;Eu cortaria meu peito adentro&lt;br /&gt;Depois esfaquearia meu olho&lt;br /&gt;-talvez o direito primeiro&lt;br /&gt;Enquanto o sangue jorra descontrolado córnea afora&lt;br /&gt;Eu não esqueceria o pulso&lt;br /&gt;-só para garantir&lt;br /&gt;Se me restassem forças ainda deceparia meu pau&lt;br /&gt;Mas isso eu não prometo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Se eu tivesse uma chave&lt;br /&gt;-de moto, de carro, de apartamento, de treminhão&lt;br /&gt;Eu a engoliria&lt;br /&gt;E tentaria engasgar&lt;br /&gt;Quantas vezes fosse necessário&lt;br /&gt;Um controle remoto talvez fosse mais eficiente&lt;br /&gt;Mas a voz não quer chave nem controle&lt;br /&gt;Ela quer algo preciso&lt;br /&gt;Eu preciso encontrar algo para a voz&lt;br /&gt;Ela me manda balançar o braço desse jeito&lt;br /&gt;Se eu falo gritando, assim, ó, a culpa é dela&lt;br /&gt;E ela diminui o tom, olha só, da minha voz quando bem quer&lt;br /&gt;E começa a gritar novamente&lt;br /&gt;Que não há nada nem alguém mais triste do que “O Cão” do Goya&lt;br /&gt;-exceto eu&lt;br /&gt;Que nada no mundo soa tão triste quanto os acordes de "Spiegel im Spiegel" do Arvo Part&lt;br /&gt;-exceto eu&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ela não gosta de vocês de branco&lt;br /&gt;Nem do Gordão&lt;br /&gt;Gordão&lt;br /&gt;Aquele cara que agora dorme do meu lado, né?&lt;br /&gt;Dormia?&lt;br /&gt;Que pena&lt;br /&gt;Gostei dele desde o início&lt;br /&gt;-eu&lt;br /&gt;Ela não&lt;br /&gt;Eles não se identificaram&lt;br /&gt;O gordão e a voz&lt;br /&gt;Gordo filha da puta, ela me disse&lt;br /&gt;E ficou zunindo&lt;br /&gt;Zunindo&lt;br /&gt;Zunindo&lt;br /&gt;Até que eu tive de falar por ela&lt;br /&gt;Gordo filho da puta&lt;br /&gt;Gordo filho da puta&lt;br /&gt;Gordo filho da puta&lt;br /&gt;Depois ela mandou eu pular nele&lt;br /&gt;Pular e bater com os punhos fechados&lt;br /&gt;Não vá quebrar seus dedos, Treze&lt;br /&gt;Pule e puxe a barba, Treze&lt;br /&gt;Corte um pouco para mim, Treze&lt;br /&gt;A ideia de furar o olho do gordo com os óculos dele?&lt;br /&gt;Dela&lt;br /&gt;De quem mais seria?&lt;br /&gt;Duvido que ela pedirá desculpas&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Não&lt;br /&gt;Ela nunca me chama pelo nome&lt;br /&gt;Nunca quis tomar um chope comigo&lt;br /&gt;Nunca quis ficar de porre comigo&lt;br /&gt;Eu não passo de um número&lt;br /&gt;Treze&lt;br /&gt;Treze&lt;br /&gt;É assim&lt;br /&gt;Treze aquilo&lt;br /&gt;Treze aquilo&lt;br /&gt;Pegue os óculos do Gordo, Treze&lt;br /&gt;Pegue os óculos e mete no olho dele, Treze&lt;br /&gt;Agora&lt;br /&gt;Sabe o que ela diz?&lt;br /&gt;Que vocês são idiotas&lt;br /&gt;Que a roupa de vocês é idiota&lt;br /&gt;Que vocês estão querendo mesmo é ver meu pau, grande, babando, decepado na guilhotina&lt;br /&gt;Ninguém mais aguenta o branco deles, Treze, fala para eles, Treze&lt;br /&gt;-nessa sala, nessas roupas, no corredor, no banheiro&lt;br /&gt;Se eu pudesse deixar a voz&lt;br /&gt;Você não acha que eu já teria saído daqui?&lt;br /&gt;E deixado ela vagando no meu lugar?&lt;br /&gt;Tudo o que eu quero é que ela cale a boca&lt;br /&gt;Quero parar de tomar esses remédios&lt;br /&gt;E parar de usar essa blusa escrota&lt;br /&gt;Que prende minhas mãos&lt;br /&gt;E só livra minhas pernas e cabeça&lt;br /&gt;Aliás, a voz está mandando eu levantar dessa cadeira&lt;br /&gt;Ficar de pé&lt;br /&gt;E saltar no chão de ponta&lt;br /&gt;E que se me mandarem para aquele quarto sozinho&lt;br /&gt;-novamente nessa semana&lt;br /&gt;Ela entra em todos vocês&lt;br /&gt;E faz ainda pior&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2480798714494670079?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2480798714494670079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2480798714494670079' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2480798714494670079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2480798714494670079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/07/treze.html' title='Treze'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2324991512570874321</id><published>2010-07-05T12:01:00.000-07:00</published><updated>2010-07-05T19:48:43.325-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>No Saleiros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu estava no bar. Saleiros. Gosto de lá porque não tem ninguém. Gosto porque posso beber minha cerveja e ouvir blues. Eu estava sozinho. Na mesma mesa em que eu sempre sento, do lado da janela. No fundo do bar. Tinha uma cerveja e um bloquinho em cima da mesa, intacto. Penso num romance. Num casal. Ele, um jornalista de vinte e dois anos. Escrevo. Ela é loira e trabalha numa livraria no centro da cidade. Ele frequenta a livraria pelo menos três vezes por semana, apenas para ver os lançamentos, comprar um ou outro livro, e torcer para descobrir um novo autor. Ela sempre o atende. Eles nunca conversaram sobre outros assuntos, a não ser o preço dos livros. Ele sempre foi tímido. Nunca se livraram da barreira que os separava. Ponto. Não sei como passar daqui. Peço outra cerveja. A mais barata. Desculpa, a voz disse. É uma garota, com uns vinte e cinco anos, loira. Você é o Alexandre, não é? Gostei bastante do seu último livro. Respondo que não, não sou o Alexandre. Tenho um rosto muito popular, digo. Ela sorri. Sabia que você diria isso. Eu também sabia que você estaria escondido debaixo desse boné. Só uma coisa: você não parece ter sessenta e cinco anos. Ela sai. Minha cerveja chega. Na mesa dela há mais três garotas com a mesma idade. Devem ser estudantes. Delas, minha leitora é a mais gostosa. Tem uma bela bunda. Recorro ao papel. MInha personagem não é mais uma atendente. &lt;strong&gt;Ela é morena, é uma estudante de Psicologia, Júlia, que quer abandonar tudo para ser cantora. Ela canta na noite, canta samba, Chico Buarque, enfim, ela é foda. Ele viu um show dela, recentemente, e ficou encantado. Escreveu um conto, “Júlia, minha artéria e meu esôfago”, sobre ela e publicou no seu blog, um blog ruim, malfadado, que ninguém perde tempo para ler.&lt;/strong&gt; De contos idiotas. Ela leu. Ela pensa que ele é louco. Um desses maníacos que, se tudo der certo com sua carreira, ela enfrentará semanalmente após os shows, saindo dos camarins, fazendo o check in no hotel. Você é realmente uma pessoa triste, indaga a loira. Paro de escrever. Fecho o bloco de notas. As amigas continuam conversando. Mas ela está parada na minha frente, me dá um sorriso. Você é tão triste mesmo? Eu não a conheço. Ela não pediu para sentar. E recebe o copo vazio das mãos do garçom com naturalidade. Duvido que você não aprecie nem um pouco do Saramago. Concordo que você deve sambar mal. Ela toma um gole da cerveja. Estou sem graça. Preparo algo para dizer. &lt;strong&gt;O último conto do seu livro mexeu comigo, sabe? “Sou uma pessoa triste”. Tive pena de você. Porque você escreveu também sobre a minha tristeza. Eu canto Adoniran Barbosa quando fico bêbada. Mas, ao contrário de você, recito Saramago, embriagada, antes de dormir no banheiro.&lt;/strong&gt; Ah, é, eu digo. É, ela afirma. Acabei de terminar com o meu namorado. Ela enche o copo dela, deixa a cerveja na mesa. Acabei de terminar o relacionamento. Com o meu namorado. Estou grávida. Não sei se o pai é ele. Tínhamos um relacionamento aberto. Mas me apaixonei por outro. E contei para ele. Ele estuda Letras comigo. Contei que estava apaixonada por outro. Ele nem ficou bravo. Sorriu. Me deu parabéns. Sei lá. Não dava mais para viver assim. Daí veio a notícia do filho. Disse que a culpa era minha. Que eu não tomei a pílula de propósito. Que eu fizesse o que eu bem desejasse. Dele, mais nada. É isso. Eu ia te escrever um e-mail, contando. Mas você banca o recluso, não dá entrevistas. Quem sabe você não quer escrever algo sobre a minha história. Dou um sorriso. Não diga que não gostou do nosso monólogo, ela diz. Foi fácil encontrar você por aqui. Talvez, se você não desse tantas dicas nos seus livros. Fala a verdade, você não quer se esconder. Qualquer um que lê o seu livro sabe que você frequenta o bar. Aliás, um belo bar. Saleiros. Minha primeira vez por aqui. Acho que volto. Mas já consegui o que eu queria. Até sábado que vem, ela diz. Deixa o copo ainda cheio na mesa. Chamo o garçom. Pago a conta. Saio olhando para o chão. Nunca mais entro nesse bar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2324991512570874321?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2324991512570874321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2324991512570874321' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2324991512570874321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2324991512570874321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/07/no-saleiro.html' title='No Saleiros'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4521173345746374334</id><published>2010-07-05T06:22:00.001-07:00</published><updated>2011-06-23T14:51:37.613-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poemas'/><title type='text'>Sou uma pessoa triste</title><content type='html'>Sou uma pessoa triste&lt;br /&gt;Que não gosta de Saramago&lt;br /&gt;Que não sabe dançar samba&lt;br /&gt;Que já foi parar no hospital às quatro horas da manhã após uma tentativa frustrada de suicídio&lt;br /&gt;Sou uma pessoa triste&lt;br /&gt;Que não têm histórias empolgantes na mesa do bar&lt;br /&gt;Que não consegue rir da piada mais engraçada&lt;br /&gt;Que não sai de casa há pelo menos seis meses&lt;br /&gt;Que toma sacolas de remédios e antidepressivos&lt;br /&gt;Que perdeu o emprego por causa de um filho da puta&lt;br /&gt;Que possui dois filhos com a Tânia que é uma puta&lt;br /&gt;Que come frequentemente algumas putas&lt;br /&gt;Sou uma pessoa triste&lt;br /&gt;Que precisa beber descontroladamente&lt;br /&gt;Que sempre esteve no fundo do poço&lt;br /&gt;Que não tem amigos mais felizes ou mais sóbrios&lt;br /&gt;Que nunca sabe a hora de ir embora&lt;br /&gt;Que nunca vai embora até ser o último a ir embora&lt;br /&gt;Que dorme no banheiro bêbado de madrugada&lt;br /&gt;Canto Adoniran Barbosa quando fico bêbado&lt;br /&gt;Recito Ferreira Gullar quando fico bêbado&lt;br /&gt;Quando fico bêbado&lt;br /&gt;-sou uma pessoa ainda mais triste&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4521173345746374334?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4521173345746374334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4521173345746374334' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4521173345746374334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4521173345746374334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/07/sou-uma-pessoa-triste.html' title='Sou uma pessoa triste'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4399983184052456822</id><published>2010-07-01T20:52:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T21:07:04.786-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Mesa 12</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nunca quis saber dos meus dois filhos. Sabia, sim, que eram dois jovens. Jovens desses jovens de verdade, certamente, não desse novo tipo de jovens que saem andando nas ruas abraçados a outros jovens, porque, afinal de contas, eles vieram de mim, dentro daqui, foi com esse sêmen, com o meu espírito, não é mesmo? E jamais uma coisa dessa, uma curva inesperada, abrupta, aconteceria assim sem mais nem menos. Nem mesmo que o pai deles fosse, digamos, meio afeminado, não acredito que uma coisa dessas, a convivência, seja capaz de vencer a força, o poder do sangue meu que corre nas veias deles. Que são homens e de palavra. Veja, eu nunca, jamais, em nenhum momento, deixei de cumprir minha palavra. Talvez, um dos poucos homens, na terra, capaz de morrer com honra. Claro, não conheço você. Nunca falei com você. Não saberia agora dizer a sua voz. Não porque eu não me lembro, mas porque você, para mim, é indiferente e não me importo nem um pouco com o que você está pensando. Claro que aceito. Uma dose de uísque nunca deve ser negada. Mas eu estava falando da palavra. Da importância da palavra. Da necessidade da palavra. Palavra que eu dei desde o início sempre com clareza: não quero saber deles. A mãe me chegou um dia, era uma sexta feira à tarde, lembro do dia e dos sons que o vizinho fazia enquanto martelava algo na parede que ficava ao lado do local onde eu trabalhava. Das seis em diante, quando ele chegava do trabalho, não faço a mínima ideia da profissão, ele começava a martelar aquela porra e, se há alguma curiosidade que eu arrasto comigo nesses setenta e quatro anos é, de longe, que porra ele tanto martelava na parede. Às vezes imagino aquele japonês pequeno, de chinelo de couro, arrebentando a parede com buracos profundos apenas pelo prazer de sentir a parede e seus novos contornos, completamente esburacada, tal como um muro talhado a balas de revólver, canhões, metralhadoras. Enquanto a mãe, uma mulher sem graça, morena, não era feia, mas não era uma dessas mulheres que você, quantos anos você tem, vinte e dois, sei, então, não é uma dessas mulheres que você, com vinte e dois anos, gostaria de se casar e jurar amor eterno em frente ao padre, condenado, na saúde e na doença, a morrer lenta e vertiginosamente no melhor momento do seu sexo, sabe, eu te falo isso porque só era dois anos mais velho que você, sei das suas noites, quer dizer, imagino, afinal, você não é nenhum desses viados do caralho que caminham em Maringá como se aqui fosse um reino homossexual livre e colorido. É seu, ela disse e sorriu, passando a mão no ventre. Saímos de lá, fui puxando o seu braço, o som do martelo do japonês foi ficando mais baixo, quase surdo, enquanto saíamos da loja de estofado de bancos de automóveis do meu irmão, eu não apertava o braço dela, eu acho, só segurava, de leve, porque sabia que o pior seria em seguida, e não queria que ela se machucasse antes de não ouvir minha resposta. Já na calçada ela me olhou fundo. Talvez algum momento, que tal mais uma dose desse uísque, hem, é, como é mesmo o seu nome, então, resumindo não disse nada, sabe. Eu era jovem. Ela era jovem. Eu não queria arruinar a minha vida. Ela não queria ser arruinada, mas fazer o quê? São dois, ela disse. Dois. Meu Deus. Nunca consegui compreender o que veio depois. Sabe, tipo apagão? Os caras da borracharia cuidavam da mulher, que estava em lágrimas, com o vestido de flores rasgado, com o colo praticamente nu, soluçando num choro sem som algum. Como você deixou isso acontecer é a única pergunta do meu irmão que me vem, com força total à cabeça, mas, pensando bem, não sei se ele falou sobre a situação da moça, de algo que muito bem eu poderia ter feito, talvez fosse eu o maldito que a espancou no meio da rua, fazendo com que ela fosse acudida pelos borracheiros da rua, ou talvez, a ele, ela teria confessado o nascimento dos gêmeos. Acho que não, porque dos gêmeos meu irmão nunca tocou no assunto. A mulher foi embora sozinha, passos lentos, acho que sem olhar para trás, seguindo o compasso das marteladas regidas pelo japonês na casa ao lado. Tem mais uísque? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4399983184052456822?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4399983184052456822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4399983184052456822' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4399983184052456822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4399983184052456822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/07/mesa-12.html' title='Mesa 12'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-6525697325011842299</id><published>2010-07-01T20:19:00.000-07:00</published><updated>2010-07-01T20:21:50.506-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='conto'/><title type='text'>Plano</title><content type='html'>Caralho, Celso.&lt;br /&gt;Ontem assisti aquela nossa vitória em Floripa sobre os argentinos.&lt;br /&gt;Você jogou mal pra caralho.&lt;br /&gt;Daí hoje sonhei que estávamos, toda aquela cambada, bêbados novamente na praia.&lt;br /&gt;Gordão, Baiano, Tim Maia.&lt;br /&gt;Com aquelas duas gostosas, lembra?&lt;br /&gt;Mariana, a capoeirista bêbada?&lt;br /&gt;Suelen, a maluca do bar, dando em cima do garçom?&lt;br /&gt;Bicho, defini uma coisa esta manhã.&lt;br /&gt;Nunca tive tudo tão claro.&lt;br /&gt;Vou largar tudo.&lt;br /&gt;Emprego.&lt;br /&gt;Família.&lt;br /&gt;Minhas duas pensões.&lt;br /&gt;Não quero,&lt;br /&gt;Nunca quis saber desses meus dois filhos.&lt;br /&gt;- nem sei se são meus filhos -&lt;br /&gt;Dei um jeito com a minha mãe.&lt;br /&gt;Ela fica com a Maria.&lt;br /&gt;Duas vezes por semana vai passar em casa.&lt;br /&gt;Ajudar nas compras.&lt;br /&gt;Limpar, lavar a roupa, essas coisas.&lt;br /&gt;Cancelei a conta no bar do Moacir.&lt;br /&gt;Fechei a do Meu Pato.&lt;br /&gt;Ainda falta arrumar as cordas do violão.&lt;br /&gt;Comprei uma vara de pescar.&lt;br /&gt;Tô indo no sábado pra Floripa.&lt;br /&gt;Viver dos cardumes.&lt;br /&gt;Do mar.&lt;br /&gt;E do amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-6525697325011842299?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/6525697325011842299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=6525697325011842299' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6525697325011842299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6525697325011842299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/07/plano.html' title='Plano'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8647802978305979513</id><published>2010-06-22T22:05:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:22:12.405-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Júlia, minha artéria e meu esôfago</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Do repertório não lembro, como não lembro da voz, nem da coreografia, do arranjo da banda ou da quantidade de músicos espalhados pelo palco do bar em que fui me meter por acaso numa sexta feira em companhia de um amigo. Nós não sabíamos onde morrer em Maringá: aquele nos pareceu um bom local. Dúvida tenho se aqueles olhos, dela, são castanhos claros ou escuros ou azuis ou até, quem sabe, meio esverdeados de acordo com o humor ou o dia da semana. Laranjas? Não lembro se demonstrou antipatia, se incorporou João Gilberto e reclamou do ar condicionado, se atrasou demais o início da apresentação, em aquecimentos vocais delicados, se o público que acompanhava cantando algumas estrofes – acompanhava? – a irritou com uma marcação descontroladamente fora do compasso. Posso imaginar mas não me atrevo, aliás, gostaria de não me atrever mas não consigo. Imagino que no meio do repertório deve ter cantado alguma canção das baianas que se apresentam em trios elétricos, com a multidão engalfinhando-se em volta e gritando – no trio elétrico não no bar –, ou, talvez, que ela estivesse entoando hinos religiosos de seitas xiitas, que na verdade não estivesse cantando, pelo contrário, gritava tresloucadamente em cima do palco recitando excertos bíblicos em meio a uma dessas fogueiras santas com todo mundo depositando dinheiro e fé e cheque e cartão de crédito e vale refeição. Por um momento, uma garota chegou na minha frente, ela dizia alguma coisa, perguntava alguma coisa, não conseguia escutar o que aquela garota tentava me dizer, então o meu amigo colocou a mão no meu ombro esquerdo, eu vi seu sorriso, e vi que ele falava sobre mim, porque ele continuou sorrindo e me balançando, enquanto conversava com as duas garotas e eu permanecia calado, inexpressivo, assim, um desses rostos que a gente não costuma ver de noite de pessoas que praticam o bem, você sabe, está tudo certo, o que está acontecendo, bicho, você nem deu bola para aquela morena, ele disse, ele estava visivelmente irritado, porque você deveria ter dito alguma coisa, como é que você ficou mudo do nada, vem, vamos, vem, ele foi me puxando uns oito passos para trás. Foi quando ele, pela primeira vez, começou a notar algo estranho comigo porque eu já não andava, não ouvia e não queria sair, aproveitei que me soltou para dar oito passos pra frente novamente. Havia uma mesa vazia, no meu lado esquerdo, onde depositei a cerveja, praticamente cheia, e algum outro aproveitou para bebê-la – meu amigo? – porque eu nunca mais encontrei a garrafa, desde que voltei a tentar me concentrar no palco, onde o vestido branco da Júlia – era esse o nome dela, era esse o nome que eu ouvi dizer na mesa, que agora não estava mais vazia – movia-se como num dos versos de Bandeira. Lentamente, recuperei o fôlego a fala o paladar e o silêncio, por sua vez, desapareceu como um desertor cubano em desespero. Voltei a ouvir. Era Júlia junto do palco, dançando, sem errar a letra, com boas melodias, assegurou-me o meu amigo, era Júlia quem te paralisou o esôfago, a artéria, o coração, ele disse, zombando-me, era Júlia quem te deixou fora de si, foi o sorriso ensurdecedor, foi aquele olhar, não foi, pega essa caneta, toma aqui, ó, pega a caneta que eu estou te dando e escreve um dos seus poeminhas nesse guardanapo e entrega pra ela, vai. Vá pro inferno, retruquei. Fui pegar minha cerveja. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8647802978305979513?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8647802978305979513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8647802978305979513' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8647802978305979513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8647802978305979513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/06/julia-minha-arteria-e-meu-esofago.html' title='Júlia, minha artéria e meu esôfago'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-6410716068911583090</id><published>2010-05-24T20:44:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:23:53.967-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Lourenço Mutarelli'/><title type='text'>Lourenço Mutarelli - Entrevista</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;14:50 horas. Desço do metrô na estação Ana Rosa. É sábado, não há trânsito nas ruas nem tumulto nas escadas rolantes: São Paulo não se parece com São Paulo. A passos céleres, caminho alguns quarteirões rumo ao apartamento do cartunista, escritor e agora também ator Lourenço Mutarelli, 46, um dos meus autores brasileiros prediletos. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;O primeiro desafio? Preparar-me para conviver, por alguns instantes, com seus cinco gatos - nutro um ódio descomunal, no meu interior, por esses animais. O segundo desafio? Não atrasar. Mutarelli tem o costume de ser pontual em seus encontros. Como marquei a entrevista para as 15 horas, ainda tenho 10 minutos. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Entre o metrô e a residência de Lourenço Mutarelli existem duas boas livrarias. Não resisto. Entro na primeira. Procuro. Olho. Não encontro. Chamo o atendente. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quero uma edição de “O Cheiro do Ralo”. Ele me diz que está esgotada, não tem um exemplar há muito tempo. Saio decepcionado. Estou com os quatro livros de Mutarelli na bolsa, menos “O Cheiro do Ralo”.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na segunda livraria, minha esperança novamente é despertada. Uma mulher responde que sim, tem a obra para me vender. E vai procurar. E volta de mãos vazias. Desisto. Saio da livraria. Caminho mais um pouco. Paro na frente do prédio, cujo número consigo lembrar muito vagamente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas não é necessário conferir o papel que levo no bolso. No segundo andar do edifício, a prova de que o autor reside ali: um gato descansa na janela, como um suicida hesitando se arremessar. Entro no prédio ao som de fortes trovões. Olho para o céu. Nem havia reparado: é o começo da chuva.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Mutarelli abre a porta, estende a mão, me dá um sorriso. Com os pés, segura um dos gatos que tenta desertar corredor afora. Entro. Desvio de um outro gato. A sala é dominada pelos felinos e por uma absurda quantidade de livros. Sentamos. Ele, no sofá encostado na janela; eu, no outro sofá.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tiro da bolsa meus livros, um bloco de notas e duas canetas. Antes que eu dispare a primeira pergunta, Mutarelli sugere um café. Vamos para cozinha, dois viciados em cafeína.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Infelizmente, eu digo, tive um problema com meu gravador e não vou registrar a nossa conversa. Eu gostaria tanto de guardar um registro, confesso. “Pôxa, que pena”, ele lamenta, enquanto prepara a bebida. Para o escritor, o gravador tem sido um recurso de extrema importância ultimamente.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Minha memória é muito ruim. Esses dias, eu estava no carro e surgiu uma ideia muito boa. Mas esqueci. Lembro, apenas, que era muito boa. Agora, sempre saio de casa com o gravador”, diz, explicando a diferença existente entre o tradicional bloquinho de notas: “Quando eu gravo os textos, eles ficam mais espontâneos”. A outra função do gravador é auxiliá-lo a decorar as falas das peças teatrais que encena. Em cartaz com “Música para ninar dinossauros”, escrita e dirigida por Mário Bortolotto, Mutarelli teve apenas dois meses para decorar suas falas. Nesse período, quem foi seu maior companheiro? O gravador.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Além dos gatos, Mutarelli divide seu apartamento com a mulher – com quem está casado há 17 anos – e seu filho. A vida conjugal modificou a organização de sua produção artística. Ele adaptou sua rotina à de sua mulher e, enquanto ela saía de casa para o trabalho, Mutarelli retomava seus textos e desenhos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Compartilhando a mesma opinião de Jorge Amado, o período matutino é o mais produtivo para o autor de “O Cheiro do Ralo”. Curiosamente, Lourenço Mutarelli não lê nenhum dos jornais espalhados na mesa da sala de jantar. À sua disposição, os exemplares da Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo permanecem intocados. “Minha mulher é assinante e separa os meus assuntos prediletos: medicina e página policial”. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;A crítica&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quanto aos textos publicados sobre suas obras, o escritor enfatiza: “Não leio as críticas sobre meus livros”. Esse afastamento da produção crítica, segundo ele, deve-se ao fato de ser constantemente atacado pelos jornalistas e especialistas em literatura. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;“É burrice achar que eu sempre vou fazer um livro melhor do que o outro. A Folha de S. Paulo, desde que recusei um trabalho que a empresa me ofereceu, sempre me ironiza, me ataca e desvaloriza a influência dos quadrinhos que eu levo para os livros”, diz. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;E a Folha pegou pesado mesmo. Lembro Mutarelli da forte crítica publicada pelo jornal no lançamento de “A Arte de Produzir Efeito sem Causa”, publicado em 2008 e que venceria o 3º lugar do Prêmio Portugal Telecom no ano seguinte. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Na resenha veiculada, Alcir Pécora, professor de literatura da Unicamp, considerava o livro como “um gibi sem desenho”, classificou o enredo como “bobo” e ainda afirmou compreender a situação do leitor que, impaciente, “deixasse de lado o livro”. “Aquela crítica me travou. Eu estava no meu primeiro bloqueio criativo quando li, e não consegui escrever mais nada por um tempo”, lembra Mutarelli.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;O primeiro bloqueio criativo aconteceu em 2008, durante o período de um mês que passou nos Estados Unidos, a convite da Companhia das Letras, para escrever uma história de amor que se passa na cidade. “O livro que eu fiz para a série ‘Amores Expressos’ é um livro de muitas divergências. Os editores acharam a obra muito confusa, me pediram para mexer no original e eu aceitei. Sinto, no entanto, que as mudanças prejudicaram a história. Eu não gosto desse livro”, diz, ressaltando que, no ano que vem, quando a editora pretende lançá-lo, voltará ao texto para modificá-lo. O motivo da crise? &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Acho que a falta de grana me tirou do foco do livro”, arrisca. No difícil mercado editorial brasileiro, mesmo já sendo um autor respeitado, Mutarelli não consegue viver apenas de literatura. “Com a grana que eu ganho vendendo livros, daria apenas para eu e minha família vivermos um mês”. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Ao mesmo tempo em que ignora as críticas negativas, Mutarelli também não se sente confortável ao ler os comentários que enaltecem suas obras: “Eu me sinto supervalorizado quando falam bem sobre meus livros”, conta. Na última edição da Festa Literária de Parati, a Flip, em 2009, o cantor, compositor e também escritor Chico Buarque elogiou, durante sua palestra, o estilo narrativo de Mutarelli, que carrega a influência dos quadrinhos para a literatura. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;O escritor paulistano já sabia que Chico havia lido “O Cheiro do Ralo”. Um amigo em comum dos dois, que trabalha com produção de shows, apresentou os textos de Mutarelli ao escritor e mito vivo da MPB. “Foi bacana saber a opinião do Chico. Ele é um cara que eu respeito muito, mas isso não me deixou mais seguro no que faço”.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O escritor&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O texto de Mutarelli é conciso, veloz, desesperado. Em diversos momentos, o autor escreve apenas uma palavra em uma linha, o que dá uma dinâmica bem mais rápida na condução da história. “Eu escrevo de ouvido. É um ritmo. Gosto de como a imagem se transforma no texto, mas quero fugir disso”. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Concernente à própria escrita, algumas coisas mudaram para Mutarelli entre 2004 e hoje. “Escrever era fácil. Agora, não é mais”, revela. Felizmente, para nós, leitores, não é uma crise de criatividade ou algo do gênero. Seguindo as manias e as neuroses incomuns de seus personagens, o escritor revela ter dificuldades em escrever, simplesmente, porque o teclado de seu novo laptop é irritante. “O teclado é pequeno, sempre erro ao digitar o texto, tudo isso me incomoda muito”.&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Observando sua escrita de seu último livro, “Miguel e os Demônios” (2009) e “O Cheiro do Ralo” (2004), há algumas diferenças. Nas suas primeiras obras, “O Cheiro do Ralo” e “Jesus Kid” (2004), o autor usa, por exemplo, a expressão “viado”. Em outras obras recentes, publicadas pela Companhia das Letras, a expressão está de acordo com a norma culta da língua portuguesa: “veado”. Pergunto a Mutarelli sobre a mudança e ele fica surpreso. “Nunca prestei atenção nisso!”, diz. Sobre a troca realizada pela editora, ele afirma não se importar, embora considere “veado” uma expressão muito “afrescalhada”. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Outra mudança pode ser percebida na prosa poética apropriada pelo autor. “No começo, meu texto era muito mais poético”, reconhece. Em “O Natimorto” (2004), por exemplo, há passagens compostas basicamente por poesia, e é um romance. “Hoje, estou buscando uma escrita sem efeito”, diz. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pergunto, então, para Mutarelli, a razão de nunca ter escrito um poema. A resposta do escritor revela o cuidado com sua proposta artística inovadora. “A poesia está tão desgastada, saturada, que é difícil dizer algo que já não foi dito. É difícil trazer algo novo”. Curiosamente, ele não se considera um escritor: “Acho que eu preciso me profissionalizar, ter uma rotina para escrever, publicar um livro por ano”, diz. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;strong&gt;O Cheiro&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quando recebeu a proposta para vender os direitos de “O Cheiro do Ralo” para o cinema, Mutarelli nunca imaginou que a versão das telonas pudesse arrebanhar uma nova legião de fãs interessados por suas histórias e pela própria obra: “Achei que ninguém mais fosse atrás do livro”, confessa. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Nesse momento da conversa, ele sugere que peguemos mais um café. Vamos para a cozinha. Enquanto ele se dedica ao preparo, digo ao escritor que ler suas obras é observar, em cada enredo, a repetição constante da rotina de seus personagens. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por quê? “A rotina é importante para mim. Ela é ruim, ela escraviza e mostra o quanto somos ridículos”, diz. A repetição das atividades diárias de seus personagens funciona, nos livros, como um recurso cômico muito peculiar de Mutarelli. Para o leitor, é impossível não contemplar as irascíveis ações do dia a dia sem esboçar um sorriso. “É um humor meio negro. Quando escrevo, também dou risadas”, confessa. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Outro tema recorrente em seus livros é o relacionamento familiar conturbado vivido pelos personagens. Com exceção de Jesus Kid, todas as histórias revelam as brigas, os desentendimentos e o desgaste da relação familiar. A estrutura da família, conturbada, foi, curiosamente, vivida pelo narrador, durante a infância. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Hoje, com a minha nova família, nossa relação é muito melhor”. Então, é recorrendo a alguns aspectos autobiográficos que Mutarelli consegue retratar os problemas conjugais que, por sua vez, justificam a profundidade psicológica dos personagens de seus enredos, geralmente rocambolescos. O café já está quente. Ele serve a bebida na minha xícara. Mutarelli caminha equilibrando sua caneca nas mãos. Eu ando com o bloco de notas, a caneta e a xícara. Quem se dá mal no trajeto entre a cozinha e a sala é um de seus gatos, que acaba tingido por um tanto de café derramado. Mutarelli pede perdão ao felino. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Tomo o último gole da minha bebida. O café acabou. Encerro a entrevista. Pego os quatro volumes que trouxe, entrego a Mutarelli e “exijo” que sejam assinados. Na dedicatória, ele faz um autorretrato na minha dedicatória: raridade de colecionador. Enquanto Mutarelli assina os livros, lembro de uma questão importante, que quase esqueço num canto isolado da minha fraca memória. Você acha que sua obra vai resistir ao tempo? Lourenço Mutarelli para. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;“Nunca tinha pensado nisso”, responde. Olha para São Paulo, talvez à procura de mais uma resposta, com a serenidade de um monge tibetano. Noto, pela primeira vez, a semelhança dele com o “homem da propaganda do Bom Bril”, como ele mesmo descreve o protagonista de “O Cheiro do Ralo”. &lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;Para Mutarelli, que há poucos minutos atrás afirmou jamais ter tido “a pretensão de escrever uma obra de arte”, a resposta é sim, sua arte resistirá ao tempo: “‘Transubstanciação’ foi relançado em 2004, uma década depois da primeira edição e fez mais sentido na época”, recorda.&lt;br /&gt;Mutarelli encerra a sessão de autógrafos e me entrega os volumes. Coloco tudo na bolsa. Agradeço. Agradeço o café. Agradeço a entrevista. Agradeço os livros escritos e as boas horas de literatura que ele me proporcionou. Já estou em frente ao elevador. Agradeço novamente. Volto para apertar sua mão. Deixo o edifício com alguns pingos de chuva molhando-me a cabeça. Caminho. Paro um instante. Volto para a frente do prédio: o gato branco, gordo, continua contemplando São Paulo do 2º andar.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Publicada em O Diário do Norte do Paraná.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-6410716068911583090?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/6410716068911583090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=6410716068911583090' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6410716068911583090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6410716068911583090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/05/cafe-com-mutarelli.html' title='Lourenço Mutarelli - Entrevista'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-233523242245628158</id><published>2010-05-03T20:35:00.000-07:00</published><updated>2010-05-03T20:37:40.625-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Dedé</title><content type='html'>Bem moço eu era.&lt;br /&gt;Assim, lembro quase de tudo.&lt;br /&gt;Da cara dele com todos os detalhes:&lt;br /&gt;Com espinhas, feio, orelhas de abano.&lt;br /&gt;O amigo do papai mais presente que o papai.&lt;br /&gt;No domingo quem fazia o churrasco?&lt;br /&gt;Temperando a carne?&lt;br /&gt;Suando na churrasqueira sem camisa?&lt;br /&gt;Nunca entendi direito como entrou lá em casa.&lt;br /&gt;Se pela minha mãe.&lt;br /&gt;Se pelo meu pai.&lt;br /&gt;Gostava de me pegar no colo.&lt;br /&gt;De fazer cosquinha na minha barriga.&lt;br /&gt;E assoprar com tudo no meu umbigo enquanto eu me debatia.&lt;br /&gt;Mamãe sempre sorrindo, dizendo: “Para, Baiano!”&lt;br /&gt;Eu já era moço.&lt;br /&gt;O último a ser pego no esconde-esconde.&lt;br /&gt;O rei dos esconderijos inusitados.&lt;br /&gt;Vencendo a brincadeira na vizinhança.&lt;br /&gt;Sei que um dia.&lt;br /&gt;Numa tarde, aliás.&lt;br /&gt;Era tarde e papai não estava.&lt;br /&gt;Era tarde e mamãe dormia.&lt;br /&gt;Baiano apareceu no meu quarto e mostrou uma galinha.&lt;br /&gt;“Conhece a Dedé?”&lt;br /&gt;Bem moço eu era.&lt;br /&gt;Mas gostava de galinha.&lt;br /&gt;Baiano olhava pra mim e sorria.&lt;br /&gt;Peraí.&lt;br /&gt;Ou sou eu que to imaginando ele sorrir?&lt;br /&gt;“Qué brincar com a Dedé?”&lt;br /&gt;Deixei o carrinho na cama e corri atrás da galinha.&lt;br /&gt;Acho que gritava.&lt;br /&gt;Gritava como criança feliz.&lt;br /&gt;“Dedé! Dedé! Dedé!”&lt;br /&gt;O Baiano sempre afastava a galinha.&lt;br /&gt;Quando eu chegava mais perto dela, ele aparecia.&lt;br /&gt;Pegava ela no colo e levava pra mais longe.&lt;br /&gt;Foi assim que acabamos no banheiro da empregada.&lt;br /&gt;Era um lugar pequeno com pia e vaso sanitário.&lt;br /&gt;Só a empregada usava.&lt;br /&gt;Atrás do vaso, a galinha me olhava.&lt;br /&gt;Assustada.&lt;br /&gt;Onde tava o Baiano?&lt;br /&gt;Bem atrás de mim.&lt;br /&gt;Parou do meu lado e disse:&lt;br /&gt;“Vem”.&lt;br /&gt;Entramos.&lt;br /&gt;Ele fechou a porta.&lt;br /&gt;Apagou a luz.&lt;br /&gt;E só deixou eu brincar com a Dedé, depois de brincar com o troço dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-233523242245628158?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/233523242245628158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=233523242245628158' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/233523242245628158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/233523242245628158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/05/dede.html' title='Dedé'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-5525630301870167964</id><published>2010-05-01T11:23:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:23:29.368-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Até mais vejo você Amanhã'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='William Maxwell'/><title type='text'>Maxwell, antes tarde do que nunca</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S9xybcFRiRI/AAAAAAAAALQ/h1si54dfqks/s1600/william_maxwell.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466369863441287442" style="display: block; margin: 0px auto 10px; width: 320px; height: 240px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S9xybcFRiRI/AAAAAAAAALQ/h1si54dfqks/s320/william_maxwell.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cuidado ao se aventurar na leitura de “Até mais, vejo você amanhã”. Por mais que a linguagem e a história sejam simples, o romance do jornalista norte-americano William Maxwell é uma boa armadilha. Basta notar o elogio incomum que John Updike, um dos mais relevantes escritores da língua inglesa contemporânea, fez à obra: “Um livro encantador, completamente distinto, em sua forma, de qualquer outro que eu tenha lido.”&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;William Maxwell, morto em 2000, publicou, ao todo, doze livros: seis romances, três volumes de contos, um de memórias, um de literatura infantil e outro reunindo seus melhores artigos. Durante quatro décadas, ele trabalhou como editor da prestigiosa revista New Yorker, dedicada à literatura, música, teatro e artes plásticas.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;No cargo, mantinha contato constante com críticos de arte e literatos, e veiculou, na revista, textos escritos por J. D. Salinger e Vladimir Nabokov. Talvez por influência do jornalismo, William Maxwell absorveu a concisão e a clareza em sua escrita. Em “Até mais, vejo você amanhã”, o autor explora a narrativa límpida, rápida, descrevendo as cenas com detalhes essenciais.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Publicado originalmente em 1980, o livro venceu o National Book Award e a Howells Medal da Academia Americana de Artes e Letras. A história se passa na década de 1920, na zona rural de Lincoln, no Estado de Illinois, num ambiente extremamente pacato. E, mesmo com a ausência de violência no local, o meeiro Lloyd Wilson é assassinado com um tiro de pistola.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Maxwell, felizmente, não investe no enredo policial. Sua proposta é mais elaborada. Cinquenta anos depois do crime, um homem passa a reconstituir o enredo, os personagens e o espaço daquele momento. Esse homem – o narrador –, na época do crime, era um amigo muito próximo do filho do assassino. Mas, depois da tragédia, os dois se separaram e nunca mais trocaram palavras entre si.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A reconstituição dos ambientes familiares, das residências e das tensões nas famílias do assassino e do assassinado, dois vizinhos de fazenda, se dá por meio da criatividade no narrador, que não teve acesso aos mínimos detalhes ou às conversas entre os personagens.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ele recompõe, então, sobre o motivo da tragédia, que seria o caso extraconjugal da mulher do assassino com Lloyd Wilson, o meeiro assassinado. Após observar seu casamento ir por água abaixo, o assassino entra num estado de loucura e dispara contra o seu vizinho, amigo e traidor.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Da ignorância ao domínioQuando John Updike escreve que nunca leu algo semelhante, no que concerne à forma, podemos confirmar a novidade da proposta de William Maxwell: conduzir seu narrador da ignorância ao pleno domínio da situação e dos envolvidos, direta ou indiretamente, no assassinato. Como jornalista, Maxwell utiliza o narrador partindo de informações reais, no universo da ficção, sobre o assassinato.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;E, como escritor, se apropria dos recursos artísticos, em que tudo é possível, para soltar a imaginação sobre o crime. Nessa investida, em que o narrador reconstitui as cenas de sua memória, o autor nos dá alguns conselhos para não confiar, integralmente, no relato, pois “ao falar do passado, mentimos a cada respiração”.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na mistura de realidade e imaginação, Maxwell abre o jogo com o leitor: “Se alguma parte da mescla de verdade e ficção que virá a seguir parecer pouco convincente ao leitor, ele tem minha permissão para desconsiderá-la”. Ignorando ou não o convite do literato, “Até mais, vejo você amanhã” é uma saborosa leitura. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Publicada em O Diário.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-5525630301870167964?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/5525630301870167964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=5525630301870167964' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5525630301870167964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5525630301870167964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/05/maxwell-antes-tarde-do-que-nunca.html' title='Maxwell, antes tarde do que nunca'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S9xybcFRiRI/AAAAAAAAALQ/h1si54dfqks/s72-c/william_maxwell.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8467611367056492413</id><published>2010-05-01T11:13:00.000-07:00</published><updated>2010-05-01T11:21:37.629-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>Ubaldo entre a vida e a morte</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S9xw3LYK4EI/AAAAAAAAALI/SEMN7y9A3Io/s1600/Jo%C3%A3o+Ubaldo+imagem.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466368140970221634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S9xw3LYK4EI/AAAAAAAAALI/SEMN7y9A3Io/s320/Jo%C3%A3o+Ubaldo+imagem.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Novo livro do escritor baiano, “O albatroz azul” remete ao seu clássico “Sargento Getúlio” e traz boas doses de humor e lirismo&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto todos acreditam no nascimento de mais uma mulher, Tertuliano Jaburu está convencido: será um homem, será o seu primeiro neto. Em sigilo, providencia roupas azuis para vestir, com dignidade, o novo integrante da família. Afinal, macho que é macho não pode, jamais, nascer de roupa rosa, pois “sempre estarão sujeitos a ouvir dos desafetos a frase acabrunhante: ‘tu nasceste de cor-de-rosa, infeliz, cala tua boca’”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;É com o nascimento de Raymundo Penaforte, nome cuidadosamente providenciado pelo avô, Tertuliano, que João Ubaldo Ribeiro inicia seu novo romance, “O albatroz azul”. Nas 236 páginas, o baiano compõe sobre os personagens da Ilha de Itaparica, local onde o escritor nasceu e escolheu para eternizar em algumas de suas obras, como “Viva o povo brasileiro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A vida, em “O albatroz azul”, é o tema inicial. A morte, porém, logo aparece na história. Além de estar certo sobre o sexo da criança, o personagem Tertuliano Jaburu tem a certeza de que vai morrer em pouco tempo. Assim, aproveita para providenciar os detalhes do batizado de seu neto e trocar as últimas palavras com os amigos e algumas pessoas que admira, mas nunca teve oportunidade de conhecer pessoalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ao leitor de João Ubaldo é praticamente impossível não aproximar “O albatroz azul” de “Sargento Getúlio”, livro que já é considerado um clássico da literatura brasileira contemporânea. Escrito em 1971, quando o escritor baiano tinha apenas 30 anos, “Sargento Getúlio” reflete a lealdade e a determinação do anti-herói Getúlio Santos Bezerra, que trabalha como capanga de um influente coronel. Na história, Getúlio cumpre a ordem de transportar um prisioneiro político entre duas cidades, mas, durante o trajeto, a situação muda: se entregar o preso, conforme o combinado, seu chefe não assumirá a responsabilidade pelo sequestro e ordenará que seu capanga seja morto. Mesmo sendo avisado por outras pessoas de que será assassinado caso consiga cumprir a missão, o leal sargento Getúlio não abandona seus planos. A morte? Não importa. Ele insiste em honrar a promessa feita ao chefe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Dessa forma, tanto em “Sargento Getúlio” quanto em “O albatroz azul”, o personagem principal segue em direção à morte, sem medo, desespero ou agonia. É possível comparar o enredo dos dois livros, mas não a linguagem de João Ubaldo. Enquanto a escrita do clássico é intensa e caótica, em sua nova obra a opção é por uma narrativa serena, pausada, mas jamais entediante.&lt;br /&gt;As variações linguísticas, apropriadas pelo autor baiano, permeiam as páginas de “O albatroz azul”. Na fala dos personagens da Ilha de Itaparica, o escritor retoma sua característica mais forte: o bom humor. Seja nos divertidos ditados populares, construídos sempre com rimas interessantes e nas situações peculiares vividas pelos personagens, o livro garante sorrisos ao leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;E arrancar sorrisos inesperados é um dos maiores talentos de João Ubaldo. Claro que ele não é sempre bem sucedido. Em seu último livro de crônicas, “O rei da noite”, cinco ou quatro histórias são realmente boas, entre elas “Alpiste para as rolinhas” – que mostra um inusitado costume do vizinho de João Ubaldo, o recluso escritor Rubem Fonseca . As outras três dezenas de histórias são indiferentes, com sátiras e enredos fracos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Felizmente, esse não é o caso de “O albatroz azul”. Aqui, o escritor baiano aponta para os mistérios e as questões da vida e da morte, sem perder o lirismo e o humor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Publicada em O Diário.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8467611367056492413?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8467611367056492413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8467611367056492413' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8467611367056492413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8467611367056492413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/05/ubaldo-entre-vida-e-morte.html' title='Ubaldo entre a vida e a morte'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S9xw3LYK4EI/AAAAAAAAALI/SEMN7y9A3Io/s72-c/Jo%C3%A3o+Ubaldo+imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-6302407624354648247</id><published>2010-04-08T20:04:00.001-07:00</published><updated>2011-04-30T10:24:27.879-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>No tuzinho não</title><content type='html'>Com 14 anos já era assim.&lt;br /&gt;Ele assanhado com as mãos em cada parte da minha perna.&lt;br /&gt;Joelho.&lt;br /&gt;Beijinhos na orelha.&lt;br /&gt;Lambidinhas na orelha.&lt;br /&gt;Na pontinha, sabe?&lt;br /&gt;Ele vinte e cinco anos mais velho.&lt;br /&gt;Perdido no crime desde aquele tempo.&lt;br /&gt;Bem rapidinho colocava lá dentro.&lt;br /&gt;Na minha pititita.&lt;br /&gt;Pra onde o pulso dele ia?&lt;br /&gt;Todinho enfiado em mim?&lt;br /&gt;Ai, que deu medo.&lt;br /&gt;Um pulso grosso.&lt;br /&gt;Me chamava de amor.&lt;br /&gt;Tirava aquela coisa grande e gosmenta.&lt;br /&gt;Não o pulso.&lt;br /&gt;Aquela outra coisa.&lt;br /&gt;Batia de leve na minha cabeça enquanto eu abocanhava.&lt;br /&gt;E me colocava no colo.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Vem, meu amor.&lt;br /&gt;Como eu ia.&lt;br /&gt;Tudo isso pra eu ficar de cachorrinho no final, sabe?&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Eu até que gostava.&lt;br /&gt;Fazia um pouco de cosquinha.&lt;br /&gt;Mas de repente ele entrou no buraco.&lt;br /&gt;Na coisa.&lt;br /&gt;Lá, apertado.&lt;br /&gt;Minha vida ali em desespero.&lt;br /&gt;Sangrei toda a alma.&lt;br /&gt;Quase dois meses sentindo aquela coisa dentro de mim.&lt;br /&gt;Dentro do buraco que até então eu só usava para despejar.&lt;br /&gt;Nunca para entrar nada.&lt;br /&gt;A porta de trás sempre só pra saída.&lt;br /&gt;E pocotó.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Com meu segundo namorado deixei tudo muito claro.&lt;br /&gt;Não na portinha de trás.&lt;br /&gt;Jamais.&lt;br /&gt;De nada adiantou.&lt;br /&gt;Se eu bobeava, lá vinha ele.&lt;br /&gt;Com tudo.&lt;br /&gt;De uma só vez.&lt;br /&gt;E como reclamar na hora do amor?&lt;br /&gt;Sorrindo alucinado olhando pra mim.&lt;br /&gt;Eu, a mulher da vida dele.&lt;br /&gt;Durante 4 semanas.&lt;br /&gt;No terceiro namorado bem claro deixei.&lt;br /&gt;Sexo sim.&lt;br /&gt;No tuzinho não.&lt;br /&gt;Bem respeitoso o Manolo.&lt;br /&gt;Mais jovem.&lt;br /&gt;Tímido.&lt;br /&gt;Um pouco gordo é verdade.&lt;br /&gt;Mas de grande coração.&lt;br /&gt;Eu que mexia nele.&lt;br /&gt;Colocava a mão dele em mim.&lt;br /&gt;Eu contei do dia no Parque do Ingá?&lt;br /&gt;Ai, que coisa de criança.&lt;br /&gt;Tava tudo bem.&lt;br /&gt;O trauma passado.&lt;br /&gt;Ficamos dois anos.&lt;br /&gt;Depois não deu mais.&lt;br /&gt;Ele sempre com sangue no zóio.&lt;br /&gt;Sexo, sexo, sexo.&lt;br /&gt;Viciou, coitado.&lt;br /&gt;Tô viciado no cê, ele dizia.&lt;br /&gt;Na hora da bimbada sempre fogoso.&lt;br /&gt;Tava lá normal.&lt;br /&gt;Sem avisar escapou pro buraco de cima.&lt;br /&gt;No tuzinho não, gritei.&lt;br /&gt;Aí ele não me largou.&lt;br /&gt;Pegou com mais força.&lt;br /&gt;Me segurava pelo ombro.&lt;br /&gt;E ia com tudo.&lt;br /&gt;Três vezes sem parar.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Pocotó.&lt;br /&gt;Três vezes no tuzinho.&lt;br /&gt;Por Deus.&lt;br /&gt;Então acho que é por isso.&lt;br /&gt;Quer dizer.&lt;br /&gt;Acho, né?&lt;br /&gt;Eles, os homens, nunca vão entender.&lt;br /&gt;Cê nunca me fez esse tipo de proposta.&lt;br /&gt;Ou coisa parecida.&lt;br /&gt;Desisti deles pra sempre, sabe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-6302407624354648247?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/6302407624354648247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=6302407624354648247' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6302407624354648247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6302407624354648247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/04/no-tuzinho-nao.html' title='No tuzinho não'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8604520085893082167</id><published>2010-04-02T18:19:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:24:52.033-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Tchau bebê</title><content type='html'>O nome?&lt;br /&gt;Confesso que nem tinha escolhido.&lt;br /&gt;Eu tão moça.&lt;br /&gt;Não saberia cuidar de criança nenhuma.&lt;br /&gt;Cê imagina?&lt;br /&gt;Como tratar com carinho?&lt;br /&gt;E a escola?&lt;br /&gt;Com que dinheiro comprar fralda leite roupinha?&lt;br /&gt;Tava apavorada.&lt;br /&gt;Quem me conhece viu.&lt;br /&gt;A barriga crescendo.&lt;br /&gt;O medo.&lt;br /&gt;O desespero.&lt;br /&gt;Tudo piorou quando fiquei sozinha.&lt;br /&gt;Assim.&lt;br /&gt;Nunca soube quem era o pai.&lt;br /&gt;Podia ser o Baiano.&lt;br /&gt;Podia ser o Antônio.&lt;br /&gt;Podia ser o Bode.&lt;br /&gt;Nunca fui mulher de um homem só.&lt;br /&gt;Sempre tinha mais de um ovo na minha cestinha.&lt;br /&gt;Não gosto de ficar sozinha.&lt;br /&gt;Aí perdi o emprego.&lt;br /&gt;Me despediram das Lojas Americanas.&lt;br /&gt;Entrei fundo na bebida.&lt;br /&gt;Era cachaça todo o santo dia.&lt;br /&gt;Cachaça no Bar do Moacir.&lt;br /&gt;Cerveja no Bar do Moacir.&lt;br /&gt;E torcida de pimenta e queijo.&lt;br /&gt;A primeira a chegar bem cedo.&lt;br /&gt;Seis da tarde.&lt;br /&gt;A última a sair.&lt;br /&gt;E depois não acabava.&lt;br /&gt;Ia direto pro Meu Pato.&lt;br /&gt;Já ia meio bêba.&lt;br /&gt;Sempre saindo do Meu Pato às quatro ou cinco da manhã.&lt;br /&gt;Carregada.&lt;br /&gt;Por quem?&lt;br /&gt;Baiano.&lt;br /&gt;Bode.&lt;br /&gt;Antônio.&lt;br /&gt;Daí cê já viu né?&lt;br /&gt;Depois do bar nada recordo.&lt;br /&gt;Liguei uma vez pro Baiano.&lt;br /&gt;Tô vomitando demais eu disse.&lt;br /&gt;Acho que tô grávida.&lt;br /&gt;Sabe o que ele fez?&lt;br /&gt;Desligou na minha cara.&lt;br /&gt;Fiz o teste.&lt;br /&gt;Positivo.&lt;br /&gt;Eu grávida e desempregada.&lt;br /&gt;Comprei umas pílulas pra abortar.&lt;br /&gt;De nada funcionou.&lt;br /&gt;Um enfermeiro dum hospital de Sarandi que me vendeu.&lt;br /&gt;Amigo de amiga.&lt;br /&gt;Tomei chá de canela quase todo dia.&lt;br /&gt;Enfiei o controle remoto inteiro dentro de mim.&lt;br /&gt;Com medo coloquei o salto da sandália.&lt;br /&gt;Ô criança mais difícil de sair.&lt;br /&gt;Tudo isso e eu tava sem emprego.&lt;br /&gt;Ninguém quer uma grávida no trabalho.&lt;br /&gt;O jeito foi esperar.&lt;br /&gt;Não fui no médico.&lt;br /&gt;Ninguém veio me visitar.&lt;br /&gt;Ajuda recebi do vizinho.&lt;br /&gt;Nos últimos dias me trouxe umas compras.&lt;br /&gt;Disse que não preciso pagar.&lt;br /&gt;No meio da noite senti aquela dor.&lt;br /&gt;Eu sabia que era a criança.&lt;br /&gt;Foi coisa de desespero.&lt;br /&gt;Abri as pernas com tudo.&lt;br /&gt;De uma vez só.&lt;br /&gt;No lençol mesmo ele surgiu.&lt;br /&gt;Ele.&lt;br /&gt;Puxei o moleque com força.&lt;br /&gt;Sem choro.&lt;br /&gt;Achei que fosse desmaiar.&lt;br /&gt;Nunca mais quero passar a dor de novo.&lt;br /&gt;Que horrível.&lt;br /&gt;Sangue pra todo o lado.&lt;br /&gt;No lençol no rosto e nas pernas do bebê.&lt;br /&gt;Sangue na minha mão.&lt;br /&gt;Deixei o corpo na cama.&lt;br /&gt;Dormi acho que por uma hora.&lt;br /&gt;Acordei.&lt;br /&gt;Peguei o corpinho no colo.&lt;br /&gt;Ele não tinha a minha cara.&lt;br /&gt;Não parecia nenhum dos possíveis pais.&lt;br /&gt;Não tinha rosto de nada.&lt;br /&gt;Fui pra cozinha meio mancando.&lt;br /&gt;Deixei o corpo na mesa de madeira.&lt;br /&gt;Alcancei a faca e cortei o cordão fedido.&lt;br /&gt;Peguei o bebê pela perninha.&lt;br /&gt;Levei para o quintal.&lt;br /&gt;Com a pá cavei um buraco na grama.&lt;br /&gt;Ajoelhei.&lt;br /&gt;Rezei um pai nosso.&lt;br /&gt;Depois uma salve rainha.&lt;br /&gt;E joguei ele dentro da cova.&lt;br /&gt;De costa.&lt;br /&gt;Tchau bebê.&lt;br /&gt;Pensei que todos os meus problemas tavam enterrados.&lt;br /&gt;Mas não.&lt;br /&gt;Começou a doer muito.&lt;br /&gt;Dor de todo o tipo.&lt;br /&gt;De toda a forma.&lt;br /&gt;Facas espetadas em cada parte do meu corpo.&lt;br /&gt;Não aguentei.&lt;br /&gt;E vim pra cá.&lt;br /&gt;Já tô cansada de ficar deitada.&lt;br /&gt;Da comida sem gosto.&lt;br /&gt;Só esperando cêis me darem alta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8604520085893082167?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8604520085893082167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8604520085893082167' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8604520085893082167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8604520085893082167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/04/tchau-bebe.html' title='Tchau bebê'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1838257293077592956</id><published>2010-03-22T19:35:00.000-07:00</published><updated>2010-03-23T17:38:03.053-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Não demora?</title><content type='html'>21:08.&lt;br /&gt;Tão tarde da UEM.&lt;br /&gt;Ai, que ainda bem não tem aula.&lt;br /&gt;E se?&lt;br /&gt;Quem sabe.&lt;br /&gt;Uma só?&lt;br /&gt;Avenida Brasil.&lt;br /&gt;Só espiar.&lt;br /&gt;Loira, morena e ruiva.&lt;br /&gt;Saem do bar.&lt;br /&gt;Todas de mini shorts.&lt;br /&gt;Como adoro as pernas.&lt;br /&gt;E se?&lt;br /&gt;Qual delas?&lt;br /&gt;Hum.&lt;br /&gt;Dou a volta no quarteirão.&lt;br /&gt;Merda.&lt;br /&gt;Bem na hora que tem carro passando.&lt;br /&gt;Não paro.&lt;br /&gt;Dou outra volta no quarteirão.&lt;br /&gt;Viro à direita.&lt;br /&gt;Que azar.&lt;br /&gt;Agora tem um Palio na frente e essa caminhonete atrás.&lt;br /&gt;Eles me conhecem?&lt;br /&gt;Anotaram minha placa?&lt;br /&gt;Outra volta no quarteirão.&lt;br /&gt;Ah, é agora.&lt;br /&gt;Ninguém atrás de mim.&lt;br /&gt;Nem do outro lado da rua.&lt;br /&gt;Dedo em riste, vidro fechado, eu aponto.&lt;br /&gt;A loira olha pra mim.&lt;br /&gt;Eu?&lt;br /&gt;Aponto para a do lado.&lt;br /&gt;Quero a ruiva.&lt;br /&gt;A ruiva parece confusa.&lt;br /&gt;A loira me aponta a ruiva.&lt;br /&gt;Olho para a morena e ela aponta para si mesma.&lt;br /&gt;É, você mesma, eu balanço a cabeça.&lt;br /&gt;Pode ser.&lt;br /&gt;As três são gostosas. E já tem carro vindo atrás de mim.&lt;br /&gt;Ela me encara com um sorriso.&lt;br /&gt;Ai, adoro esse shorts jeans curto.&lt;br /&gt;Tenta me enxergar melhor.&lt;br /&gt;Eu uso óculos.&lt;br /&gt;E boné encobrindo minha testa e sobrancelha grossa.&lt;br /&gt;Quanto é o programa?&lt;br /&gt;É cinquenta o completo.&lt;br /&gt;Ela sorri.&lt;br /&gt;Gostosa.&lt;br /&gt;Hum.&lt;br /&gt;E a chupetinha?&lt;br /&gt;A chupetinha é vinte e cinco, e com camisinha.&lt;br /&gt;Hum.&lt;br /&gt;Dá pra fazer só por quinze?&lt;br /&gt;Ham? Fala um pouco mais alto?&lt;br /&gt;Tô ouvindo Oasis bem alto.&lt;br /&gt;Dá pra fazer a chupetinha por quinze? Eu tenho camisinha.&lt;br /&gt;Ela me olha.&lt;br /&gt;Quer ver se sou feio.&lt;br /&gt;Minha última namorada me achava feio.&lt;br /&gt;Minha professora do jardim de infância me achava feio.&lt;br /&gt;Meu irmão, esses dias, disse que sou feio.&lt;br /&gt;É rápido?&lt;br /&gt;Como assim, eu pergunto.&lt;br /&gt;É rápido? Não demora?&lt;br /&gt;Acho que ela gostou de mim.&lt;br /&gt;Não, acho que não demoro.&lt;br /&gt;Sorriu, abriu a porta e disse então vamo.&lt;br /&gt;Onde a gente vai?&lt;br /&gt;Vamo na rua de trás.&lt;br /&gt;Tá.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Por que você perguntou se eu demoro?&lt;br /&gt;Ah, tem gente que demora demais, né?&lt;br /&gt;Ah, é? Muito?&lt;br /&gt;Demoram tanto que dá cãimbra de ficar batendo, e cãimbra na boca.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Cãimbra na boca? Pôxa!&lt;br /&gt;Na maioria das vezes eles tão bêbados.&lt;br /&gt;É, né? O álcool dá uma atrasada.&lt;br /&gt;Atrasa demais!&lt;br /&gt;Por isso é bom ficar na rua até meia noite, né?&lt;br /&gt;Meia noite só tem bêbado e tranquêra.&lt;br /&gt;Ah, é?&lt;br /&gt;É.&lt;br /&gt;Assim, todo mundo que procura a gente tem alguma coisa.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Você sabe.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Tem alguma coisa.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Mas todos, cê imagina, não sei qual é a profissão, e entro no carro.&lt;br /&gt;Hum.&lt;br /&gt;Não quero saber, mas vai que o cara é traficante?&lt;br /&gt;E você já se envolveu com gente barra pesada?&lt;br /&gt;Já.&lt;br /&gt;Como foi?&lt;br /&gt;Assim. Não é preconceito.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Tenho amigos pretos.&lt;br /&gt;Ham.&lt;br /&gt;Mas só preto me sacaneou.&lt;br /&gt;É?&lt;br /&gt;É. Um dia um me deixou no contorno sul e tive que voltar andando.&lt;br /&gt;Caralho.&lt;br /&gt;É. Outro me levou pro meio do mato. Dois meses atrás.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;Sujeito estranho, jeito de drogado.&lt;br /&gt;Hum.&lt;br /&gt;Me levou pro meio do mato. Disse que era fetiche.&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;E pimba!&lt;br /&gt;Caralho.&lt;br /&gt;Depois me deixou sozinha. Nem me pagou.&lt;br /&gt;Por sorte a polícia me buscou.&lt;br /&gt;E não me abusaram.&lt;br /&gt;A polícia abusa de você?&lt;br /&gt;Sempre querem alguma coisa, né?&lt;br /&gt;Ou noite completa pro cara que tá casando.&lt;br /&gt;Ou chupetinha pra fazer a ronda mais segura.&lt;br /&gt;Cê já viu, né? Se não fizer? Eles te marcam.&lt;br /&gt;Aqui é Maringá.&lt;br /&gt;A polícia é treta.&lt;br /&gt;Direitos humanos aqui não existem.&lt;br /&gt;Estaciona ali atrás da Saveiro.&lt;br /&gt;Atrás, não. Na frente.&lt;br /&gt;Ela já está com a camisinha nas mãos.&lt;br /&gt;Assoprou a pontinha.&lt;br /&gt;Com a mão esquerda pega em mim.&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;Tenta me enxergar por trás do astigmatismo e da minha forte miopia.&lt;br /&gt;Me chama de amor.&lt;br /&gt;Engole com força.&lt;br /&gt;15 minutos depois diz que deu câimbra. No braço.&lt;br /&gt;Prometo ser rápido.&lt;br /&gt;Passo a mão nas costas dela.&lt;br /&gt;Na bunda.&lt;br /&gt;Mas gosto mesmo é da perna.&lt;br /&gt;Da perna naquele shorts curto jeans.&lt;br /&gt;Gostosa.&lt;br /&gt;Que delícia.&lt;br /&gt;Dou um tapinha na bunda.&lt;br /&gt;Ai, que gostosa.&lt;br /&gt;Ai.&lt;br /&gt;Ai.&lt;br /&gt;Dou outro tapinha.&lt;br /&gt;Delícia.&lt;br /&gt;Gostosa.&lt;br /&gt;E pimba!&lt;br /&gt;Enrolo a camisinha usada.&lt;br /&gt;Jogo fora da janela numa árvore.&lt;br /&gt;Subo a bermuda azul.&lt;br /&gt;Minhas bermudas são sempre azuis.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ela pergunta minha idade.&lt;br /&gt;Eu minto.&lt;br /&gt;Não digo que tenho 22.&lt;br /&gt;Ou que sou jornalista.&lt;br /&gt;E que sou formado em Letras.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Respondo a questão: 20.&lt;br /&gt;Por isso essa cara de novo.&lt;br /&gt;Você acha?&lt;br /&gt;Eu acho.&lt;br /&gt;Qual o seu nome?&lt;br /&gt;Marta.&lt;br /&gt;Você mora aqui?&lt;br /&gt;Perto de Sarandi.&lt;br /&gt;Hum.&lt;br /&gt;Gostei da chupetinha, Marta.&lt;br /&gt;Acho que volto para a gente fazer um completo, que tal?&lt;br /&gt;Volta sim, amor.&lt;br /&gt;Posso te deixar aqui?&lt;br /&gt;Claro.&lt;br /&gt;Deixo Marta na rua de trás.&lt;br /&gt;É menos movimentada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1838257293077592956?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1838257293077592956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1838257293077592956' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1838257293077592956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1838257293077592956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/03/nao-demora.html' title='Não demora?'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2410400615258610715</id><published>2010-03-15T22:22:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:25:14.381-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Tormento do Abílio</title><content type='html'>Seu padre eu vim aqui pra me confessar.&lt;br /&gt;Não sou dessa paróquia.&lt;br /&gt;Frequento a do Jardim dos Pássaros.&lt;br /&gt;Conhece o Padre Janílson?&lt;br /&gt;Não consegui confessar com ele.&lt;br /&gt;Nem com os amigos.&lt;br /&gt;Não tenho dormido direito.&lt;br /&gt;O tormento diário da minha existência.&lt;br /&gt;O que eu falo só o senhor me ouve né?&lt;br /&gt;Sem Maria anjinhos ninguém vai nunca saber né?&lt;br /&gt;É assim.&lt;br /&gt;Direto.&lt;br /&gt;Vou falar de uma vez.&lt;br /&gt;Deus tem aparecido nos meus sonhos.&lt;br /&gt;O próprio.&lt;br /&gt;Eu sei que é ele porque ele me diz.&lt;br /&gt;Vem cercado por um monte de anjinhos.&lt;br /&gt;Falando Aqui em cima na terra prometida não tem lugar pra você Abílio.&lt;br /&gt;O que eu fiz ele diz não tem perdão.&lt;br /&gt;Quando minha mulher saiu de casa logo arranjei outra.&lt;br /&gt;Nem uma semana.&lt;br /&gt;Amor com amor se cura.&lt;br /&gt;Senão vira doença.&lt;br /&gt;Apaixonada bem bonita dizia que me amava.&lt;br /&gt;Junto com ela veio a garota.&lt;br /&gt;Doze aninhos.&lt;br /&gt;Loira como a mãe pele clarinha.&lt;br /&gt;Sempre no banho esquecia a toalha.&lt;br /&gt;Eu levava porque a mãe não desgrudava do fogão.&lt;br /&gt;Mas daí fui notando algumas coisas.&lt;br /&gt;Tem um espelho na frente da pia.&lt;br /&gt;Se a porta fica um pouco aberta dá pra ver lá dentro.&lt;br /&gt;E só espiei porque ouvi os gemidinhos.&lt;br /&gt;Cada vez que eu entregava a toalha ela estendia a mão direita pra mim.&lt;br /&gt;Enquanto a esquerda ia lá pra pititita dela.&lt;br /&gt;Tudo acabava com o risinho abafado pela porta que batia com força.&lt;br /&gt;Isso uma vez.&lt;br /&gt;Isso duas três vezes.&lt;br /&gt;Isso vinte vezes.&lt;br /&gt;Olha.&lt;br /&gt;Tô até suando de nervoso.&lt;br /&gt;Em seis meses eu já tinha sonhos com ela.&lt;br /&gt;Sonhava mas claro pensava nunca jamais tô fora.&lt;br /&gt;Sabia do pecado.&lt;br /&gt;É crime de polícia e cadeia né?&lt;br /&gt;Num dia lá a menina tava doente.&lt;br /&gt;Não levantava pra ir na escola.&lt;br /&gt;Era bem quarta feira.&lt;br /&gt;No dia em que não trabalho.&lt;br /&gt;Fiquei de cuidar da menina.&lt;br /&gt;Bem carente não conheceu o pai.&lt;br /&gt;Um desses maloqueiros aí perdido no crack e coca.&lt;br /&gt;A mãe a deixou no sofá.&lt;br /&gt;Com os pés no meu colo.&lt;br /&gt;E ligou a TV num programa lá.&lt;br /&gt;Um beijo em cada um de nós.&lt;br /&gt;Te amo Abílio paixão eterna minha vida meu suspiro!&lt;br /&gt;Nem bem saiu a garota levantou saltitante.&lt;br /&gt;Minha vida meu suspiro?&lt;br /&gt;Deu uma reboladinha na minha frente.&lt;br /&gt;De saia curta calcinha azul e blusinha branca.&lt;br /&gt;Parou.&lt;br /&gt;Desligou a TV.&lt;br /&gt;Lambeu o controle bem devagar me encarando.&lt;br /&gt;Jogou ele no tapete.&lt;br /&gt;Vinte minutos pra encontrar as pilhas depois!&lt;br /&gt;Agachou.&lt;br /&gt;Ficou de joelho no chão.&lt;br /&gt;Passando a mão na minha coxa.&lt;br /&gt;Com as duas mãos abriu minha calça jeans.&lt;br /&gt;Mais rápida do que a mãe.&lt;br /&gt;Riu quando viu o tamanho da coisa.&lt;br /&gt;Como é grande não dói?&lt;br /&gt;Enquanto ia com a boca lá gemia gostoso e mandava:&lt;br /&gt;Goza seu puto goza!&lt;br /&gt;Na presença da mãe uma santa.&lt;br /&gt;Minha pequena devassa do Jardim dos Pássaros.&lt;br /&gt;Lábio molhadinho.&lt;br /&gt;Língua geladinha.&lt;br /&gt;Cabelos dourados.&lt;br /&gt;Sorriso de anjo.&lt;br /&gt;Ai aqueles pelinhos dos braços todos arrepiados.&lt;br /&gt;Ai que falta me faz puxar aquele cabelo por trás.&lt;br /&gt;Eu vou trazer ela aqui pra confessar que me ama.&lt;br /&gt;A Igreja tá do meu lado?&lt;br /&gt;Meu coração não suporta.&lt;br /&gt;Vou pedir o casamento.&lt;br /&gt;Se não der vou casar assim mesmo.&lt;br /&gt;Assumo o filho que tá na barriga.&lt;br /&gt;Mudo de cidade de país se necessário.&lt;br /&gt;Tenho economias vou pro Paraguai.&lt;br /&gt;Ou Argentina.&lt;br /&gt;E se Deus não estiver de acordo e se Deus me abandonar por aqui.&lt;br /&gt;Eu deixo a Igreja a hóstia as cerimônias a caridade.&lt;br /&gt;Entrego minha alma de bandeja pro Diabo.&lt;br /&gt;Mas não abandono o amor da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2410400615258610715?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2410400615258610715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2410400615258610715' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2410400615258610715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2410400615258610715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/03/tormento-do-abilio.html' title='Tormento do Abílio'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-3355525307275427362</id><published>2010-03-14T21:13:00.001-07:00</published><updated>2010-03-15T05:57:22.616-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Traidor</title><content type='html'>Aqui é o fim da linha.&lt;br /&gt;Ninguém mais vai adiante.&lt;br /&gt;Pelo menos que eu saiba não.&lt;br /&gt;Isso é pra não fuder mulher de malandro.&lt;br /&gt;Pra nunca nem olhar quando tiver passando na rua.&lt;br /&gt;Nem na Praça da Catedral.&lt;br /&gt;Cê deu muito azar mesmo.&lt;br /&gt;Na frente de todo mundo?&lt;br /&gt;Isso não ia ficar assim pra sempre né?&lt;br /&gt;Não chora não bicho.&lt;br /&gt;Cê tem família é?&lt;br /&gt;Pior ainda.&lt;br /&gt;Cê vai morrer como traidor.&lt;br /&gt;Eu mesmo vou levar essas fotos aqui.&lt;br /&gt;Vou mostrar essas no bar do Moacir.&lt;br /&gt;Essa uma que ficou boa no Estância Gaúcha.&lt;br /&gt;E com chave de ouro eu tiro essa aqui do motel.&lt;br /&gt;Que fotos hem?&lt;br /&gt;Que sua mulher vai achar?&lt;br /&gt;Ninguém chorando no teu velório.&lt;br /&gt;Só dois coveiros jogando terra no seu corpo.&lt;br /&gt;Sem reza cê vai cruzar pro lado mais sombrio da vida.&lt;br /&gt;Sozinho.&lt;br /&gt;Agora diz aí vai.&lt;br /&gt;Quantas vezes cê saiu com ela?&lt;br /&gt;Se o cê me disser quem sabe não te deixo de boa?&lt;br /&gt;Daí se vai pra casa só com esses roxo nas costa.&lt;br /&gt;Só duas?&lt;br /&gt;Fala alto.&lt;br /&gt;Com essa fita na tua boca eu não escuto.&lt;br /&gt;Baiano traz o fogo!&lt;br /&gt;Vamo mutilar esse filho da puta agora mesmo.&lt;br /&gt;Cê sabe o que é engraçado?&lt;br /&gt;Que cê paga de machão.&lt;br /&gt;Mas aqui não tô vendo nada.&lt;br /&gt;O chefe mandou assim.&lt;br /&gt;Primeiro as porradas.&lt;br /&gt;Depois mutila ele.&lt;br /&gt;Queima o mamilo a sola do pé menos o pau.&lt;br /&gt;O pau coloca dentro aqui do vidro.&lt;br /&gt;Tá vendo esse pacote da maionese?&lt;br /&gt;É pra cá que vem o seu pau.&lt;br /&gt;O mais divertido?&lt;br /&gt;É que cê vai sentir seu pau sendo cortado.&lt;br /&gt;Vai chorando enquanto pode.&lt;br /&gt;Baiano que demora porra!&lt;br /&gt;Vê se ta lá dentro da Kombi então.&lt;br /&gt;Ela rebolava no seu pau?&lt;br /&gt;Te pegava pra dançar no Estância Gaúcha só pra esfregar aquela bunda bem gostoso?&lt;br /&gt;Te chupava bem?&lt;br /&gt;Pode falar pra mim ela era uma puta né?&lt;br /&gt;Dava pra ver de longe.&lt;br /&gt;Aquela saia curtinha.&lt;br /&gt;Unha sempre pintada de vermelho.&lt;br /&gt;No salão de beleza toda semana.&lt;br /&gt;Chupava bem afinal?&lt;br /&gt;Deixava gozar na cara dentro da boca na bochecha?&lt;br /&gt;E as bolas ela mandava bem?&lt;br /&gt;Engolia com carinho?&lt;br /&gt;Sorria quando metia seu pau goela abaixo?&lt;br /&gt;Que demora Baiano.&lt;br /&gt;Cê não quer responder nada é?&lt;br /&gt;Mas eu vô te dar uma resposta.&lt;br /&gt;Cê amava ela?&lt;br /&gt;Ah amava?&lt;br /&gt;Que bonito.&lt;br /&gt;Olha só apaixonado:&lt;br /&gt;O chefe resolveu que não vai matar ela não.&lt;br /&gt;Ela vai ficar presa na chácara.&lt;br /&gt;Tipo cárcere privado.&lt;br /&gt;Acho que um mês todo sem bimbar com ninguém.&lt;br /&gt;O pior castigo pra ela.&lt;br /&gt;Luva fogo protetor tudo certo Baiano.&lt;br /&gt;Só tem mais uma pergunta antes da gente começar:&lt;br /&gt;Ela fez anal também?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-3355525307275427362?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/3355525307275427362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=3355525307275427362' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3355525307275427362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/3355525307275427362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/03/traidor_14.html' title='Traidor'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4381527186212251053</id><published>2010-03-14T09:52:00.000-07:00</published><updated>2011-04-30T10:25:33.545-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Anúncio da desgraça</title><content type='html'>Avenida Cerro Azul.&lt;br /&gt;Meia noite.&lt;br /&gt;Voltando pra casa cansado depois de sair com os amigos.&lt;br /&gt;Todos queriam ver meu novo carrão.&lt;br /&gt;Quase três anos economizando.&lt;br /&gt;Rebaixado neon DVD som no porta malas calota zerada.&lt;br /&gt;Tinha deixado minha mina na casa dela do lado do cemitério.&lt;br /&gt;Na Cerro Azul nunca tem puta.&lt;br /&gt;Pelo menos nunca vi.&lt;br /&gt;Ninguém ali anda de boa.&lt;br /&gt;Não de noite.&lt;br /&gt;É tenso.&lt;br /&gt;Achei estranho quando vi a garota na calçada.&lt;br /&gt;Se fosse noutro lugar eu não parava.&lt;br /&gt;Mas quem acudiria se fosse algo sério?&lt;br /&gt;Com tanto tarado nas ruas à toa?&lt;br /&gt;Ela chorava como se tivesse morrido alguém.&lt;br /&gt;Toda suja de maquiagem.&lt;br /&gt;Vestido de noitada sabe?&lt;br /&gt;Decotado curtinho bem caro.&lt;br /&gt;Coisa de burguês.&lt;br /&gt;Não sou virjão.&lt;br /&gt;Um cão como eu sei farejar.&lt;br /&gt;Aquilo tinha &lt;em&gt;pedigri&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Encostei o carro sem desligar.&lt;br /&gt;Sempre é preciso ficar esperto.&lt;br /&gt;Baixei meio vidro e fiquei com um olho no retrovisor.&lt;br /&gt;Perguntei o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;Ela se jogou na porta chorando ainda mais e disse que tinha brigado com o namorado.&lt;br /&gt;Uma carona?&lt;br /&gt;Eu já tava abrindo a porta.&lt;br /&gt;Quem não faria isso?&lt;br /&gt;Eu tinha só boas intenções.&lt;br /&gt;Disse que morava perto da UEM.&lt;br /&gt;Ainda tinha um pouco de gasolina.&lt;br /&gt;Quase quinze litros.&lt;br /&gt;Quando eu me preparava para abrir avistei o primeiro negão lá atrás.&lt;br /&gt;O cara era grande tava sem camisa e tinha um bastão na mão.&lt;br /&gt;Ele surgiu da esquina mesmo.&lt;br /&gt;O bastão rodava no seu corpo.&lt;br /&gt;Ia pro lado esquerdo.&lt;br /&gt;Depois pro direito.&lt;br /&gt;Do meu lado outro figura já vinha cruzando a Cerro Azul.&lt;br /&gt;Um anão preto.&lt;br /&gt;O mais assustador deles.&lt;br /&gt;Sem nenhuma arma.&lt;br /&gt;Mas vinha decidido ao meu encontro.&lt;br /&gt;Talvez o chefe da gangue?&lt;br /&gt;Pra fechar veio o outro.&lt;br /&gt;Saído do terreno baldio quase cinquenta metros à minha frente.&lt;br /&gt;Sorrindo alucinado.&lt;br /&gt;Barbudão.&lt;br /&gt;Obeso.&lt;br /&gt;Gordo.&lt;br /&gt;O pior sorriso que alguém te pode dar.&lt;br /&gt;Todos os dentes brilhando:&lt;br /&gt;O anúncio da tua desgraça.&lt;br /&gt;Me dei conta que a puta já tava tentando abrir a porta por dentro.&lt;br /&gt;Cê tá fudido mermão!&lt;br /&gt;Deus eu pensei.&lt;br /&gt;No desespero fui ligar o carro mas ele já tava ligado.&lt;br /&gt;Dei um soco na piranha e mordi a mão dela.&lt;br /&gt;O do bastão conseguiu acertar a minha traseira.&lt;br /&gt;Acelerei como nunca.&lt;br /&gt;Quase dá tempo pro anão também se jogar no carro.&lt;br /&gt;Eu vou pro inferno com o cê desgraçado!&lt;br /&gt;Não vai não!&lt;br /&gt;Pisei no freio firme.&lt;br /&gt;Ela não caía de jeito nenhum.&lt;br /&gt;Ali no redondo lá embaixo mordi a mão dela pra valer até sangrar.&lt;br /&gt;Só depois disso ela soltou.&lt;br /&gt;E caiu na rua abraçando a mão.&lt;br /&gt;Acelerei.&lt;br /&gt;Que caralho.&lt;br /&gt;Que caralho.&lt;br /&gt;Quando terminei o redondo olhei pra trás.&lt;br /&gt;O preto me apontava o bastão.&lt;br /&gt;A puta chorava com a mão no peito.&lt;br /&gt;E o anão me encarava de um jeito estranho.&lt;br /&gt;Como se soubesse que nos encontraríamos em breve pelas ruas de Maringá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4381527186212251053?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4381527186212251053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4381527186212251053' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4381527186212251053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4381527186212251053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/03/anuncio-da-desgraca.html' title='Anúncio da desgraça'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-706525182647906994</id><published>2010-02-20T19:26:00.000-08:00</published><updated>2011-04-30T10:16:58.743-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Alexandre Gaioto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dalton Trevisan'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='entrevista'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='biografia'/><title type='text'>Dois encontros com Dalton Trevisan, autor de "Cemitério de Elefantes"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pulicada no &lt;strong&gt;Jornal do Brasil&lt;/strong&gt; (20/02/10).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ele repudia o culto à celebridade. Apressa o passo de suas caminhadas matinais quando é perseguido por fotógrafos. Xinga os repórteres que, sedentos, se aproximam em busca de uma entrevista. E jamais, de forma alguma, comparece aos eventos nos quais é homenageado. Hoje aos 84 anos, o escritor Dalton Trevisan escolheu viver nas sombras, no silêncio que somente o anonimato pode propiciar.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O sonho de qualquer jornalista? Uma entrevista exclusiva. Quando isso vai acontecer? Nunca. Então, para arrancar algumas palavras do Vampiro de Curitiba – apelido devido ao seu livro homônimo, lançado em 1965 – traço a estratégia: encarar os 428 quilômetros que separam minha cidade, Maringá (PR), de Curitiba, omitir ser estudante de jornalismo e torcer para o contista sair de casa. Se chover, o plano vai por água abaixo: como armar a tocaia em frente à casa do enigmático Trevisan?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Às 8h entro, pontualmente, no táxi que me levará ao bairro Alto da Glória – um nome digno para acomodar o maior contista brasileiro vivo. No curto caminho que separa a casa de Dalton da rodoviária, pergunto ao taxista se é verdade que o famoso escritor reside por ali.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Dizem que mora sim, mas ninguém nunca o viu – responde o curitibano, seco, sem tirar os olhos do volante.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Chamando à porta de casa&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Uma leve garoa atinge os transeuntes que atravessam a movimentada esquina onde reside o escritor. Para quem escreve sobre violência, assassinatos, drogas, prostituição, pedofilia e fetiches sexuais, Dalton Trevisan escolheu um lar ideal: grande e antigo, totalmente cinza, cercado por árvores que funcionam como barreiras aos curiosos que se penduram no muro, a fim de tentar espiar o tão misterioso autor. Estranhices à parte, não há barulho algum dentro da casa. Uma única luz acesa, no corredor, indica que ela não está abandonada.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Com um olhar mais atento sobre o puxadinho de trás, é possível observar que as janelas estão, desde cedo, escancaradas. Em julho do ano passado, quando passava, descompromissadamente, perto da residência do escritor, resolvi mudar meu roteiro e chamar ao portão. Sem campainha, tive de bater palmas e gritar seu nome. Para minha surpresa, o Vampiro abriu uma fresta da porta, deixando o rosto parcialmente escondido, protegido de algum flash que eu, rapidamente, poderia disparar. Mostrei três livros para que ele viesse ao meu encontro: “Deixe na livraria do Chain!”, gritou, antes de bater a porta na cara do petulante.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Agora a situação é diferente. Permaneço em silêncio, atento a cada movimento. Sorte minha: não chove. Precisamente às 10h50, Dalton Trevisan abre a porta de sua casa. Debaixo do braço, ele carrega alguns livros. Com passos rápidos, o ágil senhor de 84 anos caminha em direção à Livraria do Chain, local em que troca mensagens com sua editora e autografa os livros deixados por seus leitores.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Cinco minutos é o tempo que o Vampiro permanece na livraria, observando os lançamentos e deixando as edições que trazia de sua casa. Ele sai, agora, sempre taciturno; caminha geralmente olhando para baixo, e nunca se distrai com as belas curitibanas que passam ao seu lado ou cruzam sua frente.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;É assim que observa os detalhes de Curitiba, cidade mitificada em suas obras: quieto, sem gestos bruscos, imperceptível. Passa pelo Teatro Guaíra e dá uma volta e meia na praça em frente à Universidade Federal, num cenário em que namorados, mendigos, hippies, empresários e turistas convivem em harmonia.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Quando passa por alguma banca de revista, para por cerca de dois ou três minutos, contemplando as notícias dos exemplares à mostra. Misturado aos curitibanos, o Vampiro escuta camuflado as novelas nada exemplares da vida urbana, como um anônimo ladrão de histórias. E volta a caminhar. Cruza semáforos, em meio a um trânsito caótico, driblando barracas de camelôs, passando por botecos, padarias, pontos de ônibus, deficientes físicos, filas de aposentados e indivíduos suspeitos.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Estou preparado para ficar cara a cara com o Vampiro. O local da abordagem? Uma esquina bem no Centro da cidade. No meu primeiro encontro, em janeiro de 2009, identifiquei-me como aspirante a escritor e revelei estudar letras (omiti estudar também jornalismo). Se ele sente qualquer intenção jornalística, foge como se lhe exibissem uma cruz. Trevisan, há um ano, na esquina de sua residência, me convidou a ir até à livraria, pois compraria alguns livros para mim. Antes, porém, perguntei como ele gostaria de ser lembrado daqui a 40 anos. A resposta, que arrancou uma boa gargalhada minha, foi surpreendente:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Daqui a 40 anos, ninguém se lembrará de mim.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Eu o contestei imediatamente. Não adiantou nada:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Essa sua opinião é uma opinião isolada.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;No rápido trajeto, o contista revelou uma listinha com seus livros prediletos e fez críticas concisas às obras.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O poeta alemão Rainer Maria Rilke, com Cartas a um jovem poeta, foi o primeiro a ser citado:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Nas cartas dedicadas ao jovem poeta, ali está tudo o que você pode aprender sobre inspiração, escrita e linguagem – afirma Trevisan.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A metamorfose, do também alemão Franz Kafka, foi considerada como “uma história incrível” e A morte de Ivan Ilitch, do russo Liev Tolstói, “a melhor novela já feita”, na opinião do contista.&lt;br /&gt;Dentro da livraria, Trevisan elogiou outro contista:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Leia tudo o que puder do russo Anton Tchecov. Aliás, existem boas coletâneas de suas obras.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;No campo da poesia, o Vampiro indicou o pernambucano Manuel Bandeira, um dos seus prediletos:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– O estilo e a linguagem dele são maravilhosos. As crônicas também são boas. Leia Crônicas da província do Brasil e Os reis vagabundos.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;E para o Vampiro, quem é o maior contista brasileiro?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Machado de Assis. Além dos contos, leia Quincas Borba, Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Depois de Machado, indagou-me se eu gostava de Rubem Braga. A última obra citada , classificada como “maravilhosa”, foi Madame Bovary, de Gustave Flaubert.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Em meio a tantos clássicos, o Vampiro seria capaz de reescrever as histórias melhor do que os próprios autores? A resposta é negativa:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Ninguém pode reescrever A metamorfose melhor do que Kafka. Ninguém vai reescrever A morte de Ivan Ilitch melhor do que Tolstói.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Naquela manhã, ganhei dois presentes de Dalton Trevisan: duas edições pockets das obras citadas de Tolstói e Rilke. Outros livros, solicitados pelo contista, estavam fora do catálogo. Na frente do Vampiro, a atendente se comprometeu a conseguir os livros para eu buscá-los no dia seguinte. Ao encerrar o encontro, o contista estendeu a mão e abriu um sorriso. Semanas depois, entrei em contato com a livraria, passei meu endereço em Maringá e recebi, em minha casa, outras quatro edições de bolso enviadas pelo contista: Kafka, Tchecov, Machado e Dalton.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Jamais imaginaria que eu teria a chance de encontrá-lo novamente. Ele deve ter se irritado. A reportagem relatando nosso encontro foi publicada em um jornal do Paraná. Depois da publicação, enviei um outro livro para ele autografar, alguns contos de minha autoria e uma carta agradecendo pelas edições enviadas e também por sua produção literária. Todo o material foi reenviado para mim. No livro, nenhum autógrafo. Da mesma forma que foi, voltou. Era a primeira vez, em três décadas, que o contista concedia alguma declaração à imprensa.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Agora, quase um ano depois do primeiro encontro, eu me aproximo com três livros para serem assinados. Estamos em uma movimentada esquina. O sinal fecha.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Dalton? – eu pergunto. Ele vira e me olha desconfiado. Peço um autógrafo nos três livros que retiro de dentro de uma sacola plástica.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Ao se deparar com uma rara primeira edição de Cemitério de elefantes, publicada em 1964, o contista reclama:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Mas esta edição eu renego! Já reescrevi diversas vezes!&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;A curiosa cena protagonizada pelo autor, fanático por recompor suas obras em novas edições, extirpando uma ou outra conjunção, sempre reduzindo o tamanho dos contos, arranca uma risada minha. Peço que ele autografe mesmo assim. Dalton olha para trás, onde há uma pequena padaria, e indica o balcão:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Vamos ali, para firmar os livros.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na dedicatória, ele pede meu sobrenome, mas me recuso a dizer.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Basta só Alexandre? – indaga o mestre da concisão e, diante da minha afirmativa, diz sorrindo: &lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Então tá, só Alexandre.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Com o tempo, Trevisan padronizou seus autógrafos: “Ao (nome), cordialmente, D. Trevisan”. Agora, se há uma intimidade, o Vampiro muda: “Ao (nome), com um abraço do D. Trevisan”. E ele só rabisca a dedicatória em um dos livros. Nos seguintes, deixa apenas a assinatura. Na década de 60, quando iniciou sua trajetória literária, era diferente. Ele sempre era afetuoso na dedicatória e não assinava seu sobrenome, apenas Dalton.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Antes de encerrar o encontro, o contista indaga:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– Como você me achou aqui no Centro?&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;É claro que não digo que estou perseguindo-o há cerca de meia hora. Sem desviar o olhar, relembro um trecho de uma entrevista concedida nos anos 60, em que o próprio Trevisan contestava a fama de recluso. Cara a cara com o Vampiro, parafraseio sua declaração: “É possível encontrar Dalton Trevisan em cada esquina de Curitiba”. Ponto para mim. Arranco outro sorriso do autor, que observa:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– E você confirmou isso mesmo!.&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Na padaria, ele estende a mão, compassadamente, e sorri:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;– É sempre bom encontrar um leitor .&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;O escritor retoma a caminhada sem olhar para trás. Dalton Trevisan nunca olha para trás. Volto a segui-lo. Ele entra em um restaurante vegetariano. Sozinho. É muita ironia: um vampiro que se abstém de carne. Na volta para casa, meia hora depois, ele escolhe o mesmo trajeto e circula pelas mesmas praças, até enfrentar a íngreme rua que o leva à sua residência. Deixo o Alto da Glória com os livros assinados e algumas imagens do recluso contista. Curiosamente, não são as palavras do nosso encontro que ecoam na minha cabeça. Mas, sim, um excerto de sua nova obra, Violetas e pavões: “O senhor esconde o rosto desta cidade, mas não de mim”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alexandre Gaioto é jornalista freelancer e já colaborou com os jornais Diário do Norte do Paraná, Folha de Londrina, O Estado do Paraná, Gazeta do Povo e Zero Hora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/20/e20028216.asp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/20/e20028216.asp"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/20/e20028216.asp"&gt;http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/20/e20028216.asp&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-706525182647906994?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/706525182647906994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=706525182647906994' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/706525182647906994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/706525182647906994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/02/dois-encontros-com-dalton-trevisan.html' title='Dois encontros com Dalton Trevisan, autor de &quot;Cemitério de Elefantes&quot;'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8616276604225739959</id><published>2010-01-28T10:33:00.000-08:00</published><updated>2010-01-28T10:43:55.500-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>A Manaus de Hatoum</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5431862094307984642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S2HZy6gjBQI/AAAAAAAAAKU/EptCCA0W39Q/s320/milton+hatoum.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Em "A cidade ilhada", livro de contos do amazonense Milton Hatoum, Manaus é o centro de suas tramas delicadas, poéticas e surpreendentes&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;É comum um escritor iniciar sua trajetória literária publicando contos. E, depois, com a experiência adquirida nas histórias curtas, partir para a composição de narrativas mais longas, dedicando-se à novela ou ao romance. Com o amazonense Milton Hatoum, autor do aclamado “Dois irmãos”, o trâmite foi diferente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu primeiro livro publicado, o romance “Relato de um certo oriente” (1989), foi bem acolhido pela crítica especializada, venceu o prêmio Jabuti e, desde aquela época, já mostrava algumas características literárias que reapareceriam em suas obras, como o regionalismo, a prosa poética e o objetivo de imortalizar Manaus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de três Jabutis seguidos – além de “Relato de um certo oriente”, os romances “Dois irmãos” (2000) e “Cinzas do Norte” (2005) também foram contemplados com o prêmio –, o escritor apostou no diferente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No ano passado, a Companhia das Letras lançou “A cidade ilhada”, volume reunindo alguns de seus contos publicados em jornais e revistas, no período de 1990 e 2008, além das histórias inéditas. Tanto na novela “Órfãos do Eldorado”, publicada há dois anos, quanto nos contos, Milton Hatoum revela-se um autor saboroso em suas concisões. Seu ritmo de narrativa delicado conduz, sempre com belas imagens, as 14 histórias de “A cidade ilhada”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No primeiro conto, Hatoum regressa à Manaus de sua infância para compor, com pureza e inocência, sobre a primeira noite de um grupo de jovens amigos no prostíbulo “Varandas da Eva”. Tal como o grupo de amigos que vai ao balneário das mulheres, praticamente todos os personagens do livro estão em Manaus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em “Dois poetas da província”, Hatoum resgata a passagem do filósofo Jean-Paul Sarte por Manaus; “Um oriental na vastidão” mostra a bonita história de um cientista japonês que viaja à Manaus apenas para conhecer as águas do rio Negro – local onde, futuramente, ele escolherá para morrer; um jornalista indiano, disfarçado de almirante, faz uma visita a um escritor de Manaus – Milton Hatoum? – a fim de publicar, na Índia, um perfil sobre autor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na cidade de Hatoum, os homens defendem sua honra com vingança e cabeça em pé. Nos contos “O adeus do comandante” e “A casa ilhada”, o escritor traça dois perfis completamente diferentes para dois homens traídos por suas respectivas mulheres. No primeiro, um simples barqueiro, numa lúgubre viagem de barco, assassina o próprio irmão após descobrir os casos de infidelidade envolvendo sua esposa: “Salvei minhas honras e tirei a vergonha dos meus três filhos”, explica o personagem. Já em “A casa ilhada”, um renomado biólogo retorna à Manaus para matar o homem que seduziu sua mulher e arruinou o início do seu casamento. Assim, o contista une, no mesmo nível, o intelectual ao homem simples: ambos traídos à beira do rio Amazonas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal como Dalton Trevisan mitificou Curitiba e João Ubaldo Ribeiro, a ilha de Itaparica, o escritor amazonense se dedica às peripécias de sua região, com os seus costumes, tradições, gírias, pratos típicos e lendas: é o comportamento subversivo do jovem artista Mundo, do romance “Cinzas do Norte”; são as brigas constantes dos gêmeos Yaqub e Omar, em “Dois Irmãos”; é o retrato da decadência na vida de Arminto Cordovil, em “Órfãos do Eldorado”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As delicadas histórias de Milton Hatoum, em “A cidade ilhada”, poderiam acontecer em qualquer lugar do mundo. Mas o contista não abre mão de sua terra. É em Manaus - ou numa pequena cidade à beira do rio Amazonas – que suas tramas são ambientadas e desenvolvidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Milton Hatoum segue o conselho do autor russo Leon Tolstoi: “Cante a tua aldeia e serás imortal”. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Publicado em &lt;strong&gt;O Diário do Norte do Paraná&lt;/strong&gt;, no dia 27 de janeiro de 2010.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8616276604225739959?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8616276604225739959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8616276604225739959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8616276604225739959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8616276604225739959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/01/manaus-de-hatoum.html' title='A Manaus de Hatoum'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S2HZy6gjBQI/AAAAAAAAAKU/EptCCA0W39Q/s72-c/milton+hatoum.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2510720281868997417</id><published>2010-01-26T09:03:00.000-08:00</published><updated>2010-01-26T09:58:52.252-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Sussurros e gemidos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Minha cabeça ainda estava doendo quando desci as escadas do hotel e peguei o embrulho sem nada dizer ao atendente. Cruzei a Herval apertando a encomenda debaixo do braço e entrei na camionete marrom que me esperava do outro lado da rua, no local combinado, em frente à panificadora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Pensei que você fosse mais alto”, disse o gordo ruivo de chapéu panamá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele sorriu, estendeu a mão, perguntou algo sobre o hotel, se eu havia gostado, e saímos em direção à casa do primeiro da lista: um traficante que morava sozinho no Jardim Tabaetê.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A casa era grande, tinha um alto muro protegido com cerca elétrica e três cachorros exibiam suas arcadas dentárias assassinas ao notar minha presença como transeunte. Esperei o sujeito chegar, a casa da frente estava vazia, era uma chance de entrar tranquilamente. Ele parou o carro por volta das cinco da tarde, o portão abriu lentamente e fechou como se sofresse mal de Parkinson. Mas ele não estava sozinho. Chegou acompanhado por uma loira, provavelmente do seu tamanho, o que não era muito: era um nanico. O casal desceu e, dentro da garagem, demoraram no beijo que indicava o início de uma noitada entre sussurros e gemidos. Só um erro de minha parte: era um travesti. Hoje em dia, está cada vez mais difícil identificar esses viados, travestis, essa corja toda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O gordo dormiu no banco do motorista a tarde toda. Antes de sair, tirei o chapéu panamá da cabeça dele e o acomodei na minha cabeça. Ficou um pouco largo, mas tinha estilo próprio. No começo, há uns quinze anos, eu só fazia meu trabalho com um chapéu panamá. Era a última visão que muitas pessoas tinham dessa vida: minha Colt Special 12 milímetros e meu chapéu panamá.&lt;br /&gt;Na intensidade do amor, ainda na garagem, o nanico se esqueceu de disparar o alarme. Joguei três fartos pedaços de carne envenenada para os cachorros. Em dez minutos, todos derrubados. Entrei pelo lado esquerdo, onde havia uma árvore que quase encostava no muro. Andei pelo telhado e pulei no quintal. Fui tranquilo, sabia que eles estavam no quarto. Na cozinha, os gritos dos amantes se tornam compreensíveis, e era possível ouvir os palavrões, o barulho dos tapas arrebentando, amorosamente, as ancas de alguém no segundo andar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abri a porta lentamente. Os dois caras estavam abraçados, em pleno coito, quando dei uma grava no travesti e apontei o revólver para o nanico. Ele ficou pálido; o travesti, mudo. Meteu a mão, bruscamente, debaixo do travesseiro. Sempre a ideia da arma debaixo do travesseiro. Dei um tiro no peito dele que fez o travesti gritar. Meti uma coronhada no traveco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Baiano manda lembranças”, eu disse.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais um que atravessa para o outro lado da vida contemplando minha Colt 12 milímetros e meu chapéu panamá. O covarde estava de costas, tentando se proteger com um cobertor de lã. A bala estraçalhou seu crânio e espalhou pedaços do seu cérebro na coberta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O travesti estava roendo as unhas. Tinha urinado no carpete. Tremia. Cobria seu pinto, frouxo, com as mãos. Ainda bem que não é uma garota. Nessas horas, eu chego a hesitar. Mas com o travesti, fui sem dó: um na cabeça. Era o puto errado, com o freguês errado, na hora errada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Liguei para o gordo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Pode vir”, mandei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Juntos, reviramos a casa. Tiramos todas as gavetas, pegamos carteira, documentos, drogas, dois passaportes e cinco revólveres. Saímos pelo portão da frente, recolhi a carne envenenada e entramos na camionete.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em frente ao hotel, o gordo me deu um envelope amarelo. Deixei o papel que envolvia a minha pistola no carro dele, cruzei o escuro saguão do hotel sem nada dizer ao atendente e subi as escadas até o terceiro andar. Amanhã será divertido: não gosto de pretos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2510720281868997417?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2510720281868997417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2510720281868997417' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2510720281868997417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2510720281868997417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/01/sussurros-e-gemidos.html' title='Sussurros e gemidos'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-181930146522125064</id><published>2010-01-20T13:59:00.000-08:00</published><updated>2010-01-20T14:10:14.655-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>Na estrada do terror, com Cormac McCarthy</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S1d96erwcNI/AAAAAAAAAKE/wea4A3QVnrI/s1600-h/cormac-mccarthy.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428946319440900306" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S1d96erwcNI/AAAAAAAAAKE/wea4A3QVnrI/s320/cormac-mccarthy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nas tradicionais listinhas de fim de ano, o jornal britânico “The Times” resolveu elencar os cem melhores livros da década. Nada muito fora do comum: Phillip Roth, Ian McEwan, Salman Rushdie e J. M. Coetzee. Estranho foi contemplar, na terceira posição, o best-seller “O Código da Vinci”, de Dan Brown. Irônico é que o mesmo livro foi vencedor em outra categoria: os cinco piores livros da década. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No primeiro lugar, o “The Times” fez justiça apontando “A Estrada”, do norte-americano Cormac McCarthy. Frequentemente comparado a Herman Melville e William Faulkner, McCarthy escreveu uma dezena de romances, entre eles “Onde os velhos não têm vez” (2005), “Todos os belos cavalos” (1992) e “Meridiano sangrento” (1985) – considerado um dos melhores romances do século 20, na opinião do crítico literário Harold Bloom.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Publicado em 2006, vencedor do Prêmio Pulitzer de 2007, “A estrada” é aterrorizante. Não é possível saber em que ano, exatamente, a história se passa. Algumas pequenas marcas de tempo, como uma garrafa de Coca-Cola, indicam que a história não está situada em um passado longínquo. É uma América pós-apocalíptica, em que já não resta quase nada no mundo. Todas as casas e prédios estão abandonados, destruídos. Os supermercados foram saqueados e os poucos vivos que circulam, costumam se alimentar de seres humanos, andando em bandos à procura de carne fresca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O livro, narrado em terceira pessoa, traz basicamente dois personagens, o pai e seu jovem filho – eles não têm nomes. Cormac McCarthy abriu mão de nomeá-los, para que a situação vivida pela dupla seja ainda mais universal. Devido ao intenso frio em que estão vivendo, resolvem seguir a estrada, rumo ao sul, a pé, em busca de uma chance de sobrevivência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que vão encontrar por lá? Gangues, assassinos ou pessoas que, assim como eles, são do bem? Eles não sabem. A dupla carrega um carrinho de compras e duas mochilas com alguns produtos essenciais para garantir, temporariamente, suas vidas. Nas mãos do pai, um revólver com apenas duas balas: uma possível solução para o drama da dupla. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Como a proposta do autor é narrar, em 234 páginas, os meses do percurso dos personagens, McCarthy optou por separar a narrativa em pequenos e médios blocos de texto. Assim, o narrador coordena os momentos em que o tempo avança ou permanece estagnado na história.&lt;br /&gt;Em cada momento em que a dupla identifica uma casa – ou o que sobrou dela –, o clima de suspense desperta. Não é possível continuar seguindo o caminho, sem antes tentar encontrar na residência algo para comer ou algum objeto que possa servir para alguma finalidade. Se a casa ainda estará habitada ou não, é um risco que eles correm.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No primeiro encontro com outro personagem, um integrante de uma gangue canibal, a vida do garoto é posta em risco e o pai faz um disparo contra o inimigo. Resta, então, a partir daí, apenas uma bala para aliviar o sofrimento dos dois, um sofrimento que ainda não chegou no limite.&lt;br /&gt;O desejo pela morte é levado ao extremo em apenas uma cena. Num dos momentos em que vasculham uma casa, pai e filho descobrem uma horripilante prisão de humanos. No mesmo instante, os responsáveis pela casa chegam e os dois fogem sem conseguir salvar os encarcerados. Enquanto permanecem escondidos, o pai pede ao filho que, se forem capturados, ele seja capaz de cometer o suicídio, utilizando a única bala que resta na arma:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;“Você consegue fazer isto? Quando o momento chegar? Quando o momento chegar não vai haver tempo. O momento é agora. Amaldiçoe Deus e morra. E se não disparar? Você poderia esmagar esse crânio adorado com uma pedra? Há um ser dentro de você sobre o qual você não sabe nada? Será possível? Segure-o nos braços. Assim mesmo. A alma é rápida. Puxe-o na sua direção. Beije-o. Rápido.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na estrada de McCarthy, mesmo caminhando no clima de suspense, suportando um frio de congelar a espinha do leitor, os dois personagens conseguem construir uma relação de amor e amizade entre si: é isso o que faz de “A Estrada”, uma obra-prima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;“A Estrada”&lt;/strong&gt;, de Cormac McCarthy (Alfaguara, 234 págs, 36,90). Tradução de Adriana Lisboa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Avaliação: excelente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Publicado em &lt;strong&gt;O Diário&lt;/strong&gt; no dia 16 de janeiro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-181930146522125064?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/181930146522125064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=181930146522125064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/181930146522125064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/181930146522125064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/01/na-estrada-do-terroro-com-cormac.html' title='Na estrada do terror, com Cormac McCarthy'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S1d96erwcNI/AAAAAAAAAKE/wea4A3QVnrI/s72-c/cormac-mccarthy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2672181106631701825</id><published>2010-01-02T13:48:00.000-08:00</published><updated>2010-01-05T14:51:36.367-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Tiro no escuro</title><content type='html'>Saí do Maçã do Amor bem cedo até.&lt;br /&gt;Com a crise ninguém mais quer gozar.&lt;br /&gt;O movimento tava fraco.&lt;br /&gt;Foi depois do último programa que saí.&lt;br /&gt;Acho que por volta das duas da manhã.&lt;br /&gt;Isso naquele sábado amaldiçoado.&lt;br /&gt;O último cliente era um garoto virjão.&lt;br /&gt;Virjão mesmo.&lt;br /&gt;Lembro bem.&lt;br /&gt;Celso.&lt;br /&gt;Brinquei dizendo que era Celsão o garanhão.&lt;br /&gt;Garanhão selvagem.&lt;br /&gt;Magina?&lt;br /&gt;Fiz o programa e em seguida fui embora.&lt;br /&gt;Peguei minha bolsa lá atrás no puxadinho.&lt;br /&gt;Disse tchau pra Aline loira.&lt;br /&gt;O segurança não tava na porta pra me ver sair.&lt;br /&gt;Matraca é o nome dele doutor.&lt;br /&gt;Tava ameaçando chover eu quase chamei o moto taxi.&lt;br /&gt;Mas resolvi economizar.&lt;br /&gt;Olha que azar.&lt;br /&gt;Aí foi bem na esquina que o carro parou do meu lado.&lt;br /&gt;Uma pampa velha toda arrebentada.&lt;br /&gt;Tem cigarro gostosa?&lt;br /&gt;Dois caras lá dentro me encarando.&lt;br /&gt;Olhei atrás pra ver se o Matraca tava por lá.&lt;br /&gt;E pimba!&lt;br /&gt;O passageiro já abriu a porta e veio na minha direção.&lt;br /&gt;Só um cigarro gostosa.&lt;br /&gt;Não tenho seus noia sai daqui porra!&lt;br /&gt;Brilhou o dente de ouro na luz do poste.&lt;br /&gt;Me meteu uma muqueta no meio da boca.&lt;br /&gt;E desmaiei.&lt;br /&gt;Fui ver tava na caçamba com mão pé e boca com fita adesiva.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O que me bateu era um tal de Bode.&lt;br /&gt;O motorista era um tal de Baiano.&lt;br /&gt;Bode e Baiano.&lt;br /&gt;Nessa foto daí é o Bode mesmo.&lt;br /&gt;Não demorei pra acordar não.&lt;br /&gt;O Maçã do Amor fica ali perto do Prever né?&lt;br /&gt;E eles me levaram pra perto do Cesumar naquele prédio vazio lá.&lt;br /&gt;O Bode saiu do carro e abriu o portão.&lt;br /&gt;Os dois riam sempre alto muito alto.&lt;br /&gt;Dava pra ver de longe que tavam loucos.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Falavam de um assalto que tinham feito de tarde naquele dia.&lt;br /&gt;Não sei se isso ajuda.&lt;br /&gt;Parece que tinha dado tudo certo.&lt;br /&gt;Eu era a comemoração deles.&lt;br /&gt;Entramos no prédio.&lt;br /&gt;Tudo vazio com um cachorro latindo.&lt;br /&gt;Bateram no bicho e ele dormiu.&lt;br /&gt;O Baiano disse que ia pegar a algema e o fogo pra me mutilar.&lt;br /&gt;Bem assim mesmo:&lt;br /&gt;Vou mutilar você sua puta velha do carai.&lt;br /&gt;Me espera com o fogo desgraçada.&lt;br /&gt;Meu Deus doutor como eu chorava.&lt;br /&gt;O Bode veio pra cima.&lt;br /&gt;Assim mesmo puta!&lt;br /&gt;Que assim é mais gostoso!&lt;br /&gt;Tentou me beijar.&lt;br /&gt;Cuspi na cara.&lt;br /&gt;Me meteu uma coronhada aqui desse lado.&lt;br /&gt;Putinha difícil você!&lt;br /&gt;Abriu sorrisão.&lt;br /&gt;Meteu a boca no meu pescoço e arrancou minha blusa.&lt;br /&gt;Eu cai não conseguia equilíbrio.&lt;br /&gt;Mas com o pé amarrado ele não conseguia meter.&lt;br /&gt;Tirou o adesivo do meu pé.&lt;br /&gt;Ao invés do pescoço agora me beijava.&lt;br /&gt;Finalmente tirou o revólver do meu corpo e da minha cabeça.&lt;br /&gt;Foi nesse momento que eu aproveitei.&lt;br /&gt;Me joguei no braço dele.&lt;br /&gt;Caímos rolamos no chão frio da construção.&lt;br /&gt;Não sei como a arma foi parar na minha mão.&lt;br /&gt;Nunca fiz um disparo sequer.&lt;br /&gt;Tava escuro demais.&lt;br /&gt;Um tiro só bastou.&lt;br /&gt;Senti que ele me largou.&lt;br /&gt;Não olhe pra trás.&lt;br /&gt;Corri corri corri.&lt;br /&gt;Alcancei a rua.&lt;br /&gt;Eu tava tonta desesperada ainda não sentia dor nenhuma.&lt;br /&gt;Naquela confusão o maldito arrancou um pedaço da minha bochecha pode?&lt;br /&gt;Só fui sentir dor no dia seguinte.&lt;br /&gt;Por sorte o crente tava passando ali mais a esposa.&lt;br /&gt;Esse mesmo.&lt;br /&gt;Juvenal da Silva Dias.&lt;br /&gt;Esqueço o nome de um ou outro peguete.&lt;br /&gt;Aquele ou outro cliente de sempre.&lt;br /&gt;Mas esse jamais.&lt;br /&gt;Eu não sei o que fazer.&lt;br /&gt;Sei que vocês acharam meus papeis bolsa celular enfim tudo lá com o corpo.&lt;br /&gt;Nem sabia que o cara tava morto.&lt;br /&gt;Foi um tiro no escuro.&lt;br /&gt;E ainda consegui salvar a minha vida.&lt;br /&gt;Não tenho dinheiro para pagar um bom advogado.&lt;br /&gt;Mas nunca na minha vida vou achar justo ser julgada por isso.&lt;br /&gt;Legítima defesa doutor.&lt;br /&gt;Eles mesmos disseram.&lt;br /&gt;Iam me mutilar com fogo e tudo mais.&lt;br /&gt;Não tive culpa de acertar.&lt;br /&gt;E também claro não me arrependo.&lt;br /&gt;Se pudesse metia uma bala no Baiano também.&lt;br /&gt;Eu corro risco de ser presa?&lt;br /&gt;Cêis vão conseguir prender o maldito?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2672181106631701825?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2672181106631701825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2672181106631701825' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2672181106631701825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2672181106631701825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2010/01/tiro-no-escuro.html' title='Tiro no escuro'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-727645095164855597</id><published>2009-12-30T07:19:00.000-08:00</published><updated>2009-12-30T08:47:02.250-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>No dia da bimbada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Só queria um trabalho honesto.&lt;br /&gt;Na minha família todos do bem.&lt;br /&gt;Ninguém nunca preso.&lt;br /&gt;Todos honrando o nome.&lt;br /&gt;A tatuagem?&lt;br /&gt;Não é nada não seu moço.&lt;br /&gt;Doutor.&lt;br /&gt;Desculpa.&lt;br /&gt;Fiz há tempo já.&lt;br /&gt;Não sabia que com ela viraria marginal.&lt;br /&gt;Veja meu caso.&lt;br /&gt;Negro.&lt;br /&gt;Anão.&lt;br /&gt;Coxo.&lt;br /&gt;E fanho.&lt;br /&gt;Difícil até de conseguir emprego de entregador.&lt;br /&gt;De ganhar sorriso das mulheres.&lt;br /&gt;Com a tatoo queria ser galã sabe?&lt;br /&gt;Fiquei sem emprego.&lt;br /&gt;E o cara ainda cagou na tatuagem ó que horror.&lt;br /&gt;Nunca paguei pra comer alguém seu doutor.&lt;br /&gt;Essa daí nunca ouvi falar.&lt;br /&gt;Nunca comi uma puta.&lt;br /&gt;Se comesse eu pagava claro.&lt;br /&gt;Tá me acusando injustamente essa mulher doutor.&lt;br /&gt;Eu trabalhei naquela esquina sim.&lt;br /&gt;Tomador de conta de carro com muito orgulho.&lt;br /&gt;Tem que ir cedo.&lt;br /&gt;Senão pegam teu lugar.&lt;br /&gt;Como não sou de briga bem cedo chego.&lt;br /&gt;E tenho que defender meu posto né?&lt;br /&gt;Um amigo disse não vá.&lt;br /&gt;Que tá violento pacas.&lt;br /&gt;E nego morre de bobeira tomando conta de carro.&lt;br /&gt;Mas eu já disse queria trabalho honesto.&lt;br /&gt;Era o meu terceiro dia lá.&lt;br /&gt;Fui na sexta.&lt;br /&gt;De boa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um gordo apareceu.&lt;br /&gt;Gordo pra cacete.&lt;br /&gt;Barbudo.&lt;br /&gt;Feio.&lt;br /&gt;Feio que nem o cão.&lt;br /&gt;Fedido.&lt;br /&gt;Ensebado.&lt;br /&gt;Bafão também.&lt;br /&gt;Ficou bem na minha frente.&lt;br /&gt;De costa.&lt;br /&gt;Daí eu disse meu irmão essa esquina daqui já tem dono carai.&lt;br /&gt;Tem que ser macho senão dá treta doutor.&lt;br /&gt;Ele virou.&lt;br /&gt;Me olhou sério avançou um passo.&lt;br /&gt;Levantei.&lt;br /&gt;Ele tava com camisa escrita Sepultura.&lt;br /&gt;Eu louco de encarar o figura?&lt;br /&gt;O anão mais corajoso de Maringá?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Eu só queria meu trabalho honesto.&lt;br /&gt;Daí me olhou encarou e riu.&lt;br /&gt;Riu de mim com todos os dentes.&lt;br /&gt;Não entendi.&lt;br /&gt;Acho que gostou da minha coragem.&lt;br /&gt;O gordo do metal caiu fora sem me fazer mal.&lt;br /&gt;Ah se fazia!&lt;br /&gt;Me estraçalhava ali mesmo.&lt;br /&gt;Fiquei um pouco com medo.&lt;br /&gt;Mas não voltou lá não.&lt;br /&gt;Nem no sábado ainda bem.&lt;br /&gt;Naquele dia espantei uma velha.&lt;br /&gt;Espantei não.&lt;br /&gt;A rua ali é grande.&lt;br /&gt;Que ela ficasse na rua de trás.&lt;br /&gt;Ela olhou no meu olho.&lt;br /&gt;Disse não seu puto anão escroto do caralho.&lt;br /&gt;Eu bater na velha?&lt;br /&gt;Jamais.&lt;br /&gt;Mas ela tava querendo porrada.&lt;br /&gt;Ah se tava.&lt;br /&gt;Veio pra cima e segurei com os dois braços.&lt;br /&gt;Tentou um chute a velha.&lt;br /&gt;Daí eu falei isso mesmo.&lt;br /&gt;Senhora não posso te bater que eu só quero trabalho honesto.&lt;br /&gt;Expliquei que tava ali desde ontem e que não tinha visto ninguém ali.&lt;br /&gt;Ela ficou de boa.&lt;br /&gt;Foi pra rua de trás sem reclamar só depois que viu minha tatoo.&lt;br /&gt;Mas saiu jurando minha morte e riu disse que eu voltasse amanhã anão escroto.&lt;br /&gt;Agora o domingo foi tranquilo.&lt;br /&gt;Aliás nem deveria ter ido.&lt;br /&gt;Pouco movimento.&lt;br /&gt;Só compensa de tarde.&lt;br /&gt;Como espanquei essa moça se eu nem tava lá?&lt;br /&gt;Ela diz que fez o programa comigo às quatro né?&lt;br /&gt;Pois é.&lt;br /&gt;Como se três horas da manhã eu já tava em casa?&lt;br /&gt;Moro no Tabaetê.&lt;br /&gt;Três ruas pra cima do Bar do Moacir.&lt;br /&gt;Tenho conta lá.&lt;br /&gt;Todo mundo me conhece.&lt;br /&gt;Só posso dizer que não bati nunca em ninguém.&lt;br /&gt;Não conheço essa prostituta.&lt;br /&gt;Nunca vou comer uma.&lt;br /&gt;Nunca precisei pagar.&lt;br /&gt;Incrível isso acontecer bem no dia que conheci uma garota.&lt;br /&gt;Dei uma bela bimbada.&lt;br /&gt;No meio da rua.&lt;br /&gt;Pra você ver que não sou tão feio como dizem.&lt;br /&gt;Gostosona de saia e decote.&lt;br /&gt;Chupei todinha.&lt;br /&gt;Não jamais estupro nunca.&lt;br /&gt;Tava andando lá perto do bairro doutor.&lt;br /&gt;Tô falando mais que a verdade.&lt;br /&gt;Que essa moça me encarou virou quando eu virei me deu olhar de desejo!&lt;br /&gt;Cê não iria?&lt;br /&gt;Sei que é crime sexo na rua.&lt;br /&gt;Mas tô falando que como ia bater na puta?&lt;br /&gt;Se eu nem tava no local?&lt;br /&gt;Eu tava é com a gostosona!&lt;br /&gt;Como?&lt;br /&gt;Não sei se era maior de idade.&lt;br /&gt;Deve ser.&lt;br /&gt;Não conheço.&lt;br /&gt;Não sei nome.&lt;br /&gt;Sem telefone também.&lt;br /&gt;Estupro não não não não não não não foi isso não meu Deus.&lt;br /&gt;Alguém!&lt;br /&gt;Cêis não tão entendendo!&lt;br /&gt;Não foi contra a vontade dela não minha nossa tô falando a verdade nada mais que a verdade por favor me ouçam não espanquei não bati em puta nenhuma mas dei uma bimbada rapidinha mesmo no meio da rua pergunta no Bar do Moacir pelo amor de doutor como eu posso ser criminoso se tava falando aqui por favor não me levem não me levem calma tá doendo não espanquei ninguém calma não prende assim não nem estuprei meu Deus não cuidado ai com a algema não me levem não me&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-727645095164855597?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/727645095164855597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=727645095164855597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/727645095164855597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/727645095164855597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/12/no-dia-da-bimbada.html' title='No dia da bimbada'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1857475730075554059</id><published>2009-12-15T14:05:00.000-08:00</published><updated>2009-12-15T14:08:52.828-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Fogueira de Deus</title><content type='html'>Jesus me levou tudo.&lt;br /&gt;Nunca mais devolveu.&lt;br /&gt;Nadinha.&lt;br /&gt;Primeiro foi a casa.&lt;br /&gt;Dois quartos um banheiro grande quintal e puxadinho.&lt;br /&gt;Eu não queria dar não.&lt;br /&gt;Mas eles pediram tão alto né?&lt;br /&gt;Daí tinha que dar sim.&lt;br /&gt;Sai do banco que dividia com minha mulher e outros seis fiéis.&lt;br /&gt;Ela segurava minha mão forte e quase não soltou quando levantei.&lt;br /&gt;Bem sabia que eu tava indo pro mal caminho.&lt;br /&gt;Senão eu não tava aqui né?&lt;br /&gt;Mulher sábia.&lt;br /&gt;Lá na frente o pastor chamava né.&lt;br /&gt;Que a gente precisava pagar a viagem pra eles rezarem no nome de todo mundo na frente do muro.&lt;br /&gt;Não lembro o nome dele.&lt;br /&gt;Não do pastor.&lt;br /&gt;O nome do muro.&lt;br /&gt;Mas por que viajar tão longe só pra rezar na frente do muro né?&lt;br /&gt;Aqui já não tem o bastante?&lt;br /&gt;Cachorro não mija naquele muro não?&lt;br /&gt;Pedi licença pra senhora do meu lado.&lt;br /&gt;Oitenta anos tadinha.&lt;br /&gt;Deu o que tinha.&lt;br /&gt;Até os brincos o pastor pediu.&lt;br /&gt;Eu mesmo queria ir embora.&lt;br /&gt;Mas não podia sair no meio de todo mundo né?&lt;br /&gt;O que iam pensar de mim?&lt;br /&gt;Filho de satanás?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Não queria a oração deles?&lt;br /&gt;Traindo Jesus de novo Juvenal?&lt;br /&gt;E se eles perguntassem isso?&lt;br /&gt;Fui tremendo.&lt;br /&gt;Lá na frente o pastor não me olhava.&lt;br /&gt;Botou os olhos pra cima da minha cabeça.&lt;br /&gt;E lá as duas mãos.&lt;br /&gt;E a sua casa Juvenal?&lt;br /&gt;Aquela que eu benzi eu mais o Senhor?&lt;br /&gt;Vamos colocar ela aqui no nome do Senhor Juvenal!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Vamos? Vamos? Vamos Juvenal!&lt;br /&gt;Vamos não.&lt;br /&gt;Pensei mas não consegui falar.&lt;br /&gt;Então ele olhou sorriu e começou a gritar palmas pro Juvenal que agora será abençoado até na vida eterna pra todo sempre irmãos amém!&lt;br /&gt;E todo mundo me aplaudia.&lt;br /&gt;A velha sem brinco sorria.&lt;br /&gt;Quando eu tava voltando pro meu lugar com as pernas bambas tremia como nunca doutor.&lt;br /&gt;Ele me puxou de novo.&lt;br /&gt;Juvenal e o seu carro Juvenal?&lt;br /&gt;Eu tentava achar minha mulher mas tinha um velho bem na frente.&lt;br /&gt;O velho me olhava com amor saindo olhos azuis como os da minha mãe.&lt;br /&gt;Juvenal dê o seu carro a Jesus Juvenal!&lt;br /&gt;Não meu carro não pastor respondi bem baxinho.&lt;br /&gt;Juvenal cê não precisa disso Juvenal!&lt;br /&gt;Não deixe o Satanás te guiar Juvenal!&lt;br /&gt;Que cê vai ter em dobro irmão!&lt;br /&gt;Tudo em dobro em nome de Jesus!&lt;br /&gt;Daí cê viu né?&lt;br /&gt;As quarenta pessoas me aplaudindo de novo e chorando.&lt;br /&gt;Mas quem chorava no fundo era eu.&lt;br /&gt;Como eu ia pro trabalho?&lt;br /&gt;Toda manhã de carona com Jesus?&lt;br /&gt;Desespero muito sim.&lt;br /&gt;Acho que nunca suei tanto doutor.&lt;br /&gt;O pastor me empurrou pra mesinha do lado.&lt;br /&gt;Onde sentava uma moça muito bonita e atenciosa.&lt;br /&gt;É Juvenal do quê?&lt;br /&gt;Aquele perfume o sorriso eu nunca esqueço.&lt;br /&gt;Juvenal da Silva Dias.&lt;br /&gt;Pediu meu documento.&lt;br /&gt;Tirei do bolso da calça.&lt;br /&gt;Essa mesma que eu tô usando.&lt;br /&gt;Ela anotou umas coisas lá.&lt;br /&gt;E me deu um papel pra escrever o nome e RG.&lt;br /&gt;Ai o pastor já tava do meu lado.&lt;br /&gt;E começou a gritar tudo de novo.&lt;br /&gt;Que Juvenal a gente tem que rezar pra todos no muro e pôr as orações lá.&lt;br /&gt;E que pra ir no muro tem avião hotel passagem conta de luz que tá atrasada a tinta que tem que pintar o salão a água.&lt;br /&gt;E que eu e todo mundo que doasse ia receber em dobro ainda em vida!&lt;br /&gt;Tudo em sete meses!&lt;br /&gt;Bem no tempo que sempre foi do Criador!&lt;br /&gt;Quando terminei de assinar ele mandou todo mundo aplaudir.&lt;br /&gt;E chamou uma outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A sensação?&lt;br /&gt;De liberdade doutor.&lt;br /&gt;Sai a pressão do mundo e da situação né?&lt;br /&gt;Não deram só carro e casa não.&lt;br /&gt;Eles aceitavam de tudo.&lt;br /&gt;Quem não tinha casa dava microondas computador tevê tênis o brinco que a senhora deu e que eu já disse.&lt;br /&gt;Minha mulher desmaiou no meio do culto.&lt;br /&gt;Calor infernal o daquela fogueira.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Fomos pra casa.&lt;br /&gt;Mas já tinha gente da igreja lá.&lt;br /&gt;Três homens fortes que nunca vi.&lt;br /&gt;Mostravam o papel com meu nome e número.&lt;br /&gt;Implorei por Jesus e por um banho.&lt;br /&gt;Depois de muito insistir deixaram.&lt;br /&gt;Mas não pude tocar nem pegar em nada.&lt;br /&gt;Tomei banho com o cara sentado na patente.&lt;br /&gt;Eu e Marlene fomos pra casa do meu irmão que é cafetão doutor.&lt;br /&gt;Cuida de prostitutas mas é bom homem.&lt;br /&gt;Mas não quero perto da minha família.&lt;br /&gt;Não gosto dele.&lt;br /&gt;Não segue as regras de Jesus.&lt;br /&gt;Uma prova?&lt;br /&gt;A única coisa que tenho é isso aqui ó.&lt;br /&gt;Esse papel dizendo que um pedaço do céu é meu.&lt;br /&gt;Aqui embaixo assinado pelo Senhor Jesus Cristo.&lt;br /&gt;Perdi o emprego porque não tinha o carro.&lt;br /&gt;Sem carro não Juvenal.&lt;br /&gt;Nem quiseram ouvir sobre o dia da fogueira santa.&lt;br /&gt;Logo você Juvenal?&lt;br /&gt;Ninguém foi rezar por mim em nenhum lugar.&lt;br /&gt;Faz oito meses já.&lt;br /&gt;Enganado sim feito idiota.&lt;br /&gt;Que eu faço com esse papel aqui?&lt;br /&gt;Sem casa carro nem oração?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1857475730075554059?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1857475730075554059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1857475730075554059' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1857475730075554059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1857475730075554059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/12/fogueira-de-deus.html' title='Fogueira de Deus'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-5926243062855741202</id><published>2009-12-11T10:58:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T08:02:53.083-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Por causo de amor</title><content type='html'>Como matei meu marido?&lt;br /&gt;Que absurdo doutor.&lt;br /&gt;Não aguento mais chorar.&lt;br /&gt;Repito sim.&lt;br /&gt;Só posso tirar o chinelo?&lt;br /&gt;Meu pé ta coçando bem na sola.&lt;br /&gt;Acho que é frieira.&lt;br /&gt;Coça o dia todo ó.&lt;br /&gt;Esfolado quase sangrando.&lt;br /&gt;Minha história com o Baiano não foi bem assim como tão dizendo.&lt;br /&gt;Eu amava o pai dos meus filhos.&lt;br /&gt;Mesmo com quase um ano sem sexo.&lt;br /&gt;Na última vez foi meu presente de natal.&lt;br /&gt;Nesse ano nem isso.&lt;br /&gt;Cada vez mais frio distante.&lt;br /&gt;Daí começou a beber.&lt;br /&gt;Me batia na segunda terça quarta quinta.&lt;br /&gt;Com pausa na sexta.&lt;br /&gt;Recomeçava tudo no sábado quando falava com uma vadia no celular.&lt;br /&gt;Nunca descobri quem era.&lt;br /&gt;Um dia ouvi chamar de meu amor.&lt;br /&gt;Filho da puta.&lt;br /&gt;Me proibiu de usar saia.&lt;br /&gt;Obrigada a sair de casa com blusa até nos dias mais quentes.&lt;br /&gt;E ai se olhasse pro lado.&lt;br /&gt;Lá vinha a mão pesada no meu dorso no meio da rua no supermercado em frente ao Bar do Moacir.&lt;br /&gt;Decote?&lt;br /&gt;Queimou todas as blusinhas num domingo depois do jogo do Santos.&lt;br /&gt;Rindo alto barriga de fora as crianças assustadas.&lt;br /&gt;Dois meninões todo meu orgulho.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pra comemorar os sete anos de casada fiz surpresa.&lt;br /&gt;Depois do trabalho voltei com as unhas pintadas de vermelho.&lt;br /&gt;E pimba!&lt;br /&gt;Me bateu com a vara de pescar na área de serviço.&lt;br /&gt;Quando casamos ele adorava minhas unhas assim.&lt;br /&gt;Agora dizia que era de puta vadia biscate.&lt;br /&gt;As marcas do molinete até hoje aqui na minha coxa ó doutor.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O senhor já apanhou de vara?&lt;br /&gt;Sabe como doi?&lt;br /&gt;Eu sei.&lt;br /&gt;Depilação sorvete no shopping andar no Parque do Ingá atravessar o portão de casa.&lt;br /&gt;Ele proibiu tudo.&lt;br /&gt;Com ciúmes até do carteiro Valdemar.&lt;br /&gt;Um homem tão bom de conversa e conselho.&lt;br /&gt;Minha vida foi isso um ano.&lt;br /&gt;Longe das amigas que escreviam bilhetes e jogavam pelo terreno baldio atrás da nossa casa.&lt;br /&gt;Eu sei que tem essa lei doutor da mulher.&lt;br /&gt;Mas nunca aconteceu com você.&lt;br /&gt;Cê não sabe o que é isso não.&lt;br /&gt;Com todo o perdão.&lt;br /&gt;O inferno te consome.&lt;br /&gt;Tendo que fazer tudo escondido inclusive as compras pros almoços né?&lt;br /&gt;Senão ele me batia porque não tinha feito a bóia.&lt;br /&gt;Mas se eu fazia me batia também porque saia de casa.&lt;br /&gt;E ficava perguntando como me enganava.&lt;br /&gt;Que horas eu saia.&lt;br /&gt;Se eu ia com alguém.&lt;br /&gt;Me enganando a vida toda desgraçada?&lt;br /&gt;Tentei a morte quatro vezes.&lt;br /&gt;Todas nesse ano.&lt;br /&gt;As duas primeiras com estilete.&lt;br /&gt;A terceira engoli as pilhas que você já me lembrou bem antes.&lt;br /&gt;Pra sair um horror né.&lt;br /&gt;Nunca mais.&lt;br /&gt;Depois tentei o atropelamento que também não deu certo.&lt;br /&gt;Não é muito fácil suicídio em Maringá.&lt;br /&gt;Como acusada de assassina se nem eu mesma consigo me matar?&lt;br /&gt;Mas o senhor veja.&lt;br /&gt;Tô aqui repetindo meu amor.&lt;br /&gt;Continuei um ano com ele doutor por causo de amor.&lt;br /&gt;Acreditava de verdade que aquele homem voltaria pra mim.&lt;br /&gt;Nunca vi igual na cama.&lt;br /&gt;Um fogo uma coisa.&lt;br /&gt;Sempre disposto.&lt;br /&gt;Vamos dar uma bimbada?&lt;br /&gt;E ai vinha aquela covinha bonita que eu casei.&lt;br /&gt;Mas depois parou o sexo.&lt;br /&gt;E começou a pancadaria.&lt;br /&gt;Não que deixei de amar não.&lt;br /&gt;Sempre acreditei que o Baiano ia melhorar.&lt;br /&gt;O senhor sabe.&lt;br /&gt;Duas vezes já repeti isso nessa sala.&lt;br /&gt;Sofri aqui dentro ó.&lt;br /&gt;Mas isso não dá pra ver né?&lt;br /&gt;Nem dá prá colocar ai no BO.&lt;br /&gt;Também não ia caber no papel.&lt;br /&gt;O maior amor do mundo.&lt;br /&gt;Pode acreditar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-5926243062855741202?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/5926243062855741202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=5926243062855741202' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5926243062855741202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5926243062855741202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/12/por-causo-de-amor.html' title='Por causo de amor'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1466319656595780866</id><published>2009-12-07T11:58:00.000-08:00</published><updated>2009-12-11T12:04:27.149-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Neguinha minha!</title><content type='html'>Aquele anão me deu um frio na espinha.&lt;br /&gt;Bem ali na frente do Bar do Vermelho.&lt;br /&gt;Andava rápido mancando.&lt;br /&gt;A perna direita dez centímetros menor.&lt;br /&gt;Mais três quadras eu já taria em casa.&lt;br /&gt;Ai azar meu.&lt;br /&gt;Devia ter voltado com o Luiz não de ônibus.&lt;br /&gt;Ninguém na rua numa hora dessa.&lt;br /&gt;Madrugada em Maringá vazia sem gente nem proteção.&lt;br /&gt;Braços fortes de homem de verdade.&lt;br /&gt;Negro quase azul.&lt;br /&gt;Se eu mudo de calçada a coisa piora?&lt;br /&gt;Continuo no passo apertado.&lt;br /&gt;Bem do meu lado ele passa rápido.&lt;br /&gt;Nem olhou pro meu vestido novo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vermelho decotado bem curtinho.&lt;br /&gt;Como pode?&lt;br /&gt;Tão bem sucedida em qualquer lugar?&lt;br /&gt;Ali sozinha nem ao menos uma espiadinha?&lt;br /&gt;Anão veado?&lt;br /&gt;Curiosa que só virei depois.&lt;br /&gt;E pimba!&lt;br /&gt;Ele virou também.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sorriso de veado aquilo nunca.&lt;br /&gt;Macho pra danar isso sim.&lt;br /&gt;Olhar de desejo tesão e bebida.&lt;br /&gt;Fiquei quente deu medo.&lt;br /&gt;Voltei pro meu passo desviando das árvores.&lt;br /&gt;Já ouvia ele tropeçando agora pra perto de mim.&lt;br /&gt;Neguinha minha!&lt;br /&gt;Além de anão manco ainda por cima fanho.&lt;br /&gt;Como me alcançou tão rápido?&lt;br /&gt;Já me puxou pelo braço.&lt;br /&gt;Me encostou numa parede.&lt;br /&gt;Eu fraca com dó dele?&lt;br /&gt;Um chute apenas bastaria.&lt;br /&gt;As pernas chacoalhando de um lado pro outro.&lt;br /&gt;Um frio na espinha quente se espalhando pelo corpo.&lt;br /&gt;Como sem reação?&lt;br /&gt;Quente quase com febre.&lt;br /&gt;Aqueles dedinhos passando na minha perna por dentro e por fora.&lt;br /&gt;Encostada firme contra a parede áspera.&lt;br /&gt;Com os dedos chegou até a barriga.&lt;br /&gt;Nunca senti igual.&lt;br /&gt;Me mandou abaixar.&lt;br /&gt;Eu obedeci.&lt;br /&gt;Ele começou a lamber meu decote.&lt;br /&gt;Olhava alucinado.&lt;br /&gt;Não sabia mais onde enfiar a mão.&lt;br /&gt;Tentaria meu ouvido meu umbigo?&lt;br /&gt;Eu puxava o cabelo dele pra trás.&lt;br /&gt;Lambeu meu dois mamilos durinhos durinhos durinhos.&lt;br /&gt;Um relevinho surgiu na calça dele.&lt;br /&gt;Entrou debaixo do vestido.&lt;br /&gt;Apoiando nas minhas pernas lambia toda minha intimidade.&lt;br /&gt;Primeiro na frente.&lt;br /&gt;Depois atrás.&lt;br /&gt;Ficou assim bem gostoso.&lt;br /&gt;Minha mão no corpo dele.&lt;br /&gt;A língua e os dedinhos dele em mim.&lt;br /&gt;E pimba!&lt;br /&gt;Ele foi eu fui também.&lt;br /&gt;Me deu um beijo na bunda do lado esquerdo.&lt;br /&gt;Fechou o zíper.&lt;br /&gt;Saiu mancando sem olhar pra trás.&lt;br /&gt;Deve morar aqui por perto no Tabaetê.&lt;br /&gt;Em casa liguei pro Luiz.&lt;br /&gt;Boa noite amor te amo cheguei bem em casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1466319656595780866?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1466319656595780866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1466319656595780866' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1466319656595780866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1466319656595780866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/12/neguinha-minha.html' title='Neguinha minha!'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1828416055137393281</id><published>2009-12-06T11:46:00.000-08:00</published><updated>2009-12-07T19:59:33.139-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Sorriso do demônio</title><content type='html'>Minha vida arruinada.&lt;br /&gt;Não fosse a força do pastor Messias que evitou o suicídio.&lt;br /&gt;Lendo a palavra ao lado da minha caminha.&lt;br /&gt;Vem às nove da manhã bem cedinho.&lt;br /&gt;Volta no por do sol antes de ir pro culto.&lt;br /&gt;Mas Jesus me compreende.&lt;br /&gt;Não posso andar.&lt;br /&gt;Cê tá vendo?&lt;br /&gt;Envergonhado até o último suspiro.&lt;br /&gt;Dos amigos recebo todo o apoio.&lt;br /&gt;A minha vergonha eterna ao entrar no HU.&lt;br /&gt;Jamais esquecerei.&lt;br /&gt;Escoltado pela polícia.&lt;br /&gt;Mancando feito doente.&lt;br /&gt;Minha bermuda laranja toda ensanguentada na parte de trás.&lt;br /&gt;Dói só de lembrar.&lt;br /&gt;Só uma coisa da polícia.&lt;br /&gt;Me trataram muito bem.&lt;br /&gt;Me levaram no carro de sirene tocando desrespeitando sinal.&lt;br /&gt;A urgência do caso né?&lt;br /&gt;Do ponto de ônibus pro Hospital.&lt;br /&gt;Mas sumiram com 50 reais.&lt;br /&gt;Meu vale refeição e celular.&lt;br /&gt;Ainda bem deixaram meu passe de ônibus e documento.&lt;br /&gt;Tudo dentro da bermuda laranja.&lt;br /&gt;No bolso fechado com zíper.&lt;br /&gt;Nunca mexi com ninguém.&lt;br /&gt;Namoro sério o Baiano.&lt;br /&gt;Não queria que aparecesse ai no papel.&lt;br /&gt;Sério casado tá pra separar da mulher.&lt;br /&gt;Vamos viver juntos e felizes aqui no Jardim Tabaetê.&lt;br /&gt;No ponto de ônibus chegou o desgraçado.&lt;br /&gt;Queria saber meu nome e de onde eu era.&lt;br /&gt;Não dei papo.&lt;br /&gt;O ponto vazio ninguém às cinco e pouco.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pego sempre o 335 ali.&lt;br /&gt;Saio da frente do Avenida Center e paro no Cesumar.&lt;br /&gt;Daí venho andando até aqui em casa.&lt;br /&gt;Sou fiel sabe?&lt;br /&gt;E insistia.&lt;br /&gt;Que eu era lindo.&lt;br /&gt;Veio me pegando.&lt;br /&gt;Me agarrou e lascou um beijo quase na boca.&lt;br /&gt;Não faz meu tipo não.&lt;br /&gt;Falando bem da minha camisa cavada.&lt;br /&gt;Voz baixa grave de sedutor.&lt;br /&gt;De que vale a vida sem fidelidade?&lt;br /&gt;Amo Baiano meu namorado:&lt;br /&gt;Na vida um príncipe.&lt;br /&gt;Na cama um animal.&lt;br /&gt;Sou incapaz de qualquer traição.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Empurrei sim.&lt;br /&gt;Disse que não jamais se afaste seu puto.&lt;br /&gt;Cê podia imaginar.&lt;br /&gt;Ó como tá escuro aqui doutor.&lt;br /&gt;Essa é do primeiro chute.&lt;br /&gt;A marca do coturno pesado preto feito a morte.&lt;br /&gt;Cai no chão.&lt;br /&gt;Pulava em cima de mim feito louco.&lt;br /&gt;Gritei por Jesus Nossa Senhora São Mateus.&lt;br /&gt;Me chamava de masoquista.&lt;br /&gt;Eu desesperado iria morrer ali?&lt;br /&gt;Olha aqui na costa o estrago.&lt;br /&gt;Marcas que não saem tão fácil doutor.&lt;br /&gt;Quando eu achei que era o fim do inferno.&lt;br /&gt;Surgiu então o demônio.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Gordo de camiseta preta com estampa do capeta.&lt;br /&gt;Barba grande cortada com navalha.&lt;br /&gt;Cabelo grande ensebado um nojo.&lt;br /&gt;O que seria de mim?&lt;br /&gt;Me puxou pra cima na cara dele.&lt;br /&gt;Senti a barba roçando a minha fuça.&lt;br /&gt;O banguelo sorriso do demônio.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Já tinha uns carros parados no ponto de ônibus.&lt;br /&gt;Todo mundo gritava.&lt;br /&gt;Eu não conseguia escutar nada.&lt;br /&gt;Me jogou no chão.&lt;br /&gt;Ele ia pisar em mim não!&lt;br /&gt;Arrancou minha bermuda ali mesmo.&lt;br /&gt;O pessoal do carro sorria batia palma.&lt;br /&gt;Me ajuda! Me ajuda!&lt;br /&gt;Era o cão em todos eles!&lt;br /&gt;Meu dia tinha chegado.&lt;br /&gt;Pai nosso que estás no céu santificado seja o vosso nome venha a nós o vosso reino.&lt;br /&gt;No meio da oração achei que tava sendo estuprado pelo gordo.&lt;br /&gt;Doeu doeu doeu.&lt;br /&gt;Sentia o sangue saindo da minha bunda.&lt;br /&gt;Aquilo não era um pinto jamais não.&lt;br /&gt;Um pedaço de madeira todo enfiado em mim.&lt;br /&gt;Sem dó nem lubrificação.&lt;br /&gt;Que eu desmaiei.&lt;br /&gt;Ainda bem esses anjos passaram ali e me botaram no carro da polícia.&lt;br /&gt;Me ajudaram no hospital.&lt;br /&gt;São homens de Deus.&lt;br /&gt;Salvaram minha vida.&lt;br /&gt;Minha honra.&lt;br /&gt;O queria de mim sem eles?&lt;br /&gt;Minha situação tá difícil.&lt;br /&gt;É remédio remédio remédio e café pras visitas.&lt;br /&gt;Sei que é pedir muito.&lt;br /&gt;Mas tem como eu ter meu dinheiro de volta doutor?&lt;br /&gt;E meu celular?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1828416055137393281?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1828416055137393281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1828416055137393281' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1828416055137393281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1828416055137393281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/12/sorriso-do-demonio.html' title='Sorriso do demônio'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4820918426063042736</id><published>2009-12-03T06:23:00.000-08:00</published><updated>2009-12-03T06:49:23.431-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Desgraça</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando mudamos para essa casa, nossa família estava em luto. O acidente envolvendo um caminhão e o nosso carro resultou na morte de Amélia, minha irmã mais nova, e matou um pouco de todos nós também.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A nova casa era grande o suficiente para minha mãe, meu pai e eu enterrarmos as lembranças nos cômodos, ainda vazios de móveis e alegria. No primeiro dia, com a bagunça dos objetos todos espalhados, minha mãe me chamou ao portão e apontou para uma garota loira que caminhava no meio da rua, empurrando um garoto sentado em uma cadeira de rodas. Daquele momento em diante, eu estava proibido de fazer amizade com a “doidinha” – o termo era de minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante as refeições, os únicos momentos em que nós três nos reuníamos, ninguém fazia comentários sobre Amélia. Lágrimas, apenas as discretas, no banheiro, com o chuveiro ligado. Na prece das refeições, eu segurava, pela primeira vez, a palma de minha mãe durante a oração, pois eu assumia o posto de Amélia, bem ali, entre os nossos pais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Eu tinha quatorze anos, e minha missão era viver sem considerar a existência daquela inofensiva vizinha de aproximadamente trinta anos. Pela manhã, ela ajudava sua mãe nas tarefas domésticas. À tarde, no sábado, saía para caminhar com seu filho de oito anos, sentado na cadeira de rodas, vítima de paralisia cerebral. Quando passava em frente à nossa casa, encostava a cadeira próxima à calçada e, enquanto tentava espiar os novos vizinhos, disfarçava, mexendo nos embrulhos e na sacola com bolacha Maizena. Apenas quando o filho se retorcia na cadeira de rodas, abrindo a boca, torcendo o pescoço, com os olhos fechados firmemente, a doidinha levantava do meio-fio e voltava a empurrar a cadeira, agora em direção ao portão entreaberto.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos fins de semana, eles recebiam inúmeros parentes e amigos da mesma igreja. Todos frequentavam a Catedral. Para minha surpresa, descobri que a doidinha possuía uma irmã gêmea, que a visitava pelo menos uma vez por mês, aqui no bairro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As irmãs não viviam juntas. A outra morava em Cruzeiro do Oeste, uma pequena cidade aqui perto, junto com a família de um dos tios. Ela era um pouco mais velha, seu cabelo não era tão loiro quanto ao cabelo da doidinha. Era desbotado, entre o cinza e o bege. Caminhavam juntas, pelo meio da rua, porque os terrenos à venda, cheios de grama, pedras e pedreiros, impossibilitam o trajeto dos transeuntes. Ao mesmo tempo empurrando o carrinho, elas pareciam felizes, despreocupadas com a ausência do pai da criança ou com a chuva que já começava naquele sábado. Foi quando ouvi, pela primeira vez, a voz da doidinha, que apontava para o ceu:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“É chuva, vai molhar tudo lá, ó. Depois vem arco-íris”, disse, dirigindo-se à irmã.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em seguida, foram embora, esquecendo de fechar o portão, que permaneceu escancarado até a chegada da mãe das doidinhas, por volta das oito horas da noite. Fiquei com medo, porque Maringá está cada vez mais violenta e, afinal, elas estavam sozinhas, desprotegidas e começava a anoitecer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao contrário da previsão, não choveu nem teve arco-íris. Ao encontrar a casa toda escura, à noite, exposta aos ladrões, a velha começou a gritar de dentro do carro, antes mesmo de estacioná-lo na garagem. Furiosa, arrancava dos pulmões uma voz grave e xingava Leonora – era esse o nome da doidinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Vagabunda”, “louca”, “biscate”, “safada” e “irresponsável” eram emitidos na medida em que tapas arrebentavam seu rosto cadavérico e seu corpo magro, como eu bem ouvia do meu quarto. A doidinha preferia o silêncio, mesmo assim, não controlava os gemidos que lhe fugiam das entranhas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante cinco dias, não saiu de casa. A irmã foi embora, sorrindo, entre acenos e resmungos. Na minha semana de férias, troquei minhas diversões com os amigos, para escutar cada passo da doidinha. Eu sabia quando ela iria lavar e secar a roupa, ajeitar a cozinha, a louça, limpar os banheiros e o quintal. E imaginava cada cena com diversos detalhes. Ela deveria vestir um pijama branco, surrado, com detalhes vermelhos e amarelos, mangas arregaçadas, velha pantufa de elefante nos pés.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Numa manhã, acordei com mais uma surra. Desta vez, tão perto que permaneci imóvel, debaixo da coberta, um pouco assustado. Provavelmente escorada contra o muro que separa nossas casas, que fica na frente do meu quarto, a doidinha soluçava, pedindo perdão, repetidamente. Era a única coisa que ela dizia baixinho:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Perdão.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com uma cinta, ou algo do tipo, talvez uma vara, a velha dava a sua lição, berrando, esfregando a cara da doidinha no muro, e ameaçando de “estourar suas costas e o seu coro cabeludo, sua sem vergonha”. O motivo? Furtar um pacote de Maizena da despensa, escondê-lo no armário e devorá-lo sozinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Exausta, a velha ordenou calmamente:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Agache, diabo negro do inferno. De joelhos, agora.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Perdão.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“De joelhos, cadela! De joelhos!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Perdão, perdão.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Tira a blusa, vai! Tira a calça, sem vergonha!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu só ouvia o riso baixinho da velha. Colado no muro, não entendia mais nada, porque, de repente, um hino de louvor começou a tocar no rádio deles, no volume máximo que as caixas de som suportavam. O coral repetia exaustivamente “Cristo vai voltar, Cristo vai voltar”, enquanto meu pau ficava duro, latejando, com uma fome que eu nunca sentira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A música só parou por volta das onze da manhã – quase duas horas depois –, porque o tio chegou com o filho da doidinha e tocou a campainha para a velha ajudá-lo a descarregar a criança do carro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentei avisar meus pais, naquela noite, mas os dois perderam o interesse pelos detalhes, ao notar minha empolgação, como se a alegria, naquela casa, estivesse exilada em outro continente, por tempo indeterminado. Talvez imaginassem que aquilo não passasse de uma história para ser contada durante a refeição, apenas para quebrar o silêncio constrangedor entre as nossas garfadas e os pedidos para alcançar o sal. Minha mãe andava, de fato, esquecendo-se de acrescentar sal à comida, e meu pai verbalizou sua crítica, finalmente, com delicadeza:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Querida, está faltando um pouquinho de sal.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O suficiente para minha mãe desabar em lágrimas e arremessar um dos copos de cristal na parede, no centro de um imenso pôster do Guernica, que ficava no local onde todas as mães dos meus amigos penduravam alguma imagem da Santa Ceia ou de Maria segurando Jesus no colo. Meu pai, imóvel, ignorou a reação dela, limpando a boca com o guardanapo. Minha mãe, que foi direto para o quarto, não nos acompanhou no jantar menos saboroso de nossas vidas. Era o início da separação dos dois, que seria concretizada só dez meses mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha aula voltara há duas semanas e eu morria de curiosidades de Leonora. Eu só chegava à noite, porque saía do colégio para auxiliar meu pai no trabalho, e não conseguia acompanhar suas sessões diárias de espancamento. Na casa dela, o silêncio era predominante naquele horário, quando o filho, Emanuel, chegava no carro do tio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No meio da aula de História, enquanto o professor lecionava sobre as conquistas territoriais de Napoleão pela Europa e, empolgado, subia na mesa para pronunciar algumas palavras atribuídas ao imperador francês, concluí que eu não conseguia mais pensar naquela estranha figura, como uma simples doidinha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Era Leonora quem aparecia quando eu me masturbava nos banheiros de casa, do colégio e do clube. Era Leonora ajoelhada, amordaçada, olhando nos meus olhos, agarrando-se em mim com dedicação, voracidade, fome. Eu andava tão excitado, que esfreguei meu pau no muro áspero, o mesmo muro infame que nos separava, por longos e prazerosos vinte minutos. Deixei os vestígios de porra escorrendo muro abaixo até alcançarem o piso de cerâmica do quintal, onde a chuva limparia, pouco depois, minha pequena farra solitária em homenagem à Leonora.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu estava decidido a ter um encontro com ela. Pouco me importava a ordem de minha mãe. Quem era ela para impedir uma aproximação qualquer? Qual a razão daquele conselho absurdo, patético? Se eu não conseguia infringir pelo menos essa ordem, o que seria de mim daqui a trinta anos? Eu teria um encontro, precisava contemplar Leonora de perto, a um palmo de distância, queria sentir aquela mulher que eu possuía apenas em sonhos efêmeros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pedia a meu pai, listas de produtos para eu providenciar no mercado da esquina, apenas para ficar frente a frente com a casa dela. Cada vez que o barulhento portão funcionava, eu me aproximava da janela do quarto de meus pais para, em vão, observar o automóvel deles entrando e saindo da garagem, sem que Leonora fizesse a sua parte na história: empurrar o portão e fincar o espesso cadeado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ideia de Leonora estar vivendo em outra casa, junto com outro parente, era plausível. Afinal, na última vez em que Emanuel partiu no banco de trás do carro do tio, não voltou para casa. E, na verdade, poucos têm paciência para cuidar da doidinha e sabem dominar seus furtos, seus ataques à despensa, castigando quando necessário. Provavelmente, a família organizara um rodízio entre os integrantes. Pela lógica, era o momento das merecidas férias da velha.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num sábado à tarde, com um céu imprevisível, carregado de nuvens, fui caminhar em volta do Parque do Ingá. Sai de casa tão consternado, depois de estudar para uma prova de gramática, que esqueci de disparar o alarme e tive que voltar. Afinal, “Maringá é uma cidade violenta. E o roubado é o maior culpado em um roubo”, repetia minha mãe, em minha consciência.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltava lentamente, reparando em meus cadarços frouxos e flácidos, exatamente como meu pau era antes de Leonora ser onipresente em minhas aventuras eróticas. Frouxo sim, mas não morto. Temporariamente desativado, imaturo, infeliz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu controle para abrir o portão ou acionar o alarme nunca funciona na primeira tentativa. É preciso um toque na parede, nas pernas, nas grades, é preciso ser agressivo. Enquanto eu tentava ressuscitar o aparelho, a velha começou lá do fundo, ameaçando sua vítima:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Não saia daí, sua vagabunda! Você quer engatinhar? Você é cachorra por acaso?”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quase arrebentei o controle na grade, o portão mal abriu, eu já corria para o fundo de casa. Leonora rosnava frases ininteligíveis, eu colava meu ouvido na parede. A velha ria baixinho. Puxei uma cadeira da mesa da cozinha e me pendurei no muro. De focinheira e vestidinho azul, prostrada, cadela faminta almoçando numa bacia amarela, em frente à velha, que achava tudo muito divertido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Cata a bolinha, cata!”, ordenou, arremessando uma bola de meia, atrás do tanque – prontamente devolvida aos pés da dona, que voltava a sorrir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando notou meu olhar assustado, Leonora apontou em minha direção. Eu recuei, mas não soltei as mãos, evitando cair e fazer barulho. A velha enlouqueceu. Chutou a bacia com restos de arroz, feijão preto, salada, e exigiu respeito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Com qual dedo, sua sem vergonha?”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os olhos castanhos me encontraram novamente. Desta vez, desviaram.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Vou te ensinar a não apontar dedo. Eu te dou comida, te deixava passear e você me trata assim? Sua ingrata! Sua cadela! Você é uma cadela!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando ela deixou o indicador ereto, a velha mudou de ideia. Sorrindo, que ela fosse para o quarto, como estava. Que ficasse esperando, porque já voltaria. Leonora engatinhou até a porta, olhou para a velha, abaixou a cabeça e seguiu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A velha também entrou, mas saiu logo. Para minha sorte, pela porta da frente, deixando o portão aberto, como ela mesma condenava. Não vou negar que eu senti medo. Ela voltaria em breve, era promessa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sala não tinha televisão. Na parede, bem acima da mesa de refeições, um quadro do menino Jesus sorrindo no colo de Maria. Atravessando a sala, vi o corredor com as portas dos quartos. Era o do meio, tinha marcas de sangue até lá.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Leonora deitada nua, na cama, sozinha, ao notar minha presença, meu olhar deslumbrado, levantou-se calmamente, pôs os pés numa sandália de couro desgastado e andou em minha direção. Parou a dois metros, sem desviar os olhos azuis. Estávamos tão próximos, que pude ouvir seu coração bater fraco, sem harmonia. Meu pau estava rijo, sólido, seus olhos notaram o relevo na minha calça jeans. Esticou a mão esquerda – a mesma que minha mãe me estendia durante as orações –, e pude senti-la fria, enrugada, puro osso, acariciando meu corpo. Arcada dentária em colapso, eu tremia tanto, amedrontado, com as mãos encharcadas de suor, que o relevo desapareceu: Um pênis morto de medo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Guiou-me até a janela cheia de grades do quarto, dando mais um passo para o meu lado. Desvencilhou sua mão da minha parte momentaneamente póstuma, e apontou para o céu vermelho e misterioso de Maringá:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“É chuva, vai molhar tudo lá, ó. Depois vem arco-íris.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fechou abruptamente a janela, após a previsão, e me levou até a entrada, indicando a minha casa. Naquela última noite, a surra foi tamanha que meus pais estranharam os gritos, as ameaças e os repetitivos pedidos de perdão, com uma voz baixa, que quase ninguém escutaria se estivesse conversando, com a família reunida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Essa velha é louca, deveríamos fazer alguma coisa”, aconselhou minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Leonora morreu cerca de dois meses mais tarde, na cama, trajando o mesmo vestidinho azul. Quem viu, disse que morreu sorrindo, semblante em paz, alegre. A família fez um enterro simples, no Prever, na capela popular. Nós não fomos, mas meu pai enviou uma coroa de flores no nome da família. O laudo médico não indicou nada fora do comum.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Respeitando a jornada de trabalho de todos, ela morreu dormindo, na noite de sábado para domingo, não foi um estorvo para ninguém. A guarda do filho de Leonora, o Emanuel, ficou para a velha, que nunca mais foi vista no bairro. As contas para pagar estão acumuladas na caixa de correio, seu nome está no Serasa, os parentes tocam nossa campainha, confusos, em busca de explicações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As garotas que eu conheci nesses meus trinta anos, interpretavam, na cama, oncinhas, estudantes, diabinhas, mas nenhuma delas topou encarnar o cachorro, de quatro, com uma bacia na frente, como eu sempre detalhava. A cor do vestidinho não importa, eu dizia, fica por sua conta, surpreenda-me, provoca-me. E quem disse que elas voltavam?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abandonado, não há maior prazer do que enfiar um curto vestidinho, correr para o muro, de focinheira no rosto, e iniciar uma relação solitária, ali mesmo, correndo o risco de ser flagrado pelos pedestres, profanando a parede com o meu pau, segurando-o com a mesma mão que eu oferecia à minha mãe, durante as orações em volta da mesa de jantar. Bendito é o homem que, destemido, engravidou a doidinha, e permaneceu no anonimato para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4820918426063042736?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4820918426063042736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4820918426063042736' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4820918426063042736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4820918426063042736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/12/desgraca.html' title='Desgraça'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1227628667825178156</id><published>2009-12-02T17:30:00.000-08:00</published><updated>2009-12-05T04:43:18.538-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>O amor e as mortes de Rubem Fonseca</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 299px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410816957237036738" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SxcVWtjGBsI/AAAAAAAAAJ8/i9t2C6AAWSE/s320/Rubem+Fonseca.jpg" /&gt;&lt;em&gt;Em “O Seminarista”, escritor mineiro homenageia sua atual namorada e envolve o leitor em uma trama inteligente e cheia de assassinatos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Papai Noel é o primeiro a morrer com uma bala na cabeça. Em uma cena antológica, José Rubem Fonseca inicia “O Seminarista”, seu novo romance policial, escrevendo sobre o assassinato de um sujeito fantasiado de Bom Velhinho, em plena véspera do Natal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em “O Seminarista”, Rubem Fonseca cria o José, um matador de aluguel conhecido como O Especialista, que recebe de um personagem chamado Despachante as ordens para realizar uma série de assassinatos. Assim, O Especialista conta, concisamente, alguns de seus “trabalhos específicos” que, além do Papai Noel, incluem um pedófilo, um assassino profissional e um necrófilo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de assaltar o pedófilo e matá-lo, no segundo assassinato do livro, a figura de José começa a ganhar contornos de um anti-heroi. O protagonista concede uma carona ao garoto que estava no apartamento do pedófilo, leva-o até sua casa, na favela, dá o dinheiro roubado do pedófilo à mãe do garoto e a ameaça: “Se você não tomar conta direito dos seus filhos eu te arrebento, entendeu? E se for viver com um gigolô que vai roubar a sua grana eu mato vocês dois”. É mais um inesquecível personagem fonsequiano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O assassino abandona o emprego aos 40 anos de idade e revela ter a “consciência pesada”, devido aos crimes que cometeu em sua trajetória. Mas a sua rotina de aposentado muda com a presença de Kirsten, uma jovem alemã que traduz livros do português para o alemão. Na vida real, Rubem Fonseca, a exemplo de José, O Especialista, também namora uma jovem alemã que traduz livros da língua portuguesa para o alemão. Dessa forma, o escritor homenageia e imortaliza sua atual namorada em uma obra que, provavelmente, ela mesma traduzirá para a edição alemã.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Após o início do romance – no livro – de José com Kirsten, o protagonista descobre que ela é filha do Despachante e que, inicialmente, cumpria a tarefa de espioná-lo. Descobre, também, ser alvo de perseguição, devido ao desaparecimento de um CD, contendo informações sigilosas e comprometedoras que estava na casa de uma de suas vítimas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesse ponto da obra, Despachante, Kirsten e José passam a investigar o destino do objeto, enquanto a morte se aproxima do trio a passos céleres. Tudo, é claro, conduzido por um enredo inteligente e misterioso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na intensidade do amor e da violência, o escritor insere, na fala de O Especialista, algumas citações bíblicas e excertos poéticos em latim e em outras línguas, de autores como Cícero, Horácio, Sêneca, Camões, Propércio, Petrarca, Salústio, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A poesia e os fragmentos de pensamentos pipocavam na cabeça do matador de aluguel desde o tempo em que ele frequentou o seminário e abandonou a vida dedicada à igreja, “por ser um sujeito libidinoso”. A presença das citações é tão frequente, que até mesmo um dos personagens critica o costume de José: “Essa tua mania de falar latim enche o saco”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O uso de citações é uma estratégia necessária de Rubem Fonseca para mergulhar o leitor na complexidade psicológica do assassino de aluguel. Afinal, a violência, na obra fonsequiana, nunca é gratuita.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos 84 anos, Rubem Fonseca continua a provocar seus leitores com doses cavalares de sarcasmo, inteligência, erudição e, além de tudo, uma boa história: receita que o consagrou como O Especialista do romance policial na literatura brasileira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Título: “O Seminarista”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Autor: Rubem Fonseca&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Editora: Agir&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preço: R$ 36,00 (181 págs.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Avaliação: Excelente&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Publicado no jornal O Diário do Norte do Paraná.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1227628667825178156?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1227628667825178156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1227628667825178156' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1227628667825178156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1227628667825178156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/12/em-o-seminarista-escritor-mineiro.html' title='O amor e as mortes de Rubem Fonseca'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SxcVWtjGBsI/AAAAAAAAAJ8/i9t2C6AAWSE/s72-c/Rubem+Fonseca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2681163344635135423</id><published>2009-12-02T17:11:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T17:38:46.008-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>Mutarelli solta os demônios</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 214px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410814969768911714" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SxcTjBpxI2I/AAAAAAAAAJs/i-J8Vq1A5js/s320/Mutarelli+imagem.jpg" /&gt;&lt;em&gt; Lourenço Mutarelli une o cômico ao macabro em suas obras&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não espere apenas por um romance ou uma novela. “Miguel e os Demônios”, o novo livro do cartunista e escritor Lourenço Mutarelli, possui influências tão fortes dos filmes e dos quadrinhos, que a obra é, ao mesmo tempo, gibi, roteiro cinematográfico e, claro, literatura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A linguagem concisa de Mutarelli serve para retratar a psique de seus personagens, que vivem rotinas patéticas, sufocantes e, devido ao caos diário, não conseguem refletir sobre o estado depressivo em que estão envolvidos. A escrita rápida, instantânea e automática do autor caracteriza a trajetória de seus personagens.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O protagonista Miguel, um investigador da polícia civil, permanece consternado em meio ao envolvimento amoroso com sua esposa, um relacionamento sem diálogos nem sentimentos. Sua única diversão consiste em jogar paciência no computador do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida do protagonista muda quando ele flagra seu chefe, no motel com uma amante, e é pressionado a mudar de repartição. Dias depois, ao atender o chamado de uma mulher que encontrou uma múmia em sua residência, Miguel a reconhece como sendo a amante, uma prostituta com quem ele passa a manter alguns encontros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Miguel, então, cai em desgraça. Ele fica viciado no sexo com a prostituta; seu pai sofre um derrame cerebral; e resolve separar-se da esposa, que deixa, de propósito, o gás do fogão aberto para causar sua própria morte e as mortes de sua irmã e suas duas filhas.&lt;br /&gt;A culpa da série de acontecimentos é o envolvimento de Miguel com a prostituta, que estaria ligada a seitas satânicas. Dominado, finalmente, pelos demônios que o atormentavam desde o início da obra, Miguel se vinga do cunhado, que fotografava suas próprias filhas, em poses sensuais, e vendia o material na internet.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O enredo, por si só, é bizarro. Descritas pelo autor, as cenas do livro ganham contornos grotescos, irônicos, repugnantes. Em certos momentos, Mutarelli descreve seus personagens por meio de closes de câmeras, indicando, na obra, o momento em que a câmera sobe ou desce. Ou seja, em Mutarelli, a literatura imita a produção cinematográfica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É preciso ler “Miguel e os Demônios”, reconhecendo o humor peculiar do autor. Em O Cheiro do Ralo (2002), o protagonista conclui que os personagens do seriado “Friends” são seus melhores amigos. Em “A Arte de Produzir Efeito sem Causa” (2008), o personagem principal separa mentalmente as mulheres que encontra à sua frente, toda vez que sai às ruas, em três seções: as mulheres que ele “comia”, “casava” ou “mandava pra forca”. Já em “Miguel e os Demônios”, o chefe de Miguel decepa os dois dedões e o próprio sexo com uma tesoura, e a prostituta com a qual o protagonista se envolve, revela-se ao leitor, abruptamente, como sendo, na verdade, um travesti.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A literatura brasileira não é mais aquela da década de 1930, em que havia uma união temática entre os autores, como Jorge Amado, José Lins do Rego e Graciliano Ramos. Os sujeitos pós-modernos, pós-industriais, são projetados na obra de Mutarelli, em situações anormais, viciantes, em que não há vida além da rotina de trabalho. A repetição de ações e a loucura unem o cômico ao macabro em Miguel e os Demônios, um livro mordazmente engraçado, tradutor do Brasil contemporâneo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Título: Miguel e os Demônios&lt;br /&gt;Autor: Lourenço Mutarelli&lt;br /&gt;Editora: Companhia das Letras&lt;br /&gt;Preço: R$ 34,00 (115 págs.)&lt;br /&gt;Avaliação: Ótimo &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Publicado no jornal O Diário do Norte do Paraná.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2681163344635135423?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2681163344635135423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2681163344635135423' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2681163344635135423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2681163344635135423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/12/mutarelli-solta-os-demonios.html' title='Mutarelli solta os demônios'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SxcTjBpxI2I/AAAAAAAAAJs/i-J8Vq1A5js/s72-c/Mutarelli+imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-5130540771326020676</id><published>2009-11-29T12:39:00.000-08:00</published><updated>2009-12-05T07:44:51.963-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Cerco na praça</title><content type='html'>Aquele baxinho era bom de briga.&lt;br /&gt;Nunca vi igual.&lt;br /&gt;Eu sai da Farmácia pra comprar camisinha e shampoo pra Marlene.&lt;br /&gt;Cafetão companheiro e assessor né?&lt;br /&gt;Os cinco bem na pedra com lata na mão.&lt;br /&gt;Tudo preto. Raça desgraçada.&lt;br /&gt;Apressaram o passo pra dá o bote.&lt;br /&gt;Presa fácil de metro e meio.&lt;br /&gt;Gosto de uma briguinha cê sabe.&lt;br /&gt;Olhando a gente aprende.&lt;br /&gt;Sempre curioso desde criança.&lt;br /&gt;Dando golpe nas primas.&lt;br /&gt;Quebrei o braço da Dinara.&lt;br /&gt;A perna da Dulce.&lt;br /&gt;De castigo um ano inteiro.&lt;br /&gt;Dobraram a Brasil indo pra rodoviária velha.&lt;br /&gt;Cruzaram a rua e foram pra praça.&lt;br /&gt;Bem no meio dela o cerco feito.&lt;br /&gt;No palco sagrado onde os pastores infernizam de dia.&lt;br /&gt;Todos com canivete.&lt;br /&gt;Um magrelo com pau de vassoura.&lt;br /&gt;Ficou parado jogou as duas sacolas no chão.&lt;br /&gt;Não sei com o quê.&lt;br /&gt;Nem quero saber.&lt;br /&gt;Tá louco.&lt;br /&gt;O magrelo foi primeiro.&lt;br /&gt;A paulada bateu no braço direito do baxinho que se protegeu.&lt;br /&gt;Antes de erguer de novo pro próximo golpe uma rasteira surpreendente.&lt;br /&gt;E um pisão na cara. Menos um.&lt;br /&gt;Encarou o bando.&lt;br /&gt;A luz do poste bem no olho.&lt;br /&gt;Algo lá no fundo?&lt;br /&gt;Morte e sangue. Medo nenhum.&lt;br /&gt;Dois se aproximaram com os canivetes.&lt;br /&gt;O chute na boca do estômago do da esquerda.&lt;br /&gt;O da direita meteu o canivete no ombro do baxinho.&lt;br /&gt;Ganhou em troca uma porrada de desorientar.&lt;br /&gt;Outra mais forte. Caído.&lt;br /&gt;Tirou o canivete do ombro e meteu na costa do outro pelego.&lt;br /&gt;Caceta!&lt;br /&gt;Pois é.&lt;br /&gt;Tinha mais dois.&lt;br /&gt;Um caiu fora. Saiu pela sombra.&lt;br /&gt;O outro chegou na voadora e errou o alvo.&lt;br /&gt;Quando se deu conta já tava estirado no chão. Sem consciência.&lt;br /&gt;O cabo de vassora quebrado em dois. A costa fudida.&lt;br /&gt;Pegou tranquilo as sacolas.&lt;br /&gt;Como se nada bicho.&lt;br /&gt;Tinha que ver.&lt;br /&gt;Menor que eu e você.&lt;br /&gt;Saiu rumo rodoviária.&lt;br /&gt;Assoviando Tonico e Tinoco.&lt;br /&gt;Moreninha Linda.&lt;br /&gt;A Marlene encheu o saco pela demora.&lt;br /&gt;Teve que chupar um cara lá sem capa.&lt;br /&gt;Mil desculpas e uns beijinhos.&lt;br /&gt;Gosto muito dela um amor.&lt;br /&gt;Longe de mim o que seria?&lt;br /&gt;Por isso falo pra você se espertá.&lt;br /&gt;Cê vai se fudê ainda mermão.&lt;br /&gt;Escolhe os gordos lentos que não dá pra surpreender.&lt;br /&gt;Baxinho em Maringá pode ser perigoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-5130540771326020676?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/5130540771326020676/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=5130540771326020676' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5130540771326020676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5130540771326020676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/11/cerco-na-praca.html' title='Cerco na praça'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-762743307792856667</id><published>2009-10-21T13:45:00.001-07:00</published><updated>2009-11-04T10:04:51.896-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Lincha viado!</title><content type='html'>Tava queto no meu canto.&lt;br /&gt;Esperando o 335 pra voltar pra casa.&lt;br /&gt;Sempre espero ali sim senhor.&lt;br /&gt;Na Mauá em frente do Avenida Center.&lt;br /&gt;Se tenho dinheiro compro um pastel no japonês.&lt;br /&gt;De pizza.&lt;br /&gt;Mas esses dias tão foda cê sabe.&lt;br /&gt;É a crise né?&lt;br /&gt;O ponto tava vazio às cinco e meia.&lt;br /&gt;Meia hora que faz toda a diferença.&lt;br /&gt;Quando eu saio às seis e meia já tá lotado.&lt;br /&gt;Dai que eu esperava o meu.&lt;br /&gt;Tava sem óculos.&lt;br /&gt;E fico forçando a vista pra longe.&lt;br /&gt;Miopia da brava doutor.&lt;br /&gt;Minha mulher reclama diz que dá ruga.&lt;br /&gt;Melhor a ruga que perder o 335.&lt;br /&gt;Nem tinha reparado que aquela tranquêra já tava lá.&lt;br /&gt;Só vi quando provocou:&lt;br /&gt;“Ai que olhar sério”.&lt;br /&gt;Dai começou.&lt;br /&gt;Olhei pra bicha e achei melhor nem ligar sabe?&lt;br /&gt;Sou de paz não procuro encrenca.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Magricela de camisa cavada.&lt;br /&gt;Chinelo rosa no pé.&lt;br /&gt;Bermuda laranja.&lt;br /&gt;Não levo desaforo mas deixei passar.&lt;br /&gt;“Oi gato!”&lt;br /&gt;Fiquei na minha ainda doutor.&lt;br /&gt;O nervo pulsando.&lt;br /&gt;É a nossa Maringay né?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Tem que respeitar.&lt;br /&gt;Dei um olhar de ódio praquela bicha.&lt;br /&gt;E adiantou?&lt;br /&gt;“Cara feia é fome. Quer uma comidinha?”&lt;br /&gt;Porra ai não deu.&lt;br /&gt;Aquele viado já me achava da turma dele?&lt;br /&gt;Logo eu?&lt;br /&gt;Meti uma bica no estômago ele caiu de frente.&lt;br /&gt;Pulei em cima da costa com meu coturno antigo.&lt;br /&gt;75 quilos que era só pra assustar.&lt;br /&gt;Dei uns seis ou sete pulos assim.&lt;br /&gt;Ele lá sentindo prazer.&lt;br /&gt;Não pedia nenhuma desculpa.&lt;br /&gt;O chinelo rosa longe do pé.&lt;br /&gt;“Pede desculpa filha da puta!”&lt;br /&gt;Nada doutor.&lt;br /&gt;Gemia de prazer o masoquista magricela.&lt;br /&gt;Uns três carros pararam no lugar do ônibus:&lt;br /&gt;“Lincha viado!”&lt;br /&gt;Dai que não sei de onde surgiu aquele maluco ali daquela outra sala.&lt;br /&gt;O gordo barbudo metaleiro.&lt;br /&gt;Me deu um empurrão que sentei no banco do ponto.&lt;br /&gt;Levantou o viado que continuava gemendo.&lt;br /&gt;A plateia mais alto:&lt;br /&gt;“Lincha viado!”&lt;br /&gt;O gordão olhou pros carros.&lt;br /&gt;O viado preso pelo cangote.&lt;br /&gt;Jogou a bicha no chão.&lt;br /&gt;Doeu até em mim.&lt;br /&gt;Baixou a bermuda laranja.&lt;br /&gt;Ai o viado começou a gritar com medo mesmo pela primeira vez.&lt;br /&gt;Acho que até ouvi uma desculpa.&lt;br /&gt;Tinha umas dez pessoas já em volta.&lt;br /&gt;Uma cega desesperada por detalhes.&lt;br /&gt;O japonês abandonou o pastel empolgado.&lt;br /&gt;O gordo abriu uma bolsa e tirou um pau de bateria.&lt;br /&gt;Daqueles que toca o instrumento.&lt;br /&gt;É baqueta? Se o senhor diz.&lt;br /&gt;Dai sem mais nem menos enfiou o troço quase inteiro na bunda do cara.&lt;br /&gt;Nem deu pra perceber o que o gordo ia fazer doutor.&lt;br /&gt;Falei que eu tava sentado.&lt;br /&gt;Quando vi o pau da bateria,&lt;br /&gt;Dois segundos ele já tinha desaparecido no cu do viado.&lt;br /&gt;Tenho estômago forte.&lt;br /&gt;Mas aquilo foi demais.&lt;br /&gt;Aquele gordão ali é barra pesada.&lt;br /&gt;O pior inimigo da face da terra.&lt;br /&gt;Não me deixa junto dele não.&lt;br /&gt;Uma coisa de trinta centímetros assim ó.&lt;br /&gt;Desaparecer quase toda sem uma cuspida no rabo?&lt;br /&gt;A cega vibrava com os detalhes.&lt;br /&gt;O japonês sorria feito aniversariante.&lt;br /&gt;Os motoristas comemoravam:&lt;br /&gt;“Lincha viado!”&lt;br /&gt;Foi ouvir o sinal da polícia,&lt;br /&gt;O gordo saiu como foguete.&lt;br /&gt;Mas é gordo né?&lt;br /&gt;Desceu à esquerda chegou na Brasil cruzou que nem um louco.&lt;br /&gt;E prenderam o bicho acho que na frente daquela escolinha de criança né?&lt;br /&gt;E eu que só queria chegar em casa.&lt;br /&gt;Tenho um primo viado doutor.&lt;br /&gt;Nada contra.&lt;br /&gt;Sempre tratei muito bem ele e o namorado.&lt;br /&gt;Respeito os maringays,&lt;br /&gt;Mas eles me respeitam?&lt;br /&gt;Tá foda viver por aqui viu?&lt;br /&gt;Esse mundo muda rápido.&lt;br /&gt;Acho barbaridade o que fizeram com o viado de verdade.&lt;br /&gt;O que ele menos deve tá reclamando é do meu coturno antigo.&lt;br /&gt;Nunca vi mais gordo doutor.&lt;br /&gt;Não sei como aquele gordo surgiu na história.&lt;br /&gt;Pode perguntar pra quem tava lá.&lt;br /&gt;Pro japonês.&lt;br /&gt;Apareceu já com mochila e baqueta.&lt;br /&gt;Trabalho de pedreiro de segunda a segunda.&lt;br /&gt;Tô fazendo um prédio ali no centro novo.&lt;br /&gt;O doutor pode trazer um pouco de água?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-762743307792856667?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/762743307792856667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=762743307792856667' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/762743307792856667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/762743307792856667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/10/lincha-viado.html' title='Lincha viado!'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7046252086212664001</id><published>2009-10-15T14:43:00.001-07:00</published><updated>2009-10-15T18:44:11.346-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Duvida?</title><content type='html'>Meu nome é Dinara. No quinto copo pronta pro abate.&lt;br /&gt;Solteira que Deus o tenha.&lt;br /&gt;Não tive mãe nem pai.&lt;br /&gt;Criada com os filhos do Seu João Silva na Vila Operária.&lt;br /&gt;Obrigada a chupar o pau dele segurando a Magali.&lt;br /&gt;Tadinha da minha boneca de pano.&lt;br /&gt;Hoje é fácil rir.&lt;br /&gt;O velho safado destruiu minha infância.&lt;br /&gt;Como estudar com aquela pica enorme na cabeça?&lt;br /&gt;Mas ensinei tudo às amigas.&lt;br /&gt;De como pegar, botar na boca, passar na bochecha sorrindo,&lt;br /&gt;E fechar o olho rapidinho&lt;br /&gt;Antes da porra espirrar.&lt;br /&gt;Uma última passada, com o rosto melecado:&lt;br /&gt;Todos à loucura.&lt;br /&gt;Quando fugi daquele lugar,&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Já era mulher da vida.&lt;br /&gt;A mais procurada aqui no Maçã do Amor.&lt;br /&gt;Com o tempo cê sabe.&lt;br /&gt;Mais caro o de pau grande.&lt;br /&gt;Senão cê não guenta.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Ai meu bem,&lt;br /&gt;Você é dos grandão que eu sei.&lt;br /&gt;Quarenta o programa mais quinze do quarto.&lt;br /&gt;Vinte a chupetinha mais os quinze.&lt;br /&gt;Ainda tô no terceiro copo hoje.&lt;br /&gt;Mas por que tantas perguntas querido?&lt;br /&gt;Tá parecendo repórter.&lt;br /&gt;Já conheceu nossas garotas?&lt;br /&gt;Chegô uma nova mês passado.&lt;br /&gt;Aline loira 18 anos.&lt;br /&gt;Um anjo de garota que só.&lt;br /&gt;Novinha da sua idade.&lt;br /&gt;Linda pra namorar.&lt;br /&gt;Ou algo mais experiente?&lt;br /&gt;Quer tentar meu bem?&lt;br /&gt;Para de roer a unha.&lt;br /&gt;Faz mal.&lt;br /&gt;Te mato de prazer atrás da porta.&lt;br /&gt;De calcinha vermelha bem fina.&lt;br /&gt;Comigo sempre a novidade mais gostosa.&lt;br /&gt;Qual é seu nome?&lt;br /&gt;Fala aqui ó pertinho.&lt;br /&gt;Medo de mim?&lt;br /&gt;Huuum que delícia de nome.&lt;br /&gt;Te faço latir feito cachorrão Celso.&lt;br /&gt;Celsão selvagem.&lt;br /&gt;Huuum.&lt;br /&gt;Não tem medo não.&lt;br /&gt;Com um quarto mudo sua vida.&lt;br /&gt;Duvida?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7046252086212664001?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7046252086212664001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7046252086212664001' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7046252086212664001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7046252086212664001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/10/duvida.html' title='Duvida?'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4283755754974371537</id><published>2009-10-11T12:24:00.003-07:00</published><updated>2009-10-11T12:25:11.789-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Nada de trambolho</title><content type='html'>Eles chegaram numa tarde chuvosa.&lt;br /&gt;Rindo alto e comemorando.&lt;br /&gt;Logo vi que estavam chapados.&lt;br /&gt;De segredo há coisa de um mês. Pensa que eu não sabia?&lt;br /&gt;O grande assalto no Café Cremoso.&lt;br /&gt;Posso ser tonta. Mas burra, não.&lt;br /&gt;Primeiro, as máscaras de carnaval. Lula, Pelé e um cara que eu nunca vi. Depois, um e outro detalhe no truco.&lt;br /&gt;Eles ficavam jogando bem ai, na entrada. Colocavam a mesinha, as cadeiras, e aproveitavam pra mexer com as mais jovens na rua. Quando eu trazia cerveja – quase duas grades! –, levava um safanão na bunda, bem dado pelo Antônio, que ria pro alto, com a mão na barriga e o olho vermelhão. Já pro final, bêbados, dava pra ouvir tudo sobre o assalto na padaria, no dia seguinte.&lt;br /&gt;E mais safanão.&lt;br /&gt;Até o Baiano e o Bode metiam a mão em mim, enquanto o Antônio me chamava de trambolho.&lt;br /&gt;Foram pra dentro pelas onze e meia.&lt;br /&gt;Quem arrumou tudo?&lt;br /&gt;Euzinha, o trambolho da escrava, a doméstica que todo mundo mete a mão.&lt;br /&gt;Na cozinha, onde eu sempre rezo de manhã, cada um mostrava seu cano.&lt;br /&gt;Todos enferrujados.&lt;br /&gt;Não sei nome de revólver. Sei que eram pretos e enferrujados.&lt;br /&gt;E ficaram em cima da mesa até a noite do dia seguinte.&lt;br /&gt;O Antônio dormiu no sofá. Os outros no chão mesmo. De manhã, me chamou de trambolhinho e pediu café.&lt;br /&gt;Morria de amores por ele, doutor, o café fiz com paixão.&lt;br /&gt;Se frio, ele taca na minha cara.&lt;br /&gt;“Tem que ta pelando, trambolho!”&lt;br /&gt;De tanta exigência, aprendi o mais quente do café. Na recompensa, safanão ardido e olhar de desejo.&lt;br /&gt;Não tavam nervosos, não.&lt;br /&gt;Até tomaram umas latinhas.&lt;br /&gt;Saíram lá pelas seis, no Gol vermelho do Bode.&lt;br /&gt;Fui no bingo ali da esquina. Pra ajudar a igreja.&lt;br /&gt;É um pessoal tão bom. O Senhor fez obras em mim.&lt;br /&gt;Depois do culto, que acabou às oito e meia, começou o bingo.&lt;br /&gt;Acho que voltei às dez.&lt;br /&gt;Estranhei porque não tinha ninguém em casa, e o portão não tava do mesmo jeito que eu deixei.&lt;br /&gt;Como eu fui direto na cozinha, encontrei o saco preto com os três canos enferrujados. Mas não tinha nenhum dinheiro.&lt;br /&gt;Não sei dessa mochila do assalto, não.&lt;br /&gt;Amarela? Pior ainda.&lt;br /&gt;Carrego minhas coisas na sacola da Renner. Não gosto de bolsa.&lt;br /&gt;Tenho só a mochila de couro, pode ver.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O revólver, só peguei pra jogar fora. Joguei no lixão da esquina. Não aguentei aquilo na minha frente, na cozinha. Justo onde eu rezo? O espírito santo aguenta? Nem eu.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sabia que, se descobrissem, eu tava lascada.&lt;br /&gt;Quis fugir de casa porque queria vida melhor, doutor. Ano passado, me meteu sete balas no corpo! Sete balas, doutor! No meio do Bar do Vandir, comemorando aniversário da afilhada. Toda aquela gente no boteco, ele sacou o cano e começou a disparar feito louco.&lt;br /&gt;É coisa do demônio.&lt;br /&gt;Fui salvada por Jesus, sete é o número Dele!&lt;br /&gt;Por causa do Antônio, as crianças tiradas de mim. Nas mãos da justiça.&lt;br /&gt;Entraram lá em casa e pegaram craquinho, erva, agulha: nada meu! Nunquinha!&lt;br /&gt;Tudo do Antônio, escondido.&lt;br /&gt;Ouviram mentira de vizinho. Esses, sim, do mal, do cão.&lt;br /&gt;O Antônio nem batia tão forte.&lt;br /&gt;Eu tinha que segurar as crianças, né? Senão, elas fugiam. Uma palminha nunca faz mal.&lt;br /&gt;Mas não teve chicote, não. Nunca nunquinha.&lt;br /&gt;Eu fiquei mesmo com medo do assalto. E dos assaltantes.&lt;br /&gt;Tua vida muda quando é um marginal na tua cama. Tua vida não é mais a mesma.&lt;br /&gt;Só o Senhor salva, só o Senhor tem a cura dos ceus, a fé entre irmãos.&lt;br /&gt;Aleluia!&lt;br /&gt;Perdão, doutor.&lt;br /&gt;Mas o Senhor fala em mim. Minhas palavras é Dele! É o mesmo sangue. É a nossa voz!&lt;br /&gt;Sou conhecida de todo o Jardim dos Pássaros e do Ney Braga.&lt;br /&gt;Nunca fiz baderna nem marginalidade.&lt;br /&gt;Respeitada no culto, a oração da sexta é sempre minha.&lt;br /&gt;Me criei no campo.&lt;br /&gt;Ó a mão de trabalho, ó.&lt;br /&gt;Nunca envolvida com droga. Nem sei que gosto.&lt;br /&gt;Nunca vi esse dinheiro. Senão, fugia de Maringá.&lt;br /&gt;Ou não.&lt;br /&gt;Comprava uma casa boa, lá no Jardim Tabaetê. Na rua Vasco da Gama tem o meu sonho, média, quintal pras crianças.&lt;br /&gt;Tô na mesma casa, doutor. Vá lá ver a situação.&lt;br /&gt;A coisa tá feia. É a crise, né? Me mudava! Ah, se me mudava! Com todo o dinheiro na bolsa! Praquela besta sentir minha falta. Pra eu matar a vida dele toda. E ele correr pra mim de novo. Sem safanão, com muito beijo na nuca, me chamando de amor. Nada de trambolho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4283755754974371537?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4283755754974371537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4283755754974371537' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4283755754974371537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4283755754974371537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/10/nada-de-trambolho_7385.html' title='Nada de trambolho'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1714819843435555736</id><published>2009-10-10T14:59:00.001-07:00</published><updated>2009-10-10T19:02:35.443-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Dicas de leitura - J. M. Coetzee</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/StEIj0olZVI/AAAAAAAAAJk/uGLLoqIORUs/s1600-h/coetzee.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5391099640456504658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 192px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/StEIj0olZVI/AAAAAAAAAJk/uGLLoqIORUs/s320/coetzee.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;O sul africano J. M. Coetzee: críticas aos EUA, Tony Blair e Guantánamo &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir de hoje, vou disponibilizar algumas críticas literárias que tenho feito para a Rádio Universitária Cesumar FM. Não sei ao certo o horário do programete - vou verificar. Já gravei sobre "Órfãos do Eldorado", do Milton Hatoum; "A Segunda vez que te Conheci", do Marcelo Rubens Paiva; do Philip Roth, critiquei "Indignação" - que foi publicada, originalmente, em O Diário; "Leite Derramado", do Chico Buarque - crítica publicada em O Estado do Paraná; "A Arte de Produzir Efeito sem Causa", o penúltimo livro do Mutarelli; enfim, já tem uma pequena lista.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Diário de um Ano Ruim", que publiquei no ano passado, em O Diário, é o último romance do Nobel sul africano J. M. Coetzee. A trilha fica por conta de Tchaikovsky. Para ouvir, clique &lt;a href="http://alexandregaioto.podomatic.com/player/web/2009-09-23T21_01_18-07_00"&gt;&lt;strong&gt;aqui&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;:&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1714819843435555736?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1714819843435555736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1714819843435555736' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1714819843435555736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1714819843435555736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/10/dicas-de-leitura-j-m-coetzee.html' title='Dicas de leitura - J. M. Coetzee'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/StEIj0olZVI/AAAAAAAAAJk/uGLLoqIORUs/s72-c/coetzee.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-716565810549393359</id><published>2009-10-08T09:02:00.000-07:00</published><updated>2009-10-08T18:59:20.775-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Volta pra vê, desgraçado!</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Cê desgraçou a minha vida, Antônio&lt;br /&gt;Nunca tão infeliz&lt;br /&gt;De casa não saio mais&lt;br /&gt;Larguei cigarro, cerveja, o emprego de empregada&lt;br /&gt;Só vou pro 14 Bis nas noites de sexta&lt;br /&gt;Ninguém nunca entendeu&lt;br /&gt;Os beijos no Bar do Vandir&lt;br /&gt;Depois, na mesma noite, os disparos no meu peito&lt;br /&gt;Sete tiros não me apagaram&lt;br /&gt;Pensa que não lembro?&lt;br /&gt;Cê cuspindo no meu corpo:&lt;br /&gt;Moisés catarrando no Mar Vermelho&lt;br /&gt;Levaram flor e bombom no Hospital&lt;br /&gt;Não sei quem, sem nenhum bilhete&lt;br /&gt;A justiça pegou as crianças&lt;br /&gt;Querer de volta é impossível&lt;br /&gt;Acharam as agulhas espalhadas no meu quarto&lt;br /&gt;Os craquinhos e a erva em cima da geladeira &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Mas não encontraram os três canos enferrujados no armário&lt;br /&gt;Dos vizinhos escutaram a denúncia&lt;br /&gt;Que o seu chicote arrebentava minha &lt;em&gt;costa&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Pior do que cavalo&lt;br /&gt;Inventaram que as crianças também surradas com chicote&lt;br /&gt;Enquanto eu ria e segurava uma por uma&lt;br /&gt;A penitência do dia, de segunda a segunda&lt;br /&gt;Tô orando na Igreja da Graça de Deus&lt;br /&gt;Duas quadras daqui de casa&lt;br /&gt;Jesus entrou de novo em minha vida&lt;br /&gt;Daqui não sai tão fácil&lt;br /&gt;Aliviou meus horrores, sonhos bons me acontecem&lt;br /&gt;Joguei fora toda erva, todo crack&lt;br /&gt;Vendi suas roupas pra Maria&lt;br /&gt;Bem guardado o dinheiro do último assalto&lt;br /&gt;Volta pra vê o que te acontece, desgraçado:&lt;br /&gt;Três canos esperando a sua morte &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-716565810549393359?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/716565810549393359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=716565810549393359' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/716565810549393359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/716565810549393359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/10/volta-pra-ve-desgracado.html' title='Volta pra vê, desgraçado!'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-5564518385003995709</id><published>2009-10-05T19:45:00.001-07:00</published><updated>2009-10-06T03:51:08.626-07:00</updated><title type='text'>Os leitores existem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje foi um dia muito especial, porque pude sentir o carinho dos leitores com este malfadado blogue. Pois é, tudo indica que existem leitores por aqui. Este fato já é motivo de sobra para comemorar. Nesse exato momento, estou abrindo um Casillero del Diablo. Tim tim. A lista surpreendente inclui Doutor em literatura, jornalista, acadêmico e até um abantesma!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O feedback começou logo de manhã, com o grande professor e editor de O Diário, &lt;strong&gt;Clóvis Augusto Mello&lt;/strong&gt;, revelando conhecer a existência destes contos. Ele disparou, no meio da aula, que a sua jovem filha está PROIBIDA de ler os contos que aqui são postados. HAHA. Pôxa, Clóvis, sacanagem! Ela pode até ser uma futura leitora!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dai logo à noite, eu tava sozinho na cantina da UEM, e encontrei meu amigo &lt;strong&gt;Zau&lt;/strong&gt;, Jeferson Voss, que tá estudando Administração. Ele relatou ter lido alguns contos hoje à tarde e fez uma série de críticas: "Nunca vi tanta perda de tempo! Quantos contos idiotas! Mas que merda, hem?". O Zau ficou surpreso e riu pacas quando eu disse que tô preparando um livro. Zau, canalha, você me deve um café, maldito! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra grande personalidade que passou recentemente por aqui é o professor de literatura e poeta maringaense &lt;strong&gt;Marciano Lopes&lt;/strong&gt;. Em uma das aulas lá na UEM, Marciano citou o conto "Manolo me come!" e fez uma breve análise. De acordo com Marciano, ao inserir a palavra "amásia" no conto, eu me posiciono contra a personagem feminina, Dulce. O professor afirma ter recorrido ao dicionário para conferir o significado pejorativo da palavra. Embora o significado pejorativo não exista, amasiado, segundo Marciano, está relacionado à promiscuidade. Assim, eu atuei como um narrador autoritário, conduzindo o julgamento do leitor - o que não se repete durante o resto do conto. Pôxa, ter um conto analisado na frente da sala inteira é uma experiência estranha pra cacete. E foi bem legal também porque, além do professor Marciano, uns dois ou três confessaram ter passado aqui no blogue. O escritor &lt;strong&gt;Nelson Alexandre&lt;/strong&gt; foi um deles.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para fechar, destaco o comentário de &lt;strong&gt;Clarice Lispector. &lt;/strong&gt;A autora voltou à vida para dizer que gostou de "O Estrábico":&lt;br /&gt;"Alexandre Gaioto mergulha no oceano da carne e da língua para dizer o indizível. Transcende o meramente factível. Fabuloso. Aqui não há lugar para clichês. Alexandre Gaioto escreve como quem goza. Sua caneta, um membro saturado de potência, porra. Sem sombra de dúvida o grande escritor da atualidade. Alexandre Gaioto não vai ser jornalista. Vai ser escritor, porra! Ass. Clarice Lispector"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Clóvis, Zau, Marciano, Nelson e Clarice: valeu! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-5564518385003995709?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/5564518385003995709/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=5564518385003995709' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5564518385003995709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5564518385003995709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/10/os-leitores-existem.html' title='Os leitores existem'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-292643860365550958</id><published>2009-10-05T19:33:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T19:44:22.756-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><title type='text'>Um conselho de Roth</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SsquHFPovrI/AAAAAAAAAJc/jYO7GMqWsCk/s1600-h/philip_roth.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389311340792299186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 253px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SsquHFPovrI/AAAAAAAAAJc/jYO7GMqWsCk/s320/philip_roth.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os sentimentos podem ser o maior problema na vida. Os sentimentos podem nos pregar peças terríveis”, alerta Philip Roth. Nestas duas frases, o maior escritor vivo da língua inglesa expõe o cerne de seu novo romance, “Indignação”.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em seu vigésimo nono livro, Roth retoma a influência da sociedade judaica, a tensão sexual de seus personagens e o excesso de proteção familiar que os envolvem. A novidade, desta vez, está no rompimento com os narradores velhos de seus últimos livros, “O Fantasma Sai de Cena” (2008) e “Homem Comum” (2007). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Narrado em primeira pessoa pelo jovem Marcus Messner, um estudante de direito que está sob efeito de morfina, “Indignação” é um romance primoroso, permeado por diálogos cortantes e conduzido por minuciosos detalhes que constituem, a cada página, o emaranhado psicológico dos personagens de Roth. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No momento em que o protagonista inicia sua vida acadêmica, seu pai passa a temer sua morte de uma forma paranoica, doentia, ainda mais acentuada do que em “O Complexo de Portnoy” (1969), obra que assegurou o lugar de Roth na literatura contemporânea.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seja com relação aos seus familiares, aos colegas de quarto, à religião e até mesmo na relação sexual com uma colega, o narrador sente-se constantemente indignado, mas sempre escolhe evitar os problemas. A calma de Marcus Messner, no entanto, tem limites. E é discutindo com o diretor de alunos da universidade que o protagonista dá voz aos seus sentimentos e ofende verbalmente o diretor, o que resulta na sua expulsão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Convocado para ingressar o exército estadunidense na guerra da Coreia, Messner morre atrofiado pelas baionetas inimigas, em um ambiente tão sangrento quanto ao açougue em que trabalhou durante a adolescência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por meio de personagens perturbados, que vivem as diferenças existentes entre a cultura judaica e a cultura norte-americana, Philip Roth, aos 76 anos, produz outro retrato provocante dos sentimentos humanos. E revela ao leitor que, às vezes, o melhor é cumprir as obrigações da mesma forma passiva e tolerante tal como Messner, trabalhando no açougue de seu pai, aceitava a tarefa de eviscerar galinhas: “Nauseabunda e repugnante, mas tinha de ser feita.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que a vida fosse boa e justa para Messner e para todos nós, mas ela é repleta de injustiças, desaforos, indignação. Evitar os confrontos e aceitar passivamente algumas ordens pode ser a melhor estratégia, de acordo com o conselho de Philip Roth.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Crítica publicada no jornal O Diário do Norte do Paraná, no dia 4 de outubro de 2009. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-292643860365550958?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/292643860365550958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=292643860365550958' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/292643860365550958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/292643860365550958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/10/um-conselho-de-roth.html' title='Um conselho de Roth'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SsquHFPovrI/AAAAAAAAAJc/jYO7GMqWsCk/s72-c/philip_roth.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-6375751542854991861</id><published>2009-09-28T18:47:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T18:50:34.130-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Dinho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Naquele sábado, toda cidade comovida com o estupro no Parque do Ingá. Seis aposentadas formavam vigília na Catedral, o prefeito concedia, emocionado, entrevista para um programa de TV, o assunto do dia no Bar do Guerra.&lt;br /&gt;Neide, 13, cuidava do carrinho de pipoca do padrasto, em frente ao Parque, desde as dez da manhã. Os olhos vendados, carregada para trás da cabine do pedalinho, dentro do ponto turístico, onde foi violentada por cerca de quinze minutos.&lt;br /&gt;Ao meio dia, poucos se aproximaram da garota que chorava e exibia marcas por todo o corpo. Dois seguranças do Parque, o velho do carrinho de caldo de cana e o responsável pelos leões algemados e carregados pela polícia militar.&lt;br /&gt;Duas horas depois, já com os portões fechados, uma equipe de TV mostrava as imagens do local ao vivo. Trancado no ponto turístico, em frente à Maria Fumaça em exposição, Dinho agarrado ao gorrinho vermelho escrito Jesus, as mãos tremendo, o olhar assustado:&lt;br /&gt;“Coisa suja! Coisa suja!”&lt;br /&gt;No Paraná, a estranha imagem em desespero. Carregado às pressas para a delegacia, Dinho encara os quatro homens algemados atrás do vidro: a única testemunha ocular. As seis aposentadas da vigília deixam as velas acesas e correm para a secretaria da Igreja. Eufórico, o pároco comemora, apontando a televisão:&lt;br /&gt;“O doidinho que viu tudo!”&lt;br /&gt;“Dinho, quem fez a maldade?”, indaga um dos agentes.&lt;br /&gt;Desta vez, o garoto não tentou lamber o nariz nem chacoalhou a algema cedida por um dos policiais. Estendeu o indicador, tirou catota do nariz e esfregou no gorrinho. Com a mão esquerda, Dinho imaginava uma farta barba e ficou a acariciá-la lentamente, olhar sério no quarteto enjaulado, como os bichos do Parque do Ingá.&lt;br /&gt;“Arara! Arara!”, deu pulos de alegria, batendo no vidro que o separava dos suspeitos.&lt;br /&gt;Na mesa à sua frente, café quentinho, pão francês, bolacha de morango e suco de maracujá. Dinho sentou-se nos três lugares disponíveis, provando muito de tudo. Em qualquer lugar quando entra, senta nas cadeiras e come o que oferecem.&lt;br /&gt;Atrás do crucifixo no pescoço, Dinho exibiu o nome e telefone da mãe. Depois do abraço forte no filho, o pedido da polícia:&lt;br /&gt;“É só apontar.”&lt;br /&gt;O ar condicionado era incômodo. Puxava o gorrinho de um lado para o outro, esquentando as orelhas. Organizaram os suspeitos, desfilavam um a um, constrangidos. A cada passo, Dinho olhava sério, abraçado pela mãe. Os primeiros bocejos indicando sono.&lt;br /&gt;“Filho, aponte a coisa suja.”&lt;br /&gt;Quando Manolo, um dos seguranças, encerrou seu quinto desfile em frente ao vidro, o garoto deu um pulo. Queria ver de perto o próximo sujeito. Alisou a barba invisível, tampou os olhos com as duas mãos, o grito estridente, batendo os pés no chão, e apontou o responsável pelos leões.&lt;br /&gt;“Parabéns!”&lt;br /&gt;Aplaudido pelos policiais, ganhou medalhinha no peito, abraços e posou para fotos. Dinho deixou a delegacia, aliviado, acompanhado pela mãe. Depois de tantas perguntas, o sorriso no rosto arredondado e uma discreta ereção ao atravessar a rua. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-6375751542854991861?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/6375751542854991861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=6375751542854991861' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6375751542854991861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6375751542854991861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/09/dinho.html' title='Dinho'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-4410830438344068813</id><published>2009-09-13T21:59:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T10:25:33.884-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O estrábico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Josué me busca no trabalho sempre às seis em ponto. Nunca atrasa um minuto. Ai, que pontualidade. Invejada por todas no salão, dou passos delicados. Uns cinquenta metros até subir na garupa, abraçar firme, grudar no cangote. Lá atrás, as venenosas lançando olhares e acenos para nós. Antes, beijinho no rosto, na testa. Na pontinha do nariz, ele é todo meu.&lt;br /&gt;Casada, sim. Feliz, e muito. A gente vive na Vila Operária, junto com a mãe dele, que ocupa o quartinho dos fundos, e no domingo faz um doce de morango que perfuma todo o bairro. A porta do quarto, só empurrando com os dois braços bem fortes. Não tem mesmo janela. Mas quem precisa, nesse calor?&lt;br /&gt;É na construção de Maringá, vendo tudo lá de cima, dos andares mais altos, que o meu marido sempre chora na sexta feira. O Sol vai abaixando no horário de verão, e ele imagina que nada permanece da mesma maneira. Nem gente, nem cidade, nem cachorro abandonado.&lt;br /&gt;Chora meio escondido, entre os pilares e restos de tijolos. Nenhuma alma com dó. Desce do prédio, pronto, cheiroso para me buscar de moto, que será nossa, de verdade, só daqui a três anos, em dezembro.&lt;br /&gt;Vou te mentir se eu não disser que somos os mais felizes do planeta. Quanto carinho num peito só. Seis meses ele ficou sem me buscar no salão, porque o prédio no novo centro estava ocupando o tempo de todos os pedreiros: quanto mais rápido nascer a construção, melhor.&lt;br /&gt;Eu alcançava o ônibus no terminal, sempre lotado no fim de tarde. Mas só um, porque, como eu já disse, saio do terminal. E, em Maringá, você anda a cidade inteira em dois ônibus apenas.&lt;br /&gt;Desde o primeiro dia em que Josué não me buscou, aquele cara ficou me olhando. Gel no cabelo, traços finos, barba rala, perfumado. O sotaque, percebi quando cedeu o lugar para uma velhinha, e me olhou bem lá no fundo, olhos tortos: o esquerdo, atrapalhado, mirando o nariz.&lt;br /&gt;Um dia sentou comigo, me ajudou a pegar algo no chão. Sorrindo, que eu dissesse meu nome.&lt;br /&gt;“Eulália.”&lt;br /&gt;Por uns dois ou três minutos ficou em silêncio, observando o trânsito na Avenida Brasil. Com a voz doce, disse que na Europa não encontrou nome mais bonito.&lt;br /&gt;“Eulália”, ele disse, e se apresentou:&lt;br /&gt;“Antônio.”&lt;br /&gt;Cheio de detalhes, aguçava minha imaginação com histórias sobre a Espanha, onde viveu quinze anos. O perfume, a camiseta, o sotaque, tudo de lá. Um dos maiores fotógrafos do mundo, sentado do meu lado, no mesmo ônibus. Descia umas dez quadras antes da minha, na casa em que estava construindo. Contava das noites todas gastando dinheiro em cavalos, touradas, em jogos de carta, dos diversos nãos às mulheres mais lindas da Europa.&lt;br /&gt;Aqui em Maringá, no Brasil, o Antônio dizia, tudo era diferente. Começando pelo transporte. Lá na Europa, também andava de ônibus, tranquilo, um luxo, porque ele não pode dirigir. Pode ter convulsão, enrolar a língua, ficar tremendo que nem um terremoto, não pode correr riscos. O jeito é encarar a lotação, com todo mundo. Tudo muito diferente de quando saiu do Brasil, aos dezoito, para a Espanha.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Um dia, me mostrou um álbum bonito, branco, cheio de fotos que ele dizia ter feito. Cada página, um suspiro de inveja. As garotas mais lindas, em cada roupa. Às vezes, até sem roupa, sempre segurando algum dos produtos. Uma delas, nuazinha completa, sorria com uma pasta de dente. Dava um calor só de ver aquelas imagens.&lt;br /&gt;“Imagina você.”&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ai, que besta, como eu fiquei sem graça. Ri de uma forma tão estranha, esquisita. Certo que o assustei. Como ele sabia o que eu pensava? Cada foto, mais de quinze mil reais.&lt;br /&gt;“Meu Deus!”&lt;br /&gt;Eu imaginava Josué descansando no domingo, eu nos braços dele, minha foto vendendo na Espanha, como seria bom. Foi só ele propor essas coisas, que os pregos começaram na minha cabeça. Cada prego por minuto, não fiquei em paz.&lt;br /&gt;Pelos cálculos, dava para largar o salão, descansar um bom tempo, abrir alguma outra coisa mais tranquila, comprar uma casa grande só para a mãe do Josué. Talvez montar uma floricultura ou uma lanchonete por aqui. Duas coisas que faltam mesmo em Maringá: flor e comida.&lt;br /&gt;Sempre que eu entrava no ônibus, encarada por aquele olhinho torto, à espera da resposta. Ainda não, eu dizia. Eu ainda tinha dois meses para pensar com calma, depois disso ele voltaria para a Espanha, para trabalhar com aquelas modelos incríveis, fazer mais fotos, ganhar dinheiro.&lt;br /&gt;Pensei em contar ao Josué, mas ele não iria entender. Embora chore lá de cima dos prédios, olhando toda a cidade mudar, aqui em baixo ele é machão para danar. Nunca que eu ganhasse dinheiro sem roupa. Primeiro, coitado do fotógrafo. Certo que iria tomar uma surra daquelas, talvez até colocasse o olho no lugar certo.&lt;br /&gt;Também não comentei com ninguém do salão. Bando de fuxiqueira, elas me dedurariam na primeira oportunidade. Eu entrei decidida no ônibus numa sexta. Lembro bem, porque eu e o Josué estávamos ansiosos pelo casamento da Lélia e do João, na sexta seguinte. Estava chovendo, aquele trânsito chato, quando sentei ao lado do Antônio. Ele nem percebeu que era eu, observava pela janela o atropelamento que acabara de acontecer.&lt;br /&gt;“Estou pronta.”&lt;br /&gt;Ele me olhou um pouco desconcertado, seu lábio inferior deu uma tremidinha, mas logo sorriu e a tranquilidade reapareceu no seu rosto. A camiseta preta, o gel no cabelo, que perfume era aquele? Antônio era atraente de óculos escuros. Como eu sei que não vai passar aqui no Brasil? E se a foto vier para Maringá?&lt;br /&gt;“Não vai se arrepender.”&lt;br /&gt;A fábrica de pantufas, ele dizia que era portuguesa, de uma cidade chamada Évora. Precisavam de uma modelo brasileira para a foto do novo catálogo, porque o produto principal seria uma pantufa estampando o mico-leão-dourado. Trinta mil euros só para umas fotografias calçando os chinelos de veludo. Não concordei em tirar a parte de baixo, não mesmo. Ele insistiu que não poderia começar desse jeito, eu exigindo tudo.&lt;br /&gt;“Mas a parte de cima?”&lt;br /&gt;“Tudo bem”, concordei.&lt;br /&gt;A foto seria na casa de um amigo, onde, segundo ele, estavam armazenados temporariamente seus equipamentos de fotografia, lentes, tripé. Numa casa localizada atrás da Avenida Cerro Azul, amanhã, às quatro da tarde, sem atraso. Não deveria levar nenhuma amiga, porque ele dizia que, com mais garotas, é sempre um estorvo. Com a roupa mais sensual, claro. Calculando na cabeça, disse que ainda daria tempo para alcançar a lotação.&lt;br /&gt;Naquele dia, me arrumei feito princesa. Mas isso à tarde, quando não tinha ninguém em casa. Antes de sair para o trabalho, fiz surpresa e carinho: levei café e bolo de fubá na cama para o Josué. A desculpa para deixar o salão, depois do almoço, era a tontura que me fez desmaiar enquanto eu pintava as unhas de uma japonesa. Todas assustadas, fui para casa de carona com a patroa, que insistia em me levar ao hospital. Com o falso desmaio, machuquei a cabeça de verdade.&lt;br /&gt;Coloquei o vestido verde, bem decotado, troquei de brinco pelo menos dez vezes, o salto vermelho nos pés. Sai de casa torcendo que ninguém me flagrasse. Dois ônibus até chegar à casa de madeira, sem cerca elétrica, de muros baixos, decorados com algumas pichações.&lt;br /&gt;Sem campainha, bati palma e gritei pelo Antônio, que demorou para chegar à janela, espionou-me e, finalmente, veio empurrar o portão para mim. Ele vestia branco, dos pés à cabeça, o cabelo encharcado de gel, estava até engraçado. Abraçou-me, perguntou se eu estava pronta. Sim. O dinheiro, ele explicou, seria depositado no dia seguinte, na minha conta ou quando eu quisesse. Tinha ocorrido um problema na conta dele, mas já havia entrado em contato com o gerente do banco, e tudo estaria certo até a noite, por volta das dez horas.&lt;br /&gt;O combinado era o dinheiro antes. Mas fiquei com vergonha de perguntar, já que isso deveria ser comum nesse meio da moda. Eu bem que vi, quando entrei naquele lugar, como podia morar alguém? Infelizmente, a mobília foi retirada porque ele está terminando uma mudança, e só o segundo andar, lá em cima, ainda está todo cheio, justificava o Antônio. Ele e seu amigo estudaram juntos desde a quarta série no Instituto de Educação. Os dois caminhavam juntos até o colégio, amigos para tudo, compartilhavam dinheiro, histórias, namoradas, isso ele ia dizendo enquanto ajeitava os equipamentos.&lt;br /&gt;Na parede, Antônio colocou um pano branco. Que eu ficasse ali na frente. Fui. Sem luz elétrica, como fazer a foto? Isso ele não respondeu. Enquanto ele me indicava as posições em frente ao pano, para testar a máquina, pensava o tempo inteiro no meu Josué, como administraríamos os trinta mil euros, quanto eles valeriam aqui no Brasil? Pensei em perguntar ao Antônio, mas ele estava concentrado demais apertando os botões e mexendo numa lanterna que ajudava a iluminar o lugar.&lt;br /&gt;Imaginei um homem de Évora dirigindo seu carro, contornando um redondo, observando minha foto estampada na parede de um shopping. A mulher ao lado dele, dando-lhe um tapa pela indiscrição, os filhos rindo no banco de trás: motivo de ciúmes e inveja. Bendito seja o mico-leão-dourado.&lt;br /&gt;“O vestido”, ele apontou.&lt;br /&gt;Tirei um pouco sem jeito, estava fria aquela casa. Que eu jogasse para ele. Atrás do pano, que eu pegasse as pantufas. Uma coisinha muito feia, viu? Um troço esquisito, desconfortável, nem parecia mico-leão.&lt;br /&gt;“É moda na Europa.”&lt;br /&gt;Calcei lentamente, meus pés logo começaram a doer. Não sabia o que fazer dali para frente. Fiquei encarando a lente, num olhar que misturava ódio e sensualidade. De onde veio? Sei lá. Fiquei com essa cara até ele começar a exigir. Sorria, deita, sorria, tira o sutiã. Mais de quarenta minutos.&lt;br /&gt;Dai para frente ele começou a beber alguma coisa que não dava para ver o que era. Comecei a ficar com sede. Pedi por água.&lt;br /&gt;“Não sai dai. É trabalho.”&lt;br /&gt;Ele já não falava comigo durante as fotos. Eu começava a perder a noção do horário, virava de um lado para o outro, fazia poses de tudo que era jeito, deitada, na ponta dos pés, ajoelhada: quantas fotos mais?&lt;br /&gt;Notou minha impaciência. Fez dois ou três elogios: bonito, bonito. Às vezes, deixava a máquina no canto, e mexia na lanterna, é verdade. Mudava de posição, deixava uma parte do meu corpo iluminada, a outra ficava escura. Tirei as pantufas do pé, coloquei em frente aos seios, mordi cada uma, depois mordi as duas de uma só vez, dei alguns tapinhas na minha bunda com o mico-leão, deslizei a pantufa do pé esquerdo da minha boca até o umbigo. Repeti isso quinze vezes. Minha cabeça estava doendo por causa do falso desmaio, estava exausta. Finalmente ele chegou com água para mim, eu já estava escorada na parede, nem percebi.&lt;br /&gt;“Meu anjo.”&lt;br /&gt;Fui acordar desse jeito, naquele Gol branco, no meio do Borba Gato, com o barulho dos carros, o vidro arrebentado do lado esquerdo, deitada no banco de trás. Umas crianças gritavam que eu estava morta, acordei confusa, ela morreu, ela morreu, muita buzina, ela morreu, eu não entendia nada. Alguém me cobriu com uma camiseta, um velho arriscou uma respiração boca a boca, tentei empurrá-lo com o pouco de força que eu tinha no momento. O gel, o perfume, o endereço da casa, o nome, não sei onde trabalhava, não vi o amigo dele nem sei o nome. Também não sei o sobrenome do Antônio. Não sei se ele mora mesmo naquela casa. Que desgraçado. Moça, jura para mim, no meu olho: meu Josué não vai mesmo nunca saber disso? Não esquece, pelo amor, de fazer o desenho dele ai, com o olho torto que nem o diabo: cem por cento estrábico.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-4410830438344068813?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/4410830438344068813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=4410830438344068813' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4410830438344068813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/4410830438344068813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/09/o-estrabico.html' title='O estrábico'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-6989262684420454191</id><published>2009-08-21T09:48:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T13:27:29.504-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Manolo, me come!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As mãos tocando a coxa branca, o suspiro do gordinho. Lábios mordidos, quase sangrando, olhar embriagado de suco de goiaba. Na Praça da Catedral, o domingo ensolarado, famílias aproveitam o descanso sagrado. Lugar ideal do piquenique romântico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em cima da toalha verde com estampa do Batman, mortadela, geleia de morango e quatro pães. Manolo, saciado, tira do bolso o presente da amásia. O anel de prata que brilha feito diamante debaixo do sol: a economia mais sofrida da vida. Deixou os gibis de domingo, o fliperama do Avenida Center e não comprou raspadinha nem lanches no colégio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Surpresa, Dulce agradece com o beijo mais molhado. Ao aproximar-se, Manolo contempla seus pequenos seios de bicos rosados, durinhos. E nem estava ventando, como pode?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dulce sorri, dá uma cuspidinha no anel, que é logo guardado dentro da cestinha. O dedo de Manolo – ele jurara à atendente: “é o mesmo tamanho, tenho certeza” – não foi boa referência ao diâmetro do mimo. Antes de lançar um olhar furioso, um olhar que o amante precoce nunca mais esquecerá, Dulce abre um pouquinho mais as pernas: o enfarto do Manolo? Mãos atrapalhadas na massagem improvisada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Assim dói.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais macia que o sofá da tia Lúcia, pensava o gordinho, cujos dedos desbravavam mais e mais centímetros na perna da garota.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Suavemente inclinada para trás, ainda sentada na grama, Dulce suspirava com os toques em seu corpo. Sentia todos os pelinhos loiros balançarem nos dedos roliços do namorado, três anos mais jovem. Ela com quinze anos neste janeiro; ele com doze apenas em dezembro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aproximou-se novamente, expondo os peitinhos rosados, sorrindo ao observar o olhar desnorteado à sua frente. Após o beijo, lambeu delicadamente a bochecha esquerda e seguiu com a língua até a pontinha da orelha. Lá, percorreu toda ela com a língua, enquanto Manolo se contorcia sem controlar o riso e o pequeno relevo em sua bermuda branca:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Você é um tesão”, “Por que você não pára de olhar meus peitos, hem?”, “Manolo, me come?”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não só sua orelha estava encharcada. Ela saiu dos braços do Manolo e, sorrindo, puxou a mão dele para baixo da sua saia jeans. Segurando firme, Dulce regia os movimentos que três dedos do Manolo faziam acima de sua calcinha. Olhava, despreocupada, a calçada e o time de futebol que jogava um pouco longe deles, camuflados nas sombras das pequenas árvores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dulce gemia, Manolo ofegante já coordenava os dedos sem o auxílio, “bem de levinho”, como ela mesma exigiu. Os olhos fechavam, abriam, ela tremia um pouquinho, cerrava os dentes nos lábios grossos, pôs a mão novamente na mão de Manolo, arranhou seus dedos, endureceu as duas pernas, que começaram a tremer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Ai, meu Deus!”, suspirou.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Ai, ai, ai, Manolo!”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando ele achou que ela fosse desmaiar ou sofrer um ataque, Dulce sussurrou, saciada, uma jura de amor que leu numa embalagem de bala de morango. Ele estava assustado, a prova da paixão nos dedos da mão direita, úmida de suor, parcialmente dolorida: o gordinho mais feliz de Maringá. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-6989262684420454191?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/6989262684420454191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=6989262684420454191' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6989262684420454191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6989262684420454191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/08/manolo-me-come.html' title='Manolo, me come!'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-5875684497624024957</id><published>2009-06-25T04:26:00.000-07:00</published><updated>2009-06-29T05:23:48.711-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Num bar em Lisboa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;font face="trebuchet ms"&gt;&lt;font size="4"&gt;“Bolchevique! Bolchevique! Bolchevique!”, acusou-me o sujeito bigodudo e gordo, com o dedo em riste. O Bocage era tudo o que eu sempre quis, com o fado melancólico do quarteto lusitano. Os poucos bêbados, as garçonetes e as paredes soturnas do Bocage pareciam girar, enquanto a soprano recitava alguns excertos d’Os Lusíadas, acompanhada pelo timbre estridente da guitarra.&lt;br /&gt;O sujeito se aproximava.&lt;br /&gt;Debaixo do braço, pasta encardida e caderno velho. Jornais macilentos colados sobre as páginas. Dizia-me, do pouco que eu conseguia ouvir, algumas datas e nomes russos. Tcheckov precisava de alguém na fábrica. Mas ele não voltará para aquele inferno nunca mais. Comunista, Tcheckov, nessa altura do jogo? Tentei continuar a conversa. A colheita e o carteado. Olhava-o, mas já não ouvia. A temperatura havia consumido suas pedras de gelo; as mulheres, a bebida. A gola desarrumada contrastava com o cabelo alinhado.&lt;br /&gt;E já era melancolia demais.&lt;br /&gt;Educado, agradeci a cerveja. Sorri ao deixar o dinheiro. Ele empurrou de volta. Em pé, me segura o braço e abre a pasta. Três canetas caem. Devolvo sem algum agradecimento os panfletos subversivos. Muito texto, poucas fotos. Luto contra o espirro, mas ele sai mesmo assim e eu limpo minha mão na camisa branca. Crônicas literárias narram o encontro do militante colombiano, Passos Aguiar, com um agitador cultural, no meio da posse de Gorbachov, em 12 de Março de 1985. Não sei russo, confidenciaria. Não sei quem é o agitador nem o tal Aguiar.&lt;br /&gt;Estou aqui, estou em Lisboa, estou definhando. E só.&lt;br /&gt;Estou definhando moralmente, intelectualmente e socialmente.&lt;br /&gt;Pediríamos outra bebida e o sujeito me pagaria outro drinque. Falaríamos sobre linguística, poesia e, talvez, até desabafássemos sobre o sexo, que sempre precisa ser desabafado nesses lugares estranhos, desproporcionais, angustiados. Criticaríamos as mulheres, seríamos grandes amigos.&lt;br /&gt;Era uma reunião plenária do Comitê Central do Partido Comunista analisada sobre cinco ou seis literatos e intelectuais alternativos. O indicador atabalhoado do gordo apontava a foto: cinco personalidades russas. A morena de olhos verdes, ele apontava, quase em segundo plano, aqui, quase desfocada: Lá estava Carolina, bem atrás do escritor que eu nunca ouvira falar.&lt;br /&gt;Eu seguia mais rápido por aquela Lisboa encardida, em que as pessoas possuíam cabeça de galo e corpo de bacalhau. E não sorriam. “Carolina é só uma questão de tempo”, gritava o gordo, tresloucadamente.&lt;br /&gt;Subíamos correndo, eu e o acusador, por entre a D. Dinis; passávamos pelas putas; banhávamo-nos às margens do Tejo e escalaríamos sem dificuldade a Torre do Tombo. O acusador nunca me alcançaria. Talvez até chegasse perto, com seus dedos escapando da gola da camisa. Quase.&lt;/font&gt;&lt;/font&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;font face="trebuchet ms"&gt;&lt;font size="4"&gt;“Bolchevique! Bolchevique! Bolchevique!”, acusou-me o sujeito gordo com o dedo em riste. Foi a última coisa que eu consegui ouvir, antes de receber dois tiros e ser arremessado às margens do Tejo.&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/font&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-5875684497624024957?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/5875684497624024957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=5875684497624024957' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5875684497624024957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/5875684497624024957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/06/num-bar-em-lisboa.html' title='Num bar em Lisboa'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1672610203982888201</id><published>2009-06-02T07:40:00.000-07:00</published><updated>2009-10-05T07:43:43.485-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Por que tão faminta?</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Acordei de pau duro. Não consegui urinar. Tive que mijar sentada, forçando meu pau para baixo, para que ele não encostasse na beira da privada. Eu estava no Vale Azul, tinha acabado de ser sequestrada por dois fortes negros e um ruivo obeso com chapéu panamá. Eles enfiavam canos de aço no meu cu, masturbavam-se uns aos outros e terminavam gozando na minha boca, puxando meu cabelo, enfiando as três picas de uma vez goela abaixo. Ai Meu Deus, caralho, vou engasgar, tenham dó de mim, porra. Cada vez que eu pedia clemência, mais rijo eles surgiam. Nem adiantou chamar Nossa Senhora. Eu sentia a barba ruiva roçando minhas costas, seus dentes podres a estraçalhar meu pescoço, um dos negros babando no meu mamilo direito e o outro punhetando-se atrás do ruivão. Entre os três sujeitos, eu, cadela no cio, saciando o desejo, gritando socorro, querendo mais, sem saber quantas grossas picas amontoavam-se, agachada, satisfazia cada um deles, dedicada, sorrindo, vem ruivão, e eles já não eram três, mas vinte, vinte e nove,  que voltavam ainda mais sedentos quando satisfeitos. Eu havia sido molestada no Parque do Ingá, no bloco G34 da UEM e, finalmente, em Sarandi, no Vale Azul. Não é lá muita coisa ter acordado de pau duro. Meu pau é bem pequeno, aliás, se você quer saber. Desde que abandonei a enfermaria do Hospital Santa Rita, há três meses, mal saio da cama, o mastruço se exibe orgulhoso. E só desce na hora do almoço. Deus, por que tão faminta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1672610203982888201?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1672610203982888201/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1672610203982888201' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1672610203982888201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1672610203982888201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/06/por-que-tao-faminta-na-segunda.html' title='Por que tão faminta?'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-6614317482891760535</id><published>2009-05-12T06:21:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T06:26:33.658-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Esquartejada sem um pio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Ô de dentro!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Lavando o prato de plástico, Edivânia escuta o insistente do portão. Faz sol nesta quinta feira e, graças a Deus, nenhum motoqueiro atropelado no Jardim dos Pássaros.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Camiseta xadrez, calça jeans surrada, suspensório e sapato marrom. Edivânia observa, dentro da cozinha, sem motivos para não simpatizar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Bom dia, paz do Senhor. Vim aqui com a indicação do padre Janilson. A senhora não ouviu o sermão de março? Atropelada na Cerro Azul, minha filhinha de sete anos. Que eu corte a sua grama?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-weight: bold;"&gt;Há três meses faltava nas missas da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Contenta-se em acompanhar pela Rádio Colmeia, chupando manga, os pés descalços. E nem é preciso ajoelhar, uma dificuldade e tanto aos oitenta e dois anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Minha nossa misericórdia! Que o gramado está assim dos ratos do Ney Braga.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;No sorriso do&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Como é o seu nome, seu moço?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dente de ouro no sorriso do Amaral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;A vida inteira sozinha. Conheceu a Vila Operária, onde criou o filho único, seu sustento e alegria. A mesada justa para o mês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“E não faz muito caro?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Dente de ouro no sorriso do Amaral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Na bolsa cinza, o cortador enferrujado e as sacolinhas do Cidade Canção. Ó, mato infinito, albergue de todos os peçonhentos desabrigados do Jardim dos Pássaros. Cozinha suja de barro, leite velho fora da geladeira, os óculos esquecidos em cima do fogão aceso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Cuspiu no gramado, chutou o cortador. O ônibus obedecia a faixa de pedestres e o motorista sorriu ao anjinho, que escapou dos braços da mãe, cruzou a Cerro Azul exibindo a imensa janelinha, onde a língua escorregou marota:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Pai!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O asfalto tingido de vermelho durante quatro dias sem chuva. Mais alguns meses para completar oito anos, não fosse o entregador de pizzas embriagado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;Arranca a navalha enferrujada e a lubrifica com cuspe. Em vinte pedaços, Edivânia esquartejada sem um pio. Cheio de moscas e uma gosma amarela entre os dedos dos pés, o corpo seria encontrado em frente ao Parque do Ingá, por volta das oito horas da manhã do dia seguinte, dentro das sacolas do Cidade Canção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;O Sol desaparece. Um motoqueiro é atropelado no Jardim dos Pássaros. Uma deficiente mental acaba de ser molestada novamente pelo padrasto na Zona 7. Dois pedreiros são espancados por policiais no Requião. E na Avenida Brasil, Marta, 58, prostituta, seduz o motorista do Del Rey preto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;“Que eu fico louca com dente de ouro!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-6614317482891760535?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/6614317482891760535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=6614317482891760535' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6614317482891760535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6614317482891760535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/05/esquartejada-sem-um-pio.html' title='Esquartejada sem um pio'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1096524208739336546</id><published>2009-03-07T06:28:00.000-08:00</published><updated>2009-03-07T06:49:39.138-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Foge, Silvia! Foge!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Para aqui, porra. Policial gostoso. Mostra o cacetete! Vem, gostoso”, gritou a Silvia. No silêncio da Avenida Brasil, a viatura escuta o pedido da nova garota. E volta.&lt;br /&gt;Era a primeira semana dela, Abílio.&lt;br /&gt;A porta da Principal Calçados está sempre coberta por folhas de jornais. O cheiro de tinta é forte - acabaram de pintá-la hoje –, mas o cheiro de merda é ainda pior. Alguém cagou em uma caixa de sapatos e deixou ali mesmo, no meio da rua. Silvia senta em cima do jornal. O inferno do vestidinho branco. O jeans é melhor, não suja tanto. As sacolas de supermercado não são nada confortáveis, rasgam logo, não duram a noite. As páginas ficam por lá, aguardando os funcionários da loja, no dia seguinte.&lt;br /&gt;Na bolsa, traz presente do Edvaldo, O Diário. Na segunda, Silvia trouxe até pirulito.&lt;br /&gt;“Pra mexer com a língua e dar um aceno, sabe?”&lt;br /&gt;Quase três anos no açougue, as crianças na escolinha particular, o pai morto-vivo no hospital há seis meses.&lt;br /&gt;Nunca negou cliente. Até faz hora extra, de manhã e à tarde, atrás do Instituto de Educação. Só não quis com o Louquinho. Suado, bobo da ideia, olho virado, exibindo as economias. De dia, na Tiradentes, perseguindo os vestidos que passam. Ás vezes é certo correr. Fica meio esquisito, pode ser violento com pau na mão. Ou faca. Na Santos Dumont, uma moradora do Edifício Atlantis chegou a largar sacola e celular com medo dele. Diz que vai caçar tubarão em Marte. Policial nenhum prende.&lt;br /&gt;Entra na quitanda, compra miojo, ganha café. Onde ele cozinha? Ninguém precisa de panela quando não tem miolo.&lt;br /&gt;“Estou sem casa. Mataram ele com arpão, nas costas. Hoje, não vou mais para Marte”, costuma dizer. Durante três meses, ela me contava que atendeu um nobre empresário, que até virou nome de bairro, em Londrina. Sempre oferecendo pozinho.&lt;br /&gt;“Mas dessas coisas eu não gosto, não, viu?”. Tão meiga.&lt;br /&gt;Disse que falou em casamento. O sonho de todas nós, Abílio.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;“Detalhava meu vestido, alugaria em São Paulo, chamaria o padre Júlio, eu escolho os padrinhos. Quem sabe, se tudo desse certo, andaríamos de Limusine por Maringá, pela Tiradentes lotada. E seria na Catedral, entrando com Bandolins, faríamos fotos entre as árvores - se não chovesse, claro.”&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E como ela não ia acreditar?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;“Falava sério, cuspiu na aliança. Era o diabo, aquela mulher. E tão cheiroso, romântico, recitava poema. Trouxe um livro do Vinícius de Moraes no carro. Não culpo eles, não. Mulher não dá carinho, não dá nada, nem conversa, e quer coisa fiel? Não fosse o maldito ataque cardíaco. Saiu em todos os jornais, com foto e tudo.” &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Eu falei para ela do comandante Antônio. Direito, sempre pagou certinho. Contei do dia em que, enfezado, fez o diabo. Também, o João Paulo foi inventar um programa, reclamou lá na frente. O melhor vestido vermelho. O rapaz tirou foto pro jornal. Mas nem saiu, não. Acho que eles devem trocar por dinheiro ou só para sacanear, né? Mas quem viu, viu. Comandante puto, chamando de viado, travesti, tudo misturado. Prendeu na hora. O João voltou com dente a menos e roxo no corpo.&lt;br /&gt;Mexer com policial é complicado. Sempre tem um que bebe um pouco e já vem para cima da gente, aqui na Avenida Brasil mesmo, dizendo que é a voz da autoridade. O negócio é abrir a perna, que passem a mão e deem uma beliscada. Nunca se sabe muito bem quem está dentro do carro, nem o estado de humor. Freguês, policial ou não, sem humor bom é terrível. Você tenta fazer uma piada, fala sobre o tempo, e o silêncio aterrorizante do seu lado.&lt;br /&gt;Com a Silvia foi horrível. Segunda feira é fria, nunca tem movimento. A Larissa, e você sabe disso, Abílio, nem vem de segunda. Ela é diferente. A Silvia é trabalhadeira, é raçuda.&lt;br /&gt;Mas ninguém pode cutucar a onça com vara curta, né?&lt;br /&gt;Era a primeira semana dela, ali na Avenida Brasil. A Silvia estava feliz porque estava na rua. Abandonara o namorado violento, o segurança ladrão, iria mudar de vida, iria trabalhar na PrincipaL Calçados. Logo aqui, bem atrás da gente. Ela treinava em voz alta:&lt;br /&gt;“Pois não, posso ajudá-lo, moço? Os chinelos ficaram lindos!”.&lt;br /&gt;Engraçado, né? Lembrei da sua frase, Abílio: “Longe é um lugar que não existe”.&lt;br /&gt;Ainda pagaria a mensalidade atrasada da escolinha dos meninos. Eu já gostava dela. Bom humor, sonhadora. Não sei como ela foi virar mulher da vida.&lt;br /&gt;Quando eu vi a confusão, desesperei.&lt;br /&gt;“Foge Silvia! Foge!”, gritei.&lt;br /&gt;Era o comandante de Curitiba, trabalhando na cidade. Promovido recentemente. Veio só passar a semana.&lt;br /&gt;Freada brusca, ouvindo CBN, desceram com a mão na arma.&lt;br /&gt;Amarildo, o motorista, ligou a lanterna e alumiou a cara da Silvia.&lt;br /&gt;Ninguém naquela segunda. Ninguém mesmo.&lt;br /&gt;“Ela é nova no pedaço, Curitiba”, avisou o Amarildo.&lt;br /&gt;“Fica na sua, negão. Perguntei? Quantos anos você tem, putinha?”&lt;br /&gt;Cachorro acuado, Silvia não dizia nada. Olhava para o chão, parecia muito longe. Irreconhecível. Resmungou alguma coisa que só o Curitiba ouviu.&lt;br /&gt;“Ah, então você gosta de dar? É porque o veado do seu pai está na merda, né? Quantos filhos você tem? Hem? Quantos filhos? Responde, vadia!”&lt;br /&gt;Ela começou a chorar, sentou no chão, esfregou a cabeça na parede, dizia alto:&lt;br /&gt;“Ai, meu Jesus. Ai, menino da tábua.”&lt;br /&gt;Ele deu mais um ou dois passos.&lt;br /&gt;“Para de mentir. Você dá, porque você gosta. Porque você é uma P-U-T-A! Quanto você cobra o anal, hem? E se alguém tiver o pau grosso como o meu? É mais caro?”&lt;br /&gt;E foi tirando o dinheiro. Cinco, dez e várias notas de um real eram arremessadas e caíam sob a cara da garota, que já abraçava as pernas e tremia.&lt;br /&gt;Ai, que dor no peito, Abílio. Eu tentei te ligar. Mil desculpas. Você trocou o telefone? Como não te encontrei? Está em Maringá, né? Não fique bravo. Eu deveria ter ligado para a polícia?&lt;br /&gt;Não consegui sentir cheiro de cachaça.&lt;br /&gt;O Curitiba se aproximou ainda mais dela, exigiu que o motorista ficasse ao seu lado, e começaram a cuspir nela. A interminável chuva de catarro. Já com as bocas secas, puxaram o cabelo, chutaram e levaram ela no carro.&lt;br /&gt;Tremendo toda, eu, atrás da árvore.&lt;br /&gt;Atendi um garoto, depois de tudo. Era recém casado, Astra azul, banco de couro, ar condicionado. Igual àquele que você tinha.&lt;br /&gt;Até o louquinho estava lá, do outro lado da rua, mostrando as economias, querendo sexo. Ele gritava que me amava mais do que tudo, me chamava para viajar para Marte, que a nave estava partindo e eles não partiriam sem mim.&lt;br /&gt;Nem Deus sabe onde a Silvia foi parar.&lt;br /&gt;Sinto muito, Abílio.&lt;br /&gt;Sempre sua,&lt;br /&gt;Marta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1096524208739336546?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1096524208739336546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1096524208739336546' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1096524208739336546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1096524208739336546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/03/foge-silvia-foge.html' title='Foge, Silvia! Foge!'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8280020585408487238</id><published>2009-02-25T17:20:00.000-08:00</published><updated>2009-03-02T03:27:06.968-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Depois do Bar do Vermelho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Eu tinha acabado de sair da panificadora, já estava escuro. Fui para casa, contornando o muro do cemitério, e parei para fazer sinal da cruz, em frente à capela do Prever. Três velhos sendo velados.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Em casa, antes de tomar banho, recebi um telefonema-gravação daquela atriz famosa, tentando me convencer a adquirir um pacote para celular, incluindo seis meses de mensagens gratuitas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Nós nos reunimos no Bar do Vermelho, aqui perto. Fui andando, não perco dez minutos, nem fico suado. Matraca e Paulão chegaram depois, no Del Rey preto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O ponto do Bar do Vermelho é precioso. Para chegar à faculdade, basta descer uma única rua. As garotas moram por aqui. Voltam para casa em pequenos grupos. Na sexta-feira, todas enfeitadas para a noitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;O nome dela é Ariela. Mora sozinha, frequenta a academia. De segunda a sábado, uma hora de exercícios enfiada num vestido de tenista de filme pornô. Que pernas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Eu mesmo não queria isso. Foi coisa do Matraca e do Paulão. Até insisti para a gente ficar mais um pouco no Vermelho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Enquanto ela tentava encontrar a chave na bolsa, o Matraca mostrou a faca:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;“Quero amor”, disse.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Subimos os quatro no elevador apertado. Boca tapada, ela se esfregando no Paulão. Foi difícil colocá-la dentro do apartamento. A pancada na cabeça? Resultado da mão pesada do Matraca. Deitamos ela no sofá, com a cabeça na almofada.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Tiramos a seqüência no par ou ímpar. Eu, o último.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;O Paulão começou lá mesmo. Em seguida, partiu com ela para o quarto. O Matraca ficou se divertindo com as saias e com as calcinhas. Eu fiquei vendo as fotos dela. Bailarina desde a quarta série. E como era gordinha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Quando ela insistia em acordar, alguém dava soco na cabeça. Mas não tinha estilete, não. Isso é certeza.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;O Paulão, saciado, ajudou o Matraca a colocá-la de quatro, no banheiro. Acomodou a cabeça da Ariela na tampa do vaso sanitário. Arrumou o cabelo dela nas costas. Eu ainda estava na cozinha, acompanhando sua excursão para a Pousada do Rio Quente, na oitava série.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Eu ouvia os gritos vadia, putona, filha da puta, cachorra, mais, mais, gostosa, que eu fico louco, que eu vou gozar, porra, mais, caralho.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Na minha vez, fui para o banheiro e perdi a vontade. Toda lambuzada, tadinha.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;“Se não for, não é homem, porra”, eles disseram e apontaram a faca.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Gozei rápido. O Paulão foi por trás do Matraca, ali na minha frente. Veados. No sinal &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;combinado, &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;o Matraca agachou e se lambuzou com o jato do Paulão. Eu já tinha levado a Ariela para a sala. Vi que seus olhos estavam cerrados. Tomei o pulso. Nada. Abri seus olhos, fiz respiração. Veio o Matraca e deu outra pancada na cabeça. Sobrou até para mim:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;“O que você fez, caralho? Fodeu e matou a menina, escroto?”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;“Ela não respira, Matraca”.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;“Dê um jeito ou eu vou te foder”, disse, dirigindo-se ao quarto.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Comecei a rezar.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Voltou exibindo o pau.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Tirou a cinta e começou a espancar a Ariela. Pulei em cima dele. Puxei pelo pescoço. Minha vez de receber cinta nas costas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Eu sangrei durante vinte e cinco minutos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Meu cu ainda está ardendo.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;E não lembro de mais nada. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8280020585408487238?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8280020585408487238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8280020585408487238' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8280020585408487238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8280020585408487238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/02/depois-do-bar-do-vermelho.html' title='Depois do Bar do Vermelho'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-1795770617639417605</id><published>2009-01-31T08:16:00.000-08:00</published><updated>2009-02-03T13:05:37.191-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Lá vem o velho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Ai, que velho chato atrás de mim. O garoto até ofereceu lugar. Mas ele não vai. Que droga. Sempre esse cheiro ruim. Nas curvas, já me preparo: lá vem o velho. No redondo é pior. Seguro firme e ele também. Sempre grudado em mim. Que nojo. Crucifixo no pescoço, camisa aberta, suado. Até falei com o Joãozinho esses dias. Ele me disse velhinhos são bons e não devo desgostá-los. Um dia, o Joãozinho disse oi pro velho. Nem respondeu. Sabe, nem tenho coragem de virar quando o velho está atrás de mim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Só um dia quis sentar. Uma moça gorda levantou bem do meu lado. Laranjas e remédio na sacolinha. Suava. Olhava pra cima. Ficava se coçando. Fingia dormir quando encostou a boca no meu ombro. Mão esquerda na sacola; a outra, coçando as pernas. A dele e a minha. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"  &gt;Acho que a mãe do Joãozinho ganhou carro. Ele não me acompanha mais. Subo no ônibus sozinha, ali no terreno vazio. Semana passada, o velho estava lá. Graças a Deus ficou longe. Olhando esquisito, mas longe. Foi só entrar no ônibus. Na escadinha, mesmo. Será que ninguém vê? O motorista? O cobrador? Os passageiros? Toda noite peço pra Jesus fazer alguma coisa. Mandar santinhos, anjinhos. Eu sei que isso é feio, mas odeio aquele velho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-1795770617639417605?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/1795770617639417605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=1795770617639417605' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1795770617639417605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/1795770617639417605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2009/01/la-vem-o-velho.html' title='Lá vem o velho'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-2402118486096045186</id><published>2008-12-15T17:31:00.000-08:00</published><updated>2009-02-14T09:03:05.272-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Foge, Silvia!</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Pára aqui, porra. Policial gostoso. Mostra o cacetete. Na Getúlio Vargas, a viatura pára metros à frente. E volta. Cacete, Silvia, vai dar merda, caralho. Na loja de calçados, o azulejo é coberto por algumas folhas de jornais. O inferno do vestidinho branco. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Marta bem que sabe, em cima da Cidade. O jeans é melhor, não suja. Traz as páginas do dia anterior do Edvaldo. Ás vezes traz até pirulito. Pra mexer com a língua e dar um aceno, sabe? Quase três anos sentada na esquina, as crianças na escola particular, o pai morto-vivo no hospital. Nunca negou cliente. Só não quis com o louquinho. Suado, olho virado, bobo da idéia, mostrando as economias. Sempre por ali. Perseguindo os vestidos que passam. Ás vezes é certo correr. Fica meio esquisito, pode ser violento com pau na mão. Ou faca. Teve uma velha que largou sacola e celular com medo dele. Diz que vai caçar tubarão em Marte. Policial nenhum prende. Entra na quitanda, compra miojo e ganha café. Onde ele cozinha? Ninguém precisa de panela quando não tem miolo. Aqui perto, todo mundo conhece. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Durante alguns meses, Marta atendeu o empresário famoso. Virou até nome do bairro. Sempre ofereceu pozinho, mas dessas coisas eu não gosto, não, viu? Falou em casamento. E como eu não ia acreditar? Só vendo. Falava sério, cuspiu na aliança, era o diabo, aquela mulher. E tão cheiroso, romântico. Não culpo eles, não. Mulher não dá carinho, não dá nada, nem conversa, e quer coisa fiel? Não fosse o maldito ataque cardíaco. Saiu em todos os jornais. Esses, ela guardou com carinho na sala. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nunca mexeu com polícia. Conhece o comandante Antônio. É direito, sempre pagou certinho. O dia em que ficou enfezado fez o diabo. Também, João Paulo inventou um programa e foi reclamar lá na frente. O melhor vestido vermelho. Tinha que ver. Juntou todo mundo. O rapaz tirou foto pro jornal. Mas tudo amigo. Nem saiu, não. Acho que eles devem trocar por dinheiro, né? Mas quem viu, viu. Comandante puto, chamando de viado, travesti, tudo misturado. Prendeu na hora. Voltou com dente a menos e roxo no corpo. Depois, o comandante não voltou, não. Ás vezes passa de carro, mas não pára. Fica olhando, volta, volta de novo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Com a Silvia, mesma coisa. Foge, Silvia!, gritei. Bateram nela ali mesmo. Era comandante de Curitiba. Puxaram cabelo, chutaram, cuspiram nela e levaram no carro. Tremendo toda, eu, atrás da árvore. Atendi um garoto, depois de tudo. Era recém casado. Até o louquinho estava lá, do outro lado da rua. A Silvia? Nunca mais voltou ali. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-2402118486096045186?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/2402118486096045186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=2402118486096045186' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2402118486096045186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/2402118486096045186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2008/12/foge-silvia.html' title='Foge, Silvia!'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-7826150171985468275</id><published>2008-09-11T19:40:00.000-07:00</published><updated>2009-01-31T08:55:28.635-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crítica'/><title type='text'>A antiarte de Duchamp</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SMnYE_BsFcI/AAAAAAAAAGc/Xsp6dVzT7KI/s1600-h/Duchamp+074.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244960821199246786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SMnYE_BsFcI/AAAAAAAAAGc/Xsp6dVzT7KI/s320/Duchamp+074.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um urinol virado ao contrário, uma roda de bicicleta montada sobre um banco e até mesmo um simples pente provocam: o que é preciso para algo ser considerado obra de arte? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inaugurada em julho, a retrospectiva “Uma obra que não é uma obra ‘de arte’”, a maior já realizada sobre o gênio Marcel Duchamp (1887-1968), na América Latina, é simplesmente desconcertante.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Praticamente todas as 120 obras expostas são réplicas produzidas pelo próprio artista franco-americano, que teve parte da produção original confundida com lixo e jogada fora por sua irmã, enquanto limpava o atelier. “O grande vidro”, “Sendo Dados”, “Caixa-Valise” e “Por que não espirrar, Rose Sélavy?”, produções consagradas de Duchamp, garantem ao público um contato íntimo com o mestre da antiarte. Diversos manuscritos, fotografias e filmes raros sobre o artista também compõem a mostra. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir do diálogo de Marcel Duchamp estabelecido com o Futurismo, Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo e até com a sua incondicional paixão pelo jogo de xadrez, é possível acompanhar, no MAM, as propostas da excitante revolução do universo artístico. Os seus ready-mades (tradução equivalente a “pronto para uso”) são as provas de que todo objeto cotidiano e trivial, qualquer objeto resultado da produção de massa, quando assinado pelo autor e deslocado para dentro de um museu, transforma-se em obra de arte. Duchamp coordenou uma revolução marcada por seu humor ácido e sardônico, que não poupou nem mesmo a Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, rabiscada com divertidos bigode e cavanhaque.&lt;br /&gt;“Roda de bicicleta” (1913), o seu primeiro ready-made, abre a retrospectiva. O público, reunido em redor de uma roda inerte sobre um banco, é tomado por uma desconfortável sensação coletiva. O efeito é a catarse, ao enfrentar obras tão inusitadas e repletas de puro anarquismo estético. Mas, sobretudo, repletas de genialidade.&lt;br /&gt;Poucos metros à frente, pendurados no teto, “Previsão do braço partido” (1915) e “Porta-garrafas” (1914/1964), uma pá para neve e um suporte para garrafas, respectivamente, causam estranheza e arrancam sorrisos do público embasbacado.&lt;br /&gt;A sensação desconfortável reaparece, inclusive, durante a leitura dos textos objetivos e bem escritos que conduzem os espectadores. Sorrisos consternados estampam faces quase incrédulas, observando o tampão de pia em bronze polido, na obra “Boca-ralo” (1964/1967), e “Ar de Paris” (1919), que é, simplesmente, uma ampola vazia; cheia, apenas, de ar parisiense.&lt;br /&gt;Frente a frente com sua obra mais popular, a “Fonte” (1917/1964), nenhum ruído, nenhum comentário. O silêncio fúnebre predomina, como se os espectadores estivéssemos próximos de um túmulo. O mictório invertido é fotografado. Pessoas posam ao seu lado e analisam detalhes nos diversos ângulos. Gênio? Louco? Bizarro? Superestimado? Dadá? Graças a Duchamp, hoje, um intelectualizado vômito dentro de um museu é arte. Uma pessoa gritando dentro de um museu é arte. A própria ausência de obras de arte, em um museu, é arte. Você, leitor, acompanhando esse jornal: se você estivesse dentro de um museu, também seria uma obra de arte. Agradeça a Marcel Duchamp, o algoz dos cânones tradicionais. O coveiro zombador da arte clássica.&lt;br /&gt;Marcel Duchamp: Uma obra que não é uma obra “de arte” permanece no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) até o dia 21 de Setembro. Endereço: Parque do Ibirapuera – Av. Pedro Álvares Cabral, portão 3. De terça a domingos e feriados, das 10h às 18h. Ingresso: R$ 5,50. Crianças até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam. Telefone: (0/xx/11) 5085-1300. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-7826150171985468275?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/7826150171985468275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=7826150171985468275' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7826150171985468275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/7826150171985468275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2008/09/antiarte-de-duchamp.html' title='A antiarte de Duchamp'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SMnYE_BsFcI/AAAAAAAAAGc/Xsp6dVzT7KI/s72-c/Duchamp+074.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-6230987633473720061</id><published>2008-09-07T18:07:00.000-07:00</published><updated>2009-01-31T08:57:15.505-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Amordaçada na mesa do Abílio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Mariana, adoro seu pescoço. Adoro ficar colada atrás de você. Não há nada mais excitante do que te provocar, rodeada pelas garotinhas da sexta série. Eu te aperto muito forte? Desculpa. Mas não vou deixar de sussurrar porcarias no seu pescoço. Passar a língua na sua nuca gelada. Eu preciso de você. Aqui mesmo na loja. Agora. Vamos bem gostoso, doidinha. Doidinha docinha. Não tem câmera, não. Aproveitar que estamos sozinhas, vai. Não vou te tratar como qualquer outra, já que você reclama. A gente só se diverte com hora marcada. Está chato. Parece dentista. Psicólogo. Passeio ciclístico.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Ah, se Abílio soubesse. Nunca mais nos deixaria fechar a loja. Vamos na mesa dele. Quero te amordaçar ali. Dessa vez, quero que você grite ainda mais alto. Será que Dona Maria acaba ligando de novo? Velha asquerosa. Não pode ouvir a diversão alheia. Amanhã limpo a sujeira. Chego mais cedo. Levo-te da mesa para a vitrine. Mas antes você vai ficar aqui. Amordaçada na mesa do Abílio. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-6230987633473720061?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/6230987633473720061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=6230987633473720061' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6230987633473720061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/6230987633473720061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2008/09/amordaada-na-mesa-do-ablio.html' title='Amordaçada na mesa do Abílio'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8724350578313094465</id><published>2008-07-13T14:40:00.000-07:00</published><updated>2009-01-31T08:52:53.391-08:00</updated><title type='text'>O PAMPEIRO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SHp9q92s0-I/AAAAAAAAAGU/v6tl_1krD10/s1600-h/capa_o_pampeiro_junho_2008.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222624895001482210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SHp9q92s0-I/AAAAAAAAAGU/v6tl_1krD10/s320/capa_o_pampeiro_junho_2008.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Graças ao nobre vereador Chico Caiana, que patrocinou as primeiras cem cópias, o blogueiro e acadêmico de Letras Michel Queiroz finalmente me convenceu de engendrar um fanzine. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na primeira edição, publicamos quatro contos ("O grande velho", "Estelita bate-bate", "Um conto para Lindalva" e "Aos setenta") que já haviam sido veiculados em nossos blogues.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"O Pampeiro", nome muito bem sugerido por Michel, deve saciar os leitores mais tradicionalistas&lt;br /&gt;que preferem o papel à internet e, obviamente, deve expandir os nossos leitores obtusos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A linha editorial é a orgia. Vale conto, crônica, entrevista, artigo, balbúridas literárias, poemas etc.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já que a impressão de "O Pampeiro" está sendo financiada por nós mesmos (e Chico Caiana, claro!), dificilmente você encontrará uma edição. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caso haja algum interesse, entre em contato que negociamos uma impressão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-8724350578313094465?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/8724350578313094465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=8724350578313094465' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8724350578313094465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/8724350578313094465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2008/07/o-pampeiro.html' title='O PAMPEIRO'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/SHp9q92s0-I/AAAAAAAAAGU/v6tl_1krD10/s72-c/capa_o_pampeiro_junho_2008.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-9107451527509756128</id><published>2007-11-30T11:12:00.000-08:00</published><updated>2007-12-01T16:58:52.627-08:00</updated><title type='text'>Os melhores de 2007:</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Pois é, seguindo os critérios mais exigentes, rabisquei uma listinha sobre o rock independente desse ano. O resultado surpreendeu. Tira de lá, põe pra cá, apaga, revive, relembra e conclui. Foi divertido pacas rememorar esse ano de 2007:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Melhor disco:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Terminal Guadalupe (PR) – “A marcha dos invisíveis”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138828576895469298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DJXS97BvI/AAAAAAAAAEU/_YsenI5xqWA/s320/terminal+guadalupe.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Melhor show:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Raphael Souza (AM)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138830037184349970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DKsS97BxI/AAAAAAAAAEk/JbMvvM9wUAE/s320/DSC01297.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhor música:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;"Hacienda Mecanica" - Hacienda (SP)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138831033616762658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DLmS97ByI/AAAAAAAAAEs/nJwJLPj8ffA/s320/hac.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Revelação regional:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Os Leminskes (Mgá)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138844893476226978" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DYNC97B6I/AAAAAAAAAFs/ehjfPAvgg1c/s320/leminskes.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Banda mais estilosa:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;!Slama (MG)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138835324289091394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DPgC97B0I/AAAAAAAAAE8/OGzYzCrtJIM/s320/24393513.jpg" border="0" /&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Melhor balada:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Terminal Guadalupe (PR) - “De Turim a Acapulco”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138839112450246514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DS8i97B3I/AAAAAAAAAFU/bIxknAtShOY/s320/terminal+guadalupe.jpg" border="0" /&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Pior disco:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Superguidis (RS) – “A amarga sinfonia do superstar” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138835788145559378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DP7C97B1I/AAAAAAAAAFE/0jC6t-t3gO4/s320/superguidis.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Melhor Acústico Garagem:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Thunderbird e os Devotos de Nossa Senhora Aparecida (SP)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138838691543451490" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DSkC97B2I/AAAAAAAAAFM/i50fNHvSs-Y/s320/thun.JPG" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Pior Acústico Garagem:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Poser Pride (GO)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138840890566707074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DUkC97B4I/AAAAAAAAAFc/tGzQYXSvgKA/s320/poser.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;Biquinho sensual:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Fábio Elias - Relespública (PR)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138843038050355090" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DWhC97B5I/AAAAAAAAAFk/UhoYytzWIWo/s320/fabio.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7693289422160490123-9107451527509756128?l=alexandregaioto.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/feeds/9107451527509756128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7693289422160490123&amp;postID=9107451527509756128' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/9107451527509756128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7693289422160490123/posts/default/9107451527509756128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://alexandregaioto.blogspot.com/2007/11/eis-os-melhores-do-ano.html' title='Os melhores de 2007:'/><author><name>Alexandre Gaioto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00372891005542072703</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='30' src='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/S3WobSI6OLI/AAAAAAAAAKg/qrRVVftRe6M/S220/Alexandre+gaioto+imagem.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R1DJXS97BvI/AAAAAAAAAEU/_YsenI5xqWA/s72-c/terminal+guadalupe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7693289422160490123.post-8883480740647604729</id><published>2007-11-28T04:52:00.001-08:00</published><updated>2007-11-28T04:59:47.009-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fotografias'/><title type='text'>A cidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_NKm8J141yEg/R01luVdzyWI/AAAAAAAAAEM/Q4O3M9iyZp4/s1600-h/malabar+foto+copy.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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