Se eu disser a verdade
Tudo isso aqui é verdade
Você ficaria puta comigo?
De verdade mesmo?
Te afastaria para sempre
-ou pelo contrário
Mais próxima ainda debaixo da pele
Sem ter descanso nem como extirpar
É daqui desse silêncio
Dos porres
Não suporto suas ressacas
(você sempre diz)
Das noites
Que afogam o tédio
E dão vida
É esse cheiro
(que seu olfato ignora)
Dói o arrependimento não vivido
Sóbrio no retorno para casa
(não falta alguma coisa?)
No último verbo mais um conhaque
Bob Dylan com Stones
Que tal um baseado?
-por que não?
Porque basta porra
(você sempre diz)
As melhores coisas da vida
(respondo)
Fiz quando estava bêbado
As piores coisas da vida
Fiz quando estava bêbado
Até o momento
(uma pausa)
As melhores coisas da vida
Sem dúvida
Valeram todas as cachaças ainda não bebidas
Valeu acordar de porre no meio da rua no sábado de manhã
Caçar brigas com escrotos em repúblicas
(e não foi divertido?)
Ver seu próprio pau morto na cama sim
(isso me dá raiva)
-das mulheres que o Presidente me abateu
(Camila Angélica Sara e outra que não lembro o nome)
Então
Agora
De ressaca
Estou na sua frente
Você sente esse grito às dez da noite?
Como dizer?
Meu Deus
Entende?
Sou apenas eu
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Jessica
Aquilo que confunde o verbo
Desnorteia o raciocínio
Minha religião sem um Deus
Aquilo que mata
Cala
Enterra
Afoga
E dá vida
O assombro na mesa do Divina Dose
Nó de apertar forte o esôfago e doer
Seu silêncio não convence
Pede algazarra
Pede refrãos de Chico Buarque
Na maratona de porres pela madrugada
Sofro nas suas mãos
Gozo na sua boca
E morro nos seus braços
Desnorteia o raciocínio
Minha religião sem um Deus
Aquilo que mata
Cala
Enterra
Afoga
E dá vida
O assombro na mesa do Divina Dose
Nó de apertar forte o esôfago e doer
Seu silêncio não convence
Pede algazarra
Pede refrãos de Chico Buarque
Na maratona de porres pela madrugada
Sofro nas suas mãos
Gozo na sua boca
E morro nos seus braços
sábado, 24 de setembro de 2011
Democrático
Se você pode pegar essa cadeira?
(sorrindo de corpete salto alto saia)
-quinta-feira quase meia-noite
Se você quiser a minha vida ela é sua
(sorrindo bêbado jeans camiseta)
-ala não fumante Democrático
Se você quiser o meu pau ele é seu
Enfia o meu pau na sua goela
Boca nariz ouvido
Mete meu pau dentro do seu umbigo
Entre os dedos dos pés esfrega a frieira
Nos seus olhos mamilos sobrancelhas
Por todo o sol tatuado nas costas
Primeiro no sofá da quitinete
Lambuzando sua barriga perna pescoço
Depois no quarto inquieto da Zona Sete
Duro no queixo testa joelho
Enquanto te rasgo aos poucos
A saia as entranhas o corpete
Bochecha sedenta me arranha
Alto grita goza
(sorrindo de corpete salto alto saia)
-quinta-feira quase meia-noite
Se você quiser a minha vida ela é sua
(sorrindo bêbado jeans camiseta)
-ala não fumante Democrático
Se você quiser o meu pau ele é seu
Enfia o meu pau na sua goela
Boca nariz ouvido
Mete meu pau dentro do seu umbigo
Entre os dedos dos pés esfrega a frieira
Nos seus olhos mamilos sobrancelhas
Por todo o sol tatuado nas costas
Primeiro no sofá da quitinete
Lambuzando sua barriga perna pescoço
Depois no quarto inquieto da Zona Sete
Duro no queixo testa joelho
Enquanto te rasgo aos poucos
A saia as entranhas o corpete
Bochecha sedenta me arranha
Alto grita goza
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Mais triste que um pombo
O escritor vive de migalhas
Ciscando espantos em ruas tumultuadas
Feito um pombo da praça Rocha Pombo
Entre putas pés vendedores de vassouras
-Olha a vassoura e alho!
O escritor se aventura
Exposto
Busca refúgio em pânico
Às vezes teme ser pisoteado
Atropelado quem sabe por um ciclista?
Na cabeça tomar a pedrada certeira da criança?
O escritor vive de migalhas alheias
Alheio ao que não constrange nem perturba
Um pouco só
Mais triste que um pombo da praça Rocha Pombo
Ciscando espantos em ruas tumultuadas
Feito um pombo da praça Rocha Pombo
Entre putas pés vendedores de vassouras
-Olha a vassoura e alho!
O escritor se aventura
Exposto
Busca refúgio em pânico
Às vezes teme ser pisoteado
Atropelado quem sabe por um ciclista?
Na cabeça tomar a pedrada certeira da criança?
O escritor vive de migalhas alheias
Alheio ao que não constrange nem perturba
Um pouco só
Mais triste que um pombo da praça Rocha Pombo
quinta-feira, 21 de julho de 2011
Etapas
Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen:
Convidar Fernanda uma segunda vez para beber cervejas no Tribos
Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,
Hatoum, Kafka, Tezza:
Convidar Fernanda uma terceira vez para beber cervejas no Tribos
(notar se ela tem o “silêncio que precede as emboscadas”, que tanto falou Agualusa)
Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,
Hatoum, Kafka, Tezza,
Josué Demarche, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan:
Intimar Fernanda para cantar Lou Reed noite adentro
-e encontrar qualquer defeito em Fernanda
O jeito como pronuncia a letra r
Sua voz impostada nas notas agudas
Não poderia ser mais macio o sorriso de Fernanda?
(Fernanda tem cara de quem come jornalistas no café da manhã)
Se no luau não encontrar nenhum defeito em Fernanda
Evitar na madrugada sem sono escrever um poema para Fernanda
Escondê-lo se já escrito
-e jamais
Em hipótese alguma mostrar os versos para Fernanda
Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,
Hatoum, Kafka, Tezza,
Josué Demarche, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan
Bergman, Elomar, Arvo Part:
Controlar o desespero e a ansiedade
Quem sabe talvez enviar o poema para Fernanda
Abrir uma conta conjugal na segunda-feira
E nunca mais perder Fernanda de vista
Convidar Fernanda uma segunda vez para beber cervejas no Tribos
Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,
Hatoum, Kafka, Tezza:
Convidar Fernanda uma terceira vez para beber cervejas no Tribos
(notar se ela tem o “silêncio que precede as emboscadas”, que tanto falou Agualusa)
Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,
Hatoum, Kafka, Tezza,
Josué Demarche, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan:
Intimar Fernanda para cantar Lou Reed noite adentro
-e encontrar qualquer defeito em Fernanda
O jeito como pronuncia a letra r
Sua voz impostada nas notas agudas
Não poderia ser mais macio o sorriso de Fernanda?
(Fernanda tem cara de quem come jornalistas no café da manhã)
Se no luau não encontrar nenhum defeito em Fernanda
Evitar na madrugada sem sono escrever um poema para Fernanda
Escondê-lo se já escrito
-e jamais
Em hipótese alguma mostrar os versos para Fernanda
Chico Buarque, Modigliani, Woody Allen,
Hatoum, Kafka, Tezza,
Josué Demarche, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan
Bergman, Elomar, Arvo Part:
Controlar o desespero e a ansiedade
Quem sabe talvez enviar o poema para Fernanda
Abrir uma conta conjugal na segunda-feira
E nunca mais perder Fernanda de vista
terça-feira, 5 de julho de 2011
Mediterrâneo
Na mesa desse restaurante
Tento não entediá-la demais entre
Entradas
Paella
E um Ramón Roqueta branco
Só para ler o silêncio em seu rosto
Busco no baú alguma coisa engraçada
-mas esqueço que há muito tempo deixei de ser engraçado
Falo do Bergman?
Lembro o murro que tomei bêbado num bar recentemente?
Menciono as experiências com heroína na faculdade?
Que traía minha ex-namorada com putas antes de encontrá-la?
Ou prometo um soneto um conto uma caricatura para ela?
Ela fala do cachorro que cava buracos imaginários pela casa
Fala do ex-namorado ciumento paranóico
Fala da mãe com saudades
-não sou filha ausente
Fala de um filme estoniano que me deixou curioso
Diz que vai parar de falar quando vier a paella
-não consigo falar e comer me desculpa?
O frio é covarde
Hesitamos em fumar lá fora
Aceso aqui dentro
Um cigarro queima o meu estômago e esôfago
Quero desembarcar nela
Se ela não perturbar minha solidão
Tento não entediá-la demais entre
Entradas
Paella
E um Ramón Roqueta branco
Só para ler o silêncio em seu rosto
Busco no baú alguma coisa engraçada
-mas esqueço que há muito tempo deixei de ser engraçado
Falo do Bergman?
Lembro o murro que tomei bêbado num bar recentemente?
Menciono as experiências com heroína na faculdade?
Que traía minha ex-namorada com putas antes de encontrá-la?
Ou prometo um soneto um conto uma caricatura para ela?
Ela fala do cachorro que cava buracos imaginários pela casa
Fala do ex-namorado ciumento paranóico
Fala da mãe com saudades
-não sou filha ausente
Fala de um filme estoniano que me deixou curioso
Diz que vai parar de falar quando vier a paella
-não consigo falar e comer me desculpa?
O frio é covarde
Hesitamos em fumar lá fora
Aceso aqui dentro
Um cigarro queima o meu estômago e esôfago
Quero desembarcar nela
Se ela não perturbar minha solidão
sábado, 25 de junho de 2011
Todos os poemas para Lighia
Lighia me conquistou recitando Baudelaire no original
-nunca gostei dessas atrizes que recitam poemas e choram e interpretam em dramas demais
Mas Lighia recitando no bar entre uma cerveja e outra
-não entendo coisa alguma de francês
Falava do seu pai poeta
-sem citar os versos dele
Da primeira aula de violão com o professor ensinando Paralamas
-embora ela quisesse mesmo era aprender Baden Powell
Quando notei ao meu lado a intensidade de Lighia
-antes do bar num concerto sentindo os acordes do Manuel de Falla
Alma absorta no duo de violões
-eu absorto na sua tristeza
Decidi a partir de hoje escrever todos os poemas para Lighia
-nunca gostei dessas atrizes que recitam poemas e choram e interpretam em dramas demais
Mas Lighia recitando no bar entre uma cerveja e outra
-não entendo coisa alguma de francês
Falava do seu pai poeta
-sem citar os versos dele
Da primeira aula de violão com o professor ensinando Paralamas
-embora ela quisesse mesmo era aprender Baden Powell
Quando notei ao meu lado a intensidade de Lighia
-antes do bar num concerto sentindo os acordes do Manuel de Falla
Alma absorta no duo de violões
-eu absorto na sua tristeza
Decidi a partir de hoje escrever todos os poemas para Lighia
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Em você perdido
Não sei responder assim
De veio como quando
De onde surgiu
Aquela vontade de te
Assustou e te parei
No meio do bar tão
Em você perdido
Com o copo na mão
-primeiro a cerveja
Depois o vinho
Bêbado catatônico
Tro-
pe-
çan-
do
Em palavras vomitando
Frases um trecho desordenado da
Divina Comédia
Que você pediu e gostou Alexandre
Me repete essas palavras
Com prazer
Seria capaz de sabia passar uma vida
Na sua frente
Repetindo o mesmo trecho
Da Divina Comédia
Lendo cervejas
Bebendo Dante
Enquanto você fuma um baseado e suave acaricia
Seu cachorro Ringo debaixo de um pôster
Dos Beatles
Num momento estranho
Voltei a viver
-e gostei disso
De veio como quando
De onde surgiu
Aquela vontade de te
Assustou e te parei
No meio do bar tão
Em você perdido
Com o copo na mão
-primeiro a cerveja
Depois o vinho
Bêbado catatônico
Tro-
pe-
çan-
do
Em palavras vomitando
Frases um trecho desordenado da
Divina Comédia
Que você pediu e gostou Alexandre
Me repete essas palavras
Com prazer
Seria capaz de sabia passar uma vida
Na sua frente
Repetindo o mesmo trecho
Da Divina Comédia
Lendo cervejas
Bebendo Dante
Enquanto você fuma um baseado e suave acaricia
Seu cachorro Ringo debaixo de um pôster
Dos Beatles
Num momento estranho
Voltei a viver
-e gostei disso
terça-feira, 31 de maio de 2011
Aos vinte e três
Cansadas depois de acordar
As ramelas dos olhos me levam ao espelho
Tenho vergonha de encarar à frente
-aquilo que nunca fui está ali esperando uma resposta
Meto uma calça jeans
Pego o cinza da camiseta
Calço o velho tênis
Desço do elevador sem cumprimentar o porteiro
-havia mesmo um porteiro?
Na esquina da Avenida Brasil com a São Paulo
Encontro mais ramelas como as minhas
Elas são pesadas
Secas
Amargas
Dirigem carros importados
Seguem a pé rumo ao ponto de ônibus
Correm em silêncio enumerando as tarefas do dia
Entre os disparos de mensagens por celular
E a narração das manchetes dos principais jornais do País no rádio da pastelaria
Entro nesse prédio equilibrando um elefante nas costas
E ainda tenho de sorrir dar um alô perguntar tudo bem e o seu pai
-como vai?
No teclado as letras saem lentas sem estilo nem tesão
Sou um homem morto
-concluo aos vinte e três anos de idade
As ramelas dos olhos me levam ao espelho
Tenho vergonha de encarar à frente
-aquilo que nunca fui está ali esperando uma resposta
Meto uma calça jeans
Pego o cinza da camiseta
Calço o velho tênis
Desço do elevador sem cumprimentar o porteiro
-havia mesmo um porteiro?
Na esquina da Avenida Brasil com a São Paulo
Encontro mais ramelas como as minhas
Elas são pesadas
Secas
Amargas
Dirigem carros importados
Seguem a pé rumo ao ponto de ônibus
Correm em silêncio enumerando as tarefas do dia
Entre os disparos de mensagens por celular
E a narração das manchetes dos principais jornais do País no rádio da pastelaria
Entro nesse prédio equilibrando um elefante nas costas
E ainda tenho de sorrir dar um alô perguntar tudo bem e o seu pai
-como vai?
No teclado as letras saem lentas sem estilo nem tesão
Sou um homem morto
-concluo aos vinte e três anos de idade
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Sou uma pessoa triste
Sou uma pessoa triste
Que não gosta de Saramago
Que não sabe dançar samba
Que já foi parar no hospital às quatro horas da manhã após uma tentativa frustrada de suicídio
Sou uma pessoa triste
Que não têm histórias empolgantes na mesa do bar
Que não consegue rir da piada mais engraçada
Que não sai de casa há pelo menos seis meses
Que toma sacolas de remédios e antidepressivos
Que perdeu o emprego por causa de um filho da puta
Que possui dois filhos com a Tânia que é uma puta
Que come frequentemente algumas putas
Sou uma pessoa triste
Que precisa beber descontroladamente
Que sempre esteve no fundo do poço
Que não tem amigos mais felizes ou mais sóbrios
Que nunca sabe a hora de ir embora
Que nunca vai embora até ser o último a ir embora
Que dorme no banheiro bêbado de madrugada
Canto Adoniran Barbosa quando fico bêbado
Recito Ferreira Gullar quando fico bêbado
Quando fico bêbado
-sou uma pessoa ainda mais triste
Que não gosta de Saramago
Que não sabe dançar samba
Que já foi parar no hospital às quatro horas da manhã após uma tentativa frustrada de suicídio
Sou uma pessoa triste
Que não têm histórias empolgantes na mesa do bar
Que não consegue rir da piada mais engraçada
Que não sai de casa há pelo menos seis meses
Que toma sacolas de remédios e antidepressivos
Que perdeu o emprego por causa de um filho da puta
Que possui dois filhos com a Tânia que é uma puta
Que come frequentemente algumas putas
Sou uma pessoa triste
Que precisa beber descontroladamente
Que sempre esteve no fundo do poço
Que não tem amigos mais felizes ou mais sóbrios
Que nunca sabe a hora de ir embora
Que nunca vai embora até ser o último a ir embora
Que dorme no banheiro bêbado de madrugada
Canto Adoniran Barbosa quando fico bêbado
Recito Ferreira Gullar quando fico bêbado
Quando fico bêbado
-sou uma pessoa ainda mais triste
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