segunda-feira, 15 de março de 2010

Tormento do Abílio

Seu padre eu vim aqui pra me confessar.
Não sou dessa paróquia.
Frequento a do Jardim dos Pássaros.
Conhece o Padre Janílson?
Não consegui confessar com ele.
Nem com os amigos.
Não tenho dormido direito.
O tormento diário da minha existência.
O que eu falo só o senhor me ouve né?
Sem Maria anjinhos ninguém vai nunca saber né?
É assim.
Direto.
Vou falar de uma vez.
Deus tem aparecido nos meus sonhos.
O próprio.
Eu sei que é ele porque ele me diz.
Vem cercado por um monte de anjinhos.
Falando Aqui em cima na terra prometida não tem lugar pra você Abílio.
O que eu fiz ele diz não tem perdão.
Quando minha mulher saiu de casa logo arranjei outra.
Nem uma semana.
Amor com amor se cura.
Senão vira doença.
Apaixonada bem bonita dizia que me amava.
Junto com ela veio a garota.
Doze aninhos.
Loira como a mãe pele clarinha.
Sempre no banho esquecia a toalha.
Eu levava porque a mãe não desgrudava do fogão.
Mas daí fui notando algumas coisas.
Tem um espelho na frente da pia.
Se a porta fica um pouco aberta dá pra ver lá dentro.
E só espiei porque ouvi os gemidinhos.
Cada vez que eu entregava a toalha ela estendia a mão direita pra mim.
Enquanto a esquerda ia lá pra pititita dela.
Tudo acabava com o risinho abafado pela porta que batia com força.
Isso uma vez.
Isso duas três vezes.
Isso vinte vezes.
Olha.
Tô até suando de nervoso.
Em seis meses eu já tinha sonhos com ela.
Sonhava mas claro pensava nunca jamais tô fora.
Sabia do pecado.
É crime de polícia e cadeia né?
Num dia lá a menina tava doente.
Não levantava pra ir na escola.
Era bem quarta feira.
No dia em que não trabalho.
Fiquei de cuidar da menina.
Bem carente não conheceu o pai.
Um desses maloqueiros aí perdido no crack e coca.
A mãe a deixou no sofá.
Com os pés no meu colo.
E ligou a TV num programa lá.
Um beijo em cada um de nós.
Te amo Abílio paixão eterna minha vida meu suspiro!
Nem bem saiu a garota levantou saltitante.
Minha vida meu suspiro?
Deu uma reboladinha na minha frente.
De saia curta calcinha azul e blusinha branca.
Parou.
Desligou a TV.
Lambeu o controle bem devagar me encarando.
Jogou ele no tapete.
Vinte minutos pra encontrar as pilhas depois!
Agachou.
Ficou de joelho no chão.
Passando a mão na minha coxa.
Com as duas mãos abriu minha calça jeans.
Mais rápida do que a mãe.
Riu quando viu o tamanho da coisa.
Como é grande não dói?
Enquanto ia com a boca lá gemia gostoso e mandava:
Goza seu puto goza!
Na presença da mãe uma santa.
Minha pequena devassa do Jardim dos Pássaros.
Lábio molhadinho.
Língua geladinha.
Cabelos dourados.
Sorriso de anjo.
Ai aqueles pelinhos dos braços todos arrepiados.
Ai que falta me faz puxar aquele cabelo por trás.
Eu vou trazer ela aqui pra confessar que me ama.
A Igreja tá do meu lado?
Meu coração não suporta.
Vou pedir o casamento.
Se não der vou casar assim mesmo.
Assumo o filho que tá na barriga.
Mudo de cidade de país se necessário.
Tenho economias vou pro Paraguai.
Ou Argentina.
E se Deus não estiver de acordo e se Deus me abandonar por aqui.
Eu deixo a Igreja a hóstia as cerimônias a caridade.
Entrego minha alma de bandeja pro Diabo.
Mas não abandono o amor da minha vida.

7 comentários:

Anônimo disse...

Quero direitos autorais pelos termos: bimbada e pititita, sempre presentes em seus contos. huhAUHAUAHUHUHAUAHUA

Canalha!

att, Mike

Anônimo disse...

É como a Lolita de Nabokov, ne? Disculpa meu portunhol, Alexandre... seu blog é internacional agora.
Saudades desde Argentina!
ami

Chenepan disse...

uau!!

Alexandre Gaioto disse...

Internacional? HAHA.
Ami, seu portunhol é perfeito! Você é toda perfeita! Finalmente passou por aqui. Mande o seu email pra mim, pô! Esqueci de anotar lá no albergue. Beijão!

Anônimo disse...

Mandou bem canalha. Você e seus textos de pornografia. Quando sai o livro, rapaz?

Caio

Alexandre Gaioto disse...

Em breve, Caio. Preciso escrever mais uns seis ou sete contos. Daí publico uma pequena tiragem. Você compra uma? Abraço, canalha!

Rejane Heloise disse...

Tbém lembrei da Lolita... Muito bom!

Quando sair esse livro me avisa...