terça-feira, 5 de julho de 2011

Mediterrâneo

Na mesa desse restaurante
Tento não entediá-la demais entre
Entradas
Paella
E um Ramón Roqueta branco

Só para ler o silêncio em seu rosto
Busco no baú alguma coisa engraçada
-mas esqueço que há muito tempo deixei de ser engraçado

Falo do Bergman?
Lembro o murro que tomei bêbado num bar recentemente?
Menciono as experiências com heroína na faculdade?
Que traía minha ex-namorada com putas antes de encontrá-la?
Ou prometo um soneto um conto uma caricatura para ela?

Ela fala do cachorro que cava buracos imaginários pela casa
Fala do ex-namorado ciumento paranóico
Fala da mãe com saudades
-não sou filha ausente
Fala de um filme estoniano que me deixou curioso
Diz que vai parar de falar quando vier a paella
-não consigo falar e comer me desculpa?

O frio é covarde
Hesitamos em fumar lá fora
Aceso aqui dentro
Um cigarro queima o meu estômago e esôfago
Quero desembarcar nela
Se ela não perturbar minha solidão

3 comentários:

Pretti disse...

Preciso de um botão de "like" para esse poema. Muito bom!

Anônimo disse...

Adorei esses menos violentos.. rsrs
continua?

beijokas,
anah

Anônimo disse...

um dos melhores,com certeza.
o título, a mescla da realidade, a última estrofe. muito bom! parabéns, gaioto!