segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Neguinha minha!

Aquele anão me deu um frio na espinha.
Bem ali na frente do Bar do Vermelho.
Andava rápido mancando.
A perna direita dez centímetros menor.
Mais três quadras eu já taria em casa.
Ai azar meu.
Devia ter voltado com o Luiz não de ônibus.
Ninguém na rua numa hora dessa.
Madrugada em Maringá vazia sem gente nem proteção.
Braços fortes de homem de verdade.
Negro quase azul.
Se eu mudo de calçada a coisa piora?
Continuo no passo apertado.
Bem do meu lado ele passa rápido.
Nem olhou pro meu vestido novo.
Vermelho decotado bem curtinho.
Como pode?
Tão bem sucedida em qualquer lugar?
Ali sozinha nem ao menos uma espiadinha?
Anão veado?
Curiosa que só virei depois.
E pimba!
Ele virou também.
Sorriso de veado aquilo nunca.
Macho pra danar isso sim.
Olhar de desejo tesão e bebida.
Fiquei quente deu medo.
Voltei pro meu passo desviando das árvores.
Já ouvia ele tropeçando agora pra perto de mim.
Neguinha minha!
Além de anão manco ainda por cima fanho.
Como me alcançou tão rápido?
Já me puxou pelo braço.
Me encostou numa parede.
Eu fraca com dó dele?
Um chute apenas bastaria.
As pernas chacoalhando de um lado pro outro.
Um frio na espinha quente se espalhando pelo corpo.
Como sem reação?
Quente quase com febre.
Aqueles dedinhos passando na minha perna por dentro e por fora.
Encostada firme contra a parede áspera.
Com os dedos chegou até a barriga.
Nunca senti igual.
Me mandou abaixar.
Eu obedeci.
Ele começou a lamber meu decote.
Olhava alucinado.
Não sabia mais onde enfiar a mão.
Tentaria meu ouvido meu umbigo?
Eu puxava o cabelo dele pra trás.
Lambeu meu dois mamilos durinhos durinhos durinhos.
Um relevinho surgiu na calça dele.
Entrou debaixo do vestido.
Apoiando nas minhas pernas lambia toda minha intimidade.
Primeiro na frente.
Depois atrás.
Ficou assim bem gostoso.
Minha mão no corpo dele.
A língua e os dedinhos dele em mim.
E pimba!
Ele foi eu fui também.
Me deu um beijo na bunda do lado esquerdo.
Fechou o zíper.
Saiu mancando sem olhar pra trás.
Deve morar aqui por perto no Tabaetê.
Em casa liguei pro Luiz.
Boa noite amor te amo cheguei bem em casa.

6 comentários:

Wilame Prado disse...

A literatura faz com que nos desliguemos da realidade para entrarmos noutra, totalmente mais rica e confortável do que a vida real. Pelos minutos em que estava lendo este texto, sinceramente, deixei de respirar, de viver, e transformei-me na personagem principal, sentindo aquele momento. Melhor ainda: eu era o muro áspero do conto – um telespectador inascível da cena. Parabéns.

Michel Queiroz disse...

seu canalha! sua tecnica de reescrever contos, está dando resultado! é um sucesso! os contos estão mto naipes!

sou teu fã, bixo!

Anônimo disse...

Descrição perfeita! Ambiguidade tratada com perspicácia e tremenda inteligência! Adorei!

Paty disse...

Descriçao perfeita dos fatos! Ambiguidade tratada com perspicácia e tremenda inteligência! Adorei!

Lyla disse...

Nooossa esse foi bom... muito tesão como diria vc, CANALHA, rsrs realmente erótico. Parabéns

Lyla disse...
Este comentário foi removido pelo autor.